| |
| |
Personalidade
DRUSTAN, o SCALDI
Nascido
no Rio de Janeiro em 1977, quando o sol estava no signo
de virgem, o escritor e adepto wiccano, DRUSTAN, vem
merecendo a aprovação dos leitores deste
portal. Criado na Cidade Maravilhosa, logo interessou-se
pelas artes cênicas e pela música, mas
seu trabalho mais significativo está numa multinacional,
na área de telecomunicações. Omitimos
os pormenores para evitar o patrulhamento dos ignorantes.
Nosso entrevistado é também um apaixonado
pelas ates marciais orientais.
Entrevista
concedida ao Editor de Magia, M. Selaht em 2005.
Mensageiro
– Como foi que começou seu interesse pela
Tradição?
Drustan – Comecei pesquisando e acabei indo parar
no culto da Terra e em busca de mais informações.
Acabei descobrindo a verdade oculta do meu passado.
É claro, isso só vale para quem acredita
que há um passado além do segmento atual
de vida, ou muitos passados.
Mensageiro – quando tomou a decisão
de se dedicar à Tradição?
Drustan – Há cerca de quatro anos venho
pesquisando mais intensamente a Arte, inclusive por
fatores históricos, acabei descobrindo que a
wicca está muito presente na história
do mundo e, desde então, venho aprimorando meus
estudos e sempre que possível, disseminando o
conhecimento wicca. “O conhecimento que não
circula é o mesmo que a ignorância”.
Mensageiro – Qual é a sua atividade
na vida profana?
Drustan - Trabalho numa empresa multinacional na área
de telecomunicações. Faço também
produções artísticas e musicais,
que são atividades de que gosto muito.
Mensageiro – Como conciliar o adepto
wiccano com o cidadão?
Drustan – Na verdade, somos um só e um
apóia o outro [risos], já que a base da
filosofia wiccana é o que me supre dia a dia,
dando-me uma visão mais abrangente e profunda
do mundo, você sabe, o que a maioria das pessoas
não vê.
Mensageiro – Como está o estudo
da tradição céltica no Brasil?
Drustan – Descobri em meus estudos que há
uma genealogia de adeptos wiccanos da velha Tradição
que veio para o Brasil. Eles são, em sua maioria,
britânicos, mas, pasmem, também italianos
e portugueses! Descobri que o estudo da tradição
wiccana está muito mais enraizado do que o azevinho(1)
e muito mais extenso do que o mundo profano pensa.
Espero que breve casamentos celebrados na tradição
wiccana, com validade civil(2), venham a ter lugar no
Brasil, com a mesma naturalidade que com os casamentos
que já acontecem na Europa há muito tempo.
Mensageiro – Quais são os seus
planos para o futuro?
Drustan – Nisso, somos parecidos, eu quero matar
o espírito da fogueira, acabar com esse resíduo
rançoso que a inquisição deixou
nas religiões, quero ajudar a banir essa idéia
falsa do que o que não for deles é de
satanás, no qual, aliás, nem acreditamos,
isto é, não na forma como é apresentada
pela “Santa Igreja”.
Estou sendo convidado para ser iniciado na Maçonaria,
pelo mago Selaht, e por um outro colunista deste portal,
que não me autorizou a revelar-lhe o nome. Isso
já deveria ter acontecido ano passado, se não
fossem alguns problemas de ordem pessoal, mas este ano,
sem falta, pretendo ser iniciado. É como disse
há pouco, os portadores da luz se encontram.
Basta uma simples lamparina para que as trevas sejam
banidas.
Mensagiero – Uma das perguntas alvo da
curiosidade dos leitores é sobre seu nome iniciático.
De onde vem? O que significa?
Drustan - Vem, do gaélico, mais precisamente
das civilizações pictas(3). O nome era
somente “Drust” que significa triste. O
nome completo é uma homenagem ao cavaleiro Drystan
(Tristão) da Távola Redonda, o único
dos cavaleiros que usava armadura negra, “scaldi”,
que significa negro.
Menageiro – Para terminar, o que está
achando escrever no Portal?
Drustan – Sou um curioso nato. Tenho pesquisado
na Internet e acho que o www.mensageiro.com.br é
o melhor e maior canal de divulgação de
estudos esotéricos. É onde a verdade é
mostrada sem medo de patrulhamento ideológico
e religioso. A proposta editorial de ajudar a publicação
de matérias que os outros veículos não
têm coragem de publicar me agrada muito. Os assuntos
polêmicos sobre ocultismo são dissecados,
acompanhados de provas e citações. Enfim,
é aquela “lamparina acesa na escuridão”.
A equipe de especialistas e jornalistas do portal me
dá muita segurança, já que sou
um dos mais novos da equipe e a experiência deles
é fundamental para meu crescimento pessoal. Tenho
recebido mais apoio do que esperava, ou melhor, mais
carinho profissional. Sou ouvido e minhas opiniões
respeitadas.
As raízes do azevinho são mais
profundas do que se pensa.
N.R.
(1) Uma árvore sagrada do ritual wicca.
(2) Neste país onde a liberdade religiosa é
garantida por lei, a hipocrisia é garantida pelas
igrejas e esse casamento ainda não ocorre.
(3) Sub- etnia celta
|
|
| |
|
|
| |
Alertas
Por: Drustan, o Skaldi.
“Neste organismo vivo
que chamamos de Terra, tudo está conectado, mas
quem se lembra do primeiro texto desta coluna e seu
título? Começamos falando justamente das
reações do planeta às irresponsabilidades
humanas”.
Acompanhamos nesses recentes dias através
da “media”(1), as catástrofes
naturais que assolam o planeta. Na Europa, chuvas torrenciais
e nevascas contrastam com o calor indizível que
faz atualmente aqui em Breazail(2);
a América do Norte enfrenta um frio igualmente
devastador. O clima se apresenta imprevisível
e impiedoso frente aos homens, mas isto não é
o pior nos dias recentes.
O Chile teve grande parte de seu território
solapado por um terremoto de 8,5 na escala Richter,
terremoto este que veio acompanhado de um maremoto,
o qual provocou alertas também para o litoral
nipônico, vindo a repetir o alerta que foi em
seguida anulado no próprio Chile. Dias depois,
Taiwan enfrenta um tremor de 6,5. Os terremotos e maremotos
da América Latina, até o presente vitimaram
aproximadamente 802 pessoas, das quais cerca de 500
morreram devido ao maremoto e pelo que estudei em Geografia,
não duvido que o chamado Cinturão de Fogo
também se ponha em atividade dentro em breve.
Alfred Wegener, na
sua “Teoria da Deriva Continental”
nos ensina que de acordo com o movimento do magma as
placas tectônicas sob os continentes se movimentam
que, ao se ajustarem provocam os terremotos; estes se
acontecerem sob o mar, provocam vibrações
violentas nas águas e com isso acontecem os maremotos.
Por fim sendo tudo isso conectado, não é
de se admirar que a pressão feita por tais movimentos,
em seguida venham a provocar a erupção
de algum vulcão, afinal, tremores são
sempre o prenúncio de atividade vulcânica.
Neste organismo vivo que chamamos de
Terra, tudo está conectado, mas quem se lembra
do primeiro texto desta coluna e seu título?
Começamos falando justamente das reações
do planeta às irresponsabilidades humanas.
Há uma nova teoria graçando
pelo meio científico, de que o planeta passaria
por glaciações a cada 1.500 anos, mas
tais eras de gelo seriam antecedidas por secas e altas
de temperaturas. Bom, se observarmos bem, o calor já
começou, e segundo uma equipe multidisciplinar
de cientistas, historiadores e arqueólogos; tal
flutuação no clima terrestre teria sido
responsável não só pela chegada
do homem nas Américas, como também teria
sido diretamente ligada ao fim do esplendor da antiga
civilização egípcia; por fim, os
cientistas dizem que o período de acomodação
climática estaria no fim e que o calor insuportável
que vivemos já é o início da seca,
que chega inclusive a provocar um sensível desgelo
nos pólos. Em seguida, será “Isa”.
Mas a teoria dos ciclos climáticos
diz que o homem tem acelerado o fim do ciclo e está
provavelmente adiantando e prolongando o período
de seca com os seus “dejetos”. Se isto é
certo, não tenho como lhes precisar, mas torno
á dizer que a Terra vai eleger os seu e estes
serão os que viverão para acompanhar e
viver um futuro, onde talvez a humanidade seja seriamente
reduzida. Reduzida para ter de reaprender que
“é dito pelos índios que não
podemos dividir a terra, pois ela não é
nossa; nós é que somos dela. Também
por índios é dito que o branco não
sabe que a terra cobra, porque a terra traz a comida
que cura a doença da fome.”
Outro bom indício é o
próprio comportamento de vários indivíduos
humanos, concordo plenamente com o Professor George
Charbel Farah(3) (também colunista do mensageiro.com),
quando ele diz que várias pessoas já começam
á procurar coisas como a Yoga, não só
para aprenderem á resistir cargas indizíveis
de tensão, mas também para preparar os
corpos para situações de privação.
Outros tantos têm observado o vegetarianismo e
o cultivo orgânico, pois não haverá
gado em quantidade e qualidade suficientes para alimentar
á todos. Virá a fome, que causará
a doença, ambas causarão as guerras por
busca de recursos e tudo isso junto trará a morte.
Mas tudo isso também pode ser uma ficção
de nossas cabeças delirantes e pasmas diante
de tantas mudanças e movimentos poderosos da
Terra. Talvez nós sejamos os únicos causadores
daquilo que temos acompanhado.
Em dezembro de 2008, mais uma vez escrevi sobre o mesmo
tema, ainda assim, quando já nos víamos
pasmos e criamos que não teria como piorar...
piorou. Talvez seja o fim de mais um “aetir”,
talvez seja a paga por nossos atos. Mas o certo, é
que os mais atingidos no fim, seremos nós.
Fontes:
Rituais Celtas; por: Andy Baggott; Ed: Madras; S.P.;
Br; 2002.
Gaia, a Terra Viva: http://hps.infolink.com.br/peco/nage_03.htm
A Vingança de Gaia: http://www.consciencia.net/2006/0124-hipotese-gaia.html
N.A.:
(2)-Breazail (Gaélico- Lugar da Pedra de Ferro):
lenda celta na qual haveria uma terra santa e mágicka
onde as pessoas jamais envelheciam. Também segundo
relatos, seria a prova de que os Celtas descobriram
o Brasil ainda antes de 1.500 d.C.
O Brasil é conhecido exportador de ferro e manganês,
os Celtas tinham razão.
Isa (Escandinavo): Parte do Phutark, alfabeto rúnico
Viking. Simboliza o tempo de espera e simboliza o gelo.
Aetir (Escandinavo): Ciclo de tempo, período
ligado á uma divindade. Também são
assim chamados os três conjuntos de oito Runas
em que se dividem o Phutark.
N.R. (1)-media lat singular medium significa meio de
comunicação (veículo) forma correta
para mídia que é a forma usada como nos
Estados Unidos por desconhecimento, da proncia em Latim.
(3)-Maior autoridade em Radiestesia no Brasil, dados
biográficos disponíveis no portal www.mensageiro.com.br
|
|
| |
Dagaz
Por Drustan, o Skaldi
Dagaz é o nome de uma runa; este
glifo não tem lado e é uma das “treze
runas do ciclo do destino”
por ser uma das letras que fala sobre o estado evolutivo
do indivíduo. Esta letra do Phuthark(1)
quando sai em um jogo simples,
fala de um salto no escuro, uma prova de fé que
fará o indivíduo renascer e evoluir, e
por isso mesmo ela fala de dissolução,
morte, mesmo em grau físico. Outra pedra relativa
a rupturas é Hagalaz, o granizo, ou seja, uma
separação abrupta promovida por forças
externas à nossa vontade, por vezes as mãos
dos deuses ou novamente o destino. Tal glifo também
não tem lado.
Morte?
Mas o que isso tem em comum com os textos anteriores
da série sobre espaço/tempo? Simples,
o último rompimento da convenção
espaço/tempo é algo comum a esta coluna,
a morte. Não é a morte a dissolução
da matéria e a interrupção da linha
do tempo?
Quem, como nós,
estuda a velha filosofia, sabe que morte não
significa apenas o fim da vida, é transformação,
é ter de abandonar velhas coisas, costumes e
pessoas em prol da abertura de espaço para a
vinda da primavera. Mas, para tanto, há de se
ter preparo, pois todo o corte traz dor, dor que é
causada pelo apego, que é o item final desta
série.
Em seu artigo sobre o apego,
as psicólogas Juliana Dalbem e Débora
Dell’Aglio (UFRGS), ensinam que o apego é
desenvolvido ainda na primeira infância do indivíduo,
sendo este um programa de controle homeostático,
criado com base na alimentação e sexualidade.
O apego se cria pelo fato de que a necessidade de sobrevivência
do bebê cria laços de cunho afetivo com
aquele que o guarnece, já que depende deste para
se manter vivo. Mediante isso, a satisfação
da necessidade traz saciedade e prazer e o indivíduo,
cria laços intensos com aquilo ou aqueles que
lhe produzem tais efeitos, sendo o objeto de apego removido,
a homeostase dá partida a um processo no qual
o indivíduo procurará repor o objeto de
apego a fim de reaver a segurança perdida; a
tese exposta fala de sentimentos entre pessoas, mas
sabemos que isso pode se dar também com comportamentos,
lugares, idéias e até mesmo objetos.
Vivemos com o fato de
que ao longo da vida, várias coisas e pessoas
passam por nós, tendo seu tempo de integração
bem definidos na nossa Roda do Tempo, mas o apego faz
com que tentemos conservá-las a todo custo, porém
aquilo que deixa de ter utilidade logo se transforma
em peso morto, aumentando o sofrimento, lógico,
uma bagagem pesada acelera a fadiga no caminhar e aí
forçosamente temos de nos livrar disso para continuar
até o objetivo com as forças e meios que
restarem. No caso
da morte, os filósofos kardecistas afirmam que
o apego ao corpo pode fazer com que a sombra morta da
pessoa sinta até mesmo os sarcofagídeos
se alimentando de seus restos e sintam ainda as dores
de sua causa mortis, tal coisa só poderia ser
evitada por quem tem desapego á suas formas carnais
e aspectos da vida passada.
Desapego
Mas o que seria o desapego propriamente
dito? É dito na doutrina
de Buda que o desapego é uma das condições
necessárias ao homem para se ver livre de vários
motivos de sofrimento. É preciso ter espírito
forte para ser nobre o suficiente e conceder liberdade
ao passado. Tudo tem seu tempo e lugar, entendeu? E
por isso mesmo, várias vezes na vida, chega o
momento em que temos de superar a forma e abrir mão,
deixar ir. O rio represado tem de correr de vez em quando
ou transbordará e afogará os frutos do
trabalho de quem o represou e poderá até
mesmo matar na intenção de se ver liberto.
Para muitos, que não têm esta idéia
firme na mente, o processo de renúncia é
extremamente doloroso, infinita é a dor da mãe
que vive mais que o próprio filho e lhe testemunha
a partida. Mas os filhos não são nossos,
os amores são do universo, os objetos pertencem
à matéria, as circunstâncias são
do tempo, o poder vem dos deuses, de fato. Só
é seu aquilo que você pode dar. O
desapego é de fato a demonstração
de poder da realeza. Quem aprisiona é comezinho,
quem está preso é escravo e somente o
rei pode libertar o escravo e dar indulto ao criminoso,
tornando-os livres, e o homem livre é um homem
inteiro; sendo que o homem inteiro, íntegro,
tem poder sobre si mesmo, e quando liberta o seu passado,
também se torna um rei.
“E assim vai
Chamando como um vento distante.
Na hora decisiva andaremos
Para atravessar ferro e fogo;
Sem som para quebrar, sem momento certo.
Quando todas as dúvidas são claras como
cristal
Se batendo de frente para quebrar o vento secreto."
Música: Cuts you Up.
Disco: Deep.
Cantor: Peter Murphy.
Fontes:
Doutrina de Buda; Gautama, Siddharta; Ed: Matin Claret;
S.P; BR; 2005.
Livro dos Médiuns; Kardec, Allan; Ed: Fed. Espírita
do Brasil; RJ; BR.
Teoria do apego; Dalbem, Juliana; Dell’Aglio,
Débora; UFRGS; RS; 2005
(http://pepsic.bvs-psi.org.br/pdf/arbp/v57n1/v57n1a03.pdf)
N.A:
(1)Phutark: Alfabeto rúnico nórdico.
Drustan no Twitter:
http://twitter.com/DrustanoSkaldi
|
|
| |
Até o nada
Por Drustan, o Skaldi
No texto anterior, “TORCENDO
AS HORAS”, vimos uma avaliação mística
do tempo, mas como a intenção é
expor a fragilidade do status quo relativo ao conceito
espaço/tempo, vamos agora avaliar a fragilidade
do que se pensa sobre o espaço, logo, matéria.
O texto será propositalmente curto, não
só pelo fato de eu não ser um alquimista,
um químico ou um físico, mas também
por não querer lhes embaralhar a mente com explanações
longas e desnecessárias, aquilo que é
simples, sempre é o mais certo de acontecer.
“O tempo é
a ação da eternidade do universo sobre
a matéria”, esteja ela fixa ou móvel
em um ambiente que é fixo. Tudo aquilo que, de
alguma forma, é visível ao olho humano
de forma imediata, mesmo que haja o concurso de aparelhagem,
é matéria. Na escola aprendemos que o
universo material é dividido em muitas gradações,
desde corpos complexos de diferentes naturezas, células,
moléculas, átomos, elétrons e daí
por diante, até que alcancemos as ciências
subatômicas.
Até o presente
momento, os físicos vêm tentando fender
a matéria em partículas cada vez menores
em busca da menor partícula indivisível.
Mas quem já leu algo sobre Alquimia sabe que
toda a matéria é divisível; então
quando os físicos descobrirem o indivisível,
já terão abandonado a Física como
a conhecemos.
A partir do momento
em que se compreende que toda matéria é
divisível, também vemos que a mesma é
instável e, também, maleável, qual
o tempo que as pessoas juram não poder controlar.
Pense bem, você promove alterações
na matéria diariamente, muda seus estados, formas
e até a transforma em coisas completamente diversas
de sua natureza inicial. A cozinha é a maior
prova disso: no café da manhã, pegamos
uma planta que já foi semente, virou arbusto,
frutificou e teve seus grãos torrados e transformados
em pó. Tal pó é colocado em água
quente e se torna líquido e com um sabor diferente
do grão in natura, que é algo intragável.
Quantas transformações se promovem ao
fazermos um simples bolo?
Agora que todos entendemos
que a fixidez da matéria é ilusória,
sabermos que a relação espaço/tempo
não é como nos ensinam normalmente, sabemos
plenamente que a falta de rigidez de ambos, nos dá
possibilidades de alteração da realidade
como a conhecemos, tal informação é
principal para que se desenvolva um bom File. Sem acreditar
que a realidade é mutável, não
nos adianta o caldeirão e o altar; quem pensa
o contrário, nem deve se ocupar de conhecer o
mundo espiritual. A propósito, quem já
pode ler algum escrito kardecista com relatos sobre
os Sidhes(1), sabe que lá basta apenas um pensamento
para alterar o momento. Monstros e banquetes surgem
em tempo menor do que o piscar de um olho.
Ao começar uma
Mágicka, tenha em mente que tudo é possível,
basta apenas ter uma intenção forte e
acertada, e mensurar a energia e os fatores necessários
para manobrar. Agora, você pode, inclusive, acreditar
na intervenção direta dos Filid e dos
Deuses, já que nada é fixo e tudo pode
vir a acontecer. Somente o que é perfeito dispensa
aperfeiçoamentos, por tanto, é imutável.
“Efetivamente, tudo o que é
engendrado é imperfeito e divisível, extensível
e redutível; ora, nada disso afeta o perfeito.”
Fonte:
Corpus Hermeticus; Trismegistos, Hermes; Ed: Instituto
Michael; Br.
N.R. (1) Sidhies - poderes do universo.
|
|
| |
Torcendo as
horas.
Por: Drustan, o Skaldi.
A segunda-feira ainda estava na aurora, no entanto eu
acordei ressabiado. O coração pesado e
a mente alerta, típicos sintomas de susto, no
entanto não havia motivo. Saltei da cama apressado
e comecei a me preparar para o dia de trabalho, enquanto
isso me questionava o que teria provocado tal reação.
Depois de alguns minutos,
concluí que nada havia e procurei me concentrar
no alaúde que tocava no rádio, mas assim
mesmo a angústia não se desfazia. Saí
de casa ao som de um madrigal etéreo que não
combinava com meu estado de espírito. Menos de
uma hora depois saltava do ônibus próximo
ao trabalho. A visão das pessoas me enervava,
era como transitar em um local que me causava aversão.
Todos me pareciam iguais,
todos Fomoire, vivendo apenas para saciar suas fomes
e sedes de cada momento, o pior de tudo é que
eu me sentia um deles. Então mais uma vez eu
me dei conta, a realidade me enredara e eu havia esquecido
de quem sou, preocupado apenas em satisfazer a necessidade
como um animal, e pior, um animal já condicionado;
dominado por alguém mais esperto.
No caso esse alguém
é a realidade imposta pela sociedade: dinheiro,
status, poder e tudo o que vem com eles. Mas eis aí
o mundanismo e o momento para a lição.
A realidade da sua cidade
é formada por um enorme coletivo de realidades
individuais, é o exercício da pressão
das mentes de todos os indivíduos da comunidade
reunidos. É como o tempo, ele não é
plausível, se desenrola de acordo com a percepção
de quem o observa, segundo os cientistas, pode variar
até de um lugar para outro. O próprio
Dr. Einstein, afirmou que “Se eu soubesse que
o tempo é relativo entre lugares, eu teria me
tornado relojoeiro.” O tempo não é
uma instituição fixa, tem severas variantes
que podem implicar entre o tentar e o conseguir, basta
saber se vai ser o suficiente para que um determinado
evento aconteça.
Agora vem o pior: O
tempo não é fixo, logo, se torna maleável.
Esta é uma mágicka digna de um Dragão!
Abster-se do tempo em momentos cruciais é a fórmula
para começar a manejá-lo, basta não
se ater a ele e aquilo que antes era impossível
em um curto espaço de tempo, acontece. Basta
não ligar e fazer sua parte com concentração.
Obviamente por causa de toda uma vida de condicionamento,
não adianta forçar em certas ocasiões,
a força a ser empregada; vai além do nosso
alcance.
Pode parecer uma divagação
estúpida da minha parte, mas pense no soldado
que luta para desarmar a bomba, o médico que
tem de desfibrilar o paciente morto e até mesmo
o criminoso que contra o tempo se evade da cena no crime.
Todas essas são ocasiões onde geralmente
se pensa que o tempo não será suficiente,
mas com a devida concentração e alheamento
ao relógio, acontecem movidas apenas pela vontade
de quem age. Depois de muitas experiências, o
Éter começa á se abrir e vem aquela
noção antecipada dos eventos marcados
no nada, sobre horas vindouras, o futuro das horas.
Quem não tem
essa noção, age qual escravo ou animal
condicionado a salivar ao som da sineta. O que detona
isso é muito simples: O fim do tempo da vida
é a morte. O ser humano dispende todo seu tempo,
correndo da Morte, sempre há muito a se fazer
em um mínimo de tempo. Por isso as pessoas mundanas
estão sempre aferradas em seus objetivos comezinhos,
se eles não lutam por isso o tempo inteiro, se
não empregam toda a força de suas células,
eles não realizam e a morte é campeã.
Quem compreende o tempo,
sabe que a morte não é o fim de todo o
tempo, mas apenas um fim de período, portanto
sempre há calma, pois sempre há tempo
para se fazer e ser mais.
Uma hora depois de despertar
eu chegava ao trabalho. À medida que me aproximava
da minha sala me sentia mais calmo, por estar mais longe
do ambiente inóspito da rua. Mas a calma não
veio de todo, já sentia o Éter se abrir
e mostrar o futuro das horas, seria um dia difícil,
foi um dia difícil.
Para terminá-lo,
sento aqui, escrevo e compartilho meus vislumbres. Foi
um dia difícil. Boa noite; durma bem.
“Se seu tempo para você
Vale a pena ser salvo,
Então é melhor começar á
nadar
Ou irá se afundar como uma pedra.
Pois os tempos, eles são uma mudança.”
Música: The Times They
Are a Changing
Autor: Bob Dylan.
Fontes:
Corpus Hemeticus (Trismegistus, Hermes; Ed: Instituto
Michael; Br)
Rituais Celtas (Baggott, Andy; Ed: Madras; S.P; Br;
2002)
Siga Drustan
no Twitter: http://twitter.com/DrustanoSkaldi
|
|
| |
Um peso duas medidas
Por Drustan, o
Skaldi
Como de costume, cheguei
bem cedo ao trabalho e comecei a ler as notícias
do dia nos jornais da Internet, mas para minha surpresa,
ao abrir a versão eletrônica da BBC Brasil,
encontro duas matérias sobre o Ofício;
mas de conteúdo bastante díspar.
Na primeira, o político
estadunidense Matt Latimer, que foi um dos autores dos
discursos de G.W. Bush quando este era presidente do
seu país, declara em seu livro que a autora J.K
Rowlig (autora da série literária Harry
Potter), havia sido indicada para uma comenda, mas fora
vetada por vários congressistas por crerem que
a moça “incentivava a bruxaria” em
seus livros.
A segunda matéria
dava conta de que o governo espanhol, na tentativa de
trazer as Olimpíadas de 2016 para Madrid, estava
organizando uma enorme cerimônia esotérica
pública na estação ferroviária
de Atocha.
Quando nasci, o artista
plástico Andy Warhol, já havia criado
a Cultura Pop, e pode se dizer que Rowling é
uma de suas descendentes já que escreve livros
que são de amplo alcance popular entre o público
infanto-juvenil mundial. Sua série é best-seler
em vários países do globo e uma febre
no cinema de entretenimento. Enfocado pelo Ofício,
os livros têm bem pouco da nossa “Ars Antiqua”,
mas não se pode negar que fomentaram um grande
movimento de leitura em jovens do mundo que desconheciam
o que é um livro, que não sabiam como
é o prazer de ter uma encadernação
entre os dedos e singrar por entre as palavras, criando
cenários e feições de personagens
na própria mente. Esta é apenas mais uma
prova de que o livro é imortal enquanto existir
a humanidade.
Mas os congressistas
estadunidenses, que vivem bravateando liberdade desde
1776, mostraram-se tão retrógrados quando
os padres e senhoras da Associação Católica
Autraliana Pelos Bons Costumes, que tencionavam proibir
os livros e os filmes no Novíssimo Mundo. Lembro
que de certa feita, quando o primeiro filme estreou
no Brasil, flagrei um padre comprando o livro numa loja
do Centro do Rio, e o mesmo me declarou que não
viu maldade ou “feitiçaria” no tomo;
tanto que o estava comprando para presentear o sobrinho
pelo aniversário do menino. Acreditem, quando
assisti ao primeiro filme pela televisão, estava
em casa do nosso irmão (1) Selath, e o que vi
de correlato ao Ofício, só poderia ser
notado por Filid de certa experiência e atenção.
Será que então os congressistas estadunidenses,
na verdade não passam de um bando hipócritas
em pele de W.A.S.P?! Os barões algodoeiros da
turma do lençol branco estão novamente
no poder?!
Por outro lado vemos
uma surpreendente demonstração de liberdade
de culto da parte do governo das terras de Aragona.
Que de forma ancestral recorrem ao Etéreo para
lograr em alguma empresa importante.
O que deixa a nós
filid boquiabertos é o fato de que em sua História,
a Espanha é o país que fomentou o movimento
inquisitório mais impiedoso e sanguinolento em
todo o mundo, sendo seguidos de perto pelos Germânicos.
Na mesma quinta-feira em que eu lia a matéria
original, Madrid reunia quarenta clérigos entre
xamãs, monges budistas, brabus hinduístas
e até mesmo druads de tradição
celta, com fins de propiciar a interferência positiva
do Plano Espiritual na busca pela sede Olímpica
de 2016. Mais um motivo para nos deixar boquiabertos
é que além de público, o culto
contava com o consentimento do Rei Juan Carlos, que
apesar de católico, como todo bom membro de família
real, não deu qualquer declaração
contra o ato. Seria um acontecimento para rasgados elogios
se a situação na orbi fosse outra.
Na Samoa Colonial pertencente
aos Estados Unidos, ocorreu nova tsunami; Nas Filipinas,
a presidenta Glória Arroio viu-se obrigada a
fazer o palácio presidencial de abrigo para os
desalojados das tempestades (ao povo o que é
do povo, meu voto seria seu); quarenta por cento da
população mundial não tem água
potável; mais de um milhão e trezentas
mil pessoas morrerão de fome até 2016...
e os quarenta clérigos espanhóis estão
preocupados em determinar a sede olímpica?! Mas
os países deste mundo mais uma vez mostraram
que seu conhecimento de poder não deve ser destinado
a balelas. Pois é, Madrid... não deu.
2016 vai ser onde mesmo?!
Mas garanto que se fosse
para mudar o destino das pessoas assoladas por uma das
tragédias citadas, haveria poder real, e sacerdotes
do mundo todo viriam fazer coro, principalmente se fosse
para mudar as cabeças no congresso estadunidense.
“Merlin subia o barranco correndo e arfando enquanto
gritava: Vencemos! Não tem mágica nenhuma...
mágica nenhuma!
Por: Drustan, o Skaldi.
Livro: Excalibur
Autor: Bernard Cornwell.
Fontes:BBC Brasil
Notas do autor:
(1) Mago Selaht, professor,escritor, jornalista
e editor de Magia deste Portal.
W.A.S.P: Do Inglês, a sigla vem de White
Anglo Saxon and Protestant,
indicando que o bom estadunidense “puro”
deve ser branco, de ascendência britânica
e de fé protestante”, um preconceito contra
a liberdade de crença ou religião”.
Turma do Lençol Branco: Referência
pejorativa nos E.U.A aos membros da Klu Klux Klan, que
na sua origem foi formada por barões do algodão
da zona do Mississipi com intuito claramente racista.
Aragona: Os celtas irlandeses costumavam
assim nomear a Espanha, já que as coroações
dos seus reis eram feitas naquele país que se
encontrava sob o governo das famílias Aragão
e Castella.
Drustan, o Skaldi pode ser encontrado
agora também no Twitter: http://twitter.com/DrustanoSkaldi
O link da matéria do evento
da Espanha.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090929_madriolimpiada_ai.shtml
|
|
| |
Por Drustan,o
Skaldi
“Lucy
Westenra acaba de ser enterrada, padecendo de doença
misteriosa e incurável. Então, Dr. Eduard
Seward, voltando do enterro, presencia uma crise histérica
de seu ex-professor, Dr. Van Helssing; que se altera
entre risos descontrolados e o pranto lamentoso. E assim,
acabo de ler mais um capítulo do livro Drácula,
do autor Abrahan Stoker”.
Logicamente, isto me
pôs a meditar sobre as reações humanas
frente à morte; é sempre curioso observar
isto, principalmente suas variações entre
os costumes das várias culturas.
O Ofício Celta
aborda, de forma interessante, a questão da vida
“post-mortem”.
Geralmente, a ótica ocidental nos obriga a ver
a morte com dor, não que os celtas a vissem de
outra forma, mas a encaravam com certa naturalidade,
já que a morte é justamente o fim de um
ciclo vital, e já que a sociedade celta tinha
a espiritualidade como o centro de tudo, não
se via a morte como um final, mas sim, a nova fase de
uma viagem sem fim, outro ciclo.
Obviamente, os ritos
fúnebres públicos transcorriam da forma
permitida pelo status social e posses do morto. Normalmente,
a pessoa era enterrada, já que viemos da Mãe
Terra, é para ela que deveremos regressar ao
fim de nossa estada. Por vezes, os corpos eram colocados
em posição fetal, provavelmente uma alusão
a um renascimento em uma nova vida, em outro lugar.
Nas escavações, sempre são vistos
objetos de uso quotidiano da pessoa, e até mesmo
alguns presentes mais novos para que a pessoa os desfrute
no além. Fazendeiros iam com suas ferramentas,
lavradores também. Guerreiros ficavam com suas
armas e as melhores armaduras; já nós,
os Filid, íamos com nossos Fetch (objetos encantados),
as “armas de Ofício” e a melhor veste
cerimonial que tivemos em vida.
Na data da morte, até
o terceiro dia, a família ou pessoas que assistiam
ao morto, ofereciam refeições lautas em
sua hora. Quando possível, bardos cantavam a
Saga em sua homenagem, e os mais sentidos podiam chorar.
Ao raiar o terceiro dia, tudo mudava: ninguém
mais podia chorar ou simplesmente mencionar o nome do
defunto, era como se este nunca tivesse existido. Tal
medida se prestava a não acordá-lo de
seu descanso, pois se sabia que a simples menção
do nome de alguém que se foi poderia trazê-lo
de volta. Quando algum desavisado perguntava pelo morto,
simplesmente se dizia que ele “partiu para a última
viagem” ou então que ele “foi para
a Torre de Vidro”; e então se admoestava
o curioso para não mais mencionar o nome de quem
morreu. Finalmente, sobrevinha a cerimônia de
despedida sem corpo presente, onde, geralmente, se partia
algum objeto que representava o elo do morto com seus
entes queridos. Em seu livro Oito Sabbás para
Bruxas, o casal Farrar narra uma cerimônia que
foi feita para uma companheira de Coven, sendo que,
ao partir o prato que fazia a vez de elo, houve em uníssono
um suspiro de alívio e frescor entre os presentes.
Acabara o tempo de dor.
As frases referentes
à viagem e à torre, se devem à
crença de que ao morrer, no fim da semana de
sua morte, o espírito do morto seria levado para
algum lugar onde, tomaria lugar em uma embarcação
que o conduziria até a Ilha de Don. Don era uma
torre feita de vidro, sem porta ou janela, e quem pisava
na ilha, mesmo vivo, jamais regressava. Na literatura
celta, vemos vários casos de personagens que
foram para a ilha, mesmo que, acidentalmente, e nunca
mais voltaram para seus lugares de origem.
Mais dramáticos,
ainda, são os testemunhos, muitos deles atuais,
de pescadores ou navegadores, que são acordados
no meio da noite, durante os fins de semana, por vozes,
que os ordenam ir até seus barcos e navegar até
um determinado local. Os marujos, então, levantam
de suas camas, se arrumam e caminham até seus
barcos como que hipnotizados. Lá chegando, aprumam
os barcos para zarpar e esperam. Logo, em seguida, ouve-se
o ruído dos passos de muita gente e as vozes
que conversam, mas nada ou ninguém é visto
nos atracadouros ou conveses. O barco parte, quase com
os bordos n’água, insinuando que a lotação
foi, de longe, superada e o casco carrega grande peso.
Depois de navegar um
bom tempo, noite a dentro, os navegadores dizem que
penetram em um denso nevoeiro, até chegarem a
uma ilha desprovida de vegetação ou porto.
Lá, os “passageiros” desembarcam
e o casco sobe à profundidade normal, denunciando
que só o barqueiro ficou a bordo. Este, então,
ouve a voz do “contratante” o liberando
para voltar; neste ponto, o barco regressa a seu porto
de origem e o marinheiro, para casa. Por fim, o marinheiro
acorda, de manhã, com as roupas ensopadas de
suor pelo esforço e, normalmente, se encontra
uma peça de ouro que, talvez, seja o pagamento
pelo serviço; aqueles que são acometidos
de tal sonambulismo, normalmente, narram o mesmo tipo
de coisas acontecendo mais de uma vez em ocasiões
diferentes. Tais depoimentos são vistos, principalmente,
nas ilhas de Mann e Gales. Quem sabe, daí vem
o termo náutico “manifesto de almas á
bordo”, relativo ao nome das pessoas embarcadas?
Chegando ao outro lado,
os destinos se resumiam em dois. O primeiro era o Anwin,
ou Submundo. O Submundo é um lugar estéril
onde viviam alguns dos deuses, como Dagda, o Senhor
do Grande Caldeirão, Arawn, o Rei de Todo o Submundo
e Tethra, o Rei Morte, em pessoa; o Submundo é
um lugar de passagem e é o ponto mais próximo
entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos, é
de lá que eles vêem quando visitam a Terra,
e, neste lugar, todo o espírito é chamado
de Sombra. O segundo lugar é a Mag Mel, do Gaélico
Planície da Felicidade, onde tudo de agradável
acontece com um simples pensamento, é o lugar
de descanso das Sombras, que ali permanecer até
serem chamadas por Cernnunos para a Roda das Encarnações.
Enquanto isso, os vivos
que aqui permaneceram tocavam sua vida em frente até
que chegasse o período da Lua Azul, o mês
dos mortos. Este era o décimo terceiro mês
do calendário e era mais curto do que os outros,
sendo dedicado aos finados. Por este tempo, os vivos
exerciam o culto aos ancestrais, honrando os mortos
sem dar-lhes nomes que os pudessem evocar; costumeiramente
era deixado um lugar vazio à mesa de refeições
com um prato servido para o ancestral que quisesse comparecesse
à mesa. Quem tinha dívidas, mesmo que
monetárias, com alguém morto, deveria
pagá-las naquele mês, pois, logo os credores
viriam do Anwin para cobrar. Afinal, o fim da Lua Azul
era justamente o Samhain, o dia do ano que representava
o reveillon, mas que também significava que o
portão do entremundos estava aberto às
escancaradas. É daí que advém o
costume de se mascarar, nesta data de trinta e um de
outubro, pois, quem tivesse pendengas, teria de arcar
com as consequências. Ocultar a identidade representava
o único modo de que as pessoas comuns dispunham
para se safar por mais um ano e um dia.
Não podemos esquecer
que, na verdade, o problema se iniciava noites antes,
mais precisamente na noite do Yule. Quem passasse por
um cemitério, exatamente à zero hora,
de vinte e cinco de dezembro (lembre que os cristãos
sobrepuseram o Natal à noite de Yule), veria
os mortos saindo de suas tumbas e se reunindo à
volta do túmulo mais antigo ou da pedra central
do cemitério para, em roda, dançarem a
ciranda do Jabadal, que ainda hoje é dançada
em vários lugares no interior da Europa, e os
dançarinos sempre movimentam a roda em sentido
horário (?!).
Como vemos, os mortos
têm maior liberdade de trânsito em certas
datas, mas, mesmo assim, melhor não folgar, pois
sempre há motivos e meios para que eles passem
do Anwin para cá, tanto com intenções
ditosas quanto más, portanto, mantenha sua honra
intacta, suas dívidas em dia e seus ancestrais
satisfeitos para que eles sejam seu paracleto no Submundo.
Deixei meu lar,
O mundo está adiante
E há tantos caminhos a trilhar.
Pelas sombras
Até o limiar da noite,
Até que as estrelas estejam todas acesas.
Bruma e sombra,
Nuvem e penunbra.
Tudo desaparecerá;
Tudo desaparecerá.
Música: All Shall Fade
Intérprete: Pippin (Senhor dos Anéis 3)
Fontes:
A Civilização dos Celtas; Olivier Launay;
Editions Ferni; Rj; Br; 1978.
Livro Mágico da Lua; D. J. Conway; Ed Gaia; Sp;
Br; 2001.
|
|
| |
Mistificados pela Bruma
Por Drustan, “o Skaldi”
Há poucos dias, tive
um encontro interessante em casa de amigos, todos Filid.
Já havíamos marcado o compromisso, mas
por algum motivo sempre sofremos com adiamentos. Esperávamos
um jovem, que segundo meus amigos, estava um pouco perdido
com coisas que vinha descobrindo e isto estava lhe imprimindo
uma nova identidade com um forte pendor para os Antigos
Costumes.
Depois de alguns minutos, ele chegou
e contava a história de um dia conturbado que,
novamente, quase o impediu de chegar, mas dessa vez
ele veio apesar de todos os contratempos.
Como era um encontro entre bruxos, obviamente,
não podíamos deixar de cozinhar e, enquanto
os pratos eram feitos, a quatro mãos, eu e o
recém-chegado conversávamos, preparando-o
para as consultas de oráculo que viriam após
o jantar. Aos poucos, fui descobrindo um jovem inocente,
amante de histórias em quadrinhos e que desde
pequeno divisava vultos de aparência sombria pelo
meio da noite e escutava vozes; e como não podia
deixar de ser, primeiramente, foi taxado de louco pelos
pais e em seguida de endemoniado pelos parentes de vertente
neo-pentecostal. Como ocorre a muitos, o jovem resolveu
teimar em não reconhecer seus dons até
que os mesmos foram bloqueados; com isso, nosso amigo
foi “comprimido” na forma de um típico
humano normal e católico.
Com o jantar à beira de ser servido,
uma das panelas mostrava intenções de
estragar com a festa, e o dono da casa nos perguntou
o que fazer para salvar o prato que já ia pela
brandolina, logo respondi:
- Pegue o trem em Londres, vá até aquela
escola de Magia e peça a varinha daquele adolescente
cavalgador de vassoura! (risos)
- Pelo visto você detesta a personagem... né?!
- Perguntou o mais jovem do grupo, mostrando que era
fã da série.
- Devagar, pois não é bem assim que se
toca a harpa, meu amigo.
E dei início a uma explanação,
que tentarei repetir aqui.
Desde o início desta década, reparamos
que há um estranho fenômeno de mídia,
no qual a bruxaria está sempre presente nos meios
de entretenimento, de forma lírica e às
vezes até cômica.. Bruxos adolescentes
que se transformam em internos de Fosterages em dimensões
mágickas, anões que viajam para destruir
anéis em caldeiras de vulcões, bruxas
que balançam os narizes para resolver o cotidiano,
apresentadoras de programa infantil, que andam em companhia
de elementais e outras que mechem o café sem
usar as mãos na colher; há toda uma sorte
de fantasias que orbitam em torno de um mesmo tema;
nós e o Ofício. A cada lançamento
de livro ou filme deste tipo, gera-se um frisson que
nos coloca novamente sob refletores, e as reações
da mídia e do público são as mais
diversas.
Num primeiro momento de certa forma,
a mídia tenta promover uma “assimilação
de contra-cultura”, pasteurizando o material e
fazendo com que a sociedade assimile o tema que lhes
é mostrado sem o estofo real e de maneira diminuída
cria-se uma moda nova para o mercado. Agora “a
bola da vez” é a Índia e os ensinamentos
vedânticos do hinduísmo.
Num segundo momento, inflamam-se os
ânimos entre os fundamentalistas religiosos de
outras vertentes, principalmente aqueles de origem judaico-cristã.
Por fim, vê-se nascer uma curiosidade
principalmente entre os mais jovens que já têm
uma tendência para tal, e aí está
o perigo maior, principalmente a médio e longo
prazos, em termos de religião e até mesmo
para a saúde e a vida dos curiosos. Já
que não dispõem de fontes sérias,
pois foram desqualificadas ou ocultadas pela mídia
no primeiro momento, nasce disso uma tribo de modistas
que acabam por denegrir o Ofício com suas idéias
errôneas e desempenho risível. São
inúmeros os casos de jovens que foram hospitalizados
por intoxicação após tentarem aquela
receita de revistinha com capa cor de rosa e bonequinhas
estilo mangá nas ilustrações. Em
São Paulo, ficou famoso entre nós o caso
do grupo de primas que quase incendiou a casa dos pais,
sendo que estes foram culpar uma File de grande prestígio
entre nós pelo simples fato desta ser sua vizinha.
Isso sem contar os charlatões que surgem, aos
baldes, nos programas femininos matinais proferindo
falácias sem fim.
Como se tudo isso não fosse suficiente,
há uma ameaça espiritual direta que incide
sobre os despreparados. A mistificação,
que segundo o dicionário significa “abusar
da credulidade, de ludibriar; devanear ou fantasiar”.
Exatamente por desconhecer a realidade daquilo com que
resolveram lidar, os neófitos são continuamente
assediados por coisas que não são o que
dizem ser, e isso acontece até mesmo com sacerdotes
experientes e chega a se transformar em vampirismo.
Faltando com os principais fundamentos,
senão todos, os jovens são abordados por
um sem número de entidades, que em sua maioria
não passam de sombras mortas com necessidades
sórdidas ou até meramente vontade de transformar
pessoas em brinquedos para seu divertimento. Desta maneira,
é gerada uma relação na qual o
incauto é absorvido enquanto pensa estar lidando
com espíritos poderosos e sábios, que
ao seu passo o fazem cumprir uma série de absurdos
e lhes ensinam práticas fantásticas prometendo
os maiores resultados. É algo como aqueles charlatões
de panfleto que lhe prometem “trazer a pessoa
amada em três dias”.
Com isso, os novos crescem, pensando
serem sacerdotes magistrais, quando na verdade se transformarem
em peões em um xadrez sórdido. Quando
dão por si, estão passando por bobos face
a pessoas sempre dispostas a censurar, ou pior ainda,
atraíram outros para a mesma ilusão e
já estão todos à beira de um abismo
sem fundo. As correções são difíceis,
mas não impossíveis, mas mesmo assim há
de antes se desfazer todo um sólido castelo de
nuvens antes de começar um trabalho real em prol
de quem busca algo além de uma vida material
ou feitiçarias egoístas.
Afinal, como o ser humano passa a maior
parte de seu tempo envolto em uma floresta de ilusões,
é difícil lhe abrir os olhos mesmo que
contemos com a vontade desse. Imagine como deve ser
difícil acreditar que aquele que lhe assessorou
por um longo tempo, e lhe fazia a vez de mestre não
passava de um bandido que o enviava em seu lugar na
hora de fazer o serviço sujo ou cumprir as penas?
Antes de mais nada, esteja o caminho errado ou certo,
faz-se mister a desmistificação derrubando
os ídolos disformes.
A melhor defesa para quem busca o caminho
com sinceridade é a pesquisa árdua e a
prece constante e amorosa aos deuses antigos. Já
que por desconhecimento, que é comum ao iniciante
em qualquer matéria, apenas devemos contar com
os augúrios divinos, para que nos ponham em mãos
de um bom guia ou então nos façam encontrar
material que nos esclareça as dúvidas
iniciais.
Acima de tudo, não devemos nos deixar
levar pelos apelos modistas causados pela mídia,
que torce a imagem ao seu bel prazer, em prol de um
melhor apelo comercial para o momento.
Por: Drustan, o Skaldi.
(...) “Eu só vim aqui buscando
conhecimento,
Coisas que não poderiam me ensinar na escola.(...)
Demônio no profundo azul do mar atrás de
mim
Disperso pelo ar você jamais me encontrará
Transformarei sua face em alabastro,
Quando você encontra seu servo ele é seu
mestre.
E você estará atado ao meu dedo“
Música: Wrapped Around Your Finger.
Álbum: Sinchronicity.
Banda: The Police.
Fontes:
- Dicionário Aurélio de Língua
Portuguesa; Aurélio Buarque de Holanda Ferreira;
Ed: Nova Fronteira; Rj; Br; 1985.
- Livro dos Espíritos; Allan Kardec; ed: Federação
espírita do Brasil; Rj; Br.
N.A:
- Fosterage (Gaélico) - Tipo
de antigo colégio interno druídico onde
se formavam novos sacerdotes.
-File (Gaélico) - Palavra que
no francês e português originou a palavra
filé, o refinado, o mais fino, nome dado aos
sacerdotes celtas.
- Filid (Gaélico) - Plural de
file.
|
|
| |
Ela Tomará de Volta II
Por Drustan,
o Skaldi.
“*Para
começar esta nova temporada de matérias,
nada melhor do que visitar justamente o assunto da
primeira de todas, mas desta vez gostaria de começar
homenageando o cientista James Ephraim Lovelock.”
Drustan
Nascido na cidade de
Letchworth Garden (Reino Unido) ao dia 26 de julho de
1919; o atualmente residente da Cornualha (possivelmente
o país onde estaria o túmulo de Midir
Merlin), compôs uma tese chamada Gaia Viva, que
corrobora com algo que nós Filid já sabemos
há muito tempo: a Terra vive, e como todo o organismo,
responde aos estímulos que lhe são impostos.
Já que o ser humano tem se comportado como uma
bactéria nociva, está marcando o dia em
que a Terra irá desopilar, mandando-o embora
de seu interior. No seu mais recente livro, “A
Vingança de Gaia”, o Professor Ephraim
afirma isso categoricamente, e chega até mesmo
a vaticinar que já atingimos o ponto de não
retorno.
Sendo verdade ou não,
esta afirmação promove um choque ainda
maior sobre nós Filid, que somos justamente aqueles
que celebram a Terra em toda a sua magnitude e resplendor
maternal.
É no mínimo descabido pensar que não
teremos mais matas para visitar e celebrar os mistérios
da vida. Imaginem as manhãs frescas, desprovidas
da neblina, na qual chegou a Thuata de Dannan! Não
haverá mais um lago onde o cisne possa cantar
sua canção de morte e beleza. Na devastação
matarão também a razão maior de
nossa crença.
Mas como já dizia
Eliphas Leví, “todo aquele que incauto
resolve trabalhar com forças maiores que ele
mesmo, acaba por essas forças consumido”;
com a raça humana, frente à Orbi não
será diferente. Já que compomos a partícula
menor da vida terrena, quem será o primeiro á
sumir?
Quem já teve o
prazer de comparecer a uma palestra do renomado radiestesista
e kabalista George Charbel, também já
escutou que os kabalistas esperam algo igual, e em média
traçam o início do processo entre os anos
de 2013 e 2017. Há, infelizmente, uma perfeita
ressonância entre o pensamento mágicko
e científico, sendo que o primeiro ainda deixa
alguma esperança para a raça dos Milliesins.
A tônica do pensamento
deste momento em diante deve ser aquela que nos mostra
que quem não respeitar e ouvir a Terra, será
por ela tragado, impiedosamente. Digo isto, pois somente
aquele que souber as artes tradicionais do cultivo e
da caça poderá se manter saudável
e vivo. Chegaremos ao ponto onde teremos que nos comportar
como em épocas antigas, tendo de saber sobre
onde cresce e como é aquela erva que curará
a doença advinda do período insalubre.
Ai daquele que não souber como encontrar solo
seco e saudável para um plantio confinado de
alimentos, já que a carne comestível se
reduzirá drasticamente assim como a água
potável.
Por falar em água,
este será o provável motivo das próximas
guerras que serão todas estimuladas pela busca
de recursos; desta forma, infelizmente nosso amado Breazail
será um dos alvos principais já que detém
1% de toda água potável existente no planeta.
Somente
ficará para ver o fim das hecatombes, aquele
que, como um guerreiro, estiver apto a lutar pela sobrevivência
sua e dos seus. Podemos ver que a questão é
mais prática do que mágicka, mas com certeza,
a maioria dos sobreviventes será de Filid, já
que somos justamente os guardadores das artes antigas
da relação do homem com a Terra. Acabou
o tempo da ecologia, agora temos de libertar nossa ecofilia,
isto é, o que determinará nossa sobrevivência
ou até mesmo a parada dos males já vaticinados.
Observamos nos dias correntes as mudanças que
o planeta já desencadeou. Santa Catarina agora
é um gigantesco lamaçal já que
recentemente foi assolada por chuvas potentes. O Cinturão
de Fogo (conjunto de vulcões espalhados no planeta),
lentamente começa á se reacender para
enterrar cidades, como aconteceu a Pompéia e
Herculano, na Itália. Lembrando as guerras, afirmamos
que elas são fortemente anti-ecológicas,
já que devastam toda a fauna e flora presentes
no campo de batalha. Alguém se recorda da devastação
promovida pelos EUA nas cidades japonesa de Hiroshima
e Nagasaki? Agora a Mãe responde ao devastador
enviando ventos destruidores á sua costa, e a
resposta vem á altura, já que sobreviventes
narram que a bomba atômica inicia sua destruição
justamente com um poderoso pé de vento escaldante
e contaminado.
Lugares
onde antes havia terra chã, agora são
assolados por terremotos, e cidades construídas
sobre terrenos onde antes estava o Mar, agora começam
a ser tragadas pelas águas, eis aí o elemento
mais cioso de seu território, e provavelmente
em dez anos engolirá certas ilhas na Indonésia.
Onde antes pouco chovia, ocorrem inundações;
nos pontos onde a chuva vinha praticamente com hora
marcada, agora há a estiagem, a seca e a sede
dignas de deserto. Já nevou na Flórida
e na Europa o calor superou os 30º C.
Justamente na Indonésia,
há uma lenda que diz que o Espírito da
Terra tomou a forma de um dragão e foi dormir
no interior da Terra física, mas em espaçados
períodos de tempo, o dragão se move em
seu sono, mas de tão grandioso, por menor que
seja seu movimento desencadeia alguma catástrofe
natural. Num desses períodos a fera teria simplesmente
aberto um dos olhos, foi o suficiente para parte do
arquipélago indonésio afundar se tornando
menor. Mas a lenda também diz que um dia o dragão
vai de fato acordar, se erguer, abrir as asas e alçar
vôo com rumo traçado de volta ao infinito
de onde veio. Se com um simples abanar de pestanas parte
das ilhas afundaram, não podemos imaginar o que
vai acontecer quando o dia do despertar do dragão
em fim chegar.
A hora
já vai alta enquanto termino o texto, e justamente
agora começa a chover nesta noite quente, a chuva
traz a incerteza, já que como bruxo não
posso mais normalmente prever sua intensidade com a
simples observação, não sei se
quando amanhecer vou caminhar ou nadar para meu trabalho.
Pobres dos desvalidos que esta hora estão sob
ela por força do infortúnio de viverem
nas ruas. Rezo para que hoje, Danna desça à
Terra com sua suavidade de mãe, e deixe o solo
mais rico de vida para o tempo de provação
que se abaterá sobre os Milliesins.
Enquanto
Danna vem do céu, rogo para que consigamos cumprir
a missão que Ela e nosso pai Cernnunos nos deram:
ensinar o ser humano a ser humano e crescer respeitando
e amando este chão sagrado que lhe dá
a vida.
(...)
Vi bem infincado
Pau-Ferro, Upeúna
Vi Sibipruna
Jucá, Pau Pintado
O chão sombreado
Que o céu não se via
Da noite p’ro dia
Tem festa animada
Madeira calada
Machado assovia (...)
Música: No Bojo
da Macaíba
Disco: Terceiro Samba
Banda: Mestre Ambrósio.
Fontes:
Rituais Celtas; por: Andy Baggott; Ed: Madras; S.P.;
Br; 2002.
Gaia, a Terra Viva: http://hps.infolink.com.br/peco/nage_03.htm
A Vingança de Gaia: http://www.consciencia.net/2006/0124-hipotese-gaia.html
N.R. *Com um artigo de mesmo nome o escritor
e sacerdote Wiccano Drustan “o Skaldi” iniciou
sua participação escrevendo sobre Wicca
e os mistérios celtas.
|
|
| |
Ela tomará de volta I
Quem diz que em verdade somente
os crimes do homem contra o homem serão cobrados?
Saibam, pois, que os crimes do homem contra a Mãe
também terão suas cobranças.
Somos todos organismos inteligentes que respiram o
mesmo ar, comemos do mesmo peixe, misturamos o mesmo
trigo de um só pão, banhamo-nos num
rio que deságua num grande mar, somos filhos
de uma criação.
Mas, os tempos são outros, os milênios
passaram trazendo as muitas faces da ciência
esclarecedora, há uma miríade de combustíveis
tão variados como os veículos por eles
alimentados, substâncias químicas incisivas
com um sem fim de usos. Enfim, a ciência evoluiu
com a necessidade, mas não deixou um ensinamento
precioso: o homem veio da terra, dela sobrevive e
a ela regressará.
Reconhecidamente avançamos, mas é um
avanço falso por termos esquecido do fato de
que o homem é produto do meio. Nossos filhos
já não reconhecem o cheiro da chuva
que anuncia o vento, não tem o conhecimento
ancestral das folhas e frutos. Nossas esposas desconhecem
a cor do peixe recém-pescado no mar. A conseqüência
desses atos é que destruímos paulatinamente
o útero que nos dá a vida.
É dito pelos índios que não podemos
dividir a terra, pois ela não é nossa;
nós é que somos dela. Também
por índios é dito que o branco não
sabe que a terra cobra, porque a terra traz a comida
que cura a doença da fome.
Não esqueçamos que a mãe que
cuida também é a mãe que castiga.
Por Drustan, o Scaldi
N.R. Mãe - o autor
se refere à mãe Terra. Igualmente, na
expressão “o útero que dá
vida”. A destruição do meio ambiente,
através dos séculos, vem levando o homem
a desastres ecológicos e, conseqüentemente,
a sobrevivência da raça humana está
em perigo. Essa já era uma preocupação
dos wiccanos em sua época áurea, muito
antes das religiões ocidentais existirem.
|
|
| |
Sua
Árvore e seu Perfil
Segundo a Tradição Celta
Os
celtas atribuíam uma árvore e um perfil
comportamental às pessoas nascidas entre
duas datas. Veja o powerpoint e descubra
a sua Árvore e o seu comportamento segundo
a antiga, misteriosa e mágika civilização
celta.
SEU
PERFIL NA VERSÃO CELTA
|
|
| |
|
|
| |
Pudor
Uma história verídica sobre
o comportamento celta
Eles viviam em uma casa humilde; ele pastor e ela sua
esposa e dona de casa. Naquele tempo, o território
onde moravam sofreu invasão de um exército
estrangeiro, e esses soldados se achavam soberanos de
tudo e de todos; pilhando, matando e estuprando.
Com esse casal não foi diferente; por um dia
inteiro a mulher sumiu e, ao voltar, conta ao marido
que um oficial dos invasores a havia violado.
A vergonha e a tristeza invadem a cabana e o homem que
era apenas um pastor sem arma ou poder, se torna apático
devido à sua impotência frente ao caso.
Mas um dia a mulher some novamente, causando agonia
no homem. O dia passa e ao fim deste, a porta é
aberta com um chute e ele vê sua esposa que traz
a saia agora avermelhada e com a barra segura pelas
mãos da mulher, que fala:
- Veja meu amor! Agora não existem dois homens
vivos que possam se jactar de terem se deitado com sua
esposa!
Ela larga a saia e dali rola a cabeça do oficial
criminoso.
Este é um caso real que aconteceu na Gália,
atual França, quando das invasões romanas
naquele território; é somente um entre
muitos e nos mostra não só a força
da mulher celta, mas também a importância
que seu companheiro tem para ela; afinal, não
só para aplacar sua própria ira, mas também
para desagravar o esposo, ela urde uma trama ardilosa
para pegar o oficial romano distraído e o decapitar.
Se existe uma relação importante dentro
da nossa cultura religiosa, esta é entre homem
e mulher, pois como bem sabemos, a criação
de todas as coisas começa justamente pela união
do divino casal. A mulher celta era famosa não
por sua subserviência, mas por sua auto-suficiência.
Por vezes ocupavam papéis sociais importantes
e ditavam a sorte de muitos. Não gostavam de
ser controladas e ao primeiro sinal de prepotência
alheia, logo mostravam uma face bastante rebelde.
Em contraponto, com as pessoas de seu coração,
se desfazia em carinhos e agrados, e com o homem, a
relação se tornava muito especial, não
só pelo companheirismo e cumplicidade, mas até
o apego e a sensualidade eram encarados de outra forma.
Se rejeitada, mesmo apresentando tanta força,
a mulher celta poderia adoecer fatalmente devido ao
desgosto de não ser correspondida, e para obter
o homem de seu desejo ou bem querer, até mágicka
era utilizada.
O homem celta
Do homem, nós podemos dizer que este também
era diferente do visto atualmente. Seu primeiro objetivo
era ser reconhecido como o melhor em seu ofício,
com isso quando o reconhecimento viesse, lhe traria
liberdade de escolha inclusive no tocante ao casamento,
e lógico, isso lhe daria chances de escolher
a mais formosa e habilidosa das damas de seu meio social.
O sexo
O sexo também não era visto com o mesmo
pudor e até hipocrisia da qual está cercado
hoje. Mesmo sendo sagrado, era visto como algo natural,
quem já não ouviu falar nos “casamentos
no mato verde”, que se davam entre os casais após
alguns sabbats?
Alegorias do ato sexual
A sexualidade é novamente representada em uma
das alegorias comumente encontrada durante os rituais,
o Grande Rito. Esse momento mostra uma adaga que é
mergulhada por um sacerdote dentro de uma taça,
que é segura por uma sacerdotisa. É literalmente
o momento de fecundação da Deusa pelo
Deus. Não há de fato que se temer ou ocultar
com relação ao sexo, talvez exatamente
por isso, tantos pais não conversem hoje com
seus filhos, causando mais tarde uma prole de adultos
recalcados e insensíveis.
Além disso, como não poderíamos
deixar de citar, o aspecto mágicko do sexo, e
isso nos dá o justo censo entre libertinagem
e liberdade. Nosso amigo, irmão e mestre, o Mago
Selath, sempre nos adverte “que ao atingir o orgasmo,
o homem além de sémem deixa também
sua energia impregnada nos genitais e útero femininos,
daí o nome do fenômeno-impregnação,
prenhez” essa energia passa a fazer parte do corpo
e da matriz espiritual do corpo ainda que não
ocorra fecundação e essas mulheres passam
a fazer parte da egrégora, como família
espiritual.
Tal energia jamais se extingue do interior da mulher
e a acompanha até o fim de seus dias, e além
da morte física. Essas forças a influenciam
a ponto de alterar seu comportamento, então a
mulher adquire – entre aspas – parte da
psique e dos dons de seus amantes, por vezes repetindo
seus atos. Daí, elas terem mais facilidade em
assumir comportamentos parecidos com o de seus consortes
(meu grifo).
A nós homens resta, apenas, o doce consolo de
saber que só morreremos nesse mundo material,
quando partir a última de nossas enamoradas.
Fica aí um ponto para sua reflexão.
Por: Drustan, o Scaldi.
Fontes:
A Civilização dos Celtas; Lunay, Olivier;
Editions Ferni; Genebra; Suíça; 1975.
NR. O povo celta viveu entre 2000 a.C. e 400
d.C. A civilização celta dividia-se em
três castas: o povo, os nobres e os druidas.
O povo celta tinha um território que englobava
a Europa Ocidental – França, na região
da Gália, Alemanha, na região do Reno
e do Danúbio, o sul da Rússia e da parte
insular, a Inglaterra, a Escócia e a Irlanda.
Os Contos Arthurianos narram uma época de transição
dos ritos celtas, (druídicos), para os cristãos
primitivos. História).
Os antigos cemitérios celtas podem ser
vistos hoje em locais onde há carvalhos e azevinhos,
árvores sagradas. O curioso é que entre
as cruzes celtas antigas, talhadas em pedra, podem ser
encontradas cruzes novas no mesmo estilo celta.
A MAGIA DOS DRUIDAS ESTÁ VIVA.
Veja também: Invasões Celtas e “De
Belo Galico”
|
|
| |
|
|
| |
Lendas
e Ufanismo
“Religiões”
“Nos tempos atuais, muitos são
os que promovem o fundamentalismo e há também
um outro grupo quase tão grande quanto este que
promove comoção usando como argumento
o fato de supostamente lutar contra o fundamentalismo
e a falta de liberdade de pensamento.” Drüstan
Desconhecimento
teológico e histórico
Idéias políticas à parte, o que
causa fundamentalismos e ufanismos, é o fato
de grande parte dos religiosos não terem qualquer
idéia do que de fato dizem
os textos de sua liturgia.
Costumeiramente, os
contos e lendas religiosas são lidos e acatados
de forma literal. Lembro de certa vez ter ouvido no
rádio, que um aposentado que sustentava toda
a sua família de neopentecostais com sua aposentadoria,
veio a falecer durante a madrugada. De manhã
cedo, quando o pastor chegava para abrir a igreja, dá
de cara com a família abraçada ao defunto,
e os familiares pediam para que o clérigo
ressuscitasse o defunto para que a pensão continuasse.
Batismo pelo Espírito
Santo ou Histeria coletiva?
Por acaso alguém aí acredita que se uma
egrégora baixar sobre um local supostamente sagrado
e logo os fiéis ali presentes comecem a convulsionar
e falar coisas desconexas, isso seria uma demonstração
de presença divina?! Isso é muito comum
entre as seitas neopentecostais que não têm
qualquer entendimento do que lêem. A histeria
da assistência é assim transformada em
milagre, quando, na verdade, o que se diz no “livro”
sobre línguas estranhas é bem diferente.
Pentecostes
Um dos idiomas utilizados para formar o livro - O Novo
testamento foi o grego coiné, vulgar, falado
pelo povo inculto. Assim na passagem que diz que “aqueles
que estavam no templo falaram línguas estranhas”,
é escrito como “xenoglossia” palavra
grega que literalmente significa língua estrangeira.
Xenoglossia não significa
simplesmente balbuciar, mas falar num idioma desconhecido,
de forma correta, respeitando as regras semânticas,
lingüísticas e gramaticais, de si ou do
interlocutor, e assim mesmo se fazer entender.
A simbologia da cruz
Um outro caso bastante famoso vem do Oriente Médio.
O profeta muçulmano proibiu que sua imagem fosse
reproduzida; ninguém ousa conjeturar o motivo,
mas a resposta é simples: quem traz a mensagem
tem importância menor frente à carta da
qual é portador; o foco deve ser todo na mensagem.
Não foi o que ocorreu entre os cristãos,
e isso veio, inclusive, mudar a explicação
para a cruz por eles usada. O símbolo tem seu
significado, e não é porque os romanos
crucifixavam em T, como sabemos a crucifixão
romana é em X.
Não nos devemos deixar enredar
pela mesma ilusão. Talvez até por isso
nossas lendas, as lendas celtas, sejam mais dantescas
do que em outras crenças. Podemos usar como exemplo,
a lenda das Transformações de Cerridwen,
que é o início da lenda de Taliesin. A
seqüência de transformações
não deve ser entendida como real, mas é
uma linda figura de imagem para uma série de
mudanças de comportamento e atitudes entre os
personagens no decurso dessa história; o mesmo
vale para a história dos Porqueiros de Cooley.
Há ainda por detrás disso, todo um valor
ritualístico baseado nos totens.
Cultura religiosa e histórica
A primeira coisa que devemos fazer para não cair
em tal esparrela é simplesmente adquirir “cultura
religiosa”, ou seja, estudar sobre aquilo que
nos toca em termos de fé. Isso fará com
que adquiramos raciocínio sobre as imagens, alegóricas,
que ocultam a mensagem que tem de chegar até
nós para nos enriquecer o espírito.
Isso nos tornará diferentes do vulgo e nos libertará
da selva de ilusões na qual o homem comum passa
seu tempo a vagar.
Por Drüstan, o Scaldi
Escritor e sacerdote wiccano.
Fontes:
Dogma e Ritual da Alta Magia; Levi, Eliphas; ed: Pensamento;
1993; S.P.; Br.
|
|
| |
|
|
| |
Fomoire
Já é tarde da noite,
mas após um compromisso importante, você
está com pressa e não tem tempo de sequer
esperar o coletivo para chegar em casa; por isso decide
ir á pé.
A noite está quente e ainda mais por andar
apressado, o suor lhe molha a camisa como se fossem
baldadas de água. E aí é o pior
ponto, pois chegou o momento de passar naquela rua
arriscada onde muita coisa ruim acontece. Dobrando
a esquina, logo se descobre que a iluminação
no local está quase toda apagada e, devido
à hora, há somente você na rua,
mas alguém acaba de entrar na calçada
pela esquina oposta e subitamente algo lhe provoca
um desconforto.
Mesmo à distância, se nota que é
um homem até por seu tamanho avantajado, mas
tem um andar estranho e uma silhueta que denuncia
algo de anormal. Á medida que reduz a distância
entre você e ele, aquela desconfiança
começa á se tornar receio e aumentar;
diga-se de passagem, ele parece olhar fixo para você.
Agora, suficientemente perto, se nota que os olhos
são grandes e escuros, portando um ar medonho,
a pele é pálida e macilenta; mas o que
lhe deixa mais impressionado são as deformações
no rosto... parece ter sido vítima do pior
dos acidentes, e agora passa lentamente do seu lado
com aqueles olhos fixos em você, algo de horrível
vai acontecer e será agora! Mas ele simplesmente
passa sem lhe fazer mal algum. Recobrado do susto,
mais adiante você se dá conta: “eu
encontrei um fomoir e sobrevivi.”
As lendas celtas irlandesas dão conta de duas
civilizações importantes, que viveram
durante a quarta onda, a Thuata de Dannan, que compõe
os deuses que hoje veneramos, e a Fyr Bolg, que são
sempre descritos como um povo estranho de costumes
e imagem. Na segunda onda, havia os Nemed e seus inimigos,
os lendários gigantes Fomoire que deram origem
a uma civilização que resistiu até
a quarta onda, a de Dannan. Ao contrário da
segunda, era desprovida de índole e completamente
devotada à maldade. Até por isso mesmo,
sua disposição se mostrava pelo rosto
e corpo de seu povo, compondo figuras, cuja fealdade
beirava a deformação.
Segundo vários contos, os Fomoire mais velhos
e poderosos eram apenas quatro, e cada um pertencia
a um elemento natural em particular, ou seja, eram
símiles aos Titãs greco-romanos. Esses
quatro, cujos nomes podem ser conhecidos com alguma
dificuldade; constituíam as forças naturais
em seu caráter destrutivo, suas atividades
terminavam sempre com um desenrolar catastrófico
e genocida. Com o passar do tempo, cada um deles foi
morto por um herói diferente, pondo assim a
natureza em ordem.
Um deles aparece em Senhor dos Anéis de J.R.R.
Tolkien, como sendo Balrog, o demônio gigante
de fogo; mas o último a fazer a derradeira
viajem foi o da águas, e encontrou sua morte
pela espada de Madame Aisin, Rainha das Fadas, que
conhece um mortal cuja irmã é seqüestrada
para o fundo do mar. Em troca a Rainha salva a moça,
mas exige o príncipe em casamento; sendo que
a relação do casal dura trezentos anos
e tem lugar aqui mesmo no Breasail. Essa lenda gera
duas outras histórias, a primeira é
a lenda irlandesa da Gaiola das Almas, e a segunda
é o casamento das personagens Aragorn e Eirin
em Senhor dos Anéis.
Após o extermínio dos quatro gigantes,
fica o povo Fomoir, que mencionamos. Os fomoires tomam
o lugar dos demônios hebraicos, mas têm
uma incrível semelhança com os demônios
védicos da Índia, pois não são
seres para-naturais, e sim mortais com vastos poderes
mágicos adquiridos com estudo e influência
no mundo material. Esses recursos são sempre
empregados de forma egoísta, visando apenas
o benefício próprio e a queda do próximo,
sem contar a eterna intenção de burlar
e sobrepor-se aos deuses eternos.
O celta acreditava firmemente que a beleza era uma
forma de expressão física da bondade,
logo, o mal seria algo feio, disforme. Várias
lendas citam gente assim, como a de uma rainha sórdida,
mãe de três terríveis filhos (mais
uma vez a maldade vem encarnada em quatro indivíduos),
cada um dos membros dessa família letal foi
morto por sua vez, sendo que o último morreu
nas Ilhas de Mann, pelos braços poderosos de
Lugh, que ainda não era um deus.
Obviamente que a feiura de um Fomoir nem sempre é
obrigatória, testemunhamos ao longo da história,
pessoas de beleza decantada que eram poços
de maldade.
A lenda desta feiura pode se explicar com um fato
simples, já reparou que alguém que está
de bem com a vida, sempre traz um ar leve, atraente
e esbanja jovialidade e saúde? Eles não
têm os joelhos disformes de Scatach Caileach,
não são caolhos como Balor e nem trazem
os rosto disforme de Morfran. Não há
semente ruim que dê planta de boa cepa.
Por: Drustan, o Scaldi.
Fontes:
- Explorando o Druidismo Celta; Knight, Sirona; Ed:
Madras; SP; Br; 2003.
|
|
| |
|
|
| |
Mabinogion
“Uma coletânea
de manuscritos baseados em eventos históricos
do início da Idade Média, mas que podem
remontar à Idade do Ferro”.
O livro é originalmente
escrito em gaélico, galês, que tem similaridades
com os outros gaélicos falados pelo resto da
Europa Celta. Sua primeira tradução em
inglês foi feita por Lady Guest, já que
essa era grande admiradora da cultura celta por se tratar
de uma bruxa do séc. XIX. Esta tradução
foi lida por duas pessoas que hoje nos são muito
influentes: Gerald Brousseau Gardner,
o fundador da Wicca e em dupla com o livro escandinavo
Kalevala, foi a base para a construção
mitológica da série Senhor dos Anéis,
de J.R.R. Tolkien.
O título Mabioginon
é de fato um erro de tradução de
Lady Guest. A palavra original é Mabinogi (pronúncia:
mabinoguí), que significa "da infância/juventude",
mas o sufixo "mab" significa conto/história;
o que faz com que também se traduza como "Contos
para a infância/juventude". O título
sugere então, que tais histórias fossem
contadas para os infantes e os jovens, para ajudar em
sua formação cultural, moral e no caso
dos alunos de (1)Fosterage (Colégio Druidico),
sua formação acadêmica.
De fato, o Livro Branco
de (2)Rhydderch (Llyfr Gwyn Rhydderch-pronúncia:
Lúvr Gu_ín Ridêerk) e o Livro Vermelho
de (3) Hergest (Llyfr Coch Hergest-pronúncia:
Lúvr Cók Rêerguêst), guardam,
respectivamente, a primeira e a segunda metade do Mabinogi,
mas o livro completo é mais antigo, datando aproximadamente
de 1060 a 1200. Se bem que essa é a datação
dos escritos, pois seus contos são ainda mais
antigos, como se pode ver em seus textos.
Os Ramos do
Carvalho.
O livro, na maioria de suas edições, conta
com onze contos; os quatro ramos e mais cinco histórias:
Peredur Filho de Efrog; O Sonho do Imperador Maxen (aquele
do filme Gladiador); Lludd e Llefelys; A Dama do Lago;
Geraint Filho de Erbin; Como Culhuch Ganhou Owein e
O Sonho de Rhonabwy.
Tradição
Oral
Todas as histórias são visivelmente
feitas para performance oral, já que naquela
época, a cultura foi sabidamente oral. Até
por isso, cada um dos ramos termina com a expressão
"Assim termina este ramo do Mabinogi". Tal
frase é um recurso para evitar que o contador
ou bardo se confundisse e estonteasse a audiência
no momento de encadear cada conto, mas isso nos leva
para outra questão.
Notamos que os ramos, inicialmente tinham uma ordem
para serem contados, o que denota uma ordem cronológica,
mas como ninguém sabe a ordem correta, os ramos
aparecem hoje em várias ordens, dependendo apenas
do gosto do tradutor.
A Época do Rei Arthur
Esse é o motivo pelo qual muita gente não
sabe precisar a época de Arthur, já que
até o presente, não se aplicou datamento
preciso para cada ramo; mas se sabe que a maioria vem
da Idade do Ferro (1.200 a.C. até 1.000 d.C.).
Todos os contos têm em comum o fato de narrarem
casos ocorridos a pessoas notáveis (muitos, como
Lludd, Arawn e Pywil, são deuses) em locais factuais.
Através deles vemos nomes, costumes e as lendas
do território galês; muitas de suas personagens
viajam por todo o território celta e figuram
em lendas de vários países.
Taliesin
A versão da tradução de Lady Guest,
conta ainda com a Lenda de Taliesin, que já foi
aqui abordada resumidamente em tópico homônimo.
Contos de Cinema
Infelizmente, para nossa tristeza, confusão dos
historiadores e alegria dos católicos, alguns
dos contos sofreram alterações (inclusive
muito recentes) e são hoje contados com severos
erros.
A primeira é sobre O Sonho do Imperador Maxen,
que foi adaptada para o cinema e saiu sob o nome de
Gladiador. Como a maioria de nós viu o filme,
não vou me ocupar com sua história, mas
vou resumir a verdadeira.
Aelius Maximus Decimus Meridius, era
um minifundiário que nasceu na Espanha dominada
por Roma. Tal território era conhecido pelos
celtas como Reino de Aragona, e foi de onde saiu a mãe
adotiva de Lugh, o deus irlandês que foi adotado
por uma herdeira foragida da família Aragona
(Aragão e Castella, Aragão, Aragon, Aragonats,
Aragorn-Senhor dos Anéis).
Para evitar a falência, possivelmente,
Maximus comprou uma patente militar, ingressou nas centúrias
romanas e chegou ao cargo de General, então é
transferido para guardar as fronteiras romanas na Bretanha
Dominada.
Lá chegando, fica conhecido pelo
povo por sua opulência, belicosidade e ambição,
e seu nome é gaelizado para Maxen..
Depois de alguns anos, morre o imperador
Marcus Aurelius, que no filme aparece como sendo um
bom governante, mas, na verdade, era um déspota
assassino. Na tomada em frente ao Coliseu, o filme mostra
uma estátua de Marcus, coberto dos pés
à cabeça por um manto; tal estátua
existiu, e quando os artesãos cobriam alguém
com um manto, era sinal de pessoa impiedosa. Vem para
substituí-lo, o filho Commodus, que na verdade,
entra para a história como o último imperador,
e o que quase recuperou Roma por se preocupar com sua
cultura, arte e política. Mas não sem
antes fazer os tais 135 dias de jogos no Coloseo, Coliseu.
O ambicioso Maxen vê na frouxidão
de Commodus uma brecha, se junta com um príncipe
bretão de nome Conan Meriadeg, e sai para a França,
a fim de dominar o resto do território livre,
engrossar a tropa e dominar Roma. Mas, lá chegando,
encontra grossa resistência e é fragorosamente
derrotado. Nada de gladiador.
Contos D'um Cretino
Novamente para a nossa tristeza, confusão dos
historiadores e alegria dos católicos; há
uma intervenção ainda pior.
Na cidade de Troyes, na França
do séc. XIII, nasce um literato de nome Chretien,
que no nosso caso poderia ser chamado de Chretino di
Troyes. Cretino, pois esse homem trabalhou para a igreja
sob pagamento, para traduzir e subverter textos antigos
em favor desta.
Os “Contos Arthurianos”
Chretien recebeu ordens para traduzir principalmente
os Contos Arthurianos de forma que o sincretismo de
Arthur fosse ressaltado, e que todos os cavaleiros parecessem
cristãos (coisa que não eram, esse foi
o primeiro motivo que fissurou o Pacto da Távola).
Com isso, todos os nomes foram trocados para o francês,
por exemplo: Nimue, a verdadeira Dama do Lago, virou
Vivien; Drystan virou Tristan; Mydir Virou Merlin e
teve a vida distorcida; Peredur virou Parcifal, Percival,
e por aí vai. Mydir que era nome virou cargo;
Morgan, (Morgana) que era uma meia irmã zelosa,
enfeada por um incêndio; se torna uma beldade
má e incestuosa... Mas o pior é que Lancelot,
por ser um tratante francês, vira um herói
fiel e galante. Os dois filhos de Artwur, que nascem
antes do casamento com Guinevarwn, somem. E a própria
Guinevarwn de ruiva e adúltera, se torna branca
e cândida.
O Santo Graal
Mas o mais pernicioso, é que Chretino é
o inventor do Santo Graal. A palavra graal em francês
tem dois significados. O primeiro é um prato
de madeira, no qual a pessoa comia à mesa, individualmente.
Mas no francês arcaico, graal também significa
caldeirão. Mas ele transformou o caldeirão
em um cálice de madeira, onde Nazareno teria
bebido vinho em sua última refeição,
(ou onde o sangue do Nazareno teria sido aparado quando
Seu peito foi perfurado pela lança romana, segundo
a lei romana, para que o corpo sem vida fosse entregue
a José de Arimatéia). E no próprio
Mabiogin, há uma descrição de um
caldeirão mágicko que ressuscita os mortos,
e foi atrás desse exemplar que Mydir, e não
Artwur mandou Derfel e não o ex- escudeiro de
Lancelot.
Como se vê, a única
contribuição de Chretien foi para a “santa
igreja.”
Por: Drustan, o Scaldi.
Fontes:
Mabinogion;Davies, Sioned;ed :Oxford University Press;
Of; UK,2007.
Em Busca do Santo Graal; National Geographic; EUA; 2005.
Notas do editor.
Fosterage (1)
Local para onde as crianças são mandadas
e ficam sob a guarda de um tenant, tutor, ou preceptor
para fins de educação.
Os livros (2) branco e (3) vermelho foram encontrados
em duas abadias.
As duas abadias são
sinalizadas pelos próprios nomes dos livros,
ou seja, o Branco está na Abadia de Rhydderch
e o Vermelho, na de Hergest.
O texto sinaliza que
“o escudeiro” de Lancelot foi quem encontrou
o Graal. Há versões que dizem ter sido
Peredur e outras dizendo que foi Derfel.
Uma versão mentirosa
feita de encomenda para influenciar os católicos,
como outras mentiras da “santa igreja” a
falsa data do nascimento de Jesus, no dia 25 de dezembro,
o culto do domingo e não do santo sábado
como está escrito na Bíblia em qualquer
das versões, e os “3 Reis Magos”,
que na Bíblia são tratados apenas como
magos, não sendo dito quantos seriam e, em nenhuma
parte dizendo os nomes nem que eram três: tudo
mentira.
Outra grave farsa é o “frasco que contém
o leite da Virgem Maria”.
É o caso de questionar, D’Us
condena ou não a mentira? A “santa igreja”
está acima de D’Us nas decisões
dos Concílios?
Sobre Gerald Brousseau Gardner,
fundador da Wicca
O fundador da Wicca nasceu
em Crosby, próximo a Liverpool, na Grã-bretanha.
Era asmático desde criança, por essa razão
a sua ama o levou para climas mais quentes, acabando
por viver na Ásia, onde Gardner ficou grande
parte da sua vida adulta.
Em 1908, era plantador de borracha, primeiro em Borneo
e depois na Malásia.
Depois de 1923, ainda na Malásia, exerceu funções
como inspetor do governo Em 1936. Com 52 anos, regressou
à Inglaterra. Em 1936 publicou o texto autoritário
''Keris and other Malay Weapons'', baseado na sua pesquisa
sobre armas no sul Asiático e práticas
de magia.
No seu regresso a Inglaterra em 1936,
adotou o naturismo, e aprofundou o seu interesse pelo
ocultismo. Foi influenciado por Aleister Crowley.
Como Doreen Valiente, ficou conhecido no movimento pagão
moderno, e dizem que era um forte adepto da terapia
através do sol.
Gardner publicou dois trabalhos de ficção:
''A Goddess Arrives'' , em 1939 e ''High Magic's Aid''
, em 1949. Estes trabalhos foram seguidos de trabalhos
de investigação e, portanto, factuais:
“Witchcraft Today” em 1954 e “The
Meaning of Witchcraft”,. em 1959.
Casamento e morte
Gerald Gardner foi casado com uma mulher chamada Donna
durante 33 anos, mas ela nunca fez parte das atividades
neo-pagãs do seu marido.
Em 1964, Gerald Gardner morreu a bordo
de um navio que regressava do Líbano, depois
de sofrer de um ataque cardíaco. Foi sepultado
na Tunísia.
|
|
| |
|
|
| |
Quadrantes, Defensores e Direções
Novamente abordaremos
o tema referente ao Círculo Mágicko, pois
temos recebido pedidos sobre isso, no qual se encontram
relatos que além de discrepantes são irreais
e até mesmo falsos.
A primeira alegação é de que os
defensores dos quadrantes dos Círculos são
seres estrelares. Não é bem assim; todo
o ser dito elemental é assim chamado por ser
formado da energia quintessencial de um dos quatro elementos
encontrados na Natureza. Mas mesmo entre esses seres,
se encontram “soberanos” responsáveis
pela regência de seu universo. Esses soberanos
são feitos de uma essência ainda mais pura
que seus súditos, mais concentrada e podem ser
considerados superiores aos seus, inclusive no quesito
“inteligência”, já que por
vezes flagramos elementais cumprindo tarefas ao pé
da letra; enquanto os “reis” têm capacidade
de julgamento e até mesmo um certo arbítrio
para com os de sua subscrição. Podemos
encontrar inclusive alguns rituais nos quais os reis
são evocados nominal e simultaneamente, um exemplo
é o ritual para banimento de vampiros elementais;
que é algo mais recorrente do que se pensa. Por
essas e outras, seria no mínimo uma loucura propagar
que os elementais são todos estrelares e que
a orientação do Círculo é
também unicamente astronômica.
Ainda sobre isso, há uma enorme confusão
sobre as direções de orientações
dos quadrantes... basta uma bússola e pronto!
Os quadrantes são sempre orientados por pólo
magnético. Mesmo que digam que esses quadrantes
sofrem correção, isso é inválido.
O movimento de precessão do eixo terrestre é
relativo ao movimento que o eixo do planeta faz diagonalmente
em torno de si próprio. Na revista Scientific
América, edição especial de 2007,
vemos que:
- “O movimento de precessão do eixo
terrestre, descreve um movimento de forma cônica,
para completar tal movimento, o planeta demora um período
de vinte e seis mil anos. Se
nesse período, se o eixo terrestre aponta para
uma estrela, esta estrela passa a ser chamada de Polar,
servindo como orientação somente para
o Norte Celeste, e nada mais”. Por isso não
devemos também acatar o conselho de que devemos
corrigir as direções dos quadrantes, de
tempos em tempos. Mesmo que tentem refutar, dizendo
que os pólos magnéticos sofrem alteração
com tal movimento; tranqüilize-se. Quem conhece
a teoria dos Cinturões de Van Halen, sabe muito
bem que mesmo variando o apontamento no quesito direção,
não há qualquer tipo de perturbação
no sentido magnético do planeta, pois esse tem
seu próprio campo magnético, independente
da condição relativa ao cosmos. Então
para aqueles que pensam que uma um evento astronômico,
ou um acidente geográfico poderia alterar a direção
do Círculo...bússola.
Lembrando dos acidentes geográficos, eles também
não podem alterar direções de Círculos,
por mais força que concentrem, uma cachoeira,
por exemplo, não altera a orientação.
Outra questão recorrente é: Por que cada
elemento e estação estão correlatos
a um quadrante determinado. Simples;
Terra ao Norte (inverno); Ar ao Leste (primavera); Fogo
ao Sul (verão) e por fim a Água ao Oeste
(outono). Todas as luzes do mundo (Sol e Lua), nascem
no Leste do Ar (mente), originando a luz que é
relativa à iluminação, sabedoria;
mas ao fim do dia se põem no Oeste da Água
(emoção), dando vaga ao homem que sucumbe
às suas emoções e, portanto é
falho. Todas as forças telúricas têm
origem no Norte, na fixidez da Terra, e dispersam no
Sul, na temporariedade do Fogo.
Foi por meio desses contrapontos, de alto e baixo, que
os antigos normatizaram os elementos dos quadrantes.
É bastante simbólico, mas também
muito prático. Pegue um pêndulo, se apontado
para o Norte, ele vai girar em sinal de positivo, no
Sul será negativo; o mesmo se dá no sentido
Leste-Oeste. Mantenha o pêndulo junto à
si durante uma viagem, se estiver percorrendo o sentido
Norte-Sul, verá sua energia decair com o avanço,
e o contrário se for no sentido Sul-Norte; será
igual nos sentidos Leste-Oeste.
Sempre que falamos de Círculos, também
surge a dúvida daqueles que não sabem
por onde começar o Widershin (movimento circular
que “fecha” o Círculo no início
da celebração), a resposta é que
nas tradições herméticas, sempre
se inicia pelo Leste, já que o expediente visa
iluminar algo ou alguém, mas nós que trabalhamos
com forças naturais também podemos começar
pelo Norte, para honrar a Terra que prove toda a vida.
Tenha esses conhecimentos sempre em vista, e todos os
seus procedimentos dentro de um círculo serão
sempre bem sucedidos.
Por: Drustan, o Scaldi.
Fontes:
- Scientific América; edição especial;
2007.
- Rituais Celtas; Baggott, Andy; Ed: Madras; S.P.; Br;
2002.
-No Mundo dos Elementais vol 1; Vasariah; S.I.; Ed:
Vasariah S.E.; P.A; Br; 2000.
|
|
| |
|
|
| |
Respiração da Aura
Durante conversas com outros Filid, observo
constantemente dúvidas das mais diversas sobre
o que normalmente se chama de aura. Por muitas vezes
se divulgam autênticas falácias, em outras
ocasiões vêem apenas meias verdades,
já que são muitos aqueles que desejam
entesourar o que sabem sobre o Ofício e suas
artes.
De certa forma, os conhecimentos sobre
a aura são relativamente novos para os pagãos,
já que vêm trazidos dos costumes orientais,
onde este tema é comumente falado; está
inserido nas artes marciais, na medicina tradicional
e, por vezes, se encontram vocábulos nas línguas
orientais onde se vê a alusão à
aura.. Dependendo da cultura, a aura pode ter vários
nomes. Ki entre os nipônicos, Chi entre os chineses,
às vezes é o Soma dos Hindus indianos
e aparece como o Perispírito dos Kardecistas.
Como estudamos na escola, todo o corpo
material é carregado de energia, tal “atrito”
energético cria um campo que circunda o corpo
parecendo dele emanar; assim sendo, tal força
é tida como um campo radioativo que tem tendência
a reagir e interagir com o que está à
sua volta. Uma prova básica disto é que,
se fosse o contrário, nada ou ninguém
poderia sofrer contaminação de substâncias
radioativas como o Césio C-130, que é
utilizado em salas de Raios-X, ou dos materiais emanados
de reatores atômicos, como o de Chernobyl.
Tudo emana energia em menor e maior
grau, de uma forma ou de outra. Por isso, existe a possibilidade
constante de se colher vibrações; elas
deixam impressões em tudo, mesmo nas paredes
de um cômodo em uma residência. Basta notar
que em alguns lugares existe uma propensão a
nos sentirmos incomodados, como se houvesse um peso
a nos oprimir; ou então ficamos estranhamente
confortáveis, como se fosse em nossa casa. Com
pessoas é igual, algumas, adoramos ao primeiro
contato e outras nos despertam asco só de olhar.
Isso se dá pelo fator de que toda vibração
tem sua freqüência própria, quando
as vibrações são muito díspares
entram em conflito, mas se forem próximas ou
mesmo iguais, provocam o fenômeno da ressonância,
é literalmente como na teoria musical.
Quando está em um ser vivo,
a aura respira na mesma freqüência que seu
possuidor. Ao expirar, ela se expande, liberando informação,
e na inspiração ela se contrai colhendo
impressões de tudo e todos à sua volta.
Algumas pessoas têm isso tão desenvolvido,
que mais se assemelham a radares. Os corpos somáticos
também podem variar seu tipo de pessoa para pessoa.
Alguns são praticamente fechados, outros são
abertos e absorsivos. Os mais sensíveis podem
até mesmo sentir variações de temperatura
e densidade durante operações específicas
como uma sessão de Reiki.
Os maiores centros de respiração
da aura são os Chakras, que são sete pontos
espalhados pelo corpo.
O primeiro está na parte baixa da pélvis,
entre o órgão sexual e o ânus; por
isso sua função é alimentar a vida
no corpo e fazer com que ela se projete pelos órgãos
sexuais. O segundo ponto está quatro dedos abaixo
do umbigo, na região alta do ventre; como está
bem na base da respiração abdominal, tem
por atribuição regular a mesma e abastece
cada esforço feito pelo corpo. O terceiro ponto
está sobre o plexo solar, seu trabalho é
transformar tudo o que o corpo absorve, principalmente
durante a alimentação; é, o segundo
Chakra em utilidade para os Filid, pois é nele
que estão depositadas as “energias do fígado”.
O quarto está sobre o coração e
regula o campo emocional dos seres. O quinto está
no pescoço, sobre a laringe, cuida das faculdades
comunicativas e por estar no pescoço que une
o corpo á cabeça, é o Chakra da
transformação do homem; de animal para
racional. O sexto é o mais afamado, está
sobre a testa, logo acima do fórceps nasal, daí
seu nome de terceiro olho, cuida do raciocínio
e também das faculdades mágickas da visão,
o que também corrobora para seu nome. O sétimo
está sobre o centro do crânio na junção
de seus ossos, por estar nessa posição
é chamado de coronário por estar no lugar
de uma coroa, a este Chakra se atribui a inteligência,
seus dons e também a ligação do
ser com o divino, já que está aberto para
o céu.
Todos esses pontos giram em sentido
horário e têm uma espécie de descarga
negativa na parte anterior do corpo, onde giram em sentido
anti-horário. Por serem primariamente ligados
á respiração somática, jamais
devem ser fechados, obstruídos, invertidos ou
drenados; isso significaria literalmente o enfraquecimento
da aura de uma pessoa, um campo somático que
tem seus pontos invertidos e passa a respirar preferencialmente
para dentro, está claramente obsedado; ou melhor,
vampirizado.
Quando vampirizada, a pessoa mostra
uma aura fraca, que respira basicamente recolhida e
comprimida, perde brilho apresentando coloração
fosca. Não tem espaço, ocupando uma área
que se reduz até atingir no último estado,
uma área de apenas dois dedos além do
corpo físico. No estágio terminal, o vampirizado,
além disso, tudo, mostra uma aura de cor sépia,
que é a coloração de fotografias
velhas.
Geralmente o desenho de u’a aura
é sinuoso e pontiagudo, mas isso varia, pois
há um segredo: Sabemos que a Terra também
respira e tem variações de horário
onde dá lugar á respiração
do Céu. De 06 h até 12 h o Céu
respira fazendo que a aura esteja cheia de arestas que
provocam sua expansão. De 12 h até as
18 h é a vez da Terra e isso dá a aura
um contorno mais compacto e com menos arestas, o que
a faz guardar o que é emanado da Terra. O Céu
respira novamente de 18h até a 00 h e rende o
turno para a Terra de 00 h até as 06 h. Assim
é todo o dia. O físico brasileiro César
Lates, além de provar a existência da partícula
do Méson Pesado (ou Méson Pi), também
provou que essas partículas tinham maior tendência
de caírem do céu em determinados horários,
sendo que esses coincidem com as horas de alternância
da Respiração Terrestre e da Respiração
Celeste. Coincidência?
Logicamente que com tanta movimentação
em um momento ou outro, o campo somático é
invadido por uma energia intrusa e danosa, e normalmente
não conseguimos saber sua origem. Então
vamos cuidar de alguns procedimentos de profilaxia para
a aura, que devem ser usados, principalmente, por aqueles
que absorvem mais do que emitem, os famosos “esponjas”.
O primeiro é bem simples. Sente-se
e relaxe, feche os olhos e imagine que seu corpo começou
a esquentar absurdamente a partir da linha vertical
central. Quando atingir o máximo de temperatura
suportável, mentalize que tudo de ruim que está
“colado” em você começou a
queimar, formando uma fumaça negra, espessa e
até mal cheirosa; isso tudo está saindo
de você e se evaporando no ar. Ao se sentir mais
leve, respire fundo e passe a mentalizar uma nuvem dourada
sobre você; e então essa nuvem despeja
sua chuva, que é dourada e cai somente sobre
seu corpo; absorva ao máximo. Isso será
suficiente para livrar-lhe de negatividades externas
e até mesmo suas.
Algo um pouco mais forte é praticado
pelos Sikis da Índia. Sente-se de pernas cruzadas,
feche os olhos, ponha a ponta da língua contra
o palato (céu da boca); agora levante os braços
na altura dos ombros e dobre os cotovelos em noventa
graus. Comece com as mãos abertas e depois as
feche, abra novamente mas, ao fechar, coloque o polegar
para dentro sob os outros dedos; sincronize os movimentos
de mão com uma respiração lenta
e profunda. Faça por durante três minutos,
será o suficiente para uma limpeza bem feita.
A meditação Zen também
é bem útil, principalmente para armazenar
forças ou reconstituir trechos da aura que foram
danificados por acidentes ou doenças. Basta sentar
de pernas cruzadas, fechar os olhos, encostar a ponta
da língua no palato e manter a coluna reta. O
mudra (posição de mão) é
bem simples, coloque sua mão esquerda aberta
em seu colo, sobre ela à direita fazendo com
que os polegares se toquem. Então respire lentamente
usando a barriga, contraia ao expirar e expanda ao inspirar;
isso provocará uma respiração profunda
e trocará o ar de seus pulmões a cada
ciclo. O mais importante porém é limpar
a mente por completo, impedindo-a de pensar e se deixando
enxergar somente o plano negro á sua frente.
A quarta e última opção
é mais radical. Em casas de artigos religiosos
ou até mesmo em lojas para produtos de limpeza,
se pode conseguir uma substância chamada “anil”.
Pegue uma das esponjas que vem na embalagem e a aperte
em uma panela com água, isso fará com
que a esponja libere uma substância de cor azul
anil, como a que está em nossa bandeira nacional.
Feito isso, tome um banho normal; depois use toda a
água de anil para se banhar novamente do pescoço
para baixo. Não use sabonete e deixe que seu
corpo se seque naturalmente, sem toalha. Curiosamente
esta mesma água é utilizada na famosa
Cerimônia Azul, que tem por função
“banir coisas indesejáveis e pesadas”
de uma habitação ou mesmo local sagrado.
Agora você já
sabe como exatamente trabalha a estrutura de sua aura,
e também sabe o que se deve ser feito para mantê-la
limpa, protegida e forte. Sabendo dessas coisas, poderá
transitar normalmente e á salvo, e tudo o que
fizer será imbuído de muita força.
Mas não se esqueça: As mariposas nascidas
na escuridão, sempre avoejam em busca de uma
lâmpada na qual se fixar.
Por: Drustan, o Scaldi
Fontes:
Dogma e Ritual da Alta Magia; Eliphas
Leví; Ed: Pensamento; SP; BR; 1990.
Zen A Transmissão Especial; Osho; Ed: Madras;
SP; BR; 1999.
Pêndulos Prática em Radiestesia; Píer
Campadello; Ed: Madras; SP; BR; 2004.
|
|
| |
A noite de treinamento fora longa e
intensa, chovia finamente e o vento forte trazia uma
sensação de frio cortante. Como de costume
fomos procurar algo para beber e comer, o local escolhido
foi um churrasqueiro de rua na quadra ao lado.
Naquela noite éramos
meu Shidoshi Miguel Greg, um antigo companheiro de arte
marcial e eu. Era uma época difícil para
os três e começamos a analisar a situação
sob a ótica de nossas religiões; já
que éramos um budista, um hinduísta e
eu como o bruxo. Obviamente em dado ponto, a filosofia
da nossa arte marcial entrou na roda e trouxe nova ótica
para aquilo que percebíamos. Traçamos
metas e vimos novamente que fé e arte marcial
são grandes caminhos para o soerguimento do ser
humano. Foi então que ouvi de meu Sensei a frase
que norteia este texto: “Artes Marciais e
religião sem filosofia não passam de sentimentalismo”.
Aqueles que acompanham esta coluna talvez
se lembrem que sempre traço comparações
entre essas duas artes, já que ambas são
cabais para aqueles que seguem suas vidas de forma guerreira,
por isso não vou me delongar em novas comparações.
Muita gente me pergunta por que jamais escrevo sobre
mágickas, e outros me criticam dizendo que os
textos parecem ser tirados de algum livro de auto-ajuda.
Mas esse tipo de gente apenas quer o imediatismo ou
“um mercado de classe média” onde
se possa comercializar aquilo que nos é ensinado
pelos deuses.
Devemos sempre ter em
mente que apenas debruçando nosso raciocínio
sobre nossos conhecimentos, obteremos algo maior e jamais
seremos falsos ou bruxinhos de banca de jornal. Para
tanto, os antigos levavam anos estudando as Artes Mágickas,
é muito fácil alguém lhe conceder
um diploma em alguma coisa e depois lhe dizer que você
está apto a mexer com determinada categoria de
seres ou energias. Mas onde fica a preparação
interior do sacerdote?
Da mesma forma, julgo
como de alta importância, a capacidade de discernimento
daqueles que participam ativamente de um ritual, saber
por que se roda para a direita e não para a esquerda
quando o Círculo é fechado no inicio do
ritual, é cabal saber a forma trina da Deusa
e também sua face oculta. Pode parecer jocoso
ou irado, mas bruxo não é cozinheiro para
dar receita e nem químico para escrever fórmula.
Se você deseja
preparar realmente bem um sacerdote, antes de tudo você
precisa preparar-lhe o interior para que receba bem
esses conhecimentos tão antigos, importantes
e, por isso mesmo, perigosos. Como disse nosso irmão,
o Mago Selath: “É preciso
amainar a terra antes de atirar-lhe a semente”.
O faixa branca bem preparado será
indefensável em suas atitudes, o neófito
bem preparado será um espírito e um nome
imortal, e ambos juntos ou separados, serão grandes
homens.
Nossa única e
real pretensão, ao longo de tudo o que se lê
nessa coluna, é corroborar para que o Ofício
não se transforme em chacota, objeto de perseguição
ou piada para igrejista rir. E ainda há mais
um ponto. Na comunidade de Orkut, Tenho Orgulho de Ser
Pagão, há um tópico onde uma irmã
fala de uma série de erros cometidos por gente
despreparada que por isso mesmo, cometem uma série
de erros que inclusive põem e risco as suas vidas.
Gente essa, que é descaradamente iludida por
aproveitadores e vendilhões que usam a “média”
de massa para vender seus cursinhos ou produtos. Isso
se dá unicamente por não existir um conhecimento
real daquilo em que vivemos; tempos atrás num
programa de televisão matinal, vi gente dizendo
que a assinatura que termina apontada para baixo, traz
negatividade, num outro programa noturno popularesco,
alguém dizia que era bruxa wiccana e venerava
o demônio.
Bom, o tipo de alfabeto
e letra que usamos comumente, hoje em dia, não
têm a capacidade de iluminação dos
alfabetos antigos, como a Runa escandinava ou o Ogham
celta; portanto, pouco importa a direção
que a letra toma. Quanto ao demônio... Nós
somos de um rito que já estava neste mundo mesmo
antes dos judeus, ou dos cristãos que vieram
muito depois. O demônio deles só foi criado
na era medieval, e ainda por cima usaram a imagem do
Deus Cornífero para dar-lhe uma face. Então,
podemos dizer que nos ritos antigos a personificação
do mal é simplesmente inexistente. Ao menos eu
não conheço bruxo ou bruxa que tenha esbarrado
com ele pela rua. Francamente,
as pessoas que afirmam isso, sequer sabem o motivo real
de usarmos roupas negras; e aqueles que crescem sem
o devido preparo filosófico, também não.
Há sempre um
motivo, sempre um rumo certo; mas sem uma mente iluminada,
suficientemente, a estrada sempre termina nos vales
escuros da ignorância.
Convido-o, neste momento,
a mais uma vez pensar, ou melhor, filosofar sobre a
névoa, propriamente dita. O que ela é
além de um manto para ocultar do vulgo um local
sagrado? O que sente aquele que viaja de barco em seu
abraço frio? Quando começar a entender
a névoa, você vai notar que só três
coisas o impedem de afundar no lago do Ofício:
a primeira é o conhecimento, que lhe diz onde
a ilha está, a segunda é a fé,
que sempre lhe assegura que a ilha continua no mesmo
lugar à sua espera, e a terceira é a filosofia,
que lhe dá a rota e o porquê de seguir
até lá.
Sem esses três
instrumentos náuticos, qualquer um se perde e
fica à deriva, isso se tiver muita sorte e não
se encontrar com as pedras do fundo arenoso e com os
monstros que permeiam a vida humana normal. Pois o clérigo
sem filosofia é apenas isso, uma pessoa comum,
sem senso numa existência comum e perfeitamente
mundana.
As palavras gaélicas
Wicca e Druida, no fundo, significam a mesma coisa,
uma pessoa sábia em seus assuntos, e para os
gregos o sábio é quem pensa a vida, e
para eles quem pensava a vida eram os filósofos.
Não se deixe levar por modismos ou imediatismos,
renegue o status, não esteja um Wicca, seja Wicca.
Mas para de fato ser algo ou alguém, é
necessário ter consciência de si próprio,
e isso se adquire unicamente pensando sobre si; descobrindo
quem se é, o que o transforma e, principalmente,
no que vai se tornar após tal mudança.
Prepare-se! Pois se
descobrir, é aprender o caminho dos deuses; aprender
o caminho dos deuses é se tornar maior, por isso
mesmo com tanto poder em mãos, mesmo que volte
atrás, você jamais será a mesma
pessoa. Enxergue através da bruma que a vida
mundana coloca frente ao seu caminho, desvende as ilusões
procurando um porquê de cada coisa ter seu lugar
e seu tempo.
Apenas através
do seu pensamento você poderá se tornar
grande, e ser maior do que essa gente que quer somente
o agora, essa gente que não quer que você
esteja no futuro do mundo conosco.
Por: Drustan, o Scaldi
Fontes: Mabioginon,O Jardim; Epicuro.ir
textoestevean
Matéria e pedido de apoio para denúncia
Caro
editor do Portal www.mensageiro.com.br
, segue anexa mais uma matéria, chamada filosofia.
Mas ,dessa vez eu queria pedir um apoio todo especial.
Se o senhor já viu na rua, o tal do MV Brasil
fez um cartaz que acusa o Halloween de ser um culto
de satanistas, eu e um outro bruxo de S.P. (Allan Carlos,
o Arwein) estamos nos movendo contra os caras, pois
achamos tudo muito ofensivo.
Armamos uma petição pública do
tipo abaixo assinado na Internet (http://www.petitiononline.com/antimv
) e gostaria de pedir encarecidamente o seu apoio,
quero contar não só com a sua assinatura,
mas também com o apoio do Portal da Sabedoria,
www.mensageiro.com.br, pois quem editou o texto da petição
foi o Drustan. Peço encarecidamente a sua ajuda,
pois já fizemos também denúncias
oficias para organismos como o a Abrawicca e a Federação
Pagã da América do Sul e do Brasil, o
outro bruxo vai botar até o Consulado Americano
na dança, pois eles também cometem xenofobia.
Afora isso, para comprovar nossos reclamos, os caras
têm um edital totalmente preconceituoso no endereço:
http://www.mv-brasil.org.br/texto_halloween_satanismo.html.
Dá ódio só de ler; é por
isso que um dos líderes do tal movimento hoje
está puxando um burro sem rabo pelo Centro do
Rio.
Peço de novo o seu apoio com o jornal.
Obrigado,
Um fraterno abraço.
Estevam Silva.
estevam_tengu@yahoo.com.br
Tel Res: 55 21 2210-0326
Tel Cel: 55 21 8116-2157
Rio de Janeiro- RJ
-
Brasil
N.R.
o escritor Drustan, o Scaldi (nome adotado no círculo
dos praticantes de magia wiccana) e seus confrades estão
revoltados com razão.
A Carta Magna brasileira é clara sobre a total
liberdade de culto religioso.
O Estado brasileiro não têm religião
oficial.
A festa de Halowen não faz parte de nossa cultura,
mas em nada agride as religiões praticadas no
Brasil.
A ignorância no passado já levou ao assassinato
de pessoas, cremadas vivas, em Salem, nos Estados Unidos,
onde hoje a festa das “bruxas” é
quando se oferecem doces às crianças fantasiadas
de abóboras e outras figuras exóticas,
é parte do folklore do país.
O preconceito e xenofobia são próprios
dos ignorantes e podem lavar a situações
extremas que podem até fugir ao controle. Recente,
Bula do Cardeal Ratzinger, que se intitula representante
de D’US na Terra, mostra o desconhecimento e o
preconceito dele contra a Maçonaria e a Ordem
Rosacruz. Será um sinal do “Apocalipse”
ou somente falta de cultura e respeito ao ser humano,
livre e feito a imagem e semelhança de D’US
?
A ONG que promove a ilegalidade deveria ser punida,
já há suficiente baderna com os anti-semitas
e espancadores de gays, prostitutas, mendigos e idosos
e os que queimam índios nas ruas. FPR.
|
|
| |
|
|
| |
Defensor
Um
amigo namorava uma moça. Depois de alguns meses
fica repentinamente doente e quase morre. Após
sondagem, este descobre que a mãe da moça
estava usando de certos artifícios para vê-lo
morto; tudo por não querer o tal namoro da filha
com um sacerdote de outra religião.
Entrando em contato com um amigo de outro estado que
estava em aguda depressão, este me conta que
recentemente havia feito sua quarta tentativa de suicídio.
O que estes dois casos têm em comum?! A defesa
da vida!
Muita gente, dentro dos sacerdócios pagãos,
pensa que se usa de seus conhecimentos para revidar
um ataque de grande porte ou simplesmente se deixa levar
pelas circunstâncias. É ilícito
usar de mágicka para reverter
tal situação. Mas será que é
certo se deixar ser atacado ou esmorecer diante de uma
situação de risco de morte? Uma vez fui
gentilmente convidado para uma cerimônia em um
templo da Hare Krishna. A data era
em celebração à manifestação
de uma certa divindade, Irada Hindu, e o monge palestrante
deu um ótimo exemplo:
“Numa noite você está em casa
jantando com amigos e família e de repente sua
casa é invadida por bandidos. Após amarrarem
todos, esses começam a ameaçar todos de
morte e avisam que vão matar as crianças,
estuprar e matar as mulheres e vão lhe deixar
para morrer por último para que você assista
a tudo. Você vai ficar passivo, sentado observando
os acontecimentos e esperando a morte? Obviamente que
não.”
Os dois casos supracitados são a mesma coisa.
Como todos sabem o paganismo é totalmente engajado
em prol da vida, mas muitos deixam de esboçar
reação quando a vida em questão
é a própria; tudo para não passar
pecha de vingativo. Já que o paganismo é
defensor da vida, é certo que a primeira vida
a ser defendida é a sua. Afinal, como posso eu
entender da defesa da vida se eu mesmo não me
defendo?
Quando perguntados o que fariam no primeiro caso citado,
muitos acham que a resposta significaria vingança.
Mas se o direito da vida e do bem-estar são sagrados,
se alguém for ativamente contra isto, não
é ele um profanador? E aceitar isso passivamente
não é cumplicidade? Sendo um clérigo,
você não pode se omitir quando se defronta
com o mal. Devemos enfrentá-lo onde e da forma
que ele vier, principalmente quando este vem sobre si.
Se negar ao combate por simples vontade de não
querer parecer vingativo é deixar que os miasmas
do mundo se disseminem, o que é contrário
ao nosso propósito.
No momento de sua encarnação
você recebe a responsabilidade de cuidar de si.
Esta é sua maior atribuição. Deixar
que outrem lhe barre o caminho por mero capricho é
fugir de sua incumbência. É falhar gravemente
com os deuses. Já que somos os defensores da
vida em toda a sua amplitude, não nos é
dado o direito de obliterá-la, principalmente
se é a nossa.
Se quer seguir em frente, cuide do que lhe é
dado em primeiro lugar: sua existência, seu direito
individual de ser. Lógico, não saia por
aí sentenciando cada um com quem você esbarra
e lhe desagrada; é mister um senso real de justiça
e auto-preservação. É isto sobre
o que estamos falando nesse momento: auto-preservação.
O direito mais básico do ser, o simples direito
de uma existência real e feliz.
Depois disso tudo devemos lembrar que a única
vontade divina consiste em “ide e sê feliz
para todo o sempre”.
“Se o seu inimigo lhe ofender, retalhe com uma
ofensa maior ainda para que ele nem possa pensar em
devolver”.
Nicolau Maquiavel em O Príncipe.
Por: Drustan, O Scaldi.
Fontes:
- A Roda do Tempo; Castañeda, Carlos; Ed: Nova
Era; Brasil; R.J. 2001.
|
|
| |
LDS
Tradição
Certamente uma das coisas que mais sofreu
modificações foi a imprensa em termos
individuais, foi-se o tempo em que os antigos começaram
á escrever seus registros com tinta em pedra,
progredindo depois para as tábuas de argila.
Chega o tempo da escrita grafada no papiro e no papel.
Chega a época das máquinas de escrever
e hoje estamos digitando nossas vidas na memória
do computador.
É óbvio que os bruxos também ficaram
sujeitos a tais modificações, isso influi
diretamente sobre a maneira como registramos o Livro
das Sombras; até muito pouco tempo era comum
seguir a forma tradicional e registrar tudo manualmente
com caneta e papel, concentrando tudo em uma espécie
de livro particular manuscrito; mas agora com o advento
do computador pessoal e dos notebooks, os filid vêem
claramente preferindo manter seus segredos nos discos
rígidos das máquinas, destarte preterindo
a tradição de notação manual.
Isso influi em dois problemas, o primeiro é o
fato de que escrevendo a pessoa tem maior facilidade
em memorizar aquilo sobre o que se debruça, conferindo
ao file mais versatilidade e desprendimento no momento
de manejo da informação durante o ritual.
Como não é o que tem acontecido, está
ficando normal assistir gente que se perde no meio de
suas próprias informações.
A outra questão é mais delicada; é
tocante à parte da tradição. Muitos
nesse momento vão protestar de forma intempestiva
dizendo que em nada influi manter os dados no computador,
chega mesmo a soar estranho vindo de um file que escreve
em um jornal de Internet; mas se nós pararmos
para observar, algumas das publicações
mais importantes na Wicca Moderna têm o título
de Livro das Sombras, e isso não se dá
por mero acaso ou capricho dos escritores.
O LDS é justamente o instrumento de norteamento
do file, capacita-o a ter sempre a mão a informação
desejada no momento necessário caso a memória
não responda oportunamente, e sem falar que o
próprio LDS já é uma liberdade
conferida pela evolução dos tempos; pois
os geisa rezam que o conhecimento deve ser transmitido
diretamente de boca para ouvido; mas obviamente isso
foi sendo aberto com o tempo devido ao grande número
de informação e também por algumas
coisas serem de extrema complicação para
serem guardadas de cor.
Durante a visita de um amigo com quem debati o tema,
ele contou que sua avó alemã, tinha um
Livro das Sombras todo escrito em Alemão. Quando
da morte da senhora, o livro foi incinerado devido a
tamanha força que continha, já que acumulara
muito das impressões da dona e isso junto com
o conteúdo; em mão errada causaria muito
dano. Lamentavelmente, ninguém da família
teve a presença de espírito de copiar
o conteúdo antes da incineração;
tudo que ali havia morreu junto com sua escritora que
demorou quase oito décadas juntando informação.
Há poucos dias recebi uma enorme gama de informação
por meio de um CD que veio parar em minhas mãos
por algumas horas, selecionei o que me interessava e
armazenei, mas mesmo assim já estou me organizando
para passar o conteúdo (muito) extenso para o
meu livro de forma manuscrita.
Devemos entender que certas partes do Ofício
são inamovíveis, se isso for modificado
mesmo sob o pretexto de modernização,
perderá sua força e até mesmo o
contexto. Sendo agora um pouco mais bem humorado eu
pergunto: E quando faltar eletricidade? Gostaria de
saber se caso o seu neto venha a seguir seu caminho,
como ele fará para consultar tudo o que você
deixou, num disco rígido obsoleto que daqui a
cinqüenta anos nem sonhará em funcionar?
Há algumas partes, que são obrigatórias
em um Livro das Sombras; a primeira, modernamente é
chamada de diretrizes, mas seu nome original é
Geisa, que como explicamos em matéria anterior
é o conjunto de regras individuais de autoria
própria junto com as poucas leis do mundo wiccano.
A segunda parte é referente às mágickas
propriamente ditas. Ali, devem constar todos os conhecimentos
operativos que você obtiver ao longo de sua vida.
Organize-os da forma que lhe for mais adequada, e de
maneira que possa ser facilmente consultado mesmo em
momentos de pressa. A terceira parte é opcional
para bruxos wiccanos. Pode ser escrita no final do LDS
ou em um tomo separado; é o Grimoire ou Grimório.
Basicamente é seu diário mágicko,
onde se narram os acontecimentos após as experiências.
Por ele você terá como auferir o que lhe
é mais apropriado no momento de um ritual ou
mágicka.
Como vemos, o bruxo que segue esta parte da tradição
acaba se tornando um grande depositário de informações.
Como querer manter tudo concentrado em um único
ponto, ou mesmo confiar em algo tão imprevisível
quanto um computador?
Por: Drustan, o Scaldi.
Fontes:
- O Livro das Sombras; Genge, N.E.; Ed: Frente, R.J.
Brasil, 2002.
- O Guerreiro Wicca; Cukulain, Kerr; Ed: Madras, S.P.
Brasil, 2001.
- Explorando o Druidismo Celta; Knight, Sirona; S.P.
Brasil, 2003.
|
|
| |
Árvorese
Raízes
Uma parte bastante interessante do
conhecimento antigo, que migrou naturalmente para a
Wicca moderna foi o referente às plantas; árvores,
raízes, folhas, frutos e suas utilidades. Apesar
de ser um dos conhecimentos que hoje está se
perdendo, graças ao confinamento urbano, não
deve jamais ser esquecido por se tratar de uma das partes
principais do conhecimento tradicional do Ofício.
A maioria das pessoas pensa que as árvores e
plantas em geral têm somente as funções
ecológicas e medicinais. Mas não se restringe
a isso, as plantas têm para os Filid importância
capital. Por crescerem da Terra e se desenvolverem em
sua maioria rumo ao Céu, as plantas foram vistas
como um elo de ligação inicial com o divino,
pois assim como o homem, brotam da Terra e crescem buscando
as alturas. Não seria isso uma clara referência
à intenção da busca por algo maior?
Por essas coisas, o mundo vegetal, para os bruxos, ganhou
todo um colorido, assumindo mesmo um aspecto divino.
Como já foi explicado em matéria anterior,
fez-se todo um alfabeto em torno de algumas árvores
que assumiram maior importância. Esse alfabeto,
o Ogam, tinha, primeiramente, a função
da escrita restrita aos sacerdotes, pois os conhecimentos
do Ofício não poderiam ser abandonados
à mão de qualquer um. Em segundo plano,
o Ogam tinha a função de notação
para a medicina que era feita com base nas propriedades
das plantas sagradas. A última, mas não
menos importante função deste alfabeto
era oracular, num manejo muito similar às Runas.
Cada vegetal tinha sua função, seu significado;
a isso era associado também um mês, um
animal, uma cor e um valor numerológico; não
era algo muito fácil de manejar visto que o File
tinha de saber cada um desses tópicos de cada
planta, de cor. Vamos á alguns exemplos.
Ng era a letra referente ao Ngetal, o Bambu, seu mês
se estendia ao período que vai de 28 de outubro
até 24 de novembro, seu animal é o ganso
(ngeigh) e seu valor numerológico é 5.
Por ser largamente utilizado para fazer “canetas”,
o bambu era a planta dos sábios, daqueles que
preservavam o conhecimento por meio da escrita, portanto
representava o próprio Ogam e seus usuários.
Essa planta ainda tinha outras funções.
Era comum ver flautas desse material, em rituais. Isso
permitia aos bardos “sintonizar” melhor
os Sidhe e os espíritos que ali viviam. O bambu
da espécie canna, tinha seu uso nas flechas de
batalha, por ser oco. Seu interior servia de cápsula
de venefício para projéteis especiais.
Um costumeiro usuário desse projétil era
o deus Lugh, o bem dotado. Essa planta simbolizava a
metade minguante da Roda do Ano e também o Sidhe
das Fadas, pois por crescer perto da água, seu
reflexo representava esse Sidhe, enquanto o corpo fisco
do vegetal reproduzia simbolicamente o nosso mundo.
Então o bambuzal era visto como lugar de conexão
e mesmo colônia de Fadas.
O carvalho (Duir) é um dos preferidos e aparece
freqüentemente nas lendas. Seu espírito
guardião é extremamente respeitado e muito
bem quisto, principalmente entre os druidas, já
que o Velho Senhor do Carvalho, ou Rei do Carvalho é
seu regente. Duir é a letra D, seu animal é
a cambaxirra, sua cor é o preto e, numerologicamente,
é o sete e seu período vai de 10 de junho
a 7 de julho. Por ter uma madeira dura e pesada, boa
para barcos, o carvalho fala de firmeza de disposição
e índole, dizem que sua raiz é tão
vasta quanto a copa, por isso ele cai no ditado alquímico
de “o que está no alto é como o
que está em baixo”, duir em Gaélico
Irlandês significa porta, então o carvalho
é também portal para o outro mundo e em
tradução livre Druida significa “o
que sabe do carvalho”.
Para aqueles que têm costume de estudar a geometria
pitagórica, pode se dizer que os deuses foram
particularmente sábios ao criarem o reino vegetal.
Notamos que várias plantas têm formato
geométrico bem definido e correlato à
sua função. Um bom exemplo disso é
a maçã, vermelha e com forma de coração,
se cortada longitudinalmente, revela que suas sementes
estão dispostas em forma de pentagrama; portanto
por excelência é a planta dedicada ás
mágickas sobre sentimentos. Examinando bem a
forma do milho, descobrimos por que o seu “cabelo”
é bem aproveitado em forma de chá para
problemas urinários, e a lista é enorme
para que se possa aqui enumerar.
De qualquer forma, esse é um ponto da tradição
que jamais pode ser esquecido ou posto em desuso devido
ao seu valor. Consultem-se com os mais velhos para preservar
e transmitir esse conhecimento, pois aquele que conhece
a Terra jamais fenecerá, pois tudo está
à mão para aquele que sabe ler o que há
escrito no chão com as raízes, plantas
rasteiras e árvores; está tudo próximo
de nós, basta preservar o meio, e quem fizer
isso passará pelo declínio das eras, incólume.
Por: Drustan, o Scaldi.
Fontes:
-Rituais Celtas; Baggot, Andy, ed: Mádras; Brasil,
S.P. 2002.
-Geometria Sagrada; Lawlor, Robert; ed: Edições
Del Prado, Espanha, Madrid, 1996.
|
|
| |
Draco
Que tal explorar um tema que
por vezes é esquecido, propositalmente, de
tão espinhoso que é? Vamos entrar no
complicado mundo das histórias de dragões.
Por diversas vezes podemos ouvir ou
mesmo ler, sobre heróis que aniquilaram dragões
destruidores e foram para casa, obter a mão
da princesinha. Como explicado em matéria anterior,
esses dragões, assim como os gigantes, representam
forças naturais que, por estarem fora de controle,
precisaram ser domadas com pulso forte, evitando assim
um prejuízo maior para a comunidade. Mas os
dragões aparecem somente como vilões
no Ocidente, devido á tendência cristã
de demonizar tudo que não esteja crucifixado.
No Oriente, principalmente na China, os dragões
constituem um tipo de elemental importante para a
sociedade mortal, já que são depositários
de grandes poderes e sabedoria imensurável.
É costume no Oriente, durante o mês de
maio, as pessoas, no dia 5 do mês, fazerem diversas
oferendas para eles, que são também
considerados os protetores da família. É
bem comum ver na noite dessa data, barquinhos dourados
flutuado nos rios, tripulados por envelopes de pedidos
para a família e oferendas de gengibre e incenso.
Acredita-se que com isso, o elemental draconiano que
guarnece a casa, irá ficar feliz trazendo prosperidade
e segurança aos da casa. Mas mesmo em algumas
lendas ocidentais vemos dragões que travam
estreita amizade com os homens e por vezes lhes traziam
conhecimentos e habilidades exclusivas desse tipo
de ser, não à toa, várias casas
nobres ocidentais têem um dragão em seu
brasão, para simbolizar poder extremo e grande
conhecimento. As lendas são muitas e infindas,
inclusive recentemente, a National Geographic teria
exibido em uma emissora de televisão a cabo
brasileira, um documentário onde um grupo de
pesquisadores, supostamente encontrara nos Montes
Cárpatos (República Checa, Eslováquia,
Polônia,Ucrânia e Romênia), o fóssil
completo de um dragão.
Mas, lendas à parte, vamos explorar uma outra
espécie de dragão. No seu livro A Doutrina
Secreta, a autora russa Helena Petrovna Blavatsk,
mais conhecida como Madame Blavatsk, conta que o mito
mais importante sobre o dragão vem ainda das
épocas de Atlântida. A parte menos “avançada”
do arquipélago ficava em suas áreas
mais externas e progredia à medida que avançava
para o centro, onde estava a capital que era denotadamente
mais evoluída em todos os campos. Quando ocorre
o cataclismo que engole o arquipélago, cada
um trata de ganhar distância e escapar da forma
que sua ciência lhe permite. Os mais primitivos
se deslocam para a costa ocidental da África
em esmagadora maioria; já os mais avançados
seguem para o interior do continente asiático,
indo geralmente sediar-se nas montanhas, buscando
assim isolamento caso seus conterrâneos primitivos
viessem a procurá-los.
Pode perguntar para qualquer praticante das religiões
africanas de ramo mais tradicional e ele vai lhe afirmar
igualmente o mesmo, sem ter lido Blavatsk; esse movimento
na África dá inicio às raízes
daquilo que milênios mais tarde viriam a se
tornar o culto aos Orixás, Voduns, etc... Porém,
no Oriente, o bloco dos sábios atlantes, que
se ocultaram nas montanhas, foi chamado de Serpente
de Sete Vogais, pois se representavam desenhando uma
serpente com sete vogais de alfabetos antigos tatuadas
na testa. Mais tarde, o brasão da serpente
perdeu as vogais e o animal ganhou asas e cornos,
dando origem aos Sacerdotes Dragão, que eram
simplesmente conhecidos como Dragões, mas como
estes jamais se identificavam, o símbolo ficou
mais conhecido do que os sacerdotes propriamente ditos.
Tudo o que se atribui a dragões, na verdade
era o conhecimento estudado por esses sacerdotes misteriosos.
Alguns exemplos desse currículo são
conhecidos e outros são tão raros que
ficam no campo da conjectura; dentre os conhecidos
colocamos o ato de controlar por vocalização
ou olhar a vontade alheia, controle de animais, potência
e força física sobrecomuns, e outros
mais. Se você notou semelhança nessa
lista como os famosos dons vampíricos, não
é mera coincidência, pois os segundos
sempre quiseram se tornar como os primeiros, tanto
que para isso, fizeram um autêntico culto ao
dragão. Pesquise as antigas sociedades que
idolatravam a figura legendária do vampiro,
e com certeza você vai achar um culto oferecido
a algum dragão. Um bom exemplo, por mais equivocado
que pareça vem do livro Drácula, quem
leu o livro ou viu o filme, sabe que o conde era afiliado
a uma certa ordem de cavalaria intitulada Ordem Draconiana.
As diferenças entre essas duas míticas
figuras são poucas, na verdade. A principal
é a índole e depois a eficiência
de treinamento.
Por último, entre os dons desconhecidos, citamos
apenas um que é sem dúvida o mais impressionante;
é chamado de Transmigração Espiritual.
Consiste literalmente em trocar o espírito
de corpo, evitando assim a partida do espírito
desse mundo. São muitas as lendas orientais
que narram casos de pessoas que trocaram de corpo,
o próprio vampiro oriental é na verdade
o espírito de um morto que vem ocupar o corpo
de um defunto recente. Quantas similaridades, não?
Independente das comparações, os dragões,
por serem tão poderosos a ponto de alterarem
a realidade vigente com seus encantamentos, prefeririam
ficar isolados para evitar que seus dons caíssem
em mãos erradas, mas sempre algo vaza e acha
um dono adequado, que não utiliza um conhecimento
draconiano para coisas comezinhas. Seria o mesmo que
tentar abater uma barata com um canhão. Não
é impossível encontrar um conhecimento
de dom draconiano, mas eles estão espalhados
e de forma sub-réptica. Às vezes estão
até em livros de meditação ou
mesmo ocultos no meio das partes avançadas
de artes marciais tradicionais.
De qualquer forma não são coisas fáceis
de trabalhar e exigem muito empenho e preparo, mas
tudo ao seu tempo. Quando você estiver pronto,
algo chega até suas mãos independente
do que seja e de onde ou como venha.
por: Drustan, o Scaldi.
Fontes:
Livro Mágico da Lua; Conway D.J;
ed: Gaia; Br S.P. 2001.
Resumo da Doutrina Secreta; Blavatsk
H.P.
|
|
| |
Em várias histórias,
independente da mitologia ou panteão, nós
podemos observar que existem as constantes aparições
de gigantes que têm por função estorvar
e testar os humanos de tempos idos. Assim foi com Odin,
Drystan, Beowulf, Hércules e até mesmo
o pequeno Davi; todos esses bravos tiveram de enfrentar
criaturas de envergadura muito superior á sua
própria, e só então conseguiram
alcançar um objetivo que direta ou indiretamente
favorecia suas respectivas sociedades.
Se pararmos e observarmos cuidadosamente, veremos que
as sociedades desses heróis tinham todas, fatores
em comum; o grau de evolução não
estava ainda bem pronunciado, não havia quem
sobressaísse do vulgo para produzir lá
o que fosse com destaque, e o mesmo vulgo geralmente
estava oprimido por fatores ou pessoas alienígenas
ao seu convívio. Isso quando colocado em foco
de forma conjunta demonstra uma mitológica carência
de tecnologia no tocante a uma força natural,
literalmente representa o não entendimento dos
fenômenos naturais; daí quando manifestos,
os fenômenos assumirem a forma de humanóides
com proporções agigantadas.
Por nada saber do seu entorno, o homem teme algo que
além de mais sábio, é mais antigo
e, portanto bem maior que ele. A “Eda de Odin”
conta isso muito bem; pois no princípio dos tempos,
os homens do Norte de nada sabiam e nada conheciam,
viviam ainda escravizados, forçados a trabalhar
para os gigantes que moravam nas montanhas, das quais
os humanos só podiam se aproximar para servir
seus feitores. O único alimento e vestuário
dos homens era aquele que sobrava dos gigantes; o mundo
nas planícies também era frio, pois os
gigantes não davam fogo aos homens. Até
que um dia, um jovem de temperamento rebelde começa
a conclamar uma rebelião entre os homens submissos,
os donos da montanha ficam sabendo do caso e escravizam
o rapaz, que, contudo não aceita se dobrar e
continua com seus planos; agora infiltrado no mundo
intraterreno dos feitores, o jovem consegue roubar o
fogo e o entrega aos seus pares. Em reprimenda, o rapaz
é transpassado com sua própria lança
de caça e pendurado de ponta cabeça nos
galhos de Iggdrasil, a árvore do mundo, pois
ali seria o marco inicial do desenvolvimento do mundo
para os escandinavos. Os gigantes deixam o moço
para morrer, mas ele continua vivo em seu castigo sádico
por nove dias completos; até que na nona noite,
ele vê glifos flutuando na água da fonte
que havia sob a árvore, e com um terrível
grito os ergue da água, assim criando as Runas
e absorvendo todo o conhecimento do mundo.
O rapaz transmite paulatinamente ao povo tudo o que
conheceu, assim dando uma real possibilidade de sucesso
contra os antigos feitores, que sucumbem. Isto eleva
o jovem ao status de divindade; o tal jovem era Wodenmas,
ou Woden, ou ainda Odin.
Nos Ciclos Arthurianos dos celtas, fora Me Lord Drystan,
que além de gigantes também enfrentou
dragões (que nesse caso significavam a mesma
coisa), um outro cavaleiro fez frente a essas criaturas.
Sir Gawain, de certa feita estava com Lancelot cumprindo
missão diplomática em solo estrangeiro,
durante o banquete de recepção, ouviu-se
enorme burburinho no lado de fora do salão e
a porta se escancarou com ruído e deu alas a
um gigante que entrava desafiadoramente. O brutamontes
olhou para todos e desafiou os presente para o Jogo
das Cabeças; no qual dois oponentes ficam de
frente para o outro e com suam armas golpeiam um por
vez o pescoço do outro em três tentativas
alternadas, sem direito ao movimento de esquiva, naturalmente
o degolado perdia. Sendo que como premio, ao vencedor
seria dado um talabarte verde encantado que conferia
ao usuário, formidável força e
denotada superioridade na luta.
Os comensais se entreolham e ninguém, nem mesmo
Lancelot dá mostras de destemor, mas eis que
Lord Gawain dá um passo à frente para
honrar Arthur e os da Távola. O ser formidável
se ajoelha dando a Gawain o primeiro golpe, que é
preciso, mas quando todos comemoravam sobre o corpo
do paquiderme, este se levanta, põe a cabeça
sob o braço e diz:
- Muito bom, cavaleiro, vencestes o primeiro lance,
voltarei amanhã para continuar o certame.
Virou-se e foi embora andando degolado. Na noite seguinte
a criatura volta com o corpo em perfeito estado, ajoelha
novamente e fala:
- Já que Sir Gawain ganhou a primeira rodada,
pode iniciar a segunda.
O cavaleiro desfere outro golpe perfeito e a cena se
repete; mas agora o gigante quer que o representante
da Távola vá até seu castelo para
decidir a contenda na noite seguinte; de fato isto ocorre,
mas ao chegar o gigante convida Gawain para jantar em
companhia dele e de sua esposa já que a viagem
devia ter despertado-lhe a fome. O guerreiro aceita
e senta do lado da mulher, que exibia uma longa cabeleira
loira e cacheada, sem falar nos olhos de um verde vivo
e magnético. Findo o repasto, o homem se levanta
declarando pressa para a disputa, ao que o zarrão
diz:
- Calma lá, senhor, comemos muito, já
é tarde e estamos todos cansados, vamos dormir
e amanhã ao primeiro cantar do galo, nos encontraremos
nesse mesmo recinto para a decisão.
Durante a noite, a bela invade o quarto do nobre e diz:
- És belo, sê meu amante esta noite, quando
terminarmos o encontro, irei ao leito de meu esposo
monstruoso, o matarei durante o sono e trarei o prêmio
para ti, daí sem esforço terás
a mim e ao fetch (Gaélico-Coisa encantada).
- Não, bela senhoura, sou cavaleiro jurado de
Cameludunun (Camelot), destarte faço tudo por
meio honroso.
- Dá me então ao menos um beijo seu, e
eu cumpro a promessa de meu escambo - fala a jovem.
- Novamente não, agora vai e volta para quem
de direito é teu senhor.
Na manhã seguinte Gawain já está
no salão quando o gigante chega com a esposa,
e o segundo vai logo falando:
- Regozijai-vos fiel Gawain! Venho em paz, não
sou o monstro que vez, eis minha verdadeira forma!
O brutamontes diminui dando lugar a um druida que, mesmo
jovem, já era famoso por seus dons.
- Aceitastes duelar com ser bem maior e mais forte que
vós. Instrui minha esposa para á noite
tentar-vos com seus favores, e resististes a essa dama
que tem beleza decantada pelos bardos; aqui estás,
de consciência limpa para enfrentar o monstro,
em nome disso te confiro o prêmio sem o golpe
terceiro.
Vai para casa! Vai para os teus, e dá a nova
alvissareira! Desde então o cavaleiro passou
a ser aclamado como Sir Gawain do Talabarte Verde ou
simplesmente como o Cavaleiro Verde.
Lógico que nem todo gigante testa a índole
dos humanos, alguns também fazem questão
de se apresentarem para dar aprendizado por via positiva,
este é o caso do deus celta Dagda. Ele é
o Senhor do grande Caldeirão, de onde sai toda
a força mágicka da Wicca e também
nossos conhecimentos, este deus em Gaélico é
chamado de Dagda in Rhuad Rufesa, que significa literalmente,
Dagda, o Sábio Gigante Vermelho, seu filho indireto
Lugh o Bem Dotado, é assim aclamado não
só por ser versado em muitas artes, mas também
por ter uma estatura acima da média humana.
Lugh tinha ainda um filho que às vezes aparece
como seu meio irmão; Aengus (Filho do Grande
Deus) o Guerreiro, este sim, de fato era um gigante
no sentido mais amplo da palavra.
Por Drustan, o Skaldi.
|
|
| |
Existe um livro
chamado A História Augusta,
reúne biografias dos antigos imperadores romanos
que reinaram entre 117 e 284 d.C. Este período
vai de Adriano até Numeriano. Ali estão
passagens curiosas sobre alguns dos césares que
se encontraram com druidas e filid do seu tempo.
Há uma biografia sobre o jovem Numeriano; este
ainda não era imperador. Ele, que estava hospedado
em uma certa estalagem na Gália, França,
foi repreendido por ser parcimonioso com a dona do lugar
que tinha larga fama de bruxa. Então pilheriando
ele disse:
- Serei mais generoso quando me tornar imperador.
- Não brinque com essas coisas - Disse ela, e
emendou:
-Quando você matar o javali, de fato será
o imperador.
Numeriano passou a matar todo o javali que via, sem
efeito. Mas armou uma conspiração contra
o burgo-mestre romano, de nome Arrius. Depois que este
morreu, o primeiro subiu ao trono; o burgo-mestre Arrius
era conhecido por uns poucos como O Javali.
É dito no mesmo livro que o imperador Aureliano
nada fazia antes de consultar as “druidisas gálias”.
Por fim, o imperador Severo ia dar guerra contra os
germanos que estavam atacando as posições
romanas na Gália Dominada, mas no caminho, uma
bruxa francesa passou por ele dando ostensiva mostra
de asco aos romanos e disse a Severo:
- Vai! Pode marchar adiante! Mas não espere sair
vitorioso e nem deposite muita confiança nos
seus soldados - Ele fez ouvidos moucos.
Dias depois, houve motim; Severo foi assassinado pelos
praças antes de olhar no rosto de um alemão.
Essas histórias são provas do poder de
vidência de nós, filid; conosco, diferentemente
de outros sacerdotes, este dom é latente, dispensando
rituais intrincados ou condições especiais,
acontece corriqueiramente e a causa disso, para muitos,
é um mistério, mas que se explica muito
facilmente.
Existe a Roda do Tempo, onde estão marcados todos
os fatos passados, presentes e futuros da nossa amada
Terra, mas quando nos aproximamos desse anel gigantesco
que gira vagarosamente, notamos que ele é feito
por um emaranhado de anéis menores que, entrelaçados,
têm cores, ritmo e direção de giro,
diferentes, e estes são feitos por outros de
dimensão ainda menor; anéis que mesmo
heterogêneos estão interligados entre si.
Dependendo da proximidade, vemos o tempo e os fatos
para a Terra, continentes, países, cidades, bairros,
grupos sociais e, por fim, cada indivíduo vivo.
Com a proximidade crescente do bruxo junto à
natureza, podemos mergulhar no Éter e ver o que
está escrito nesses anéis. Num estalo,
a consciência se projeta e nada é segredo
dentro da bruma etérea, para nossa gente. Isso
é muito comum, e dá origem a lendas sobre
nós.
Existem bilhares de oráculos que podem auxiliar
nas viagens divinatórias, mas com o tempo, começamos
a prescindi-los até a autonomia. Pontos em particular
entre duas rodas se encontram e há então
o entrelaçamento do destino de dois ou mais indivíduos,
e assim conhecemos as pessoas e passamos a integrar
suas vidas, para o Bem e ás vezes para o Mal.
Chega então o tempo da separação,
que pode se dar por distância ou porque alguém
foi morar na “Torre de Vidro da Ilha de Don”
- ou seja, morreu.
Esta notável capacidade de vidência dos
filid, geralmente abarca desde comezinhuras até
coisas de grande importância; mas quando acontece
impressiona muito quem está em volta, o bruxo
ou bruxa e questão pode estar desempenhando uma
tarefa simples ou somente conversando; mas parece entrar
em transe mesmo que não cesse com seus afazeres,
o olhar parece mirar um ponto distante no espaço
e por vezes o vidente narra o que vê simultaneamente.
A visão pode vir em quadros estáticos
que lhe aparecem frente aos olhos, ou pode ser como
um filme; em algumas ocasiões é como se
a pessoa fosse partícipe na cena, o que lhe faculta
sensações táteis e auditivas. Logo
no início do filme Brumas de Avalon; vemos uma
cena de viagem no Éter, e é bem impressionante
tamanho o realismo.
De qualquer maneira, a única recomendação
sobre as visões é: “Cuidado com
quem você comenta o que vê, cuidado como
narra o que vê.”
Por Drustan, o Scaldi.
Fontes:
- Rutherford, Ward. Os Druidas. Ed.
Mercuryo, S.P. Br 1991.
- Trismegistos, Hermes. Corpus Herméticus.
|
|
| |
Quem não conhece
alguém com uma história triste para contar?
Daquelas que por vezes assume proporções
épicas, e são comparáveis às
fábulas mais fantásticas dos contos de
fadas.
Sei de pessoas que beiraram a morte. Imaginem alguém
que vê sua vida despencar do pedestal em menos
de uma semana, no melhor do estilo Jô, perde tudo
ou chega bem perto disso. Vai-se o emprego, por conta
da tensão gerada, foge a mulher, dívidas
aparecem como que por encantamento e da mesma forma
desaparece o dinheiro; como se não bastasse,
devido a tanta dor, corpo e mente sucumbem em sincronia
levando embora a saúde. A morte bate à
porta, usando calafrios, insônia, palpitações
e pressão alta como campainha.
Sinceramente, o sujeito nesse ponto já parou
de viver e agora vegeta, apático ao mundo em
volta. Quem vê apenas pode dizer que ele é
“tão novo e já está sem vida”.
Ele jura nada mais fazer já que “nada muda
mesmo, o mundo é mais forte que nós, e
o mundo não quer ver a gente vencer”. Mas
para a surpresa do vulgo, com o passar do tempo, o que
estava morto no fundo da fossa reage e começa
a lutar de novo, e como um cadáver que se levanta
no clangor da batalha, segue sem se importar com o resultado,
apenas luta.
Ao recuperar toda sua vida e até fazer progresso,
se perguntarmos ao ex-defunto por que ele não
desistiu, ele vai dizer apenas que nem notou, quando
viu estava agindo, que o espírito não
sabia como se entregar.
Parece impossível, mas não é, já
aconteceu com mais gente do que se pensa. Para explicar
isso podemos recorrer ao Phutark - o alfabeto rúnico
dos vikingues - que para o momento apresentará
dois glifos, Tiwas e Sigrun, respectivamente a seta
e o raio, que correspondem às letras do Guerreiro
e da Força Guerreira.
Quem persegue, conhece e depois compreende a “Força”,
pode dizer que simplesmente tem uma refinada vontade
de lutar, não é agressividade, mas uma
enorme vontade de fazer e transformar sem geração
de atrito no processo. Ciente das enormes barreiras
que terá de enfrentar, o guerreiro se embui de
decisão e caminha reto para seu objetivo, mesmo
que tenha de carregar contra o peito nu, as muralhas
de um castelo; é “a missão acima
de tudo” como se diz entre os ninjas; a propósito,
existe entre eles uma lenda que conta que um guerreiro
morreu durante o combate, mas como estava cheio da vontade
de vencer, o espírito guiou o corpo morto, que
só tombou quando sua tropa cantou vitória.
A Força da Pessoa Guerreira é exatamente
o que nos confere um poder desse tipo no cotidiano de
quem vive o Ofício, já que somos aqueles
que vivem no limite entre o mágicko e o real,
é preciso muita fé e força de vontade
para transforma em verbo aquilo que é nosso desejo.
No momento em que entende a Força latente em
si, então, somente então o homem evolui
e se torna Guerreiro de fato e profissão de fé,
pois é nessa hora que se compreende o tamanho
de seu poder, ficamos então sabendo que esta
potência descomunal é perigosa e até
mesmo mortal se usada em momento errado e por motivo
equivocado; daí sobrevirá a dor e as penas
pelo erro. Hitler conhecia o poder da Força e
o usou mal, duplicou a Sigrun e a colocou como o logotipo
de sua SS, basta olhar na gola do delta de um soldado
desta tropa e veremos um uso errôneo da Força,
o fim do nazismo todas sabemos, eles juravam que duraria
mil anos; não perdurou nem por uma década.
Só é poderoso de fato quem sabe o momento
de desembainhar a espada e porque o faz.
Quando pega no chão, a luva que o mundo lança
em desafio, o Combatente do Bom Combate sabe que nada
o fará parar, ele é seu único freio,
obstáculo e inimigo.
Essas são apenas algumas das lições
que as Runas podem nos dar, já que a palavra
Runa significa segredo e/ou conhecimento; mas uma melhor
forma de fazer isso é usar a técnica da
iluminura.
Sobre um fundo azul, risque com lápis preto um
raio e uma seta apontando para cima (azul, preto e prata
são as cores de Odin, o deus nórdico que
nos deu as Runas). Mire o raio por longo tempo e peça
para que os deuses através de Sigrun lhe ensinem
o que é a Força do Guerreiro. Repita o
processo de meditação sobre Tiwas solicitando
entendimento sobre a Pessoa Guerreira. Ao fim de tudo,
lhe garanto que você terá um amplo entendimento
e talvez até mais informações do
que as aqui contidas.
Como presente aqui fica para o final do artigo um poema
feito por um samurai anônimo que viveu no Japão,
durante o século XVI, e expressou por esse texto
o pensamento do que é ser guerreiro.
Credo do Guerreiro.
Não tenho pais: Fiz do Céu
e da Terra os meus pais.
Não tenho lar: Fiz da percepção
o meu lar.
Não tenho vida ou morte: Fiz do fluir e refluir
da respiração a minha morte.
Não tenho poder divino: Fiz da honestidade meu
poder divino.
Não tenho recurso: Fiz da compreensão
o meu recurso.
Não tenho segredos mágicos: Fiz do caráter
o meu segredo mágico.
Não tenho corpo: Fiz da resistência o meu
corpo.
Não tenho olhos: Fiz do relâmpago os meus
olhos.
Não tenho ouvidos: Fiz da sensibilidade os meus
ouvidos.
Não tenho membros: Fiz da diligência os
meus membros.
Não tenho estratégia: Fiz da mente aberta
minha estratégia.
Não tenho perspectiva: Fiz do “agarrar
a oportunidade por um fio” a minha perspectiva.
Não tenho milagres: Fiz da ação
correta os meus milagres.
Não tenho princípios: Fiz da adaptabilidade
a todas as circunstâncias os meus pricípios.
Não tenho táticas: Fiz do muito e do pouco
as minhas táticas.
Não tenho talentos: Fiz da agilidade mental os
meus talentos.
Não tenho amigos: Fiz da mente o meu amigo.
Não tenho inimigos: Fiz do descuido o meu inimigo.
Não tenho armadura: Fiz da benevolência
e da imparcialidade a minha armadura.
Não tenho castelo: Fiz da mente imutável
o meu castelo.
Não tenho espada: Fiz da ausência do ego
a minha espada.
Por: Drustan, o Scaldi
Fonte:
- Blum, Ralph, O Livro de Runas, Ed: Bertrand Brasil,
Br, RJ, 1992.
.
|
|
| |
|
|
| |
Hoje
os convido a dirimir dúvidas sobre um outro ponto
esquecido da antiga cultura celta que sofreu modificações
com a adoção do calendário vigente,
o mês de finados que encerra o ano ativo da Wicca.
Como já sabemos, na antiguidade várias
culturas giravam seu ano através do calendário
lunar que tinha treze meses e não apenas doze
como este que usamos quotidianamente, e tem orientação
solar. Com isso, os antigos sabiam perfeitamente sobre
as épocas do ano e a que cada uma era adequada;
havia o Lua do Milho, Lua do Lobo, Lua da Colheita e
mais algumas outras, mas a que nos cabe aqui hoje é
a Lua Azul.
Nesta época que vai até trinta de outubro,
em várias partes do mundo antigo se davam os
festejos de finados. De vinte e oito de outubro até
dois de novembro, os egípcios comemoravam a Ísia,
que era o festival de Ísis e honrava a busca
e o encontro dessa deusa com relação ao
corpo espedaçado de seu finado esposo Osíris;
os mexicanos comemoravam Angelitos em honra às
crianças mortas. O dia trinta e um de outubro
era no Egito a festa de Sekhmet (a vingadora com cabeça
de leão) e Bast (a justiceira com cabeça
de gato referida no livro Sonâmbulo de Stephen
King), os hinduístas celebravam a Batalha de
Desehra (Rama e Kali vencem o demônio Ravana)
e os celtas tinham a Noite de Samhain. Dia primeiro
de outubro era a festa celta da deusa Cailleach (a Escura
Rainha dos Mortos), Noite das Banshees (os espíritos
berradores arautos da morte), finados no México
e festa de Hella (Rainha do Inferno de Gelo) na Escandinávia.
Realmente existe um fenômeno astronômico
que faz com que em dadas ocasiões a Lua assuma
u’a matiz de um azul suavíssimo devido
à circulação de partículas
livres que ao se chocarem com a luz, dão ao corpo
celeste o colorido temporariamente alterado, mas isso
é raro e tem época certa para se dar.
Observando este fato, os antigos deram ao mês
de finados o nome de Lua Azul.
A extensão deste mês variava entre culturas,
podia ser de apenas poucos dias, ou então um
período completo de vinte e nove dias; este era
o caso entre os celtas. Por chegar em pleno período
invernal europeu, este ciclo dormente tinha associação
natural com os mortos, já que a Terra estava
coberta de neve e nada podia se plantar e nem alimentar
o gado que estava acumulado em casa junto aos homens.
Reza a lenda que nesta época os portões
do Submundo começavam lentamente a se abrir com
o decorrer das noites. Isso possibilitava as sombras
de efetuarem pequenos bordejos à sorrelfa para
visitar lugares anteriormente por eles habitados, ou
até mesmo checar o andamento de questões
que ficaram pendentes devido à viagem
para a Torre de Vidro da Ilha de Don (a morte);
com isso, os mortos iam premeditando suas ações
para uma certa data.
Enquanto isso, aqui no mundo, os vivos tratavam de agradar
quem fez a última viagem. Para
tanto, passava-se a deixar uma cadeira vazia na mesa
das refeições, e frente esse acento fazia-se
um prato completo acompanhado de bebida e este ficava
à disposição da sombra que se dispusesse
à refeição, ou então da
ansiada visita de um ancestral da casa.
Então chegava a “certa data”; Thetra,
deus da Morte; rei Azevinho, Senhor do Ano Minguante
e Arawn, rei do Submundo, escancaravam o portão
deste lugar e deixavam os mortos à solta durante
toda a noite de trinta e um de outubro. Era a Noite
do Entre Mundos, por não haver fronteiras entre
lá e cá. Esta era uma noite que não
constava no calendário por ser absolutamente
mágicka. Os mortos podiam fazer o que desejassem;
então cobravam suas pendências com os viventes.
Quem tinha dívidas tratava de esconder-se, daí
as máscaras do Dia das Bruxas e o hábito
de pedir doces de porta em porta, originalmente se pediam
“bolos para os mortos” (os gauleses faziam
um bolo em forma de Lua Crescente que ficaram conhecidos
como Dentes de lua, e hoje chamamos de Croissants),
e assim apaziguar as sombras.
Agora, já conhecemos bem os costumes do mês
da Lua Azul. Só resta dizer que aqui em Breazail,
este período se inicia em primeiro de abril para
terminar no dia vinte e nove do mesmo mês; e a
nossa Noite de Samhain se dá na noite seguinte.
Feliz ano novo e cuidado com suas pendengas com os mortos!
Por: Drustan,
o Scaldi.
Fontes:
Conway, D. J. O Livro Mágico da Lua. Ed. Gaia.
S.P. Br. 2001.
|
|
| |
|
|
| |
Anachronico
“O Caminho do guerreiro”
O título vem
do grego, ana; significa sem e chronico vem da palavra
chronos que equivale a tempo. Desta palavra vem o nome
do deus grego do tempo e da morte. Quem é anacrônico
está fora do tempo ou sem ele.
Disso deriva o termo anacrônico, que é
uma pessoa desatualizada em sua época, mas prefiro
para esta matéria utilizar a definição
de sem tempo e, portanto, sem história. Muitas
coisas já me aconteceram desde que nasci: Adoeci
incontáveis vezes e em algumas quase morri; trabalhei
em vários lugares por pouco ou muito dinheiro.
Cometi alguns erros vergonhosos e poucos acertos dignos
de recordação, amores realmente foram
poucos, mas até por isso intensos e marcantes.
Até agora as viagens têm kilometros contados
e somente a uns dois ou três lugares insípidos;
só a Wicca me proporciona memórias de
vulto. Mas isso também não terá
muita importância, pois tomei uma decisão
para tentar mais um degrau no Caminho do Guerreiro;
e consiste em não ter passado, portanto história
pessoal.
Assistia um vídeo de uma das muitas palestras
do falecido Guru Osho e um dos seus discípulos
fez uma pergunta sobre o ser e o fazer. O Guru então
explana seu ensinamento e uma das partes era referente
ao passado individual do ser e todas as suas cargas
inúteis. Depois relendo um livro do autor mexicano,
Carlos Castañeda, vejo seu Mestre Dom Juan Matus,
dar-lhe a tarefa de apagar sua historia pessoal, alterar
sua rotina e abolir a auto-importância que o escritor
e antropólogo se dava.
Meditei sobre isso e creio ter compreendido; gostaria
de partilhar o resultado com meu povo. Pois bem, vamos
de forma reversa; uma das conseqüências da
auto-importância é o orgulho, algo que
é totalmente incompatível com um guerreiro,
pois este precisa de modéstia para evitar que
sua vista seja turvada causando uma concepção
equivocada dos fatos, logo a auto-importância
deve ser apagada para que não haja uma imagem
errada sobre quem se é de fato.
A rotina tem que morrer não somente por sua monotonia,
mas também por impedir que o guerreiro ouse,
já que está ancorado em hábitos
cômodos. Sinestesia é só uma ilusão
da mente e enzimas humanas, e se um file pretende dobrar
a realidade como é dito no nome do nosso ofício
(Wicca: gaélico o que faz, o que dobra), não
pode se apegar a inverdades materiais.
Já o primeiro item, que veio a causar esta matéria,
é o passado pessoal; é fácil jactarmo-nos
de feitos passados e apagar da memória ou omitir
o indesejável, assim vamos construindo uma outra
grande armadilha para os da bruxaria, o Ego. Dizem algumas
cátedras da Psicologia que até certo ponto
o ego estimula a auto-estima, mas depois disso provoca
uma impressão errada do indivíduo sobre
si mesmo inflando uma imagem que por vezes não
tem motivos para ser tão ufanista. Se perguntarmos
sobre o assunto a qualquer esoterista iniciante logo
este redargüe que é bom ter um espírito
ausente de egocentrismos e vaidades, mas complemento
dizendo que isso somente pode ser feito por quem se
liberou do peso de seu passado histórico e tem
nada para se gabar perante o público, vamos deixar
isso para quem trabalha com marketing.
Há alguns dias não tenho pensado sobre
meu passado e confesso que me sinto mais leve, mais
ágil, já que ao contrário dos outros
não estou obrigado a transitar com uma pesada
mochila de passados, agora apenas sou, apenas estou.
Não fui e nem vou, assim conduzo melhor meu presente
com uma intensidade exuberante, estou mais atento aos
golpes adversários e até aos meus próprios
movimentos; é maravilhoso conhecer alguém
e não ter de explicar quem sou, de onde vim ou
para onde planejo ir. Condensando tudo, quero dizer
que agora não me preocupo com meu ego, pois este
está morrendo de fome, e realmente estou vivendo
um dia após o outro no sentido mais amplo da
expressão; sei que isso vai me ampliar inclusive
a visão das ações do Éter
no cotidiano já que a vista estará menos
obstruída e poderei viver minha realidade de
forma mais pura.
Sugiro que experimente o mesmo por alguns dias, caso
não goste pode voltar à rotina, mas eu
duvido que o faça, pois quem experimenta o momento
em que o poder lhe alça para cima não
se sente bem quando regressa ao chão. Podem achar
que estou divagando, mas calce meus sapatos e veja por
onde andei, e sinta que para se mudar a realidade devemos
estar livres de seus grilhões.
Por Drustan, o Scaldi.
Fontes:
OSHO. O Caminho do Guerreiro, Índia, 2001
CASTAÑEDA, Carlos. A Roda do Tempo, ed. Nova
Era, Los Angeles, EUA, 1998
|
|
| |
|
|
| |
Em
tempo
Observei, há
dias, um fato curioso. Chegou às minhas mãos
a correspondência de um grupo de bruxos, na qual
havia o anúncio de um evento, o Sabá do
Beltane, mas, a data me assustou, pois o evento se daria
no Brasil, em “maio”, durante a primeira
semana deste mês.
Fiquei ressabiado ,e como não bastasse, o tal
Sabá era dado como “celebração
lunar”, sendo que nesse mesmo dia haveria um “Esbat
do Amor” (???!!!). Mas, no quarto parágrafo
do anúncio, vinha a explicação
de que o Beltane brasileiro acontece em 31 de outubro,
mas o grupo seguia o calendário astronômico
do Norte que situa o Beltane em 1º de maio (a data
real é 30 de abril, tanto que no Norte, o Beltane
também é chamado Sabá da Véspera
de Maio ou Noite da Véspera de Maio).
O primeiro ponto de admoestação é
o calendário. Os druidas antigos guiavam-se pelo
calendário lunar e por isso as celebrações
eram astronomicamente fixadas, até porque visavam
assim fazer uma celebração de acordo com
o giro das quatro estações do ano. Sabemos
todos que o céu do Norte difere do céu
do Sul, onde moramos. Logo, as estações
diferem em data arrastando também as datas dos
festivais. Exemplo: O Samhain, que é uma festa
invernal no Norte se dá em 31 de outubro (daí
o dia das bruxas), com o fim do outono, mas, nessa data,
o Brasil está na primavera já se encaminhando
para o verão, portanto comemorando o Beltane.
Desobedecer as estações seria como um
católico querer comemorar o Natal em Dia de Finados,
sendo que assim o confuso celebrante não se sincroniza
com o tempo de sua terra, algo que é oposto aos
ensinamentos da Wicca que diz que a terra e o homem
são a mesma coisa, logo o tempo do homem é
o tempo da terra.
O segundo ponto é tocante à afirmação
do Beltane ser uma “celebração lunar”.
Ora! Beltane é uma palavra da língua gaélica
e significa ao pé da letra “Fogo de Bel”;
sendo que Bel é o Deus Sol; a solar personificação
da divindade masculina, o fertilizador da Terra-Mãe,
Pai Viril. Este evento é para ele, o Sol, mesmo
sendo celebrada de noite, pois o “Fogo de Bel”
deve brilhar intensamente na escuridão feminina,
para trazer a semente da vida. Daí os mastros
enfeitados, a caçada do amor e os “Casamentos
no Mato Verde”. Tudo para sinalizar que o homem
fecundou a mulher, o Sol encheu a Terra com seu amor
e disso tudo virá a vida como a conhecemos nos
reinos vegetal e animal, sendo que, no seu apogeu, Bel
“doa” a vida e começa a decair para
dar lugar ao ano minguante do Mestre Azevinho.
Finalmente, o terceiro ponto diz respeito ao tal “Esbat
do Amor” (que não existe), e também
a parte do anúncio que diz que o grupo faz Esbats
toda quarta-feira de lua cheia. Bom, na verdade os Esbás
são comemorações ao solstício
e do equinócio. Ambos só acontecem duas
vezes por ano. Logo, o calendário wiccano só
tem quatro Esbás e não treze (o ano wiccano
tem 13 meses).
O Esbat que segue o Beltane, na verdade é o Meio
do Verão e só se dá no Brasil em
22 de dezembro, no ápice do verão do Sul.
Daí o nome da festa, que comemora o Solstício
de Verão. No Beltane, Bel doou a vida pelo seu
fogo, celebrou o amor do Sol pela Terra. No Midsumer,
este deus alcança seu fulgor, portanto começou
também a morrer com a chegada da Noite que vem
tardia nesta data. Sin é o lampejo maior de alegria
da vida, mas aí dá-se a triste constatação
que inicia um lamento “por hora” inaudível.
Ouvi uma vez da boca de um índio que “A
Terra traz remédio; remédio para curar
a doença da fome”. Eu, como meio índio
e bruxo digo que esta é uma palavra sagrada e
complemento sinalizando que aqueles que estiverem no
tempo da Terra florescerão com ela para todas
as eternidades.
Vicca para sempre!
Por Drustan, o Scaldi
|
|
| |
|
|
| |
O bravo na Magia Céltica
Perseguida
pela ignorância dos cleros que dominam as consciências
dos incultos, a magia e seus praticantes crescem entre
os meios sábios das sociedades mais desenvolvidas
do planeta.
Na Irlanda, casamentos com validade civil já
são celebrados hoje, como parte da rotina e da
volta ao principio.
No Brasil, os cultos e interessados no ocultismo estudam
esses conhecimentos antigos que deram origem às
ciências modernas e o que permanece ainda oculto
para os néscios.
O estado
laico é uma farsa
Oprime os que não professam os cultos das seitas
cristãs e usa dinheiro público para privilegiar
principalmente a seita católica e seus líderes.
A visita do líder do clero católico é
um claro exemplo desse uso equivocado do dinheiro público
sob a alegação de que se trata de um chefe
de estado. Nesse caso somente as despesas com o protocolo
de chefe de estado seriam pagas com dinheiro dos contribuintes.
É um crime contra a fazenda que vem sendo repetido
impunemente. A transformação do monumento
público do Corcovado em centro de culto e adoração
é outro caso que fere o direito de livre expressão
religiosa e mostra que o estado laico é uma farsa.
O escritor “Drustan”(o scaldi) vem desenvolvendo
um trabalho esclarecimento à luz dos fatos por
ele conhecidos, como praticante da magia da tradição
céltica.
Mago Selaht
Os Príncipes Indeléveis
Toda
história de conto de fada em algum ponto é
sempre igual, a donzela linda e indefesa é seqüestrada
pelo monstro malvado, e de repente a ponte levadiça
de um castelo gigantesco num reino próspero,
baixa e da passagem ao príncipe encantado, que
sai apressado, num cavalo branco vergando uma armadura
brilhante. O príncipe é sempre muito belo,
ostenta um sorriso que pausa apenas para o combate final,
seu aspecto é sempre o de quem vai para uma festa
e ele nem pensa em derrota já que é guiado
pela bússola de um amor estonteante.
A vida de sujeitos como este deve
sempre correr às mil maravilhas, afinal quando
o conta acaba, só o monstro morre e todos vivem
felizes para sempre; aí dormimos, a note passa
e o despertador toca às cinco da manhã,
gongando a aurora para os mortais.
Não! Tais pessoas não têm lugar
neste mundo. O bravo é antes de tudo alguém
que já passou um milhão de adversidades
antes de colher a grande glória, sofreu mesmo
no período de treinamento em um dia a dia árduo.
Não existem tais heróis de mentirinha,
eles não saberiam o que fazer e tombariam só
com a idéia perturbadora do conflito. Conosco
é igual, é enganadora a proposta de uma
vida monástica que faz um bom file, é
fácil estar imóvel se não há
atrito.
Quem pensa em se tornar um indelével está
fugindo da vida, então como conhecer as questões
que afligem os comuns? Nunca haverá uma resposta
ou atitude eficaz quando o povo o procurar para desabafos,
conselhos, ou proteção, um indelével
na verdade está só meio vivo já
que apenas é um corpo ocupando lugar no espaço,
é estéril de experiência, força
ou persistência.
O sapientíssimo ninja, Massaki Hatsume diz que
“o verdadeiro guerreiro não precisa de
troféus ou medalhas; suas medalhas estão
marcadas em seu rosto”, ou seja: o sofrimento
das lutas sempre deixam cicatrizes, mas dão estofo
na formação do campeão.
Quando você recebe a iniciação
e os deuses lhe reconhecem enquanto file, as pessoas
afluem a você trazendo questões triviais
e até problemas bastante graves. Vêm para
o desabafo, o conselho ou mesmo rogando u’a mágicka
que lhes cesse o motivo do pranto.
Não cometa o erro de distanciar-se do povo e
muita menos da vida, do contrário você
vai entrar em terrenos estranhos e será fragorosamente
derrotado pelo mal, tombando qual mosca ao primeiro
golpe. A vida é como o azul (o mar), que é
quase infinito, poderoso em seu gigantismo e, portanto,
existe respeito e mata quem não o dá.
Mas quando amado e desejado o azul confere dádivas,
alimento, via para o transporte e também muito
conhecimento. Ame e respeite a vida que A Grande Mãe
Danna lhe deu. Só por meio dela temos como aprender
e alçar vôo no Éter para aumetar
a mágicka.
Seja bravo e não fuja!
Por Drustan,
o Scaldi
Fontes:
- Tristão e Isolda (Brasil, SP, 2006
Versão de Fernando Abrantes sobre os fragmentos
Bérou,
Thomas Gotfried de Von Strasburf e Trabalhos de J. Dedier
Ed. Martin Clatet
- O Guerreiro Wicca (USA, St. Paul, 2000) por Kerr Cuculain.
Ed. Madras.
|
|
| |
Os velhos
caminhos Ouvi,
ó rebentos da Terra Mãe, a gaita chama
ao ritual nesta noite nevoenta de lua negra; aqui estamos
em roda tal e qual o próprio tempo.
Faz-se presente a irmandade em assembléia ante
o fogo da vida; ante esta vida de luz. Mas quando a
espada do sumo sacerdote se erguer ao céu escuro
e girar três voltas sobre nossas cabeças,
o que virá depois? Vamos prostrar-nos ou ficar
em pé? Ficamos no Norte ou no Leste? Oh, são
tantas as dúvidas para cantar aos deuses, e é
perene a pergunta: O que fazer depois? Mas, o principal,
será esta a forma correta?
Pois bem, se você nunca entrou num ritual o texto
acima jamais lhe passou pela cabeça, porém
se você pela primeira vez está de frente
a um “círculo aceso” e é o
menos experimentado do grupo, isto é fato; mais
ainda se é seu primeiro ritual e você está
só, estas dúvidas são até
desestimulantes.
Mas há um alento, a lista de pessoas que cometem
variações acidentais é gigantesca.
Mas os motivos para isto são somente dois: a
ignorância e/ou a ocasião. O primeiro caso
consiste no amplo desconhecimento sobre o assunto.
Este é infelizmente um problema decorrente, já
que a Wicca tornou-se uma espécie de modismo
de contracultura de tempos para cá. Muita gente
não se preocupa em saber da personalidade do
panteão que escolheu abraçar. Muitos nem
isso têm bem definido. Se perguntamos quem é
a deusa-mãe nessa ou naquela cultura poucos serão
os aptos a dar uma resposta satisfatória.
Estas pessoas simplesmente não procuram saber
“d’eles” e de seus geisa, para ser
sincero, não procuram saber sequer de si próprios;
e isto é fundamental; o adágio lusitano
diz que “Bons ventos não sopram para o
navegante que não sabe aonde quer ir”.
Você acha que os deuses procuram essas pessoas?
Acha que os espíritos corroboram com eles ou
ao menos os visitam? Pois é, isso só deságua
num lugar das cerimônias: a punição
desastrosa aos galhofeiros e ególatras. Já
contei outra ocasião o ocorrido a uma “rodinha”
que se deixou filmar por uma equipe de TV e não
respeitou a ancestralidade.
Muito se deve aos ancestrais históricos da nossa
fé. Por estarem todo o tempo com a terra e terem
nenhuma distração que lhes enevoasse a
fé de seus corações, os antigos
receberam diretamente dos deuses as formas básicas
do culto. Mesmo para um pequeno detalhe havia uma razão
importante e ninguém questionava isto; mas a
tradição do conhecimento está apagada.
Este é um risco que nos deixa abertos aos ataques
do mal, que se disfarça e vem beber o sangue
dos incautos. Muitos vão dar como desculpa a
dificuldade de encontrar informações,
mas os desdigo, a primeira manifestação
da magicka é que o conhecimento sempre encontra
um caminho para chegar às mãos de quem
tem o coração ardente. Basta abrir-se,
eles verão e como bênçãos
as tradições descerão do céu
e termo.
O segundo tipo de erro não é bem erro
por ser determinado pela ocasião. Este é
complemento desculpável, porque ao estarmos plenamente
imbuídos, poderes externos guiam-nos por outras
sendas a um mesmo destino. Por vezes falta algum ingrediente,
mas um substituto se põe a descoberto. Talvez
o planejado n’algum ponto da celebração
fosse assim mas ocorre diferente e fica até mais
belo, mais sincero.
Talvez alguns irrompam em choro, talvez algo se mova
involuntariamente avisando da presença de um
“nouveau arrivé” e este tome posse
da consciência de um presente para reger a cerimônia
por um tempo. Acontece com mais freqüência
do que se imagina, mas é sempre fantástico
e intenso.
Em várias oportunidades, bastava estar em companhia
de um ou mais filid, numa conversa informal, mas instrutiva,
e eu observava o início de alguns fenômenos.
Certa feita estava com um grupo desses, reunido em casa
de um deles. À noite, ao terminarmos o jantar
sentimos um perfume diferente emanando da cozinha –
grande o suficiente para abrigar todo o grupo. Fomos
ver o que era. Bastou isso para que o cômodo se
tornasse um nemeton improvisado.
Daí foi um instante para começar uma cerimônia
que contou com a manifestação de alguns
espíritos bem antigos, soubemos depois que um
dos membros do grupo simultânea e inconscientemente
produziu uma bilocação testemunhada por
conhecidos seus a vários quilômetros de
distância em outra residência. E tudo terminou
tão repentinamente quanto começou, foi
perfeito, poderosos, belo... mas fruto da ocasião.
Às vezes basta um círculo, uma lorica
bem motivada e emocionada... lá vamos nós
de novo. Experimente um dia unir um grupo em roda para
motivá-los a uma prece coletiva em honras a um
file adoentado, os resultados são imprevisíveis,
mas sempre fulgurantes e benfazejos.
Quando é assim não devemos tentar tomar
o controle, isso pode equivaler ao apagar da chama e
verdadeiros tesouros de luz se perderiam; mas é
questão de discernimento, pois quando no caminho
correto sempre há o inusitado favorável.
Já reparou que os filid que mais estudam e rebuscam
os costumes sempre têm mais histórias interessantes
a contar?
Dou como exemplo a cantora multiinstrumentista Loreena
McKennith. No álbum The Visit há uma experiência
sua quando participou de um Samhain na cidade de Clare,
costa oeste da Irlanda. Nesta faixa Loreena canta uma
noite inesquecível e de magicka intensa que partilhou
ao lado de um coven tradicionalista. É ouvir
para ver o que houve e saber que a Wicca em sua raiz
é imortal. Experimente buscar isso para sua vida.
Garanto que você será um farol para muitas
almas perdias.
Agora que o ato acabou, meu amor foi dado como prova,
só a palavra que o vento trouxe dos dias de ontem;
partilhei contigo esse tesouro sem dono. Sei que o preservarás
e o transmitirás da boca tua aos ouvidos dos
filhos teus. Assim, nossas almas serão como estrelas,
e qual luz verdadeira jamais morrerão. Vai em
paz e sê feliz, pois o norte que eu sabia rumo
ao céu, agora está contigo.
Drustan, o Scaldi
|
|
| |
|
|
| |
Era uma dessas “manhãs
londrinas” e eu voltava para casa após
os gastos domingueiros. Vinha disperso pela rua quando
ouvi um som monocórdio e bastante grave. Mesmo
assim, não dei atenção e continuei
a marcha. Porém, à medida que caminhava
o ruído tomava potência e ficava mais medonho.
O som era de um coral que figuraria em qualquer filme
de horror; a cada passo piorava, eu já estava
de fato assustado quando vi o que era.
Numa igreja, um prédio mal tratado, de fachada
encardida, reunia-se, contrita, uma gente tão
ofuscada quanto o prédio. O interior estava mergulhado
em penumbra e a porta liberava uma desagradável
fumaça de olíbano. O gentio estava de
pé, olhando fixamente para uma parte ainda mais
escura onde as únicas luzes eram de lâmpadas
que faziam o turno de velas. E o som? Simplesmente a
turba entoava sinistramente o “Padre” Nosso
(é assim que eles chamam a prece), numa versão
obliterada, em português. Jamais havia notado
que, de longe, o som da missa lembra mais o tal inferno
que eles tanto temem.
O proselitismo e o patrulhamento
Recentemente eu passeava em frente ao meu trabalho,
durante a hora do almoço, fui abordado
por um estrangeiro, trajando terno. Logo notei que era
mórmon. Confirmada a minha suspeita, me vi cercado
por um grupo deles, formado por americanos e brasileiros.
Lá pelas tantas do debate, um norte-americano
me perguntava qual era a minha religião. O espanto
foi geral quando me identifiquei como bruxo. Daí,
passei a falar inglês e excluí os compatriotas
do combate já que além dos norte-americanos
eu era o único que manejava o idioma.
Paradigmas,
Adonita e Noaquita
Mais adiante o líder do grupo (desejando me envergonhar
publicamente) resolveu que sem um messias, não
haveria compreensão real do mistério e
isso tornava sua religião indispensável.
Aparei e balestrei, redargüi, afirmando que os
paradigmas adonita e noaquita (1) são deterministas.
Todos paralisaram; afinal, só eu ali sabia dessas
teorias, que expliquei entre risos. Ainda disse maldosamente
no final: “Estudem mais, crianças, é
desagradável um bruxo perceber que sabe mais
da sua religião do que vocês que são
missionários.”
Casos como estes, infelizmente, são mazelas provocadas
por gente que teima em regrar a fé do alheio
e “queimar” a espiritualização
do vizinho, mas qualquer um lembra do adágio,
“Macaco, olha o teu rabo!”. Enquanto
eles insistem nisso, deixam inúmeras falhas pelo
caminho. Vamos ver algumas e rir um pouquinho?
Falhas das religiões
De início, vamos pela Bíblia. Os ditos
“Evangelhos Sinóticos” são
quatro: Mateus, Marcos, Lucas e João; o resto
é apócrifo. A mater ekklésia
não oficializa outros por serem de fontes duvidosas,
contraditórios e não contemporâneos
ao Nazareno. Neste meio, estariam, o evangelho de Judas
e o de Madalena, mas a lista deveria ser engrossada
por Marcos. Este jamais tomou um gole d´água
em companhia do Nazareno, pois os dois não se
conheceram.
Fontes secundárias
O que Marcos escreveu é de fontes terceiras.
No livro de João, o Apocalipse é mostrado
ao apóstolo e este recebe ordens para escrever
sete cartas a sete igrejas da Ásia (Apocalipse,
capítulos de 1 a 3). Noutro ponto, Jesus teria
dito a Pedro “Sobre ti farei minha igreja”.
Certo, mas igreja vem do grego “ekklésia”,
que no coiné original significava
assembléia política.
O uso do grego vulgar dos evangelhos sinóticos,
exceto o de Mateus, o publicano (coletor de impostos),
só pode ser explicado porque os discípulos
receberam a missão de evangelizar os gentios.
Os discípulos entre eles falavam o idioma dos
judeus, o hebraico, não o grego.
O nascimento
da Igreja Católica Apostólica Romana
Na verdade, a igreja católica é uma instituição
que nasce durante a decadência do Império
Romano Ocidental. Com a queda deste, firma-se, principalmente,
quando alguns reis começam a se converter, mas
mesmo assim, é mais fácil dizer que a
“igreja” tem dois mil anos, o que é
falso.
O tempo passa e a igreja começa a enfrentar percalços
na era medieval. Alguns reis começam a contestar
as investiduras, o problema é que a igreja acumulara
terras demais, e naquele tempo, como hoje, terra era
poder. Alguns senhores feudais eram menos influentes
que aqueles membros do prelado. Padres começavam
a dar ordens políticas. A igreja em alguns lugares
tinha até exército constituído!
Tem gente querendo trazer isso de volta, e cada macaco
devia ficar em seu galho.
A Igreja Anglicana separa-se
do Vaticano
Henrique VIII, da Inglaterra, rompe com o Papa e separa
a Igreja Anglicana, da romana porque a igreja estava
emitindo ordens, inclusive interferindo nas decisões
jurídicas dos tribunais comuns britânicos.
Mas isso é só parte do problema.
Os Dízimos
e as Simonias
Desde o século XIII a Igreja também cobrava,
em dinheiro, primeiro o dízimo, hoje renascido
também em outras mãos, o que é
ilegal, segundo a Bíblia, pois nos livros está
escrito que somente o sacerdote da tribo de
Levi pode receber pelo ofício religioso.
Portanto, se o padre ou o pastor não forem descendentes
de judeus levitas, já estão em “pecado”
grave. Nós, os adeptos wiccanos, não acreditamos
na idéia de pecado.
Em segundo, havia o óbolo de Pedro, um
imposto pago pelos católicos só por serem
católicos. Cresceram as indulgências
e simonias, ambas ridículas.
Com base numa falácia, a lei da indulgência
dizia que o Nazareno e seus discípulos, tantos
bens fizeram na Terra, que foram ao paraíso com
um polpudo excedente de graças, então
a sobra foi distribuída entre o papa e os padres
para que os fiéis com dinheiro e favores, tomassem
uma fração dessas graças, para
absolvê-los de seus pecados. Assim estariam livres
de julgamentos e penas eclesiásticas. Quem paga
mais?
A simonia constituía-se na compra e venda de
objetos sagrados. O filósofo alemão Erasmo
de Rotterdam (1469-1536) dizia que “havia tantos
fragmentos da cruz de Cristo à venda, que se
fossem todos colados, com eles daria para se construir
uma nau”. Havia ainda cinco tíbias do asno
que levou Jesus para Jerusalém, doze cabeças
de João Batista. Lutero dizia que o bispo da
Mogúncia alegava ter “uma libra inteira
do vento que soprou para Elias, da gruta do monte Horeb
e mais duas penas e um ovo do espírito santo”
que, por sinal, era vendido nas ruas da Europa como
uma pomba branca dentro de uma gaiola.
Muitos estavam descontentes com isso, incluindo Martinho
Lutero, que em 31 de outubro de 1517 pendurou na porta
da sua igreja na Alemanha, suas teses a respeito da
simonia.
O motivo verdadeiro
Mas poucos sabem que a semente da ira deste padre era
outra:
Lutero cursara Teologia na Universidade de Erfurt, mas
naquele tempo, a tese para a formatura só era
aceita pelo sacro colégio se escrita em Latim,
e Martinho não era bom em Latim. Assim, este
jamais veio obter licenciatura plena, obtendo somente
o bacharelado em Teologia.
Também, por influência do clero, a Real
Academia de Londres aceitava unicamente teses em Latim,
discriminando todas as demais línguas vivas faladas.
Daí, uma de suas queixas. “A missa não
deve ser celebrada em Latim, mas no idioma local.”
Pronto, estava oficializada a reforma protestante, que
contava com o apoio de nobres e burgueses que queriam
enriquecer longe da igreja.
Para combater a Reforma, Paulo III evoca o Concílio
de Trento. Este é mantido no papado de Júlio
III e se encerra no governo de Pio IV. A reunião
vai de 1545 até 1563. Nele, funda-se a Ordem
dos Jesuítas, reconfirma-se o dogma católico
negado aos luteranos, reafirma-se a autoridade católica,
o papa é “decretado” o único
intermediário de Deus na Terra (ele pode falar
com Deus e nós não?!). E tem mais, o fiel
não tem mais livre direito de interpretação
da bíblia. Mas o pior é que neste concílio,
é emitida a ordem de continuidade dos trabalhos
inquisitoriais e a orientação é
para que o Malleus Maleficarum seja tomado como o manual
de caça às bruxas.
O protestantismo vem de uma premissa falsa, o catolicismo.
Como pode uma premissa falsa dar origem a uma verdadeira?
Pois bem, como se nota, os protestantes também
não são os cristãos originais,
no sentido da interpretação fiel dos textos
bíblicos, como gostam de apregoar.
A
“Santa” Inquisição
Existe, atualmente no Brasil, aparecendo na televisão,
um padre espanhol que anda a dizer por aí que
demônios, exus e espíritos maldosos em
geral não existem, (2) e ainda convida os tais
espíritos a confrontá-lo. Pois bem, segundo
Malleus Maleficarum, o padre é um herege, posto
que “deve ser julgado e condenado à forca
ou à fogueira todo aquele que alega que demônios
não existem.” Isto é um pensamento
claramente herético, pois a Bíblia menciona
e confirma sua existência. O padre também
incide em crime de nicolaísmo, isto é,
quando um padre não ostenta sua condição
clerical em público e/ou se comporta mundanamente.
Se formos observar a primeira cláusula, o padre
é culpado, pois jamais usa “batina ou clerigman”
em público, preferindo o terno. Não findando,
o tal sacerdote tenta refazer a imagem da “ekklésia”,
dizendo que não há mais exorcismos e estes
estão proibidos pela bula papal de João
Paulo II, mas como vimos em matéria já
exibida no www.mensageiro.com.br, o próprio João
Paulo II instituiu um curso de exorcismo que tem manual
e certificado emitidos pelo Vaticano, e mesmo os laicos
podem freqüentar esse curso!
O Papa Bento XVI foi membro da
Juventude Nazista “bela escolha”.
O livro onde estão estas e outras leis inquisitórias
é o Malleus Maleficarum, que foi escrito em 1484
pelo padre alemão Heinrich Kramer e pelo também
padre inglês James Sprenger. O compêndio
não só instrui ao dogmatismo, como também
lista as torturas adequadas ao interrogatório;
o inquisidor é incentivado a garrotear, virar
mãos em tornos até 180º afogar, perfurar
com a donzela de ferro (3)... Em alguns lugares foram
adotadas variações: os alemães
empalavam, já os ingleses gostavam de estuprar
mulheres introduzindo-lhes ferros em brasa no ânus
e na vagina para satisfazer seus apetites carnais reprimidos.
Na região de Colônia, Alemanha, uma vila
teve sua população feminina dizimada.
Só restaram três mulheres, uma menina menor
de 5 anos, uma idosa e a mulher do Burgomestre (alcaide
ou prefeito).
Mensagem aos wiccanos e aos
de outras crenças.
Como dito no filme Amistad (que tem uma cena maravilhosa
entre os negros e os puritanos na prisão), “deixa
nos livre”. Não quero ser morto por ser
diferente, sou um clérigo que exerce costumes
ancestrais. Eu e todas as pessoas que seguem este modo
de vida, esta filosofia; cremos ser filhos diretos da
Terra e não um tumor a ser estripado. Nunca vi
santo algum dizer aqueles que não lêem
seus livros, devem morrer. Só quero espaço
para ser quem meu espírito me pede para ser.
Por Drustan, o Sacaldi
Notas da Redação:
Em cumprimento à Constituição,
a liberdade de religião está garantida
no Brasil, onde não há religião
oficial.
As opiniões emitidas por colaboradores deste
portal podem não ser as do veículo e seus
editores.
Do ponto de vista jornalístico, o www.mensageiro.com.br
respeita a opinião dos autores das matérias,
desde que sejam assinadas.
A intolerância religiosa não é admitida
nas matérias publicadas, entretanto a verdade
dos fatos não será, de forma alguma, omitida
para favorecer esta ou aquela religião e ou seita.
O escritor Drustan é praticante wiccano, (druidismo)
que ressurge, hoje, com grande força em todo
o mundo, principalmente na Inglaterra. A palavra Wiccacraft
do alemão deu origem a wichcraft do inglês
bruxaria.
(1) publicadas neste portal em RELIGIÕES
(2) o parapsicólogo espanhol, padre Quevedo.
(3) Donzela de ferro - um sarcófago em forma
de mulher colocado verticalmente com sua parte interna
coberta com pregos. Os condenados eram fechados nesse
sarcófago onde morriam por transfixão.
Referências Bibliográficas.
Enciclopédia Novo Conhecer. Editora Abril Cultural
Spencer, J. e Kremer H. Malleus Maleficarum. Vaticano,
1484
|
|
| |
...Do Ar
É
o momento de falar do último quadrante do círculo,
o Leste, onde mora o ar. Este é um elemento bastante
popular, mas assim mesmo pouco conhecido em termos de
competência, já que quase ninguém
consegue falar dos dons aéreos conscientemente.
Não é necessário dizer que devido
à respiração, no corpo humano,
o ar controla cada órgão das vias aéreas,
do nariz até os pulmões. Mas, graças
ao seu movimento do externo ao interno (assim começa
a respiração) há mais um órgão
onde o ar atua, o cólon, pois ali é compactado
o alimento não aproveitado que eu seguida sofrerá
excreção.
O vento é como o pensamento, invisível,
mas existente; por isso, o cérebro é por
excelência a casa do ar. Este elemento controla
o raciocínio, a inteligência, a dedução
e a emoção a ele subordinada, é
a ânsia, quer provas? Basta não saber o
que fazer numa situação periclitante e
veremos a ânsia, o pânico e o descontrole
se instalarem em nossas mentes. As relações
sociais também são aéreas por consistirem
em atrair a atenção de outros para si
– novamente do externo ao interno – assim
como seus afetos e favores, em toda a relação,
mesmo que amorosa, existe uma parte de mente, o amor
entre homem e mulher é um excelso professor nas
artes da vida, e veja que a inteligência é
um atributo que sempre é apreciável no
sexo posto. Afinal, a comunhão entre os seres
deve ser completa em espírito, coração,
corpo e mente.
A cor cerimonial do ar é o amarelo, e esse elemento
é o próprio símbolo da magicka.
Note que o ar e o encantamento são símiles;
não se vê, às vezes não se
ouve, e muita gente não pode senti-lo ao derredor,
mas está em todo o lugar uni cientemente, mas
se um ou outro nos faltarem, todos morreremos.
Os elementais do ar são os elfos, seres admiráveis
tal qual o vento e o sol, vieram do Leste, mas isto,
explicaremos em outra ocasião. De qualquer forma,
são os elementais que mais se assemelham aos
humanos, em termos de conhecimento. Lembremos que o
ar é conhecimento.
Mas findando, ainda á algo mais que pertence
ao ar, a espada, e é justamente este objeto que
comanda o ritual.
Bom, está entregue a chave das direções.
Agora, sabendo onde tudo está, basta ir buscar.
Mantenha sempre o respeito pelos elementos e seus dignatários.
Eles lhe revelarão os segredos do mundo e dos
homens, pois por mais que neguem, a humanidade depende
e dependerá deles enquanto existir o mundo.
Por Drustan,
o Scaldi
Fonte:
BAGGOT, Andy Rituais Celtas. Ed. Madras. St. Paul, EUA,
2000
|
|
| |
|
|
| |
ÉTER
Como
costumo dizer, por cultuarmos a natureza, estamos continuamente
envolvidos por forças que nos movem e abastecem,
diuturnamente, cada ato magicko em nossos dias, mas,
a grande questão, ninguém sabe que força
é essa. Apesar de tão presente, nos é
insípida, inodora e incolor, tem importância
principal, mas jamais pode ser tocada.
O que
é isto? De onde vem, para onde vai? Onde está?
E, principalmente, como se chama?
A resposta
é: ÉTER.
A Terra exala formas
de energia, assim como fazem todas as coisas viventes
que nela habitam. No caso específico de nossa
orbe, esta força se desprende, continuamente,
sem descanso, literalmente. A esfera poreja seus fluidos;
este material assim que está livre de sua fonte
se condensa tomando um aspecto gelatinoso e transparente.
Alguns chegam a ver em seu interior centelhas que entrecortam
o “espaço”.
O éter está presente em tudo, nos seres
vivos e também em objetos inanimados, não
importa onde ou quando, mas estamos sempre envoltos
na substância etérea. Para ser bem exato,
sem ela nada existiria e nós, filhos e filhas
da Terra, teríamos poder nenhum. A imersão
no etéreo pode acontecer a qualquer momento,
mas a condição é que estejamos
em estado de consciência alterada(1). Nesse momento
em que nos conectamos com ele, naturalmente, a consciência
viaja e nos mostra coisas impensáveis à
realidade. Temos oportunidade de quebrar dimensões,
vislumbres na linha do tempo e até mesmo estamos
habilitados a obrar atos de magicka sem o auxílio
de qualquer instrumento ou cerimônia.
Como já foi dito, o éter é insípido,
inodoro e incolor. Na química, não são
estas algumas da qualidade da água? Exato! Na
simbologia wiccana a água é aquilo que
representa materialmente o etéreo, já
que o éter também não tem forma
definida e pode alterar sua densidade. Sua outra representação
é a quinta ponta do pentagrama, promovendo-o
assim à qualidade de quinto elemento. Estando
em todos os lugares, está mais puro nos lugares
de contato direto com a natureza, mas sem por isso deixar
de existir no meio de uma fábrica.
Os monges budistas o tocam ao entoar o OM. Ele é
a substância macilenta que nos envolve durante
os sonhos. Tocamos o éter ao sentir o frescor
d´ua brisa primaveril entre os dedos e o éter
nos inunda quando relaxados, somos tocados pela pessoa
amada ou ainda quando a espada corta o ar livre.
Para que mensuremos a importância do éter,
dar-vos-ei um grande exemplo. Quando imersos na viagem,
podemos antever sobre um terreno baldio, as formas exatas
de um edifício futuro, mesmo que este ainda esteja
só na planta que nos é desconhecida. Afinal,
tudo antes tem de ficar pronta no etéreo para,
então, concretizar-se na matéria. Basta
que possuamos o olho da águia e nada nos escapará
à vista aguda. Seja aqui ou já. Nos mantos
etéreos não há espaço ou
tempo que nos fiquem encobertos.
Então, na desgraça ou fortuna, jamais
pragueje; sob sol, chuva ou neve nada maldiga. Veja
os pássaros do céu que no sol voejam e
cantam. Na chuva, calam e repousam; no dia, vivem a
liberdade para, na noite, recolher-se ao ninho seguro
junto à gente amada.
É muita a vida lá fora para que, sozinho,
você a destrua, se agitado por rancores humanos.
Respeite o que vier e compreenda, pois tudo é
sagrado, tudo é magicko, tudo é etéreo.
Embriaguemo-nos com o sangue da Terra. Pois só
com o éter saberemos como, onde e quando fazer.
A Grande Mãe te presenteou com muitos dons. Abre
este presente; só assim saberás o que
fazer com tanta vida.
Por Drustan,
o Scaldi
N.A. O
estado alterado de consciência pode ser obtido
pela respiração (super-oxigenação),
pela meditação, pela repetição
de mantras, no estado de pré-sono ou por acaso
em um estado de contemplação profunda,
durante êxtase, fixando-se um ponto infinito e
pela hipnose. |
|
| |
|
|
| |
...
Do fogo
Convido-o
a mudar de quadrante no círculo e ir comigo para
o Sul. Ali está o próximo elemento do
nosso escrutínio, o fogo. Dos elementos naturais,
é o que tem ação mais forte e variada,
pois tanto dá vida quanto mata, é tão
protetor quanto ameaçador e, ao mesmo tempo que
simboliza iluminação, também traz
a punição.
No corpo humano, pode ser encontrado
no terceiro chakra – plexo solar e, por isso,
obtém grande influência no sistema digestivo,
principalmente no fígado, que tal e qual uma
fornilha cósmica, filtra e refina o alimento
ainda espesso, nos deixando somente a parte útil
de sua essência. Faz o mesmo com as nossas emoções,
principalmente a ira, e disso o fígado retira
a quinta essência tão importante nas mágickas
de volição; mas isso já foi dito
em outra oportunidade. Mas por falar em raiva, eis aí
outra área do fogo, a ira. O movimento de ambas
é do interno ao externo, rápido, caloroso
e atinge tudo em volta, por isso, um ataque de ira cega
é comparado a uma explosão flamejante.
Por ser ligado as externações, o fogo
controla os olhos, a vesícula e seu movimento
repentino ordena músculos e tendões, que
têm suma importância nas “Explosões
físicas” tão necessárias
aos atletas. Ainda nas emoções, o fogo
afeta a auto-expressão, ou seja, a capacidade
auto-expansiva de comunicação, pessoas
com pouco fogo, tendem a ser introspectivas e apresentam
dificuldade em falar de si ou manifestar aquilo que
lhe vai por dentro, sem falar dos constantes ataques
de cólera.
No simbolismo, as chamas são de significado muito
rico, por ter sido o primeiro elemento que o homem aprendeu
a “manejar”. O fogo é símbolo
de evolução e de tudo o que tem a ver
com isto como iluminação, intelecto, etc.
Ao passo que é luz também é castigo,
pois aquele que persiste no erro será queimado
em punição para depois ser obrigatoriamente
iluminado e retornar à correção.
Disso, na verdade, advém a imagem de um inferno
flamejante que tanto apavora os judaico-cristãos
monoteístas deste mal não padecemos já
que nós da Wicca não temos infernos.
Nas cerimônias o fogo significa a própria
centelha divina a luz primordial que traz esperança
e ilumina afastando as trevas. Às vezes também
apresenta o fim de um ciclo, o velho é incendiado
para dar lugar ao novo. E quando a chama se apaga, também
pode ser um aspecto do desligamento ou o recolhimento,
a morte.
Nossas chamas internas, ainda desempenham dois grandes
papéis; no tocante à consciência,
representa a intuição, posto que a expansão
da consciência até o mundo exterior, causa
uma conexão com o ambiente e nesta comunicação
nos chegam as impressos do que há em volta e
em último. Besta uma pequena centelha para ativar
um dos mais básicos instintos humanos, o sexo.
Quem nunca foi dominado pelo fogo do desejo?
Por todas essas atribuições, ao chegar
em sua cerimônia, o fogo deve sempre ser saudado,
precisa-se tratá-lo com muita deferência,
e para extingui-lo, jamais devemos soprar ou afogar,
primeiro se despeça, agradeça e abafe-o.
Do contrário, seus elementais poderão
lhe causar muitos problemas, talvez até com gravidade.
Já testemunhei salamandras que tentam engolir
pessoas e até grupos inteiros, e sempre impelem
grandes prejuízos quando contrariadas. Mas isso
também faz das salamandras grandes guerreiras
contra o mal, baste um toque para que tudo de malévolo
queime até a erradicação. Apesar
de tudo, a grande mágicka do fogo consiste em
mantê-lo perto de si, sempre que possível,
mesmo sendo o mais rebelde dos elementos, ao ser cativado,
o fogo, vira amigo precioso; cozinha o alimento, agasalha
o corpo, ilumina de toda a forma e seus movimentos e
sons quando observados atentamente, falarão de
paz e serão guias em uma profunda meditação.
Esta é nossa homenagem sincera, ao elemento que
primeiro estendeu suas benesses ao homem no momento
de ensinamento vindo conosco a co-habitar.
Por Drustan,
o Scaldi
Fontes:
BAGGOT, Andy. Rituais celtas. Ed. Madras. St. Paul,
EUA, 2000.
|
|
| |
|
|
| |
|
|
| |
...
Da Terra
Após iniciar sua
existência na água, a vida vem consolidar-se
em terra firme, materializando-se e reproduzindo-se.
Visto que a terra é a base para muitas coisas,
este elemento conecta-se ao nosso endoesqueleto e externamente
é representada nas partes inferiores do corpo
já que estão mais próximas ao solo.
Além disso, a terra controla funções
renais e as forças germinativas humanas.
A conexão com os ossos se explica facilmente
porque muito do que somos e fazemos principia por um
plano (geometricamente falando), uma base, um piso.
Já que sem isso nada se manteria de pé,
imagine um edifício de fundações
fracas que estão sobre um solo instável,
sem dúvida não vai ficar de pé.
Duvido até que a obra chegue a termo. Com nosso
corpo, é igual, sem um pilar adequado não
ficaríamos de pé e não haveria
locomoção, portanto se este elemento está
em baixa, em termos de físico, os ossos não
têm ductibilidade e não há firmeza.
Por falar em firmeza, este é o sentimento que
produz a terra, isto também pode ser lido como
valentia e/ou decisão. Quem está de bem
com esse elemento se parece muito com um vulcão.
Quando em paz está imóvel, impassível
e grandioso, nem a força do tempo ou do clima
o perturbam, e com aquilo que traz dentro de si, proporciona
muita beleza e muita vida para tudo e todos à
sua volta. Mas chegando o momento de atividade, o vulcão
liberta toda a força interior e se expande em
forma de aluvião, faz tudo tremer, queimar e
incandescer. Assim, quando volta a paz anterior, tudo
está petrificado em suas cinzas que servirão
como campo de cultura para a vida que se renovará.
Desta maneira o temor e o renome do vulcão atingem
distâncias imensuráveis. Esta é
a descrição de um guerreiro da terra.
Podemos explicar esse poder explosivo expondo o fato
deste elemento controlar a função renal
do corpo humano, mais especificamente, nas glândulas
supra-renais que fabricam a adrenalina. Bem próximo
do rim está o outro setor da terra, o aparelho
reprodutor, observe. O sexo é o instinto humano
mais básico, não à toa, o “chacra
básico” está abaixo do ventre. Só
vida anima vida. Só matéria reproduz matéria.
A terra é o berço onde dorme a semente!
Suas cores são o marrom e o “preto”,
matiz padrão dos filhos da terra, logo todo o
povo da Wicca.
Sua força vem do Norte, assim ao celebrar este
elemento para lá olhamos de dentro do círculo.
Seu movimento é descendente já que todo
o aterramento vem do alto e termina no baixo, tal qual
um pára-raio.
Mágickas de terra regem o mundo do material,
ela reina sobre os bens e o trabalho; mas seja sábio
e comedido, saiba o que vai fazer, pois, “se vem
fácil, vai fácil” e, além
disso, “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”.
Jamais tente abraçar mais do que a parte que
te cabe nesse latifúndio, que é a nossa
orbe.
Tudo que está enterrado não é visto
ou sabido, se não e sabido é segredo,
este e um outro domínio da terra, por definição
o interior deste elemento é frio e escuro (scaldi).
Ali dorme o segredo do sábio, a matéria
do morto e tudo que simboliza o Reino do Submundo e
sua treva fria. Também ali está medo e
todas as suas modalidades. Tudo isso é domínio
do Ofício Scaldi, mas lembre-se que ali está
também a semente, pois na treva se faz a luz.
“Revertere
ad locum tuum”
(Retorna ao lugar que é teu)
Frase em Latim padrão para portões de
cemitério
Por Drustan,
o Scaldi
Fonte:
BAGGOT, Andy. Rituais celtas. St. Paul, EUA, Madras,
2000.
|
|
| |
|
|
| |
...Das
Águas
Já
que são tempos de calor abissal, falemos da água
só para refrescar. Como já provado, este
é o elemento “mister” de toda a vida
engendrada nesta orbe, não à toa, nossa
Grande Mãe Danna se chama Água do Céu.
Posto que é a representação física
do éter, a água é de suma influência
e importância na vida humana. Este elemento controla
o coração, intestino delgado, o sangue
e tecido conjuntivo, afora ser também o controlador
do ouvido, logo a audição.
A água é a regente do universo emocional.
Dela vêm coisas como, afeto, carinho, abnegação,
o gostar, o amar... as emoções mais caras
ao ser humano. Quando está em baixa causa o desgaste
emocional que origina a depressão e a apatia.
Curiosamente, alguns psicanalistas prescrevem para doentes,
água mineral; óbvio! A grande quantidade
de sais minerais e elementos radioativos balanceados,
corrobora na convalescença, mas sabemos no ofício
das benesses daquelas águas que brotam puras
do seio da Terra.
Já reparou que ao chegar
a casa, após o trabalho, as nossas prioridades
são a sede e o banho; isto demonstra que a água
também está ligada ao “frescor”
do repouso, se não folgamos, a tensão
se adona de nós e o sistema emocional tomba gradativamente
até colapsar e nos paralisar.
Os Ninjas ensinam que o guerreiro também pode
ser da água. Quando perante um inimigo mais poderoso,
a água escorre se moldando, contornando, cercando
o obstáculo, dali ataca as fendas do oponente
causando a ruína final. Mas a mente e o coração
do guerreiro devem estar sempre tranqüilos como
as águas de um lago sem ventos.
Agora, que tal um experimento?
Pegue um pêndulo radiestésico e vá
para a margem de um ribeirão limpo. Meça
os níveis de seu corpo e aponte as deficiências.
Feito isso, entre n’água por 30 minutos.
Segunda medição: todos os níveis
aumentaram e as deficiências foram lavadas, volte
à correnteza por mais 30 minutos. Ao sair, a
terceira medida vai acusar que os números são
inferiores aos da primeira contagem e seus miasmas pioraram,
já que você enfraqueceu.
Tenha em conta o seguinte: a água lava, conserva
e revitaliza; mas exposição excessiva
causa enfraquecimento e decrepitude. Mas em momento
de fraqueza basta tocar um veio de água e pedir
que ela o limpe e reconstrua. Em poucos momentos a melhora
será visível. Este conhecimento é
capital e por vezes poderá lhe garantir boa vida,
ou talvez até a vida em si.
Indo agora para pontos mais diretos,
falta ainda abordar mágickas com água.
Estas têm duas finalidades distintas, a “limpeza”
e o teor emocional.
O primeiro tipo serve para limpezas espirituais de ambientes
e pessoas. Um bom exemplo são as águas
do trovão que são preparadas numa noite
de eclipse lunar, bastando encher uma bacia com água
viva e manobrar para que a lua eclipsada se reflita
na água baixando ali todas as suas forças,
disruptoras. Então, engarrafe o produto da cerimônia
e use em locais ou pessoas com “problemas”.
Mas antes que perguntem o motivo desse nome, eu explico.
Quando atingido por essa água, qualquer sombra
morta mal intencionada sente-se como atingida por um
raio; é o melhor que há.
No segundo caso, estão
algumas das mágickas mais cobiçadas por
serem aquelas que falam direto ao coração
humano. É nisso que reside o risco, pois isso
pode acarretar na sujeição de alguém
do sexo oposto, mas que sentido há nisso? Não
soa como um caso de cerceamento à liberdade de
uma pessoa?
Sim, admito que há casos e casos. Os efeitos
de uma magnetização para unir dois indivíduos
são sempre imprevisíveis e geralmente
resultam em muitas lágrimas no final. Mas existem
medidas que podem salvar uma relação que
teve... “interferência de terceiros”,
digamos assim. Não nada mais humilhante e vergonhoso
para um casal, que terminar uma relação
de forma sórdida. Mas para tudo há remédio.
Água!
Por Drustan,
o Scaldi
Referências:
BAGGOT, Andy. Rituais celtas, USA, St. Paul. E.U.A.
2000
.
|
|
| |
|
|
| |
|
|
| |
Esta é
uma matéria complexa, pois para chegarmos ao
seu protagonista, precisamos falar muito de muitas coisas.
Dagda, o deus do caldeirão mágicko, casa
com a deusa Ethniu que dá a luz a um menino,
que foi batizado como Lugh (nosso protagonista), mas
o menino não fica em sua família natal
e é adotado por uma deusa “azul”
(estrangeira vinda de além-mar).
A moça é Tailte (ou Tailtiu), que nasceu
na Espanha e é filha do patrono fundador do clã
dos Aragons de Castella, família que Tolkien
chama de Aragons, mas na vida real é a família
Aragão de Castella que unificou e governou a
Espanha.
Como em toda família, Lugh tem dois avós,
um é Diancechi, é o pai das medicinas
e da protética, já que construiu a famosa
prótese de prata que substitui a mão direita
do rei Nuadhu, Mão-de-Prata. O outro avô
é o gigante Balor da Tribo dos Fomoir. Quando
houve a segunda batalha de Mag Tured (a primeira foi
a batalha das árvores que também está
no livro de Tolkien), Balor usava um fetiche chamado
O Olho do Mal que implantado na vista esquerda do usuário
dispara raios mortais. Lugh também estava lá,
mas combatendo por sua amada Tara. Nosso herói
rasteja sorrateiramente até Balor e com um disparo
de estilingue atinge o rosto do próprio avô.
Com isso, o bravo usa a lança “terrível”
que solta fogo e bebe e sangue do inimigo, e mata o
gigante Fomoir. Já que o “Olho do Mal”
está solto no chão, Lugh o pega se tornando
o seu guardião.
Algum tempo depois, Lug da Mão-Longa vai bater
aos portões de Tara pedindo sua admissão
no panteão das divindades, mas já há
conversa com o porteiro surge um problema; quando este
interroga Mão-Longa sobre “qual ofício
lhe torna um deus habitante de Tara”, vem o embaraço.
Como sabemos Llaw Gyffes é filho de Dagda in
Rhuadd Rofessa (Dagda, o Sábio Gigante Vermelho),
um deus “bom para qualquer coisa”.
Portanto, o padroeiro da cidade francesa de Lyon é
igualmente mestre em muitas artes.
Para cada habilidade declarada o porteiro dá
mesma resposta: “Já tem aqui gente que
o faça, você não pode ocupar este
posto!”
Mediante a insistência do outro, o porteiro conclama
assembléia geral, os deuses. Resolve testar Lugh,
que é obrigado ao certame contra uma divindade
esgrimista, o resultado é a vitória da
Mão Longa. Não satisfeitos, os deuses
resolveram medir-lhe a sabedoria numa partida de inteligência
de madeira (xadrês), o resultado é o mesmo;
isso lhes garante o ingresso me Tara e a aclamação
de Lugh da Mão-Longa, Deus das Muitas Artes e
Ofícios.
Por sua inteligência, vigor e o físico
grande feito porta, angariado nas práticas esportivas
ensinadas pela mãe adotiva, Lugh chama atenção
de An. Deste casamento nasce Oengus (Angus), outro gigante.
A fama deste deus de muitas artes cresce e atravessa
os mares. Agora, ele é conhecido em todo o mundo
celta e por isso merece um Sabá. Por ser um deus
do sol, portanto, mandatário do Oeste e entendedor
das artes scaldis, lhe dão uma data onde a Roda
do Ano começa a perder luz para dar lugar à
escuridão, é o 31 de julho no céu
do Norte, o 30 de janeiro no céu do Sul. Esta
é a data do Sabá lughnasdh, que literalmente
significa festival de Lugh; nesta época, a Irlanda
festeja as Tailteans, que são jogos em honra
à Thailthe e seu filho aditivo.
Estes são alguns dos ocorridos na saga de Lugh,
um deus benevolente, alegre, vigoroso e versado em muitas
artes, esportes e profissões. Por isso, se não
souber quem é o deus adequado à sua precisão,
se Dagda estiver ocupado, pode falar com Lugh da Mão-Longa.
Dou fé de que ele logrará fácil
vitória em seu favor e lhe recobrirá com
os louros que só o campeão de Tara pode
outorgar.
Lugh Duith!!!
Por Drustan, o
Saclaldi
|
|
| |
|
|
| |
|
É o final de uma tarde cinzenta. Lá
fora a vida corre muda e sorrateira pela janela,
não há qualquer perturbação
mas mesmo assim estou feliz,
está chegando a noite do lughnasadh
e acabo de fazer minha lórica
em honra ao grande campeão de Tara. Como
é bom conhecer os deuses
e o tempo da roda!
|
|
 |
|
|
| |
Em
graças a este momento compartilho agora a lenda
da Noite da Criação, que, das histórias
de liturgia wiccana até uma das menos contadas,
mas nem por isso pouco importante.
Conta-se que antes do tempo existir, Danna, a Grande
Mãe de todas as Coisas, estava só no universo,
era toda poder e auto-suficiência, mas até
por isso mesmo viu que precisava partilhar esse poder
naquela imensidão. Mas com quem, se Ela era a
primeira de todos?!
Pensou, e viu que o certo seria criar um agente que
dela diferisse mas ainda assim lhe seria equivalente
e complementar, movimentaria assim seu poder de geração.
Ela engravidou de seus pensamentos e deu a luz a um
novo deus, o Primeiro. A este filho chamou Cernnunos,
que nasceu com chifres que representavam sua coroa de
poder divino.
Ela impressionou-se com sua beleza e d’Ele se
enamorou. O seu sentimento é mútuo e forte
e, unindo as mãos se desposaram, e na núpcia,
a Dama novamente engravidou e dá a luz à
Terra, que tinha em si mesma o poder gestativo da mãe,
por isso é parte d’Ela e como Ela.
Contam os primeiros espíritos elementais que,
comovidos de carinho, os deuses se debruçaram
sobre sua filha que flutuava em seu berço cósmico;
Danna, como a Lua e Cernnunos como o Sol, por isso foi
dia e noite ao mesmo tempo, o Sol no Oriente e aLua
em ângulo equivalente no Ocidente. Desde então
o Pai cuida da filha de dia e a mãe faz igual
durante a noite.
Corroborando com isto há fatos. Em alguns pontos
da Europa, quando chega a noite do Sabá Samhain,
o Sol não se põe de todo e brilha à
noite deixando a Terra em penumbra. Na matéria
“O que dizem os Astros”, do Mestre Assuramaya,
aprendemos que a Lua Negra se dá “quando
a Lua e o Sol estão no mesmo grau da longitude
zodiacal. Ambos os fenômenos marcam inícios
o primeiro do ano wiccano e o segundo do mês lunar.
Vejam que mensalmente o céu reproduz parte do
cenário da lenda.
O relato está completo e foi contado como manda
a Terra. Espero que mais esta fração da
liturgia venha a lhes somar n’alma e os aproxime
mais dos deuses desta orbi. Tenham sempre em mente que
a Terra não nos pertence, já que somos
filhos seus, cuidem-a como mãe que é,
pois, quem a destruir com ela fenecerá, mas já
que ela é o reflexo imediato de Danna, se refará
como que faz em seu útero. Já nós.
. .
Por Drustan, o
Scaldi
|
|
| |
|
|
| |
Muitas
são as lendas que envolvem esta árvore,
que é considerada a rainha dentre todas. Costuma-se
dizer que suas raízes espalham-se na mesma proporção
de sua frondosa copa e por isto o carvalho simboliza
o axioma no qual se diz que “o que está
em baixo é como o que está no alto”.
Com infusões feitas de sua casca, cura-se a febre,
dermatite, irritações buco-laríngeas
e até problemas menstruais.
Sua madeira dura e pesada proporcionava navios, mobília,
cajados e varinhas mágickas; como potencial atrator
de raios, os espécimes por eles atingidos eram
sobremaneira abençoados, provendo os melhores
fetiches, incluindo a proteção contra
raios. Colhendo o musgo que cresce em seu tronco, obtém-se
bom incenso para mágicka de cura ou revelação,
e com ele também se limpa o ambiente.
A palavra para carvalho em gaélico é “duir”,
que significa porta. Também acreditava-se que
esta árvore era uma grande ponte para o além.
Daí seu poder extremado. Mas tudo isso é
somente uma ínfima parte dos poderes do seu espírito
guardião.
O Grande Senhor do Velho Carvalho, um dos espíritos
mais sábios e antigos desta terra, ele é
também o grande espírito senhorial dos
druidas.
Senhor do Carvalho, é responsável pelas
forças solares masculinas e assim sendo, governa
a parte clara da roda do ano celta, em oposição
ao seu irmão gêmeo, o Rei Azevinho.
O Senhor do Carvalho geralmente se manifesta em trajes
cerimoniais druidicos portando um cajado que naturalmente
é feito de madeira de carvalho. Ensina aos filid
valores como a firmeza de caráter e também
várias habilidades de suma importância
para a formação de um grande file, sem
mencionar que ele é o depositário de todas
as ciências praticadas pelos druidas, assim, aqueles
que por ele são contatados, conseguem adquirir
ensinamentos preciosos que se perderam em tempos ancestrais,
alguns até que nem constam mais escritos em livros
modernos do ofício, é de fato motivo de
muita honra e orgulho poder escutar seus ensinamentos
sobre a arte e o espíritos bruxos.
Aqueles que por ele são contatados, ao passar
o ensinamento, sempre contam sua experiência com
muita alegria e fé. Pois sabem que estiveram
em presença de um ser que está na Terra,
ainda antes do tempo dos homens, e para dar breve noção
disto, deixo uma mensagem que me foi transmitida por
um outro file, e é assinada pelo Carvalho:
“Por estas coisas que te são dadas, a saber,
podes produzir muito bem em prol da tua raça,
e sabeis também que enquanto os miliesins se
perdem na aceleração das circunavegações
de suas ferramentas de tempo, seu tempo será
o da Terra, o que aumentará muito a tua glória
e força.
Como prêmio, aquilo que é teu, de ti não
será apartado, posto que gravita em teu derredor.”
Palavra
do Carvalho
Por
Drustan, o Scaldi
Fontes:
BAGGOT, Andy. Rituais Celtas. Saint Paul, EUA, 2000,
Ed. Madras.
KNIGHT, Sirona. Explorando o druidismo celta. Franklin
Lake, EUA, 2001. Ed. Madras.
|
|
| |
|
|
| |
Várias
pessoas que recentemente começaram a ler esta
coluna, fizeram uma observação. Tara é
mencionada em várias ocasiões mas não
é localizada e nem descrita, então em
favor desta gente amiga hoje abordaremos Tara, aquela
que de certo modo é a capital dos ritos antigos.
Como explicado anteriormente, a Irlanda passou por cinco
“invasões” colonizadoras: a primeira
foi coordenada por Partholon, na segunda onda veio Nemed,
por terceiro vieram os Fir Bolg. A quarta onda é
a mais importante para nós. Numa névoa
mágicka chegam na ilha os Tuatha de Dannan. É
sobre esta gente que fala grande parte das lendas do
Ofício irlandês, governaram a ilha por
muito tempo e ali viveram suas aventuras, que hoje são
as sagas que tanto nos encantam e ensinam.
Mas veio o tempo dos Milliesins
(os mortais), e pressionados os Dannan reuniram-se no
vale de Tara e subiram suas montanhas, mas quando a
colônia dos homens se expandiu por toda a ilha,
tornando a situação insuportável,
os Dannan se mesclaram com o solo montanhoso e foram
dormir o sono dos esquecidos. Era o Crepúsculo
dos Deuses ou Imrahma. Mas mesmo imersos na mãe,
eles continuam a emanar suas forças para guiar
seus escolhidos entre os homens, aqueles que seriam
seus bruxos e seus druidas, nossos ancestrais e inclusive
nós os sacerdotes da moderna Wicca.
Com isso, Tara tornou-se o primeiro e principal “sîd”,
ou seja, lugar de repouso de um deus, que portanto é
sagrado devido às emanações do
seu ocupante. Sabendo disso, ao dividirem a ilha em
quatro reinos, os mortais instituíram Tara como
reino do meio, ou Meadh. Este era um reino hipotético,
que só existia por Tara ser o grande “sîd”.
Em honra a isso, em época ainda não determinada,
construiu-se o Salão dos Banquetes, que tinha
por fim a assembléia dos quatro reinos. Era uma
paliçada alta e circular, dentro havia u’a
construção de madeira e pedra no mesmo
formato, na orla obedecendo suas posições
cardinais estavam os salões dos reinos de Vi
Niall ou Leinster ao Leste, Ulster ao Norte, Connacht
a Oeste e Munster ao Sul. Já no meio ficava o
salão do Meath, onde as decisões eram
expostas e tratadas entre os reis, sendo que o rei “do
meio” era na verdade um mediador e não
um soberano.
Tara e seu salão existiram, suas ruínas
estão onde hoje é a cidade irlandesa de
Meadh, e ainda são objeto de pesquisa de arqueólogos
e historiadores. Dizem as lendas que na última
festa do salão, o então rei do Ulster
não foi nem mandou comitiva, como se vê
no atual mapa da ilha está delineado há
muito tempo.
Existem outros sîds de menor porte, como a colina
de Allen, residência de Nuadhu – Mão-de-Prata
e depois do Rei Finn, White Hill em Londres, e onde
está a cabeça de Bran. São várias
as fontes e lagos tidos como sîd. Mas nenhum deles
é como Tara. Lá é o centro, conceito
sempre tão importante simbolizado na espiral,
ali estão epicentro das emanações
que nos inspiram. Por isso é um ponto de vital
importância na egrégora wiccana, afinal
é a casa dos deuses.
Por
Drustan, o Scaldi
Fontes:
Knight, Sirona. Explorando o druidismo celta. Franklin
Lakes, Usa. Ed, Madras, 2000.
Rutherford. Os druidas. Ed. Mercuryo. 1978
N.A.: O salão
de Tara ainda hoje é local de premiação
que recebe filid do mundo inteiro.
|
|
| |
|
|
| |
Às vezes,
nas divagações freqüentes da mente,
especulamos sobre o que estaria ocorrendo neste exato
momento mundo afora, não importando a hora que
seja e nem o lugar. Mas aí o raciocínio
aterra e pensamos que isto não importa, afinal,
coisas diferentes ocorrem para pessoas diferentes em
lugares diferentes. O dia de um nepalês não
será igual ao nosso e o dia de um cachorro não
será igual ao nosso. Mas aí mora um grande
engano.
O psicanalista Jung formulava uma tese sobre isso; tudo
começava com ele sentado sobre uma pedra e ele
se perguntava realmente quem estava sobre quem, e quem
realmente era quem. A certa altura, Jung se descobria
parente daquela pedra, pois estaria correlacionado a
ela por meio do mesmo princípio criativo que
fez o planeta e tudo que nele há. Quando ouvi
isto concordei, calei e me surpreendi. Tive um raciocínio
similar também com pedras.
Anos atrás, enquanto varria a sala da minha casa,
comecei a pensar: “Uma pedreira, exploram-na,
removendo um grande bloco, este é cortado virando
um bloco menor, deste bloco extraem-se várias
pedras a serem polidas.”
Finda a operação, sobram as pedras que
trabalhadas irão para vários lugares,
e a poeira causada pelo esforço. Mas tudo veio
da mesma pedreira, portanto, continua sendo parte dela,
continua sendo ela. O mesmo se dá quanto a nós
e o mundo, nós e os deuses. Assim sendo, somos
a terra, mas também deuses, mesmo que em menor
escala.
Mesmo de vassoura em punho me sentia o próprio
Sidharta Gautama.
Partindo deste raciocínio, compreendemos o princípio
no qual se diz que “Tudo está conectado
a tudo” e que por isso devemos medir nossos esforços
e a conseqüência dos mesmos. Da Tábua
de Esmeraldas de Hermes Trismegistos, podemos citar
o trecho em que se diz que “E como todas as coisas
são e provêem de Um pela medição
de Um.”
Inclusive na Tábua de Esmeraldas, texto que é
bem maior do que se pensa, há no parágrafo
seguinte ao do trecho supra citado, uma frase que também
faz uma clara alusão à forma do pensamento
wiccano, mas isto é assunto para outra ocasião
Mas até nisso há bom exemplo, veja a concordância
entre o milenar Hermes e o pensamento celta que foi
revisitado por Gardner.
Vejam que além das coisas e seres concretos,
até os pensamentos convergem para uma mesma fonte,
assim como em todo o Cosmo.
Por Drustan, o
Scaldi
N.R.
Sidharta Gautama, também conhecido como Shakiamuni,
são nomes do Senhor Buda.
|
|
| |
|
|
| |
|
|
| |
Dias atrás, alguém
me abordou, vinha ele muito descontente. Afirmava que
nada ia bem e punha a culpa nas energias planetárias.
Completou as queixas com uma tese na qual ele acreditava
que nosso país está em uma zona negativa,
e por isso, ele teria de fazer seus chakras girarem
ao contrário, e assim obteria a sintonia e sucesso
almejados. Fiquei Chocado.
Em parte, a teoria do descontente está correta.
Sim, o Brasil está mergulhado num campo negativo-passivo
do globo terrestre. O fato é que, como num círculo
“mágicko”, o planeta também
tem seus pólos, e por isso influencia tudo e
todos que aqui estão. Mas também isso
não e a razão absoluta deste período
aziago que passamos hoje.
Como mostrado no diagrama, a orbe tem todo
um trânsito de forças, há uma corrente
positivo-ativa, portanto criadora-aglutinadora, que
emana do Norte e do Leste. Existe uma corrente negativo-passiva,
que vem do Sul e do Oeste. São forças
passivas, latentes, que não têm atividade
própria e por isso precisam ser postas em movimento,
se mantidas inertes, com o tempo começam a diluir
o que tocam até provocarem a estagnação.
São essas últimas que influenciam mais
fortemente o país; e provo.
Aqueles que têm costume com Cabala, possivelmente
já leram o trânsito das luzes no livro
de Enoch, de forma cifrada. O pai de Matusalém
descreve as circunvagações solares e lunares,
sua importância e efeitos. Nota-se que o capítulo
70 (que trata este tópico), afirma que as forças
criativas saem do Leste e as dissolutivas do Oeste,
e surtem efeito na Terra por meio dos ventos oriundos
dos portões e janelas das luzes.
Caso usemos a geometria pitagórica, passaríamos
dois triângulos com base na Linha do Equador e
com as pontas nos pólos magnéticos (como
no diagrama) e veríamos o sentido das forças
correspondentes ao Norte e ao Sul.
A roda do ano wiccana também aparece no diagrama,
se compararmos suas estações com o trânsito
de forças nos pontos cardeais, constataremos
que o Brasil está no quadrante correspondente
ao inverno.
Por essas comparações, verificamos uma
única coisa; a Grande Nação Eterna,
a Pátria do Cruzeiro do Sul, é um gigantesco
caldeirão magicko, cheio de poder latente mas
que precisa ser mexido adequadamente para movimentar
e disseminar suas forças.
Mas e a segunda parte da teoria do nosso amigo desesperado?
Vamos a ela.
Como é notório, os sete chakras do corpo
humano giram em sentido horário, apresentam sua
face positiva na frente, e excretam sua negatividade
pelas costas. Se alguém conseguisse inverter
o giro dos chakras, inverteria todo seu sentido de vibração.
O negativo das costas viria para frente, logo qualquer
um vivo ou morto que o visse, o tomaria por ameaça
eminente digna de aniquilação.
Sua aura de expiração passaria a inspirar
e se compactar; é o que acontece com pessoas
em estado terminal ou obsedadas, em suma, seria uma
caminhada lenta e dolorosa para a morte. Mos o pior
deixei por último.
O corpo humano está em meio à matéria
e vibra com matéria para que possamos interagir
fisicamente neste plano. Inverter vibração
de matéria fabrica... sim! Anti-matéria,
quem fizer isto se tornará um buraco negro falante.
Há no alfabeto wiking das runas um glifo chamado
Laguz, é a runa das águas. Meditando em
Laguz, aprendemos que o rio da vida não pode
ser represado ou transposto, pois a água sempre
irromperá o dique e voltará ao seu curso
original para chegar ao seu destino final. Nossos sagrados
pais não nos fizeram para que vivêssemos
na mendicância universo afora, por mais que seja
difícil e doloroso sempre há uma forma
de vitória.
Mas temos de trabalhar com as ferramentas que nos são
dadas, batalhar com o que estiver à mão.
Filid do mundo, a união é a chave para
nos tornarmos imbatíveis, ao sabemos ainda, quantas
guerras teremos vencer por um pouco de paz. Sonhemos
juntos para dobrar em um dia a realidade.
É como diz a música, neste dia “o
mundo verá uma flor brotar d’um impossível
chão.
Por Drustan, o Scaldi
Fontes:
AUTOR IGONORADO. O livro de Enoch (Evangelho Apócrifo).
Ed. Hemus.
LAULOR, ROBERT. Geometria Sagrada. Nova York. EUA. l982.
SARAGENI, RUBENS. Iniciação à escrita
mágicka sagrada. Brasil, S.Paulo. Ed. Madras,
2002.
Prabnuda, A.C. B. SWAMI. Fácil viagem a outros
planetas. São Paulo Brasil, Ed. The B. Book Trust,
1987.
BLUM, RALPH. O livro das runas. EUA. Ed. Bertrand Brasil,
l987.
|
|
| |
|
|
| |
Assassinos
Dias
atrás, um colega aficionado por História
me contava uma curiosidade.
Na era das cruzadas, havia um grupo de muçulmanos
temidos até por seus iguais. Eram matadores habilidosos
e silenciosos que agiam à sorrelfa (sorrateiramente).
Mas sempre antes de saírem em missão,
consumiam haxixe para torná-los leves e apurar
os sentidos; o que também lhes removia o medo;
eram por isso chamados pelos árabes de haxixins,
o que veio dar origem à palavra assassino.
Como o Ofício abre espaço a todos, também
temos as entidades dos homicidas. São as deusas
Badb, na Irlanda e Morrigan, na Gran Bretanha. Cada
uma em seus países de origem, são similares
da Kali hindu. São responsáveis pela orientação
e proteção contra mercenários e
assassinos. São as rainhas da guerra, da feminilidade
e do prazer feminil, o que as demonizou com a vinda
do cristianismo às suas casas.
Foram desta forma rebaixadas a rainhas dos súcubos
e vampirezas. Ambas são ruivas, sua cor portanto
é o vermelho, o que nos remete à cor da
cavalgadura do Cavaleiro Guerra, no livro bíblico
do Apocalipse. No livro “As Belas e Precisas Profecias
de Agnes Nuter” (comédia), este cavaleiro
aparece como uma sensual motociclista ruiva e Morgan
é uma vampireza (loira) no videogame “The
Dark Stalkers”!
Os celtas lhes prestavam respeitáveis cultos,
os guerreiros se apegaram a elas antes das batalhas
mais difíceis. Ambas representam a renovação
brusca. Por isso, comandavam exércitos nas batalhas
genocidas, afinal, o novo sempre vem; mesmo que o velho
se vá ceifado por uma espada ensangüentada.
São as juízas dos divórcios litigiosos,
as enxurradas que destroem casas na mata vigem, são
a providência drástica e a guerra que destroem
o tirano.
Badb criou fama ao desentender-se com o herói
CuCulain sobre quem cederia passagem numa estrada, durante
uma noite de lua nova. Ele vinha a pé, e ele
num carroção conduzido por um auxiliar
sinistro, gigante. O herói do Ulster contra a
assassina do Conaught, um episódio complicado
nas lendas da ilha.
Já a inglesa Morrigan é mais famosa. Era
conhecida por vários nomes como Morrigú,
Morgan, Morgant... Mas o que lhe deu fama não
foram seus muitos atos guerreiros, mas uma homenagem
que está presente nos Ciclos Arturianos. A arqui-rival
de Arthur foi batizada como Morgana Lefay, que dedica
a vida a vingar a mãe Igrayne, que foi estuprada
por Uthar Pendargon. Desse ato nasce Arthur, que com
a morte do pai, vira o alvo da sanha vingativa de Morgana.
Morrigan passou a ser tão famosa, que veio a
ser a gene do sobrenome de uma família nascida
em terras de língua portuguesa, os Morgante.
O tempo passa, os ciclos fecham. E ante esta verdade,
nem as pedras e os assassinos permanecem.
“Ela
veio a mim
com um beijo de serpente.
É um olho de um sol róseo
em seus lábios,
a lua pegou
as lágrimas de prata
que chorei.”
Música: Revelations
Banda: Iron Maiden
Álbum: Peace of Mind
Por
Drustan, o Scaldi
Fontes
bibliográficas:
- KNIGHT, SIRONA. Explorando o druidismo celta. Franklin
Lakes. Madras, 2001.
- CONWAY, D.J. Livro mágico da lua. EUA, Gaia,
1977.
|
|
| |
|
|
| |
O último
dia de outubro é o dia das bruxas, correto? Nem
tanto. Os sabás são organizados por Astronomia
e sobretudo pelas estações do ano, as
datas originais seguem o céu e as estações
do Norte, estamos no Hemisfério Sul. Assim, as
datas sofrem inversões.
Quando lá celebra-se o Samhain (pronuncia-se
soên), aqui é o Beltane (Biotnáh),
o dia do deus Bel, o Apolo celta. Ele é o sol
em pessoa, pai dos herói Cu Culain, em sua armadura
de ouro é um dos governantes da parte clara da
Roda do Ano, já que da luz solar vem toda a vida,
Bel também representa a virilidade e a fertilidade
masculina. Por isso, nessa épca, em tempos antigos,
casais se encontravam em florestas e bosques para “renovar
a fertilidade da Terra”. As crianças que
eram concebidas nessa época recebiam sobrenomes
como Robson, Hood, Johnson, Johnston. Eram literalmente
filhos da floresta e bentos por Bel.
Deste Sabá, o Brasil absorveu vários costumes,
colocando-os nas comemorações das Festas
Juninas, que são a nossa forma de festa estacionária
de colheita, sim, nós também temos Sabá.
Na Irlanda pré- medieval, acendiam-se fogueiras
no Beltane, com madeira de carvalho, passava-se o gado
entre as duas chamas para dar boa engorda e leite farto
aos animais. Os solteiros pulavam essa chama desejando
namoros e casamentos; mulheres pediam filhos e gestantes
rogavam parto bom e sadio. Mas ninguém podia
acendê-las sem que o grande Rei tivesse aceso
o Grande fogo de Bel na colina de Tara. São Patrício,
ardilosamente legou isto aos cristãos quando
acendu um fogo igual na colina de Slane, 10 milhas distante
de Tara. antes que o Grande Rei Laoghaire iniciasse
o Beltane de 433 a.C.
Outro costume que adaptamos foi o Maypole (Mastro de
Maio). Um mastro de carvalho era colocado ao centro
da vila. Na parte de c ima, prendiam-se fitas de cores
vivas, seu comprimento chegava ao chão onde ficavam
soltas. Então formava-se um para para cada fita
e as pessoas dançavam, em roda, no sentido horário,
até que o mastro fosse todo coberto. Conservavam-se
miniaturas do mastro em casa para abençoar os
moradores.
No Brasil, a dança do Mastro ainda é conservada
no Norte e Centro Oeste, no Nordeste (não tem
fias) virou o Rabeia, Mastro de Santa Antônio
ou Mastro de São Jorge.
No Sul e Sudeste, perdeu as fitas, dando lugar ao páu-se-sebo,
e sua dança virou nossa quadrilha junina. Explicou-se
a razão do Santo Antonio ser o casamenteiro junino.
Ele é a corrutela Cristã do Bel celta.
Os rituais de Betane condizíveis à Wicca,
podem ser encontrados em vários livros, e em
várias versões. Mas, sendo só uma
prece ou um ritual complicado, algo sempre deve estar
em mente: O Sabá do Fogo de Bel é a celebração
da Luz da Vida.
Mor Dhuit!
(Que o Sol te Abençoe!)
Por Drustan,
o Scaldi
Fontes:
Farrar, Janet e Stweart. Oito Sabás para bruxas.
Editora Anúbis, Irlanda, l985.
Conway, D.J. Livro Mágico
da Lua. Editora Gaia. EUA, 1997.
N.A. A Festa Junina é
influenciada por este Sabá por proximidade de
datas, já que Beltane é em fins de maio.
|
|
| |
|
|
| |
Talvez estejamos todos um pouco
perdidos. Constantemente, há uma sensação
de vazio, um desnorteamento. Então se pergunta,
o que fazemos aqui, por quê?
Sinceramente, isto nos acomete quando somos derrotados
ou perdemos algo. É horrível sentir peito
e mãos vazios, ainda mais quando se busca algo
que nos faz muita falta. Persiste então a pergunta,
e se jamais eu encontrar?
Quanta angústia! É como caminhar em solo
seco, com as armas guardadas no alforje e puxando o
cavalo pelas rédeas. Nesta hora, até o
peso da armadura incomoda. Onde ir?
Onde está? Como é? Seja qual for a sua
busca, há um alento.
Converse com outras pessoas, ao longo do tempo será
fácil constatar; há muitos outros indo
e vindo pelo mesmo deserto, acoçados pela mesma
sede, buscando a mesma coisa.
Só que a dúvida pesa tanto, dói
tanto que não nos entrevemos, mas estamos todos
aqui, indo e vindo na mesma jornada. Irmãos,
a vida é um ato de fé, os tesouros buscados
estão em algum lugar dessas terras estéreis.
Mas ao encontrá-lo e abrir a arca, veremos que
o buscado é parte da vida. Assim sendo, sempre
nos pertenceu, e enquanto o buscávamos sofrendo,
o tesouro sofria por esperar.
A tal angústia é um chamado mútuo
e mudo, mas que só o coração pode
ouvir. Reze aos deuses sagrados, eles sabem o que é
e onde está, e mostrando fé, lhe darão
em segredo o rumo certo, encurtando a caminhada e o
buscar.
Se quiser, relaxe, pare um momento e abra os olhos.
E você verá a mim e os outros; todos nós
e os deuses, talvez nós tenhamos o que você
quer e vice-versa, talvez possamos caminhar juntos o
mesmo rumo.
“O que há de vir tem muita força.”
“O que se vive de verdade nunca termina.”
“Teu medo é a justa medida de tua coragem.”
Série de TV: “Hoje é dia de Maria”
Por Drustan, o Scaldi
Fontes:
1) BHAGAVAD GITA
2) O Livro do Tao
|
|
| |
|
|
| |
O dia está claro e morno,
não há bruma que atrapalhe a vista e o
topo do aclive é dominado pela sua tropa; os
vikings que desembarcaram há pouco na praia estão
em menor número – já que eles eram
80 e você veio com 120 – e por isso estão
sendo rechaçados com facilidade e sem necessidade
de grandes manobras. Tudo está tão fácil
que você já sente vontade de dar meia volta
com o cavalo e regressar ao seu tabernáculo,
passando o comando aos oficiais subalternos, você
toca o cavalo e inicia a saída, já que
não há muito o que fazer. Mas...!
O estafeta lhe toca o ombro e avisa que há um
novo desembarque, você olha a praia e na areia
avista uma vintena de homens que saem da água
berrando guturalmente, não usam armaduras ou
escudo, vestem apenas peles de urso e nada mais, trazem
belas espadas, machados longos ou de duplo fio, lanças,
manguais e maças. Você fica para ver. O
que vinte podem fazer contra cem? O que a sua semi-nudez
vai fazer contra as armaduras e o treinamento? Nada!
Eles se unem ao tumulto e começam a operação.
No princípio alguns dos seus são violentamente
mortos. Um, dois, três; disso não vai passar;
onze, doze, treze; seus soldados devem estar ficando
moles; dezoito, vinte e um, vinte e quatro; a piada
perdeu a graça. Num espaço de pouco mais
de meia hora, os vinte aniquilaram sua tropa, reagruparam
os invasores aptos e todos os vikings que restaram estão
de pé, olhando para você e já esboçando
a intenção de ataque; entre você
e eles não tem mais ninguém, a não
ser a grama no chão e o vento no ar. É
correr ou morrer! “E agora, José, para
onde?”
A narrativa acima reproduz a ação de um
tipo de guerreiro viking, chamado Berseq, eram assim
chamados, pois após o início das atividades,
o difícil era contê-los, daí o nome
que significa desenfreado. Ao se sagrarem, esses homens
juravam a Woden (Odin) que jamais negariam combate,
não importando a ocasião, nem o inimigo.
Demonstrando maior bravura, combatiam nus, apenas maquiados
para guerra e trajando uma pele de urso para adquirirem
uma força animal; não usavam escudos,
já que sua fúria os impelia apenas ao
ataque. Tudo para ostentar orgulho e coragem na morte
em refrega.
É um exemplo esdrúxulo, eu sei, mas está
aqui só para ressaltar uma coragem inabalável,
que, sinceramente, nos falta a maior parte do tempo.
Já comentamos nesse espaço, em outra ocasião,
sobre o medo das surpresas que nos chegam em vários
momentos, mas agora abordamos um tipo de medo mais corrente
e que por isso passa despercebido: o medo da vida, e
o medo da morte.
No fundo, os dois são a mesma coisa, é
como percorrer uma estrada desconhecida sem mapa de
mão, e o pior é que aquele que lhe impôs
a caminhada não avisou onde tal senda termina.
Como todo o ser humano busca a estabilidade, isto se
torna uma situação insuportável
só de imaginar. Talvez por isso mesmo o vulgo
prefere a rotina e até mesmo algumas formas de
engodo.
E mais que natural um extinto de auto-preservação,
mas vemo-lo exacerbar-se em muitas pessoas, que com
a desculpa de viver intensamente, cometem atos de irresponsabilidade
e não assumem, jamais, o seu papel social, o
que torna mais pesado o fardo daqueles que “trabalham”
próximo de alguém assim. Se uma formiga
não faz a sua parte, obviamente, os outros operários
da comunidade, terão maior dificuldade em cumprir
uma tarefa.
Correntemente, observamos miliesins que apenas desejam
um trabalho estável, um casamento, filhos, um
carro na garagem e algumas traquitanas amontoadas dentro
de um imóvel próprio. Num segundo caso,
assistimos aqueles que gostam de se manter no centro
das atenções, usando de toda sorte de
subterfúgios, que o mantenham na boca de cena.
Há aquela terceira espécie mais comum
que bongam por todas as danceterias da cidade, perseguindo
música alta, álcool e adulação
barata, dançando amontoados, no compasso de música
percutida (mesmo que eletrônica), ignorando o
que há em volta; pulando e cantando coisas incompreensíveis
sob uma luz bruxuleante. Juro que a mim mais parece
algum tipo de ritual aborígene disfarçado
sob os recursos da eletrônica.
Todo o escapismo é válido na tentativa
de não observar a passagem da vida e a aproximação
da morte, omitem-se para forçar outro a burilar
a pedra. Mas que mal á em constituir família,
tornar-se conhecido ou ir a um clube noturno? Nenhum,
desde que isso não seja seu ópio. Não
tendo recursos para compreender a profundidade da vida,
muitos revestem sua inapetência como acham mais
fácil.
Mas isso tem um custo que é maior que aquele
demonstrado pelos olhos da matéria. Basicamente,
a vida é um aprendizado e um teste “in
loco”, na prática.
Basta ir aos bancos escolares para presenciar o preço
pago pelo estudante negligente; seu futuro, sua visão,
seu crescimento e tudo mais.
Como file, me sinto obrigado neste tópico, me
é deveras doloroso assistir impotente, as pessoas
renunciando sua evolução por falta de
garra e coragem, por mais que se diga o contrário,
aquele que não labora involui, e isto o distancia
da espécie humana, e nada pior do que uma fera
solta no galinheiro. É por isso que vários
filid costumam brincar dizendo que pessoas normais são
assustadoras, só quem tem o olho da água
ou já foi vítima das aparências
sabe o que um rosto dócil oculta, o maior sinal
da tempestade é a inércia da natureza.
Só há uma forma para se livrar de uma
vida maldita e vazia: o conhecimento. Quem sabe decifrar
os segredos pode entender a profundidade dos fatos,
existem muitos aspectos para serem estudados e numa
bela pintura, é reconfortante saber a causa de
algumas coisas, existem duas formas de explicar a chuva;
a ciência da matéria e a ciência
do éter. Ambas têm seu valor, mas o sábio
conjuga ambas, para ser rei, deve-se conhecer a terra
e as usanças do povo, só o conhecimento
pode coroar um mendigo, fazê-lo crescer e brilhar.
Para se libertar a mente precisa saber voar, precisamos
aprender sempre; com dedicação e disciplina,
seguir sempre entendendo lá o que for. O hedonismo
é o grande instrumento de poder da ignorância,
e o espírito que se deixa conduzir por ele, se
dirige a um grande lamaçal podre. A escuridão
mora dentro de nós, e temos de nos abrir as luzes
dos poderes divinos, compartilhar com eles a sua consciência,
comungar da onisciência.
Isso é o que faz transformar homens em deuses.
“Não viva por prazer
Faça de sua vida um tesouro.”
Música “The Sign of he Southern Cross
Banda Black Sabbath
Álbum: Mob Rues
Por Drustan, o Scaldi
Bibliografia
Levi, Elifas. Dogma e Ritual da Alta Magia. Pensamento;
Karde, Allan. O livro dos espíritos. Federação
Espírita Brasileira. França, 1857.
|
|
| |
|
|
| |
O
lado avesso do coração
Se estás
carente, abandonado ou mesmo desiludido, o texto que
vem em seguida te é dedicado, e deve ser interpretado,
compreendido e guardado com cuidado na massa do sangue.
As próximas linhas são referentes a um
poder maior que nos foi entregue para produzir luz e
crescimento, mas muitos são os que usam as cadeias
desse dom para a miséria do próximo e
até mesmo a morte. Este sagrado poder maior é
o AMOR, que nos redime e nos iguala aos deuses ancestrais.
Mas, e quando ele é perseguido e jamais é
encontrado? A resposta está no lado avesso do
coração que é como a lua em suas
fases e igualmente pode ter seu lado oculto, sua fase
nova e misteriosa em tristeza.
Tu que tens um coração scaldi como eu,
que me respondas: Quantos são os que trocam de
par como quem troca os borzeguins? Indagação
de resposta fácil, mas de recordação
difícil, vários são os que trocam
os pares por promiscuidade volúvel. Mas, também,
existem pessoas de sorte, que o fazem por serem amplamente
despojadas e sempre muito bem quistas pelo sexo oposto.
Há ainda um terceiro povo, o dos solitários,
e é para testes que falo agora; pois daqui em
diante explicarei o que te ocorre, mas o farei com mágicka,usando
um dos aspectos da lei wiccana, a Lei da Rede. Já
que somos todos amigos da natureza, sabemos que tudo
é um com tudo, portanto, para dar para um, é
preciso que outro doe, se um vaso enche, outro esvazia.
Aqui está a chama e lá está a seca...
se tens a solidão para que outro tenha amor.
Exatamente pelo fato da humanidade ser dura e insensível,
o amor é pouco para alimentar a alma de muitos,
e para que a fome não cause catástrofe,
os fortes ficam com a austeridade, já que têm
fibra para tal. Enquanto isso, por menor força,
os fracos recebem o pouco que há. Do contrário,
literalmente seria a extinção, o genocídio.
Para nós, filid que somos, o quadro que se pinta
é ainda mais feio. Nenhuma pessoa normal deseja
andar de mãos dadas com alguém que traja
preto mesmo no verão e diz acreditar em fadas
e duendes. Mas agora começa inversão de
papéis. Já notaste como grande parte dos
casais se porta? No início, com aa novidade tudo
parece bom. Depois, com a monotonia da marcha vem o
desinteresse, que traz por vezes a traição,
o desrespeito, agressividade. Então, a ópera
termina com seus protagonistas em cantos opostos do
palco, preocupando-se apenas consigo, Julieta não
vai mais ao balcão da janela e Romeu está
mascarado em outro baile.
Os ditos românticos ficam com a boca de cena,
enquanto aos solitários e carentes sobra o plano
da rotunda. Infelizmente, o mundo moderno foi edificado
sobre ilusões românticas, que são
de concretude diáfana. Elas sonham com o príncipe
e eles com uma multidão de belezas submissas.
Agora, vejamos a raça humana raciocinou e hoje
persegue suas quimeras sentimentais, bordando suas molduras
com promessas mil.
Quem já não ouviu uma jura de amor, que
visava o ouvido alheio, na qual alguém prometia
a lua e as estrelas? O problema é que isto são
palavras, e eles não conhecem nem respeitam a
magicka do falar. Portanto não são capazes
de fazer o prometido. Mas quem é da terra pode
dobrara realidade, esticar a mão e trazer o céu
noturno trancando-0 num pote e oferecer o presente almejado
à pessoa amada. E daí o mortal foge; pois
não foi ensinado a ser feliz, só pode
sofrer enquanto busca, não sabe usufruir da felicidade
que traz o momento do encontro. E o mundo continua se
enganando em fantasias, enquanto os de peito nobre ficam
sós no escuro. E isto não é fardo
exclusivo dos filid, muitos mortais de boa vontade passam
com freqüência pelo mesmo o revés,
o mundo faz com que as pessoas se comportem como abutres,
(os pássaros que me desculpem a comparação)
vivendo de restos emocionais, o bom do amor sempre falta.
O lado professoral de tanta dor é o seguinte:
aquele que não tem é justamente o que
mais saberia dar. Enquanto o mundo se embriaga tu podes
parar e pensar sobre o poder do senhor de todos os corações,
como diz a música, para seguir o amor é
preciso ser rei.
Por mais incrível que pareça, justamente
o solitário é quem melhor sabe amar. Se
abrirmos os olhos, vamos notar que num grupo, há
sempre alguém que está a margem dos aconteci
mentos, mas quando a coleira da vida aperta, todos vão
até essa pessoa isolada lhe confiar suas aflições,
além de um ouvinte atento e discreto, o que é
só, também é um conselheiro sábio.
Já que não tem o que quer, ele sonha em
poder se doar, assim lapida seu coração.
Que com o tempo se torna um rubi rutilante e caro e
como toda a grande jóia, este coração
está oculto na escuridão da Terra, medrando
seu esplendor com o tempo e sendo moldado pelas águas
dum rio de emoções silenciosas. Esta jóia
quer todo o dia mostrar seu brilho, só aguardando
um garimpeiro certo, que com mãos carinhosas,
removerá a jóia do ventre da Mãe.
É visto que reside a beleza desta tragédia,
você se dá um pouco a cada dia sem perceber,
para todo o mundo, aguardando o seu momento de voluntariamente
dividir-se em dois para se tornar um como foi no dia
da criação, veja agora que neste plano
também esta a a perfeição divinal.
É fácil notar que um casal de filid raramente
se enamora, mas seu espírito sabe a razão,
já que você é filho desta mãe
que tudo criou, conhecimento com conhecimento, é
só conhecimento, mas conhecimento que circula
é evolução; seria muito fácil
se fosse d´outra forma, mas estaríamos
vazios, porque devemos espalhar nossa luz e aquecer
a frieza humana com o que nos é dado a saber.
Uma vez uma entidade scaldi, mais precisamente, uma
sombra da Lua Nova, veio uma noite, viu que eu sofria
de grande aflição e me aconselhou, montou
um adágio sinistro mas de grande valor, pois
nele meditei e compreendi seu significado; que não
existe um mal, mas uma outra forma de entendimento para
um fato, a sombra me mostrou mais uma vez os segredos
que os mortais negam e escondem do lado avesso do coração,
que é um reino escuro por natureza.
A conversa girava sobre o tema deste artigo e já
quase n fim, ela falou: “Guerreiro, a gente desta
era não está pronta para receber o coração
nobre de quem fez o velho juramento da espada”.
Concordo, somos sonhos encarnados, e isto é demais
para um mortal que chafurda na imundice da ilusão.
Ainda antes de se despedir, ela disse “Saiba ó
nobre, que teus ais são ouvidos em Tara e também
no submundo, por isso me liberaram para vir aqui e te
falar que...” Neste ponto, ela pronunciou uma
profecia: “Já fizeste muito pelo mundo,
e todos sabemos que farás ainda mais, portanto
os deuses vão te enviar um presente em paga por
teus atos.”
Então a sombra assegurou tempo e lugar para a
chegada de uma mulher humana, acredito que o encontro
foi real, assim com as palavras que foram ditas, pois
em tempo e lugar aprazado conheci tal mortal e grande
parte do que me foi previsto já ocorreu. Continuo
zelando aquilo que me foi dado e rezo com gratidão
e alegria, bendizendo a vontade e benevolência
de nossos divinos pais.
Assim foi comigo, e melhor ainda será contigo,
aguarda, são poucas as pessoas nobres neste mundo,
mas uma delas é a metade que te corresponde.
Enquanto o amor perfeito não vem, sê piedoso
para com os miliesins, e ensina o vulgo sobre tua filosofia.
Folga, pois tu és para o mundo um baluarte grande
como o rio Amazonas, que por onde passa alimenta a vida
e mata a sede do pobre. Lá fora, na madrugada,
os elfos estão furiosos, balançando tudo
e destelhando os galpões, mas a brisa que entre
pela janela de meu lar é suave e fresca, eles
sabem que sou amigo honesto e fiel e esta brisa é
a confirmação. Os elfos podem ver em meu
coração que aquilo que mais quero aprender
está num amor sem apego ou interesse, tudo o
que é natural me trata com respeito, pois não
tenho sonhos impuros de mortal, são estas as
coisas que me fazem ais vivo e mais brilhante , me dando
forças para compartilhar o que é aqui
escrito. A lição final consiste me saber
que tudo na natureza é dúbio, não
fugimos a esta verdade. Resta-nos, apenas, desvendar
esse lindo tesouro e nos render ao seu brilho poderoso
e magicko.
Por Drustan,
o Scaldi
Bibliografia
Vivekananda, Swami. Karma Yoga. Pensamento, Índia,
1972.
Frazão, Márcia. Manual Mágico do
Amor. Bertrand Brasil. Brasil, RJ. 2002.
Cukulain, Kerr. O guerreiro wicca. Madras, EUA. S. Paul,
2000.
|
|
| |
|
|
| |
|
|
| |
Dobrando
os Sons
Em
qualquer atividade mundana, vemos sempre códigos
escritos ou sinalizados, que ajudam as pessoas
a melhor se orientarem durante os seus afazeres.
Temos manuais, placas de sinalizações,
cores e mais um sem fim de outros meios indicativos
que, através de leitura ou sinalização
nos mostram o que fazer e quais são as
condições de desempenho naquele
momento.
Dirigindo um carro, um motorista vê uma
placa com uma seta apontando para a direita, mas
o sinal tem uma linha vermelha trespassando a
seta. O motorista já sabe que é
proibido virar à direita. Passeando pela
calçada, há um cartaz que anuncia
a peça de teatro que nos interessa: ali
está escrito local, horário e valor
do ingresso; já sabemos o que fazer para
prestigiar o espetáculo.
Tudo na vida é assim, com indicações
escritas ou criptografadas, que nos dão
a dica do melhor modo de obter sucesso em uma
determinada ação. Na Wicca, nas
magickas em geral, também há o conceito
sobre sinais. Sinais estes que são o indicativo
de nossa vontade frente a uma energia que será
trabalhada, ou alguma forma espiritual de inteligência
que será conclamada a nos assistir em uma
empresa. No nosso caso, isto se faz ainda mais
necessário, pois são poucas as pessoas
que conseguem manter um diálogo com uma
entidade, já que não podem vê-la
ou escutá-la; daí a necessidade
de um código convencionado, entre homens
e espíritos.
Disso advém toda sorte de escritas magickas;
ritualísticas, oraculares, etc... Os antigos
costumavam dizer que escrever era um dom divino,
pois quem escreve pode dobrar o som, e isto é
lógico e muito inteligente, porque ao escrever,
dobramos o som primordial da palavra – que
é sagrada, na curva da letra.
Quanta arte há nessas coisas! Até
por isso, quando o mundo começou a escrever,
toda forma de escrita era sagrada, todo o som
dobrado em papel ou barro, dava luz ao espírito
de quem o avistasse, e mais ainda se compreendesse
o que ali estava grafado, mesmo que fosse uma
letra só.
A este seleto grupo de alfabetos ancestrais pertencem
o Ogam dos celtas, a Runa dos vikings, o Hieróglifo
dos egípcios, o Kanji dos chineses e japoneses,
o Sânscrito dos indianos e uns outros poucos
alfabetos ancestrais. Mas por obra do destino,
a necessidade de comunicação falou
mais alto, e a palavra escrita teve de se disseminar
entre os povos, e precisávamos de um alfabeto
comum que pudesse ser compreendido por qualquer
um apesar das diferenças lingüísticas,
as particularidades deveriam ser sobrepujadas
em prol da comunidade. Desta feita, nasceu o alfabeto
itálico que se tornou padrão no
mundo inteiro, mas nem por isso, a palavra escrita
perdeu seu lugar, existe ainda em qualquer lugar
do globo, a arte da caligrafia.
Para não abandonar de todo o conteúdo
mágicko da letra, os primeiros calígrafos
compuseram as iluminuras, que são aqueles
tipos emoldurados e pintados artisticamente no
início de textos antigos.
A figura central era sempre a letra, mas em volta
de si, ela trazia figuras que centravam seus antigos
signos magickos, mas mesmo a iluminura sofreu
adulterações, e ao chegar nas mãos
dos monges copistas que se embarafustavam pelos
mosteiros medievais, as iluminuras forma reduzidas
a meros enfeites de folho.
Para não sofrerem a mesma sina, vários
alfabetos “sumiram” no tempo. Os que
permaneceram foram amplamente modificados. Podemos
tomar por exemplo as runas, que vagaram por toda
a Europa. Originalmente, este alfabeto tinha vinte
e quatro glifos, mas vários povos se permitiram
modificá-lo. Na Grã Bretanha chegou
a alcançar o incrível número
de trinta e seis caracteres. Na contramão,
os alfabetos “sumidos” se preservaram,
mas além de serem difíceis de achar,
proporcionam esforços estóicos a
quem tenta manejá-los, sendo assim uma
tarefa meritória de um bom historiador
ou de sacerdote ávido.
Por essas e outras, o tempo e a necessidade criaram
símbolos específicos para serem
utilizados com amplitude nas magickas existentes
setas, curvas, raios e por vezes desenhos com
formas bem definidas, quer por polígonos
geométricos ou desenhos de objetos, animais
e até pessoas; exatamente como se fazia
na pré-histórica escrita rupestre,
que é a mãe de todos os alfabetos
místicos. Para um leigo, uma linha reta
horizontal é só isso; mas para nós
pose ser a identificação de um plano
cósmico, ou o glifo magicko para estabilização
de forças. Lembra daquela seta apontada
para a direita que o motorista viu? Tire a tarja
vermelha e pergunte a um filid o que é
aquilo... a surpresa será vivificante.
Cada linha, cada curva, cada ponto tem seu valor.
Misturá-los é compor um símbolo,
e por vezes um feitiço completo. Mas isso,
só conhecerá quem tem índole,
só chegará aos eleitos dos deuses,
visto que é conhecimento outorgado por
Eles.
Estuda e medita sobre estas coisas. Alcançando
a compreensão e uma visão acurada,
você será capaz de ver que os deuses
nos escreveram em cartas que estão no arco
de pedra, na aresta do cristal e no pontilhado
das estrelas; toda a forma natural é fonte
de escrita magicka, e traz em seus glifos a quinta
essência de seus elementos.
Observa a natureza para ler o conhecimento, e
as palavras de amor que nossa Mãe nos deixou.
Enxerga na letra o conhecimento da natureza que
nosso Pai criou.
Drustan,
o Scaldi
Fontes:
Saraceni,
Rubens. Iniciação à Escrita
Mágica Divina. Madras, Brasil, SP, 2000
Blun, Ralph. Um livro de Runas. Betrand Brasil,
E.U.A., 1982.
|
| |
Geis
O titulo é uma
palavra em gaélico e significa costume
ou proibição. Trata-se de um conjunto
de leis peculiares e extremamente flexíveis,
mas na prática são de difícil
cumprimento, o que exige bastante dedicação.
Os geissa (plural do título, geis) são,
em verdade, um código ético, que
obedece a parâmetros de acordo com sua
nação, região, status social,
profissão, sexo... Enfim, basicamente
cada indivíduo seguia um conjunto de
regras que culminavam com algumas cláusulas
feitas para si, desenvolvidas por si. Por isso
mesmo, além de muito útil, essa
constituição individual era difícil
de obedecer, já que essas leis visavam
sua melhora de acordo com sua condição
particular. Quebrar essas regras significaria
agir contra si mesmo, a sociedade e os deuses.
Por isso mesmo, nós, o povo do ofício,
não precisamos de cousas como tábuas
da lei, doutrinas, mandamentos e afins. Sabemos
intrinsecamente nosso lugar nesta terra e nossos
deveres para com o alheio.
Um bom exemplo para começar, é
um geis que ficou famoso entre as populações
greco-romanas, o Juramento de Hipócrates
ainda hoje é utilizado por médicos
do mundo inteiro. Os vários tipos de
juramentos à bandeira trazem em si os
valores que um indivíduo deve sempre
ter em mente com relação à
sua pátria. Mas a essa altura, você
já deve estar conjecturando sobre a conexão
entre os geissa e o ofício: é
bem simples. Como citado, nós não
temos uma “legislação”
oficial na arte, exceto por dois artigos, A
Rede e o Tríplice Retorno.
= A Rede: tudo no universo está conectado
a tudo. Tenha sempre ciência das conseqüências
de seus atos e saiba que todo o ser vivo e todo
objeto inanimado pertence ao macrocosmos universal.
= O tríplice Retorno: tudo o que fizer
lhe retornará | | | |