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DISLALIA

“Dislalias eram definidas tradicionalmente como transtornos
na articulação da palavra falada.
A dislalia (do grego dys + lalia) é um distúrbio da fala, caracterizado pela dificuldade em articular palavras.”

Ana Lúcia Erthal, Fonoaudióloga clínica

Com as pesquisas mais atualizadas, os desvios na fala passaram a ser considerados tanto como alterações fonéticas articulatórias, quanto de organização fonológica.

A idade de 4 anos é considerada limítrofe para a aquisição dos processos finais por falantes do português brasileiro.

Após esta idade a alteração na fala poderá ser classificada em dislalia tipo funcional, audiógena ou anatomofuncional e a criança necessitar a atenção de um fonoaudiólogo.

A dislalia (do grego dys + lalia) é um distúrbio da fala, caracterizado pela dificuldade em articular as palavras.

Basicamente consiste na má pronúncia das palavras, seja omitindo ou acrescentando fonemas, trocando um fonema por outro ou ainda distorcendo-os.

A falha na emissão das palavras pode ainda ocorrer em fonemas ou sílabas. Assim sendo, os sintomas da Dislalia consistem em omissão, substituição ou deformação dos fonemas.

De modo geral, a palavra do dislálico é fluida, embora possa ser até ininteligível, podendo o desenvolvimento da linguagem ser normal ou levemente retardado.

Não se observam transtornos no movimento dos músculos que intervêm na articulação e emissão da palavra.

Em muitos casos, a pronúncia das vogais e dos ditongos costuma ser correta, bem como a habilidade para imitar sons. Diante do paciente dislálico costuma-se fazer uma pesquisa das condições físicas dos órgãos necessários à emissão das palavras, verifica-se a mobilidade destes órgãos, ou seja, do palato, lábios e língua, assim como a audição, tanto sua quantidade como sua qualidade auditiva.

As Dislalias constituem um grupo numeroso de perturbações orgânicas ou funcionais da palavra. No primeiro caso, resultam de malformações ou de alterações de inervação da língua, da abóbada palatina e de qualquer outro órgão da fonação. Encontram-se em casos de malformações congênitas, tais como o lábio leporino ou como conseqüência de traumatismos dos órgãos fonadores.

Por outro lado, certas Dislalias são devidas a enfermidades do sistema nervoso central.

Quando não se encontra nenhuma alteração fisica a que possa ser atribuído a Dislalia, esta é chamada de Dislalia Funcional. Nesses casos, pensa-se em hereditariedade, imitação ou alterações emocionais e, entre essas, nas crianças é comum a Dislalia típica dos hipercinéticos ou hiperativos. Também nos deficientes mentais se observa uma Dislalia, às vezes grave ao ponto da linguagem ser acessível apenas ao grupo familiar. Até os quatro anos, os erros na linguagem são normais, mas depois dessa fase a criança pode ter problemas se continuar falando errado.

A Dislalia, troca de fonemas (sons das letras), pode afetar também a escrita.

Um caso clássico característico portador de dislalia são os personagens Cebolinha da Turma da Mônica o Hortelino Troca-Letras (Elmer Fudd) do Looney Tunes, que sempre trocam o "R" (inicial e intervocálico) por "L", no caso de Hortelino, o "R" final também é afetado.

A Dislalia pode não ser um problema de ordem neurológica, mas de ordem funcional.

O som alterado pode se manifestar de diversas formas, havendo distorções, sons muito próximos mas diferentes do real, omissão, ato em que se deixa de pronunciar algum fonema da palavra, transposições na ordem de apresentação dos fonemas (trocar máquina por mánica) e, por fim, acréscimos de sons.

A dislalia pode interferir no aprendizado da escrita.

A criança omite, faz substituições, distorções ou acréscimos de sons. Eis alguns exemplos: omissão: não pronuncia sons "omei"="tomei";* Substituição: troca alguns sons por outros "balata"="barata".

Acréscimo: introduz mais um som "Atelântico”="Atlântico".

"O RESPIRADOR ORAL”
A respiração habitual deve ser pelo nariz. Caso mesma ocorra de forma diferente, ou seja, bucal (boca) ou buconasal certamente poderá trazer sérias alterações. A alteração respiratória pode ser decorrente de alguns fatores como: * aumento de amígdalas e/ou adenóides,* flacidez da musculatura facial, * alergias respiratórias, * desvio de septo, entre outros.

O rosto de uma criança respiradora bucal é muito característica: boca aberta,* língua na arcada inferior (como se repousasse no “chão da boca”) ou entre os dentes,* bochechas com aspecto de caídas, * olheiras, * flacidez em toda musculatura da face, * lábios ressecados, * má oclusão dentária (encaixe inadequado das duas arcadas dentárias), * palato (“céu da boca”) estreito ou profundo, entre outros.

O respirador bucal apresenta uma tendência a preferir alimentos mais macios e moles, utiliza o líquido junto com os alimentos para amaciá-los engolir. Isso exige menos força para mastigar e engolir. Assim é mais rápido e menos cansativo comer.

A mastigação pode estar alterada sendo executada com lábios abertos, rápida, ruidosa e desordenada. É difícil respirar pela boca quando ela está cheia. Ou mastiga ou respira.

Outras conseqüências da respiração bucal podem ser: * rendimento físico escolar diminuídos pela dificuldade em dormir bem,* crescimento físico diminuído,* alterações na postura corpórea, * alterações de fala, * otites de repetição (infecção de ouvido),* ronco noturno e excesso de baba no travesseiro.

Se você acha que seu filho ou conhecido pode apresentar um desses sintomas procure um fonoaudiólogo para uma avaliação e receber orientações que poderão esclarecer suas dúvidas. O trabalho muscular específico se dará através de exercícios que adequarão a tonicidade e postura dos órgãos fonoarticulatórios e as funções de mastigação, deglutição e fala.

Ana Lúcia Erthal, Fonoaudióloga Clínica
Tel: 9998-4776
analuciaerthal@yahoo.com.br


 
 
 
 
A estreita ligação entre mandíbula e coluna

Problemas na articulação da mastigação podem causar dores na lombar e na cervical e o tratamento é do corpo todo.

O que a mandíbula tem a ver com as dores de coluna? Muita coisa. Disfunções na articulação têmporo-mandibular (ATM)(1), aquela responsável pela mastigação, pelo abrir e fechar da boca, pelo bocejar e o beijar, podem provocar problemas na lombar, na cervical, no pescoço. E vice-versa. A razão da ligação tão íntima entre as duas partes do corpo são as fáscias, uma película que envolve todos os músculos do corpo. Elas podem ser o caminho para se descobrir a causa de dores que atrapalham o dia-a-dia.

As tensões se transmitem passando de uma estrutura próxima (proximal) para a mais distante (distal) ao longo de uma cadeia miofascial(2).

É muito freqüente que as mulheres tenham problemas na ATM
, devido ao estresse, à flexibilidade natural e a fatores hormonais. O tratamento deve ser integrado a todo corpo e não isolado. A dor é como se fosse um trilho que percorre o corpo todo e é por isso que o corpo precisa ser trabalhado de forma holística, buscando o reequilíbrio de ossos, músculos de sustentação e ligamentos.

É importante também haver um equilíbrio entre dentes e músculos da mastigação, que formam a ATM. Os músculos devem trabalhar de forma coordenada e para isso a oclusão deve estar equilibrada. A má oclusão pode levar ao espasmo muscular e a uma disfunção têmporo-mandibular, comprometendo a articulação. Os músculos passam a trabalhar de forma desarmônica, desequilibrando todo o sistema, inclusive o corporal.

A boca não pode ser mais vista exclusivamente como um aparelho mastigatório, mas como uma estrutura que participa dos processos respiratório, bioquímico e emocional.

O sintomas da disfunção de ATM são: dificuldades de mastigar, estalos ao abrir e fechar a boca, dor de cabeça, dor de ouvido, dor no ombro e dor de coluna, diminuição dos movimentos do pescoço. É preciso fazer o diagnóstico corretamente para então liberar as articulações, fortalecer a musculatura e corrigir a oclusão, se necessário.

Para saber se há problemas na mandíbula, pode-se fazer testes como abrir a boca e introduzir três dedos da mão (o normal é que eles caibam); se não houver abertura suficiente, a pessoa pode apresentar o problema.; ver se são feitos movimentos em S quando se abre a boca, o que não é bom, pois é preciso haver simetria da boca; verificar se o queixo cai ao bocejar e se a mastigação é feita de um lado só.

Outras causas:
Anatomia da articulação, artrose, traumas (bater com a cabeça ou rosto), ficar muito tempo de boca aberta (por tratamento dentário ou cirurgia), roer unha, bruxismo (ranger os dentes à noite).

Vícios de mastigação: mastigar de um lado só, vícios de mastigar lápis, canetas, etc., mau hábito de sustentar o telefone entre o ombro e a orelha, problemas emocionais e estresse.
Má postura, dormir de bruços, com o rosto virado.

(1) Articulação entre o maxilar inferior e os ossos temporais.
(2) envolvendo os músculos e nervos da face.

Ana Lúcia P.Erthal –
Fonoaudióloga clínica. Tel. (21) 9998-4776 analuciaerthal@yahoo.com.br


 
 
Atraso de linguagem
"Causas e correções"

A pronúncia da primeira palavra pela criança é um acontecimento muito esperado pelos pais. Qualquer balbucio parecido com um "Papai" ou "Mamãe" já vira motivo de festa na família, que às vezes nem entende o porquê de tanta alegria dos adultos. Mas o que fazer quando a primeira frase ou a fala de uma só palavrinha demoram a acontecer?

Uma criança começa a falar palavras soltas entre 1 ano e 1 ano e meio de vida, mas isso depende da estimulação oferecida pelo universo em que ela vive. "Crianças superprotegidas não sentem necessidade de falar, porque todos fazem tudo para elas antes mesmo de pedirem" Os pequenos começam pronunciando os fonemas bilabiais - p, b e m - pois estes são mais visuais e fáceis de reproduzir, por meio da união dos lábios.

A partir de 1 ano e meio, as crianças contam com um vocabulário de mais ou menos 50 palavras, conseguindo produzir frases curtas. Construções mais longas e elaboradas costumam surgir por volta dos 2 anos. Porém, a normalidade de cada um desses estágios só se mantém se os pequenos forem orientados e tratados da forma correta em todos os aspectos de seu desenvolvimento. "A criança só começa a produzir alguma fala quando ela está feliz, limpa, sem fome e confortável."

Caso os pais percebam que o filho está com dificuldades para falar ou que já tem mais de 2 anos e ainda não se interessa pela fala, estes devem levá-lo a um especialista para que sejam feitos os testes devidos e possíveis problemas sejam detectados.

É importante ressaltar que, por trás de um atraso de linguagem, podem estar problemas psicológicos: falta de convívio familiar, deficiências auditivas, distúrbios neurológicos, ausência de estímulo, respiração bucal, alimentação pastosa (sem pedaços de alimentos para exercitar os músculos do rosto), uso de mamadeira, chupeta ou sucção de dedo por longo período, má formação da face (mandíbula), freio da língua curto e até mesmo otites, que são freqüentes na infância.

Problemas mais comuns:
Um dos problemas que mais preocupa pai e mãe no estágio de desenvolvimento da capacidade de comunicação oral pelos filhos é a manifestação da gagueira.

Em crianças, a gagueira é normal até que estas tenham segurança para falar.

Chamada de disfluência fisiológica, ela se manifesta entre os 2 anos e meio e os 4 anos e é considerada aceitável, desde que não esteja aliada a um bloqueio respiratório ou à repetição de gestos. As crianças fazem repetições, pois ainda estão testando a comunicação e têm dúvidas sobre a fala, "As famílias que não aceitam essas repetições acabam criando um filho gago", por isso, é importante que os pais tenham paciência e tranqüilidade ao ouvirem os pequenos gaguejarem. Mas, se a gagueira fisiológica demora mais de seis meses para passar, é bom que a criança passe por uma avaliação.

Outro problema que pode surgir por conta da má formação ou da falta de harmonia entre as estruturas da face é o sigmatismo, também conhecido como ceceio.

Tal distúrbio é caracterizado pela pronúncia incorreta de alguns fonemas s e g, x e j - devido à acomodação da língua em diferentes posições, causando distorções variadas. "A ponta da língua pode se projetar anteriormente, entre os dentes, ou lateralmente, onde as bordas da língua se interpõem, nos dentes de trás”.

O encurtamento da língua, o que se caracteriza como língua presa, também pode levar a alterações na fala.

O freio lingual curto prejudica a fala, a mastigação e a higiene bucal; por isso, muitas vezes as crianças portadores desse distúrbio têm que passar pela frenectomia - cirurgia de retirada do freio - e depois por uma seqüência de exercícios miofuncionais, periodicamente, para devolver a mobilidade da língua.

Há crianças com insuficiência do véu palatino, que têm dificuldades para aproximar a língua do céu da boca na pronúncia de certos sons, falando incorretamente, o que as classifica como fanhas. E ainda aquelas com adenóides hipertróficas, que se caracterizam pela fala nasal, dando sempre a impressão de que estão gripadas. Crianças com problemas de adenóide costumam respirar de boca aberta, babar muito a noite, ter a boca ressecada, apresentar amidalite constantemente e ter rendimento físico diminuído.

O ideal para detectar e tratar qualquer um desses problemas é procurar o acompanhamento de um profissional qualificado e estar sempre alerta para os sinais de dificuldade que os filhos podem apresentar.

Orientações:

Não deixar a criança perceber por palavras, gestos ou ações que os pais estão preocupados com sua maneira de falar.

Exercitar a coordenação motora da criança em todos os aspectos: alimentação, brincadeiras, formas de se vestir, entre outras.
Nunca rotular a criança com características negativas.
Evitar interromper as frases da criança na metade.
Dar um bom modelo de linguagem.
Não forçar os pequenos a falarem na frente dos outros ou a usarem palavras que ainda não fazem parte do vocabulário destes.
Elogiar os filhos e dizer que aprecia suas qualidades.
Não demonstrar pânico ou pressa no momento em que a criança tem dificuldade para completar uma frase ou palavra.
Evitar fazer perguntas que exijam respostas longas.
Promover brincadeiras de canto em coro ou de imitar aquilo que o pai diz.
Mostrar interesse no que a criança diz e não na forma como ela fala.
Não repetir aquilo que a criança falou errado, apenas pronunciar a palavra em sua forma correta.
Deixar pequenos pedaços inteiros na comida do bebê, para que ele crie novos reflexos e movimentos, que favorecem a mastigação no futuro.
Por volta dos 2 anos da criança, os pais devem adotar alimentos sólidos como base nas refeições desta.
Contar histórias e estimular a conversa, pois os filhos só aprendem a falar ouvindo.

Ana Lúcia Erthal
Fonoaudióloga clínica
Tel. 21 9998-4776

 
     
 
Intervenção fonoaudiológica em UTI neonatal

Nas últimas décadas, os casos de crianças nascidas prematuramente e que tiveram muitas intercorrências no período neonatal têm sido constantes nos consultórios fonoaudiológicos. Além disso, constituem queixas freqüentes de pediatras que acompanham estas crianças nos ambulatórios de *follow up, apresentando dificuldades de linguagem e aprendizagem.

Apesar deste quadro, a situação da Fonoaudiologia em clínicas e hospitais ainda deixa muito a desejar. Em algumas unidades, o trabalho é realizado em bases de voluntariado, em outras ele sequer existe.

A alta tecnologia e o grau de conhecimento das equipes de UTI neonatal garantem a sobrevivência de recém-nascidos prematuros extremos e com patologias graves. Neste caso, é possível observar ainda uma diminuição de qualidade de vida desses bebês frente aos longos períodos de internação quando submetidos a estímulos dolorosos, luminosos e sonoros inadequados. Para eles, raros são os momentos de prazer, dentre os quais pode-se incluir o aleitamento materno.

Aleitamento materno.
As mães precisam ser preparadas já no período pré-natal, no sentido de receberem orientação com relação a estimular a amamentação.

Em se tratando de bebês prematuros, o recém-nascido pode apresentar dificuldades nas funções alimentares.

Dificuldades e procedimentos adequados:
Para estes bebês pode também ser difícil a realização de vedamento labial e pressões intraorais adequadas para obter uma sucção eficaz. O ideal é que seja feita uma avaliação global para melhor organização do bebê, facilitando o vínculo afetivo com a mãe, respostas aos estímulos orais e melhor desempenho na alimentação por sucção. Os bebês provenientes de UTI´s neonatais devem obrigatoriamente ser incluídos em programas de *follow-up, a fim de que possa ser dada continuidade ao trabalho iniciado, bem como acompanhar as possíveis alterações no desenvolvimento durante os primeiros anos de vida. A atuação fonoaudiológica é muito importante nesse momento para a elaboração de um programa individualizado de estimulação sensório-motora-oral, através do manuseio (1)peri e intra-orais, utilizando o dedo mínimo e/ou chupeta ortodôntica como elementos facilitadores da sucção não-nutritiva e até mesmo durante o recebimento do alimento por (2)gavagem.

Pesquisas já comprovaram que os recém-nascidos de risco se beneficiam dessa estimulação para restabelecimento do padrão normal de alimentação. Todo o procedimento fonoaudiológico se realiza na dependência do estado de consciência em que o recém-nascido se encontra no momento da estimulação, assim como a estabilidade clínica, avaliada junto à equipe médica.

É importante a atuação em equipe interdisciplinar visando à sucção plena e segura, ao ganho de peso e à conseqüente antecipação da alta hospitalar.

Ana Lúcia Erthal Fonoaudióloga clínica.
Tel 21 9998-4776
analuciaherthal@yahoo.com.br
mensageirojornal@uol.com.br.


N.R.
Vedamento labial - ou perfeita oclusão dos lábios pode ocorrer também em casos de acidente vásculo-cerebral (derrame ou isquemia) causado pela oxigenação deficiente da região do cérebro, correspondente.

* follow up - acompanhamento clinico.

(1) peri e intra-orais - que ocorrem fora e dentro da boca.

(2) Gavagem
Método de introdução de alimentos líquidos no estômago através de um tubo de polivinil colocado pelo nariz ou boca. Usado para alimentação de recém-nascidos ou animais de experimentação.
Sonda alimentar nasogástrica, ou bucogástrica

Nota do editor: A movimentada agenda da Fonoaudióloga Clínica Ana Lucia Herthal, colaboradora voluntária deste Portal, a manteve afastada pro- tempore da Coluna de Fonoaudiologia.

Para conciliar a agenda de viagens com conferências, palestras técnicas para profissionais de saúde, empresas, entrevistas em emissoras de televisão, colégios e universidades devem ser agendadas pelo telefone ( 21) 9998-4776.

Dúvidas de leitores devem ser enviadas à redação do Portal www.mensageiro.com.br - Caixa postal 7055 CEP 20.230-972 - Rio de Janeiro – RJ ou por E-mail para mensageirojornal@uol.com.br ou pelo acesso do Portal www.mensageiro@mensageiro.com.br


 
 

MASCAR CHICLETES PROVOCA DANOS À MANDÍBULA

Hábito de mastigar errado causa dores e diminuição da audição.

Mascar chicletes danifica a articulação da mandíbula e causa um distúrbio chamado síndrome da articulação têmporo-mandibular(ATM) ou doença de Costen. Essa alteração atinge grande parte da população adulta no Brasil e causa dor, tonteira, zumbido no ouvido e diminuição da audição. Além do hábito de mascar chiclete, outros fatores de risco para a síndrome são próteses dentárias mal adaptadas, perda de dentes posteriores, extração do dente siso e trauma da articulação têmporo-mandibular.

A mastigação errada é uma das principais causas da ATM e isso começa na infância, principalmente em crianças que mascam muito chiclete.

DISTÚRBIO PREJUDICA RESPIRAÇÃO
Alguns produtos como os chicletes de bola, são piores porque além da ATM, causam a mordida aberta. Esta anomalia provoca distúrbios na voz, na fala e deficiência respiratória, que se agrava porque as crianças respiram pela boca.

A ATM começa com sintoma de estalos ao abrir e fechar a boca. O paciente também se queixa de zumbidos, diminuição da audição, dores de cabeça e tonteiras, que muitas vezes se confundem com labirintite. Muitos pacientes com ATM terminam passando por vários especialistas sem obter bons resultados. E ainda correm risco de tratamentos inadequados, como sonoterapia, uso de medicamentos para enxaqueca e aparelhos para diminuir o zumbido. Outra opção que não faz efeito são as placas de acrílico, chamadas miorrelaxantes. Elas só pioram o problema. O tratamento deve ser realizado com aparelhos móveis que produzem aumento da altura da articulação. Os aparelhos de ortopedia maxilar podem ser retirados durante as refeições e corrigem as funções da cavidade oral. Eles evitam a respiração pela boca e o ronco.

Ana Lúcia Erthal é Fonoaudióloga clínica.

Tel: 21 9754 2992
analuciaerthal@yahoo.com.br


 
     
 

GAGUEIRA - DICAS DE PREVENÇÃO

*Ana Lucia Erthal

O fenômeno da gagueira inicia-se a partir da disfluência normal que ocorre em todas as crianças por volta dos três anos de idade. A grande maioria das crianças passa tranqüilamente por esta fase. Mas em alguns a disfluência normal pode se transformar em gagueira. Não há uma causa etiológica específica e nenhuma gagueira é absolutamente igual à outra. Muitos dos sintomas se manifestam em função do esforço excessivo do gago em EVITAR a gagueira, levando a uma fala repleta de falhas de ritmo, pausas silenciosas, frases incompletas com esforço físico, alteração na sincronização entre a respiração e a produção da fala.

Orientação para a família e a escola: Não rotule seu filho como gago;

Aceite as falhas ou quebras de ritmo - elas fazem parte do processo de aquisição da linguagem;

Não peça para a criança não ter medo de falar ou ficar calma e respirar antes de falar;

Quando a criança falar, olhe diretamente para seu rosto. Toda a sua atenção deve estar voltada para ela;

Observe rotinas com a criança - horários para comer, dormir, escola;

Evite discussões na frente da criança, porém não esconda fatos importantes que possam mudar sua rotina;

Ouça com atenção e paciência o que seu filho tem a dizer;

Não termine as frases nem o assunto para a criança.

Se a gagueira persistir após os 3anos e meio/4 anos, é importante consultar um Fonoaudiólogo para detectar precocemente o problema e evitar o agravamento deste, seja com atuação direta com a criança ou indireta, acontecendo nesses casos, a orientação a pais e responsáveis por ela.

Não há nenhuma graça em ser gago e as caricaturas feitas levianamente sobre esse problema é um desrespeito para com quem sofre desse distúrbio, que carrega em si um forte conteúdo emocional.

*Ana Lúcia Erthal é Fonoaudióloga clínica.
Tel 21 9754 2992
analuciaerthal@yahoo.com.br


 
     
 
A GAGUEIRA E SEUS SINTOMAS

*Ana Lúcia Erthal

Muitas teorias tentaram definir o fenômeno da gagueira e suas causas. A maioria delas a descreve “um distúrbio de fluência que geralmente se inicia na infância, na fase pré-escolar e predomina no sexo masculino”. Quando ocorre na fase adulta, está relacionada a alterações psíquicas ou do Sistema Nervoso Central. Apresenta aspectos motores, psicolingüísticos, neurológicos e psicossociais importantes. Não tem uma causa específica e nenhuma gagueira é absolutamente igual à outra. Seus sintomas mais comuns são: pausas silenciosas antes do início da fala, severas repetições de sons, palavras ou frases, substituição de palavras, desvio dos olhos (geralmente para o chão). Há também muita dificuldade para falar em público, em grupos e ao telefone.

A gagueira tende a piorar na presença de estranhos e com pessoas de uma hierarquia mais alta. Por isso, o gago procura falar o estritamente necessário fora de seu círculo familiar e de amigos. Muitas vezes, ele canta bem, pois na música a mensagem e o ritmo já estão prontos, ele sabe o quê e como vai falar. Nelson Gonçalves era gago e foi um dos maiores intérpretes da música brasileira.

As alterações emocionais caracterizam-se por conflito entre falar e não falar, medo das palavras, sentimentos conflitantes, ansiedade, tensão, irritação, auto-defesa. Manifestam-se em função do esforço excessivo do gago em EVITAR a gagueira, levando a uma fala repleta de falhas de ritmo, pausas silenciosas, frases incompletas com esforço físico, alteração na sincronização entre a respiração e a produção da fala.

A partir da conscientização e do entendimento sobre o processo da gagueira, o gago pode conhecer-se e melhorar sua auto-estima. É importante lembrar que quanto mais precoce for o diagnóstico da gagueira melhor seu prognóstico. Quando houver dúvidas, procure sempre o Fonoaudiólogo. A prevenção sempre é o melhor remédio. E custa menos.

*Ana Lúcia Erthal é Fonoaudióloga clínica.
Tel: 21 9754-2992.
analuciaerthal@yahoo.com.br


 
 
 
     
 

Amamentação reduz risco de infecção do ouvido

 

De acordo com recente estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, a amamentação protege crianças que, por pré-disposição genética, são mais vulneráveis a infecções crônicas de ouvido.

A pesquisa, publicada no periódico americano Pediatrics e divulgada em matéria do site Terra, examinou amostras genéticas de 505 crianças, 60% das quais consideradas suscetíveis à infecção, seja porque haviam sofrido do problema antes dos seis meses de vida ou porque haviam passado por três ou mais episódios da doença num período de seis meses.

Duas variações genéticas foram identificadas como indicadoras de risco elevado para a infecção de ouvido. Em seguida, os cientistas comprovaram que os efeitos dessas variações, que levam à produção excessiva de moléculas envolvidas no processo de inflamação, podem ser contrabalançados pela amamentação, que aumenta a resistência do sistema imunológico.


Uma banda especial

O site do Instituto de Fluência (www.gagueira.org.br) disponibiliza a tradução da reportagem sobre a banda de música americana Easy Onset, que adota o slogan "Legalize a Gagueira". A banda é formada por quatro integrantes apaixonados pela Música e com características bem especiais: todos estudam Fonoaudiologia em universidade e dois deles gaguejam.

Cantar não é apenas uma ferramenta para a comunicação dos integrantes da banda: também representa um meio de conseguir atenção para um distúrbio geralmente negligenciado.

A expressão "easy onset" pode ser traduzida como "início fácil" ou "início suave" e faz alusão a uma estratégia empregada no tratamento fonoaudiológico que consiste em, voluntariamente, empregar um grau menor de força muscular ao iniciar a articulação de palavras em que a gagueira foi previamente detectada.

Ana Lúcia Erthal é Fonoaudióloga clínica
analuciaerthal@yahoo.com.br

 
     
 

A IMPORTÂNCIA DA DETECÇÃO PRECOCE DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA

A audição é um dos sentidos mais importantes para a vida humana. É a chave para a linguagem oral e uma forma de sentir o mundo. Podemos perceber que sem ela,
o indivíduo perde parte do mundo real, passando a ter problemas emocionais e sociais.

Qualquer sujeito que não é exposto à estimulação de linguagem nos primeiros anos de vida apresentará uma defasagem em seu desenvolvimento lingüístico . A prevenção da perda auditiva é uma forma de proteger e impedir que ela sofra as conseqüências da falta de estimulação auditiva sobre a função da linguagem.

Os primeiros anos de vida têm sido considerados como o período crítico para o desenvolvimento das habilidades auditivas e de linguagem. Esse é o período de maior
plasticidade neuronal da via auditiva. Nesse período, o sistema nervoso auditivo central pode ser modificado de maneira positiva ou negativa, dependendo da quantidade e qualidade dos estímulos externos captados. Além disso, o período de recepção dos
símbolos lingüísticos auditivos é um pré-requisito para a formulação da expressão verbal.

O diagnóstico audiológico realizado durante o primeiro ano de vida possibilita a intervenção médica e/ou fonoaudiológica, ainda nesse período crítico, permitindo um prognóstico mais favorável em relação ao desenvolvimento global da criança.

Segundo RUSSO e SANTOS (1994), a deficiência auditiva pode ser causada por fatores que ocorrem antes, durante ou após o nascimento, isto é, há três períodosdurante os quais a deficiência auditiva pode ocorrer, pré-natal, perinatal, pós-natal. Há, também, a
classificação das causas da deficiência auditiva neurossensorial nas crianças em genéticas e não genéticas, e, por sua vez, se dividem em congênitas e pós-natais.

Em 1994 o Comitê Americano sobre Perdas Auditivas (Joint Committe on Infant Hearing), elaborou uma lista de fatores de risco para a deficiência auditiva periférica e central para bebês neonatos. Essa lista consta dos seguintes itens:

Antecedentes familiares de perda auditiva
neurossensorial hereditária. Consangüinidade materna.

Infecções congênitas (rubéoloa, sífilis
citomegalovírus, herpes e toxoplasmose).

Malformações craniofacias incluindo as do pavilhão auricular e do meato acústico externo.

Peso de nascimento inferior a 1.500 gr.

Hiperbilirrubinemia - ex:sanguineotransfusão.

Medicação ototóxica ( aminoglicosídos, associação com
diuréticos, agentes quimioterápicos).

Meningite bacteriana.

Apgar de 0 a 4 / 1º minuto ou 0 a 6/ 5º minuto.

Ventilação mecânica.

Síndromes.

Alcoolismo materno ou uso de drogas pscicotrópicas na
gestação.

Hemorragia ventricular.

Permanência na incubadora por mais de 7 dias.

Convulsões neonatais.

Otite média recorrente ou persistente por mais de 3
meses.

Suspeita dos familiares de atraso de desenvolvimento
de fala, linguagem e audição.

Traumatismo craniano com perda de consciência ou
fratura craniana.

As crianças consideradas de risco para a deficiência
auditiva devem ser submetidas a uma avaliação auditiva
no início da vida, como também a um acompanhamento
audiológico Segundo LICHTIG (1997), perdas auditivas
neurossensoriais de grau moderado a severo podem ser
confirmadas em 2,5% a 5% dos recém-nascidos de alto
risco. As perdas auditivas adquiridas pré e pós- natal
são responsáveis por 65% dos casos de surdez.

Além disso, sabemos que, as alterações decorrentes de
perda auditiva neurossensorial na infância restringem
a experienciação auditiva, causando alterações no
desenvolvimento auditivo e lingüístico, já as
alterações com componentes condutivos de caráter
flutuante, comprometem a habilidade de processar os
estímulos sonoros e as alterações decorrentes do
comprometimento anatomofuncional do Sistema Nervoso
Central interfere na habilidade de processar os
estímulos acústicos e conseqüentemente no
desenvolvimento da linguagem.

No Brasil, a deficiência auditiva tem sido detectada
muito tardiamente, impedindo uma melhor qualidade de
vida para a criança surda. É necessário uma maior
conscientização por parte dos profissionais, que
entram em contato primeiramente com o recém-nascido,
para que eles possam auxiliar na detecção precoce da
deficiência auditiva, fazendo a identificação dos
bebês de alto risco. Além disso, o fonoaudiológo é o
profissional capacitado e habilitado dentro dessa
área. Cabe a nós, também, lutarmos por mais esse
espaço.

Ana Lúcia P. Erthal é Fonoaudióloga clínica
Tel 21 9754-2992
analuciaerthal@yahoo.com.br

 
     
 


COM O INVERNO, AUMENTA INCIDÊNCIA
DE DOENÇAS RESPIRATÓRIAS

As doenças de inverno são aquelas que atacam principalmente o sistema respiratório, como asma, gripe e pneumonia.

A estação mais fria do ano começou oficialmente na última quinta-feira e, com isso, o setor da saúde espera o aumento da incidência das chamadas doenças de inverno. O número de casos de doenças respiratórias chega a triplicar nessa época do ano.

Entre os fatores que estimulam a manifestação das doenças, estão a queda da temperatura, a baixa umidade, o resfriamento do ar, e o contato com ácaros de roupas guardadas.

É recomendado que as pessoas evitem o acúmulo de poeira em casa, durmam em local arejado e umedecido (o uso de recipientes com água no quarto é uma alternativa), usem agasalhos ao sair ao ar livre.

Pessoas com alergias devem evitar o uso de cobertores que soltam pêlos e a exposição por muito tempo em ambientes com ar condicionado. É também recomendado a lavagem e secagem ao sol de mantas, cobertores e blusas de lã guardadas por muito tempo.

O uso de soro fisiológico nos olhos e narinas pode ajudar a diminuir a irritação. Todo ano é a mesma coisa; tosse, nariz escorrendo, febre alta, dores no corpo. Esses são os sintomas mais freqüentes das gripes, resfriados e de outras doenças de inverno, ou seja, males que aparecem com maior agressividade nos meses mais frios do ano.

As doenças de inverno são aquelas que atacam principalmente o sistema respiratório, como a asma, gripe, pneumonia, bronquite asmática, rinite e sinusite. Outra doença bastante comum nessa época do ano é a conjuntivite.

Essas doenças têm uma incidência maior durante o inverno devido às mudanças muito bruscas do clima. Outros fatores que contribuem para o aparecimento desses problemas são o ar mais úmido e o aumento da poluição, o que torna o ambiente mais propício para a proliferação de vírus e bactérias. Mas, como nem só os vírus e as bactérias são os causadores de tais incômodos, vale lembrar que, durante essa época do ano, as crises de alergia são bastante comuns, pois o clima úmido do inverno também ajuda a multiplicação dos agentes desencadeadores das alergias, como o mofo.

Apesar de as crianças e os idosos serem as vítimas mais fáceis de contrair qualquer uma dessas enfermidades, por terem um sistema de defesa mais fraco que os jovens e adultos, ninguém está livre de pegar uma doença de inverno. Isso porque, durante os dias mais frios, as defesas imunológicas do organismo ficam mais fracas, pois ele gasta mais energia para manter o corpo aquecido, deixando-o mais vulnerável às contaminações virais ou bacterianas.

Ana Lúcia P. Erthal é Fonoaudióloga clínica
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PREVENÇÃO NO PEITO MATERNO


A esmagadora maioria das crianças que respiram mal (80%), não foram amamentadas no peito materno ou foram por menos de 6 meses. As alterações da boca são provocadas ou agravadas pela falta de aleitamento. O mamilo da mãe é o primeiro aparelho para corrigir a síndrome do respirador bucal. A criança tem um impulso neurológico de sucção, que precisa ser satisfeito. Em cada 20/30 minutos que mama em cada peito, o bebê exercita cadeias de músculos decisivas para o desenvolvimento da estrutura da boca, da face e da mastigação. Além disso, ele recebe sua primeira lição de respiração correta. É obrigado a respirar pelo nariz porque há um verdadeiro vedamento natural da boca e um posicionamento correto da língua. Com a mamadeira, a criança suga o leite em 3 minutos, não fortalece as estruturas e não aprende a mastigar. Nos dois casos ela está com o estômago satisfeito, mas em um, a sucção neurológica não foi completada e essa criança vai sugar o que vier pela frente; chupeta, dedo, ponta de lápis e muito provavelmente roer unhas e outros objetos. Além do que, amamentar é uma verdadeira troca de amor, afeto, carinho e a primeira declaração de amor que a mãe proporciona a seu filho, que marcará definitivamente as vidas de ambos.

Ana Lúcia P. Erthal é Fonoaudióloga clínica.
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QUEM RESPIRA MAL, VIVE MAL

O respirador bucal tem muitas razões para sofrer e algumas para temer. Os casos mais graves são sistêmicos, os que repercutem em todo o organismo, geralmente durante o sono. Quase sempre ele dorme mal, ronca, se agita e tem paradas respiratórias.

Durante o dia uma criança pode até respirar pelo nariz, mas quando deita, o peso da língua obstrui a passagem do ar e ela se torna uma respiradora bucal. Com as paradas respiratórias, o sangue fica sem oxigenação suficiente e tem que circular mais rápido. Isso pressiona o coração e o pulmão de tal forma que pode levar à morte noturna. Em caso de dúvida, faça um teste para avaliar a gravidade do sono agitado de seu filho; observe se a criança tem paradas respiratórias durante o sono e, em caso positivo, cronometrar o tempo dessa parada. Até 10 segundos não há razão para alarme. Acima disso é preciso tomar um providência imediata porque a criança corre risco de vida.

REFLEXOS NA ESCOLA
Problemas com o descanso noturno, complicações na vida diurna. Os respiradores bucais são pessoas difíceis. É o adolescente que vai mal na escola, complicado, rebelde, vê TV e dorme sentado, na cama dorme mal e no dia seguinte tem de levantar cedo e prestar atenção nas aulas. Ele não consegue. Se prestar atenção, dorme, está sempre exausto. Tudo isso culmina num aproveitamento escolar geralmente medíocre. São crianças que não aprofundam o sono a ponto de permitir o sonho. Não sonhando, não processam as informações que receberam na escola. Não processando esses dados, não conseguem aprender e passam a ter uma deficiência para o resto da vida. Um erro comum é tentar solucionar o problema pelo efeito. Não adianta corrigir o dente, tratar a sinusite, medicar a amígdala durante a crise e nunca mais pensar nisso. O primeiro passo é identificar a causa, saber se o que leva a criança a respirar mal é um problema alérgico, uma obstrução causada por adenóide ou amígdala ou uma língua flácida e mal-posicionada, entre outras causas.

PARA TIRAR O HÁBITO
E quanto antes se descobrir, melhor. Muitas vezes, um tratamento corretivo não reverte um padrão que se tornou habitual. Crianças que já estão com o palato ogivado, com a articulação comprometida pelo hábito de respirar pela boca, podem voltar a respirar pela boca mesmo que já não tenham obstáculos para respirar pelo nariz. Não existe cura se o respirador bucal não recuperar a respiração nasal. Operam a adenóide da criança e ela fica com a boca aberta. Corrigem seus dentes com aparelho, mas ela continua de boca aberta porque falta trabalhar a musculatura da boca, a posição da língua, aprender a engolir e a mastigar, retirando os hábitos nocivos a essas funções. Aí entra o trabalho do Fonoaudiólogo.

Nos casos mais graves, a saga do respirador bucal passa quase necessariamente por uma rede de profissionais até que ele possa recuperar o padrão correto da respiração. Por mais incômoda que seja a imagem de uma boca eternamente aberta, o que realmente importa é que quem respira mal, vive mal. Corrigido o problema respiratório, a criança vai ficar mais tranqüila, mais calma, aprender melhor, se alimentar bem e ser uma criança mais feliz.

ANA LÚCIA P.ERTHAL é Fonoaudióloga clínica.
Tel: 21 9754-2992.
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ATENÇÃO AOS SINTOMAS DO
RESPIRADOR BUCAL!

Um ser que vive sufocado, acuado e que nos casos mais graves precisa de tratamento interdisciplinar (otorrino, fonoaudiólogo e ortodontista).

Os respiradores bucais compartilham características semelhantes:
Impaciência, nervosismo, inquietação, hiperatividade.
Sono agitado, às vezes com paradas respiratórias e enurese noturna.
Língua flácida, maior que a cavidade bucal.
Dificuldade de concentração e aprendizado.
Podem ser magros, não comem direito, não mastigam corretamente.
Têm a boca permanentemente aberta, olhos ligeiramente inclinados para baixo, face alongada.
Rinites, otites, amigdalites constantes.
Alterações na fala.
Dificuldade para a prática de esportes. Mas a natação é o ideal para eles.
Queixo pequeno e curto.
Boca sempre ressecada, mau hálito.
Olheiras.
Alterações de postura.
A presença de todos ou alguns sintomas indica a necessidade de avaliação médica e/ou fonoaudiológica. É importante observar as crianças. Às vezes, elas passam a vida inteira de boca aberta, mas a mãe nem percebe, já que sempre foi assim e acaba achando que é natural.

Ana Lúcia P.Erthal - Fonoaudióloga clínica.
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RESPIRAÇÃO BUCAL
UM POUCO MAIS SOBRE ESSE PROBLEMA!

Sono agitado, dificuldade para comer, face estreita e boca sempre aberta; é o perfil de quem não consegue respirar pelo nariz.

Há pelo menos meia dúzia de razões que podem levar uma pessoa a respirar pela boca. Rinites infecciosas, alérgicas e gripais, deformações do nariz (como desvio de septo), crescimento exagerado das adenóides e amígdalas, malformações como queixo quase inexistente ou alterações provocadas pela síndrome de Down são alguns dos obstáculos à respiração nasal. Algumas crianças respiram pela boca por hipotonia dos músculos, que são flácidos, inclusive a língua e embora elas não tenham obstrução, algumas ficam com a boca aberta o tempo todo. Não adianta mandar o filho comer de boca fechada e não brincar com a comida no prato. É uma batalha inglória para a mãe e injusta para a criança.

A criança fecha a boca e percebe que não respira. Começa a associar mastigação com sufocação e, ao mesmo tempo se sente mal, sabendo que a mãe, a pessoa que mais ama, está pedindo algo impossível! E ela tem que achar um jeito de respirar, comer e agradar à mãe. Complicado, não?

Os problemas de arcada dentária também estão diretamente relacionados com o padrão errado de mastigação. Quando se fica o tempo todo de boca aberta, a língua, um músculo muito forte, sai do lugar e é capaz de empurrar os dentes para frente e para os lados. O céu da boca vai ficando fundo como uma ogiva e a cavidade bucal se estreita. Aí a pessoa não consegue mais fechar a boca porque a própria conformação bucal não permite.

A deformação do palato (céu da boca) acaba imprimindo uma marca registrada no respirador bucal; uma face estreita, com boca aberta e um ar meio abobalhado, com profundas olheiras. Quando a criança fecha a boca por pressão da família, tende a levantar a musculatura do lábio inferior e fazer um vedamento labial com uma curva para baixo, dando a impressão de que está zangada. O respirador bucal passa, então, uma mensagem de mau humor, mesmo que irreal.

Dos dentes para a garganta, para os ouvidos e para o nariz. Essa é a cadeia de dificuldades que podem se seguir. É comum crianças maiores terem problemas de gengivas, pois ao respirarem pela boca, as gengivas ficam ressecadas. Amigdalites e faringites são também freqüentes. Quando se respira pelo nariz, o ar é filtrado e aquecido. Pela boca entram todas as impurezas e bactérias que vão se instalar na garganta.

Existem também os problemas agravados pela bronquite alérgica. A criança corre respirando pela boca. Aspira um ar mais frio que desencadeia a crise de bronquite. Tudo isso sem contar que a má função do nariz vai provocar mais problemas, inclusive na fala. Se o nariz não funciona, as secreções se acumulam lá dentro, acabam infectando e produzem sinusites que, por sua vez, vão afetar os ouvidos, iniciando um ciclo de otites.

Na próxima matéria, ATENÇÃO AOS SINTOMAS do respirador bucal.

Ana Lúcia P. Erthal é Fonoaudióloga clínica.
Atende a crianças, adolescentes e adultos com distúrbios de voz, fala,
motricidade oral e linguagem.
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Este artigo da fonoaudióloga Ana Lúcia Pinto Erthal é apenas uma introdução sobre a audição na terceira idade.

Acompanhe a série.

A DEFICIÊNCIA AUDITIVA NO IDOSO - PRESBIACUSIA

Parte I

Comunicar é compartilhar um conteúdo de informações, pensamentos, idéias, desejos e aspirações com quem passamos a ter algo em comum. A comunicação responde à necessidade vital do ser humano na busca de novas experiências e conhecimentos, sendo um ato social fundamental em nossas vidas.

A comunicação faz-se por meio da linguagem, que por sua vez, compreende tanto formas de expressão não-verbal, como expressão facial e corporal, gestos, risos, choro, quanto verbal, manifestadas pela fala, que permite a exteriorização do pensamento e o uso sistemático de palavras. A linguagem falada é uma atividade complexa e sua aquisição requer, entre outras coisas, uma perfeita audição; ouvir a linguagem por determinado tempo é essencial para prolongar seu uso. Além disto, a audição é imprescindível como mecanismo de alerta e defesa contra o perigo, permitindo localizarmos fontes sonoras à distância. Portanto, a manutenção da comunicação verbal depende, dentre outros fatores, do bom funcionamento da audição e é imprescindível cuidar dos ouvidos para manter íntegro este sistema estruturado e único da espécie humana - a linguagem falada. "O que é envelhecer? Ninguém envelhece meramente porque viveu um certo número de anos. Pessoas envelhecem quando desistem de seus ideais. No fundo do coração há uma câmara de recordações e quanto mais mensagens de beleza, esperança, alegria e coragem nela existirem, tanto mais jovem você será. Quando as mensagens forem de tristeza e o coração estiver coberto pela neve do pessimismo e pelo gelo do cinismo, então, só então, você terá envelhecido." (fonte desconhecida).

A DEFICIÊNCIA AUDITIVA NO IDOSO – PRESBIACUSIA. O ouvido possui um isolamento acústico especial que atenua os sons provenientes do próprio corpo, inclusive o da voz do indivíduo. Nossas orelhas escondem estruturas muito delicadas e com perfeito funcionamento. Entre todos os órgãos do corpo, poucos fazem tanto em tão pouco espaço; ele adapta-se às fortes intensidades de motores e sirenes, distingue que instrumento musical está sendo tocado dentro de uma orquestra, isola o barulho da festa para escutar uma voz amiga e está em constante estado de vigília, sem contudo evitar que adormeçamos em meio a ambientes ruidosos, despertando-nos ao som do mais fraco alarme de um relógio despertador. Desde o batimento cardíaco de nossas mães quando em vida intra-uterina, o movimento das folhas das árvores com o vento até o decolar de um avião, nada passa despercebido por este órgão, tão fundamental e vigilante. Funcionando em conjunto, as estruturas do ouvido externo, médio e interno executam atos de espantoso alcance, discriminando cerca de 400.000 sons, desempenhando papéis vitais para o se humano, tanto relacionados à sua locomoção e manutenção do equilíbrio estático e dinâmico, quanto localizando a direção e a distância de fontes sonoras, funcionando como importante mecanismo de alerta e defesa. Porém, acima de tudo, possibilitam a aquisição e o desenvolvimento de um sistema simbólico estruturado, que nos diferencia de outras espécies animais; a LINGUAGEM VERBAL (Russo, 1993)."No momento em que a primeira palavra é pronunciada pela criança, são atingidos aproximadamente 60% dos valores de maturação do adulto; um mundo de experiências auditivas ocorreu e nada do que ela faça depois disto será tão importante e complexo como o que precedeu esta primeira emissão. "(LENNEBERG).

Ana Lúcia Pinto Erthal
Fonoaudilóloa
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A DEFICIÊNCIA AUDITIVA NO IDOSO - PRESBIACUSIA

Parte 2

Com o passar dos anos, nossos ouvidos sofrem os efeitos do envelhecimento, levando à presbiacusia - decréscimo fisiológico da audição com a idade, ocasionada, principalmente, pela interação dos seguintes fatores: ruído ambiental, alimentação, medicamentos, tensão diária e predisposição genética.

Na presbiacusia ocorrem alterações degenerativas no sistema auditivo como um todo. A perda auditiva é mais acentuada para as altas freqüências (agudos) o que afeta predominantemente a compreensão da fala. A deficiência auditiva é uma das condições mais incapacitantes, limitando ou impedindo o seu portador de desempenhar plenamente seu papel na sociedade. Ser portador de uma deficiência auditiva adquirida é algo que vai muito além do fato do indivíduo não ser capaz de ouvir bem.

Alterações de Orelha Externa no Idoso

Aumento do tamanho do meato acústico externo.

Diminuição da elasticidade da pele e tonicidade muscular.

Diminuição da sensibilidade tátil e dolorosa.

Aumento da produção de cerume.

Alterações de Orelha Interna no Idoso

Atrofia do órgão de Corti, perda de células ciliadas e de sustentação.

Perda de fibras nervosas do VIII par craniano.

Atrofia da estria vascular e desequilíbrio bioeletroquímico.

Alterações da membrana basilar e do movimento do ducto coclear.

A incapacidade auditiva refere-se a qualquer restrição ou falta de habilidade para desempenhar uma atividade dentro de uma faixa considerada normal para o ser humano, principalmente relacionada aos problemas auditivos experimentados pelo indivíduo com referência à percepção da fala em ambientes ruidosos: TV, rádio, cinema, teatro, igrejas, sinais sonoros de alerta, músicas e sons ambientais.

Já a desvantagem relacionada aos aspectos não-auditivos, resultantes da deficiência e da incapacidade auditivas, os quais limitam ou impedem o indivíduo de desempenhar adequadamente suas atividades de vida diária e comprometem suas relações na família, no trabalho e na sociedade. Esta desvantagem é grandemente influenciada por idade, sexo, e pelos fatores psicossociais, culturais e ambientais.

A fim de que possamos apreciar a maravilha do mundo sonoro que nos cerca e manter íntegro o sistema de comunicação por meio da linguagem falada, desenvolvido primordialmente pela audição, é essencial cuidarmos dos ouvidos.

Na próxima parte, trataremos sobre alguns cuidados especiais para protegê-los e evitar maiores prejuízos à audiç&atil