| |
| |
 |
Personalidade
Evaristo Dias da Silva
Poeta Escritor Advogado Artista Plástico
|
|
|
| |
As encostas do alto Douro produzem os melhores vinhos
do mundo. Quem já degustou um vinho do Porto
guardará o paladar e a fragrância daquele
néctar dos deuses para sempre.
As belas encostas de xisto acariciadas pelo sol a
abnegação dos agricultores são
os culpados desse pecado que tornou a região
famosa.
Dessa terra abençoada veio nosso colunista
Evaristo Dias da Silva.
Formado na fina arte da cinzelaria pela Escola
industrial Faria Guimarães na cidade do Porto,
Portugal, trabalhou nessa arte até
a época do serviço militar e logo depois
veio para o Brasil.
É correspondente do jornal português
“O Arrais” da Régua, cidade
onde nasceu, que dista do Porto 90 quilômetros.
No Brasil exerceu a sua arte de esculpir
e gravar em metais nobres por algum tempo. Foi comerciante
e dono de restaurante na Urca, onde recebeu a nata
da televisão brasileira.
Formou-se em Direito.
Brasileiro, como poucos, escritor e poeta
de mão-cheia, Evaristo Dias da Silva é
um estudioso erudito da língua portuguesa e
um perfeccionista.
Seu livro mais recente “A Invenção
da Mulata” é um primor, um acepipe agradável
de ser saboreado pelos que entendem e amam as belezas
do nosso idioma. É para ser degustado como
um “porto”.
Dono de um admirável senso de humor e perspicácia,
nosso satírico colunista, assim se auto qualifica:
cinco personagens num só cidadão:
Evaristo Dias Silva - brasileiro,
advogado, pequeno empresário. Como empresário
é razoável; mas falta-lhe a ambição
para ganhar dinheiro.
Iavetros Sadi Lavis – judeu-grego,
seu nome é um misto de Iavéh do hebraico
e trois do francês. É dedicado às
artes plásticas, conhece toda a teoria e quase
todas as obras dos grandes mestres da pintura.
Taveiros Said Vilas - português
de ascendência mourisca. É um gozador,
tem talento, mas tem receio de mostrar o que escreve.
Não faz questão de ser conhecido
Atorisev Siad Lasif – russo,
músico, toca violão, balalaica e harmônica.
Faltou-lhe tempo para levar a música a sério
e agora que tem tempo já não quer saber
prefere ouvir um CD.
Gosta de musica clássica e de todos os grandes
mestres, mas Mozart é o seu preferido.
Vitoresa Disa Sival – inglesa,
autoritária filha bastarda da rainha Vitória
com um aventureiro. Gosta das artes culinárias.
Reina com mão-de-ferro na cozinha. Sua culinária
é simples, caseira, gostosa, cheirosa e possui
alma, mais do que muito livro santo. Digna do paladar
de Platão. Há quem afirme que no mundo
não há nada mais saboroso.
Amigo leal e modesto e bom ouvinte, coisa
difícil hoje. Sua modéstia só
pode ser comparada ao seu imenso amor que sente pela
família e pelo Brasil, país de sua escolha.
Evaristo Dias da Silva estará em sua coluna
interativa respondendo ao questionamento dos leitores,
comentando lançamentos de livros e curiosidades
da Língua Portuguesa.Flavio P. Ramos
é Professor Universitário e Editor desse
jornal
|
|
| |
|
Os brasileiros que sustentam a gastança
vão acabar mandando
Lula para Tuvalu
Da Coluna de Augusto Nunes Direto ao Ponto de
17 07 2010
Se alguém
perguntar se sabe o que é Funafuti, Lula
vai imediatamente exigir, com uma expressão
maliciosa, um punhado de detalhes picantes. Se
alguém sugerir que vá para Tuvalu,
estará exposto a um acesso de cólera
do presidente perplexo com o insulto. Ele acabou
de autorizar a instalação em Funafuti,
capital do país, da embaixada do Brasil
em Tuvalu. Como não lê o
que assina, nem conferiu na diagonal o texto do
decreto 7.1297 de 2 de junho de 2010, que acrescentou
mais uma extravagância à procissão
de representações diplomáticas
ampliada irresponsavelmente pelo Itamaraty de
Celso Amorim. É compreensível que
pense que Funafuti é alguma coisa proibida
para menores e que Tuvalu é um palavrão
em língua estranha.A agenda de 2 de junho
informa que Lula assinou a certidão de
nascimento do filhote caçula do Itamaraty
às 11 da manhã de uma quarta-feira
mansa. Despachou com Gilberto Carvalho, foi entrevistado
pela TV Esporte Interativo, depois pela TV Bandeirantes
e, antes da audiência com o ministro da
Educação, Fernando Haddad, subscreveu
o papelório que Amorim lhe entregou. Teve
tempo de sobra para leituras. Faltaram ânimo
e interesse. Há mais de sete anos
empenhado na obtenção de uma vaga
no Conselho de Segurança da ONU, o presidente
não cria embaixadas: espalha comitês
de campanha. Deve haver ao menos um em
qualquer país com direito a voto. Pode
ser a Bélgica. E pode ser Tuvalu.Encarregado
de “chefiar cumulativamente” o exotismo,
o embaixador na Nova Zelândia recebeu a
missão de garantir o endosso de Tuvalu
aos devaneios megalomaníacos da potência
emergente. É tudo. Não há
outros interesses a defender, muito menos negócios
a fazer, nesse agrupamento de nove atóis
coralinos perto da Polinésia, nas lonjuras
do Pacífico, habitado por menos de 13 mil
tuvaluanos, 4.500 dos quais alojados na capital,
Funafuti. Todos são súditos da rainha
da Inglaterra desde que foi instituída
a monarquia constitucional associada à
Commonwealth. Elizabeth II é a chefe de
Estado e nomeia o governador-geral. Mas quem manda
mesmo é o primeiro-ministro, escolhido
pelos 15 integrantes do Parlamento. Por falta
de emissoras de rádio e televisão,
quem deseja informar-se tem de comprar as edições
quinzenais do único jornal do lugar. A
tiragem segue estacionada em 500 exemplares.A
economia é baseada na exportação
de copra, a polpa seca do coco, e pandano, planta
comestivel também usada em artesanato.
Complementadas pelo arrendamento da bandeira nacional
a navios de origem tão suspeita quanto
as atividades dos tripulantes, essas fontes de
renda mantêm o PIB na faixa dos US$ 15 milhões.Enquanto
perde eleições sucessivas na sede
da ONU em Nova York, o governo Lula estreita relações
com aberrações longínquas,
cobre de favores os vizinhos cucarachas, fecha
acordos com ditaduras repulsivas, perdoa dívidas
de larápios africanos e planta embaixadas
compulsivamente nos grotões do planeta,
como atesta o caso de Funafuti. Para quê?
Para nada.A seis meses do fim do mandato, Lula
continua torrando o dinheiro dos pagadores de
impostos com a placidez do inquilino que prorrogou
unilateralmente o contrato de aluguel. Alguém
precisa avisá-lo de que o prazo para a
saída não mudou. Se não quiser
voltar para casa, os brasileiros que sustentam
a gastança vão acabar mandando Lula
para Tuvalu
Opinião do leitor
A
palmada
*Milton
Larentis
Lula é o presidente dos
imbecis. Eles precisavam de um. Lula é
o presidente dos ladrões. Dos mentirosos,
dos corruptos e dos canalhas. É o presidente
da corja dos invasores e assassinos. O presidente
dos incompetentes, dos fracassados e perdedores.
Dos utópicos e dos jornalistas sem imaginação.
Afinal, todos estes estavam na hora de ter o seu
representante.
Não, Lula
não é o meu presidente. Pode mandar
e desmandar. Pode fazer pose e ampliar sua inesgotável
vaidade, mas não consegue me dizer absolutamente
mais do que qualquer vigaristazinha metido a bacana.
Eu não sou ingênuo, não sou
idealista, não sou jovem ecológico,
não sou educado e politicamente correto.
Não sou a favor de ditadores e comunistas.
Não entro em orgasmo ao ouvir a "internacional"
ou o Chico Buarque, não fico grávido
das aventuras falsificadas do Veríssimo
e não entro em trabalho de parto pelos
filmes patrocinados pela esquerda. Não,
o Lula não me agrada e não me comove.
Ele não é o meu presidente. E se
alguns acreditam que o Lula tem algum tipo de
sensibilidade ao se meter na educacão de
filhos - vejam como os seus próprios filhos
precisavam de palmadas. Inclusive o próprio
Lula precisava de algumas. Mas não será
sua mãe, seu pai ou o governo militar que
irá dar palmadinhas na criança socialista
que mora no coracão do Lula. Será
sua própria cria. O primeiro coice virá
da Dilma. Produto de uma mentalidade que acredita
que o Estado, que o Governo é uma entidade
abstrata que sempre acerta é só
lhe dar poder.
Lula colocou a palmada
no nível do aborto e da pena de morte.
Não importa a intenção, importa
quem irá tentar. Os criminosos julgarão
os pais e a delação ganhará
os filhos. Mais uma pá de cal sobre a família.
Mais uma boa idéia para processos de separação
e divórcio. A palmada de Lula é
falha de um dedo, mas sobra-lhe casco.
*Milton
Larentis, professor universitário, filósofo
e colaborador deste Portal.
|
Opinião da Marília Gabriela
sobre a Dilma
Quem tem
medo da "doutora" Dilma?
“VOU
CONFESSAR: Morro de medo de Dilma Rousseff.”
Esse governo que tem muitos acertos,
mas a roubalheira do governo do PT e o cinismo
descarado de LULA em dizer que não sabia
de nada nos mete medo.
Não tenho muitos medos na vida, além
dos clássicos: de barata, rato, cobra.
Desses bichos tenho mais medo do que de um leão,
um tigre ou um urso, mas de gente não costumo
ter medo.
Tomara que nunca me aconteça, mas se um
dia for assaltada, acho que vai dar para levar
um lero com os assaltantes (espero). Não
me apavora andar de noite sozinha na rua e, não
tenho medo algum das chamadas "autoridades",
só um pouquinho da polícia, mas
não muito.
Mas de Dilma não tenho medo; tenho pavor.
Antes de ser candidata, nunca se viu a ministra
dar um só sorriso, em nenhuma circunstância.
Depois que começou a correr o Brasil
com o presidente, apesar do seu grave problema
de saúde, Dilma não para de rir,
como se a vida tivesse se tornado um paraíso.
Mas essa
simpatia tardia não convenceu. Ela é
dura mesmo.
Dilma personifica, para mim, aquele pai autoritário
de quem os filhos morrem de medo, aquela diretora
de escola que, quando se era chamada em seu gabinete,
se ia quase fazendo pipi nas calças, de
tanto medo.
Não existe em Dilma um só
traço de meiguice, doçura, ternura.
Ela tem filhos, deve ter gasto todo o seu estoque
com eles e não sobrou nem um pingo para
o resto da humanidade. Não estou dizendo
que ela seja uma pessoa má, pois não
a conheço; mas quando ela levanta a sobrancelha,
aponta o dedo e fala, com aquela voz de general
da ditadura no quartel, é assustador. E
acho muito corajosa a ex-secretária da
Receita Federal Lina Vieira, que enfrentou a ministra
afirmando que as duas tiveram o famoso encontro.
Uma diz que sim, a outra diz que não, e
não vamos esperar que os funcionários
do Palácio do Planalto contrariem o que
seus superiores disseram que eles deveriam dizer.
Sempre poderá surgir do nada um motorista
ou um caseiro, mas não queria estar na
pele da suave Lina Vieira. A voz, o olhar e o
dedo de Dilma, e a segurança com que ela
vocifera "suas verdades", são
quase tão apavorantes quanto a voz e o
olhar de Collor, quando ele é possuído.
Quando se está dizendo a verdade, ministra,
não é preciso gritar; nem gritar
nem apontar o dedo para ninguém. Isso só
faz quem não está com a razão,
é elementar. Lembro de quando Regina Duarte
foi para a televisão dizer que tinha medo
de Lula; Regina foi criticada, sofreu com o PT
encarnando em cima dela - e quando o PT resolve
encarnar, sai de baixo. Não lembro exatamente
de quê Regina disse que tinha medo nem se
explicitou, mas de uma maneira geral era medo
de um possível governo Lula.. Demorei um
pouco para entender o quanto Regina tinha razão.
Hoje estamos numa situação
pior, e da qual vai ser difícil sair, pois
o PT ocupou toda a máquina, como as tropas
de um país que invade outro. Com Dilma
seria igual ou pior, mas Deus é grande.
Eles não falaram em 20 anos? Então
ainda faltam quase 13, ninguém merece.
Seja bem-vinda, Marina Silva. Tem muito petista
arrependido que vai votar em você e impedir
que a mestra sem mestrado, Dilma Rousseff, passe
para o segundo turno.
Outra boa opção é
o atual governador José Serra que já
mostrou seriedade e competência. Só
não pode PT, Dilma e alguém da "turma
do Lula".
|
Arte
imita a vida ou a vida imita a arte?
Considerações sobre a vilania instalada
no Brasil
*Flavio P. Ramos,
editor
A atriz Giovanna
Antonelli defende na internet
sua personagem Dora Vilela,
uma vilã na novela “Viver a vida”.
Qualquer artista
deseja interpretar um vilão (1), conhece
o resultado. Os autores de novelas também
conhecem a importância dos vilões.
Observar
e perseverar na observação dos fatos,
ouvindo todos os lados envolvidos e confirmar
os fatos para só então noticiar.
Esse tem sido o escopo dos jornalistas que trabalham
com seriedade. É isso que está acontecendo?
Muitos
questionarão se a preferência pelos
vilões nas novelas é o espelho da
realidade brasileira. Outros tantos se as novelas
não desencadeiam um comportamento de vilania
na sociedade brasileira.
Há trabalhos
científicos, antigos até, que mostram
que ambos os casos acontecem. Quando os representantes
da imprensa questionam se a televisão é
responsável pelo comportamento agressivo,
vejo claramente como falta a eles a cultura acadêmica
imprescindível a qualquer pessoa culta,
e principalmente para quem lida com a notícia.
Embora os veículos
da comunicação sejam apenas instrumentos,
o que se mostra de fato pode influenciar os que
desconhecem filosofia e não sabem o que
é falácia, aplicando o conceito
“democracia” de forma incorreta. Ser
maioria não necessariamente faz com que
um comportamento seja correto ou que ter comportamento
de bandido seja correto.
É
fato, e de domínio público, que
diversos atores, representando vilões nas
novelas, já foram agredidos com palavras
e até fisicamente. Isso evidencia que alguns
não sabem onde começa a personagem
e onde começa o ator que a interpreta.
Isso pode representar “a glória”
para o artista que sente como sua personagem impactou
o público chegando ao ponto da agressão.
Por outro lado demonstra, lamentavelmente, o pouco
discernimento entre verdade e ficção.
Atualmente,
acontece que o vilão está tendo
larga aceitação do público,
nas novelas e nos “reality shows”.
É a hora de o mau caráter ficar
famoso ou do famoso revelar seu real mau caráter
e ainda sair premiado.
O processo
de identidade está fortemente ligado ao
“comportamento do modelo”, na realidade
e na ficção.
O Governo como
representante do Poder constituído pelo
voto, acaba sendo um agente modificador e multiplicador
de comportamentos.
A expressão
cada povo tem o governo que merece está
certíssima. Ou melhor, estaria se não
fossem os canalhas eleitos por outros do mesmo
naipe.
Perguntamos
porque os políticos vilões são
tão admirados. As respostas variam em torno
de: “Deram mole e ele que é esperto
e se deu bem”. “O pessoal intelectual
não gosta dele porque é do povo
como eu”.
“É o que se preocupa com
os pobres os sem terra e os índios”.
“É igualmente a mim, nordestino que
conseguiu ser rico, não importa nem interessa
como os que tem estudo e são ricos perderam”.
É o cara e todos no mundo inteiro batem
palma e se curvam p’ra ele”.
Conseqüência
do voto do analfabeto e do comportamento bandido
que a política da impunidade trouxe. Para
os que, por incapacidade instrucional, ganham
salário mínimo e vivem de bolsas
do governo, pouco importa, querem ver o circo
pegar fogo, odeiam quem vive melhor, não
importa como adquiriram seus bens, querem “a
fazenda do rico invadida e destruída”,
querem ver os “iguais” no poder.
Com o domínio
imposto aos meios de comunicação,
principalmente as emissoras de televisão,
cujos canais são concedidos a título
precário. As emissoras acabam sendo dominadas
pelos interesses do governo e sendo, portanto
multiplicadoras dos comportamentos deste.
Os atos criminosos: lesa-pátria,
corrupção, prevaricação,
nepotismo e impunidade dos políticos que
os praticaram ou praticam crimes, impunemente,
são fortes sinais para que comportamentos
criminosos se instalem na sociedade. O povo aprende
por imitação e aprende mais facilmente
o que não depende de limites.
Combater
esses comportamentos e punir seus agentes não
é um ato de desrespeito à autoridade
constituída, mas significa a obrigação
em manter a ordem interna, respeitando a Constituição
que a todos rege.
Até
agora os crimes continuam acontecendo e os homens
e mulheres dignas deste País, pasmos vêem
a maldade e o crime sendo enaltecidos.
É
a arte imitando a vida.
Os fenômenos
que podem ocorrer em 2012 poderão ser a
limpeza da sujeira kármica que
os vilões do mundo fizeram vibrar no campo
espiritual.
Acredito
que haverá uma mudança na interação
das pessoas com o planeta, que é vivo e
faz parte do universo humano. A tomada de consciência
dará lugar aos interesses materiais e a
predominância do espírito sobre a
matéria far-se-á presente. Queira
D’us.
N.R.: o autor, de 66 anos, é professor
universitário, jornalista e editor deste
Portal.
(1)
tanto quanto mais carismáticos forem os
artistas que interpretam vilões, maior
será a influência negativa nas populações
com pouca instrução formal.
|
| |
Falando
de Fernando Pessoa
“Um poeta múltiplo, como o universo”.
Taveiros
Fernando Pessoa foi um poeta múltiplo,
como o universo. Assumiu a Arte como uma missão,
ao viver para a criação mito-poética
dos seus personagens, podendo ser comparado a
Shakespeare, Van Gogh ou Artaud, que viveram para
a Arte ao assumir a existência como um ritus,
onde a Arte tinha que ser o centro de tudo, ter
um caráter duplo de vida e de morte.
Fernando Pessoa despersonaliza-se no labirinto
da linguagem e nela cria o seu palco como um autêntico
Dionísios, fazendo emergir os outros eus
tão distantes e próximos do seu
olhar. Tece esse fio criador e percorre como Dédalo
o labirinto da criação. Ou da liberdade
do artista. E nele ri... chora... canta... morre...e
expande-se, através das máscaras
Chevaller de Pas, Alberto Caeiro, Ricardo Reis,
Álvaro de Campos, Bernardo Soares, Alexander
Search, Fausto, as veladoras do marinheiro e tantas
outras que nascem do seu Ser.
Construindo esse universo ficcional e tão
real, já que fingir é conhecer-se,
Pessoa pasma-se e, num êxtase dionisiano,
percorre as trevas inebriando e encantando as
almas como Orfeu. Na ágora do imaginário
povoa o mundo com os seus versos, que falam da
humanidade. Ele já não sabe, sabendo
que não é, sendo o Guardador de
Rebanhos, o poeta da Natureza, o mestre de Si
e dos Outros, já que seu criador o quis.
A persona Caeiro, negando a especulação
das subjetividades metafísicas, interpreta
o mundo a partir dos sentidos: “penso com
os olhos e com os ouvidos/ E com as mãos
e os pés/ E com o nariz e a boca”.
A fragmentação faz-se, e eis que
se instala a tragicomédia na criança
de outrora, que brincava de ser outros, um certo
Chevallier de Pas, que fazia da existência
de Pessoa uma festa, possibilitando-lhe o vôo
da dissimulação: “Desde criança
tive a tendência para criar em torno de
mim um mundo fictício, de me cercar de
amigos e conhecidos que nunca existiram. Esse
mundo tão diverso, onde várias são
as vontades e as procuras, gera inquietude num
sujeito, cujas máscaras insistem em fazer-se
vida e a vida é gerada palavra a palavra
num outro”
O sensacionalismo de Álvaro de Campos ultrapassa
limites e numa vertigem insaciável, procura
na passagem das horas. A encenação
é o Nada, o Nada é a vida, e a vida
é também a possibilidade do sonho:
“Não sou nada/ Nunca serei nada/
Não posso querer ser nada/ À parte
isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”.
A aventura de Campos, pelo seu labirinto interior,
procura atingir múltiplas paisagens e o
seu olhar lança-se para uma paisagem típica
presente na noite, a grande deusa dos mistérios.
Torna-se filho dessa divindade lunar e já
não sabe se retorna do útero originário.
As máscaras da noite cedem às do
dia e Apolo sorri ao receber a taça de
Dionisios. Ricardo Reis surge de Pessoa e passa
a caminhar por um tempo de ninfas, musas e sábios.
O nada em excesso, a medida de todas as coisas
manifesta-se na disciplina desse epicurista, cujo
prazer está nos limites do homem diante
da potência trágica do destino e
do tempo: “Sofro, Lídia, do medo
do destino/ Meu coração. É
necessário sentir a vida pensando-a, para
não cometer a falha trágica, querer
ser Deus ou mais que ele: Tudo é tudo,
e mais alto estão os deuses,/Não
pertence à ciência conhecê-los/
mas adorar, devemos seus vultos como às
flores”.
O visionário Pessoa almeja
um outro vôo, um vôo pelos caminhos
do sonho e do mistério da morte em embate
com a vida. O marinheiro Pessoa é o navegante
construtor de um mundo todo seu, onde possa manifestar
seus vislumbres, configurado na sua voz: “Ao
princípio ele criou as paisagens; depois
criou as cidades; criou depois as ruas e as travessas,
uma a uma, cinzelando-as na matéria da
sua alma.
Como nos diz Augusto Seabra, a poesia de Pessoa
é vista, fundamentalmente como um jogo
do “vivido” imaginário como
um “poetodrama”, mais do que como
o drama do imaginário vivido. O labirinto
se amplia em curvas e Pessoa é, na verdade,
um grande e misterioso baú, donde podem
infinitas personas emergir para povoar o grande
palco da Arte. Ele ainda brinca de ser Bernardo
Soares, o guardador de livros, de Alexandre Search,
o fidalgo Barão de Teive, o periodista
satírico francês Jean Seul, Vicente
Guedes, Mr. Cross, Antonio Mora, Fausto, e percorrendo
o Universo do Eu do Outro como um irreverente
Hermes, deixa vir a lume a possibilidade da multiplicidade,
do artista aprender o mundo em várias perspectivas
e cosmovisões e assim poder se encontrar
no desconhecido labirinto da vida, plena de palavras,
desviando emoções, sentimentos e
paixões, fazendo-nos sentir plural como
o universo
|
O Símbolo Perdido
O livro de Dan Brown é um escrito
em que o autor usa técnica perigosa.
Falácias que são misturadas ou apoiadas
em verdades, repete a fórmula que usou
em “O Código Da Vinci”. FPR
No “Código
Da Vinci”,
a falácia principal é a tela do
pintor que retrataria uma figura de mulher à
direta (lugar tradicional de honra) de Jesus.
Essa figura seria Maria de Magdala. Leonardo Da
Vinci nunca conheceu Jesus, e não há
nenhuma representação da mesa da
“Santa Ceia” o quadro é apenas
uma visão artística. A trama acontece
a partir dessa falácia.
Em “O Símbolo Perdido, o
autor só é capaz de convencer os
que desconhecem a Maçonaria: a
discrição macabra da cerimônia
em que o iniciado bebe vinho tinto em um crânio
humano é falsa. Depõe contra a instituição
Maçonaria e seus elevados propósitos.
O grande perigo está no fato de que a narrativa
dessa parte falsa da iniciação se
soma a outras já existentes, em outros
livros, inclusive envolvendo satanismo, publicadas
também na INTERNET e em diversos sites
igualmente maledicentes e fantasiosos.
Muitos confundem
ficção com realidade, personagem
com atores, principalmente em se tratando de assuntos
desconhecidos, quando a polêmica envolve
religião e ordens esotéricas.
Líderes
religiosos há longa data vêm instigando
pessoas que desconhecem a Maçonaria,
com falsas declarações, como se
eles, clérigos, fossem os donos da verdade
absoluta. Essa técnica falaciosa foi a
mesma usada pelo famigerado Göebels, Ministro
da Propaganda de Adolf Hitler repetir mentiras
tantas vezes que segundo ele, se transformariam
em verdades.
Quando Dan Brown
descreve o iniciado bebendo em um crânio
humano, dá asas à imaginação
dos que se unem aos fieis das igrejas que dizem
que os maçons cultuam o anjo do mal e seus
ritos satânicos.
O uso
do latim e do grego pelos maçons em seus
rituais se deve ao fato de que a Real Academia
de Londres só aceitar teses escritas em
latim, grego e aramaico, e outras por
serem línguas em que escreveram os sábios
antigos pitagóricos e cabalistas. Quase
a totalidade dos membros da Real Academia eram
Maçons e Rosacruzes.
Homens de “mente
aberta” e “sabedoria
científica” em discordância
com a ignorância e o ranço dogmático
têm acento entre os maçons no mundo
inteiro e entre eles estão membros
e religiosos da alta administração
católica, protestante, judaica, muçulmana
e de outros credos, que sempre ocuparam cargos
de grande poder da Maçonaria.
No Brasil e no exterior, seus retratos a óleo
e modernamente fotografias estão expostas
em lugares de destaque abertos ao público.
Mentiras institucionalizadas.
As igrejas as impuseram a seus crentes sob os
rótulos de “Dogmas de Fé”
e de “Tradição” perigosas
inverdades. Eis algumas, pasmem:
O Natal
no dia 25 de dezembro (nascimento de Cristo).
Essa era a data das festas em homenagem ao deus
sol, do qual o Imperador Constantino era devoto.
Com a sua conversão o dia 25 de dezembro,
dia das festas em honra ao sol, passou a ser escolhido
para ser o falso dia do nascimento de Jesus. O
concílio de Nicéia resolveu fixar
nessa data o pseudo-nascimento de Jesus.
Jesus
veio para modificar a Lei - outra falsidade,
isso não está escrito em nenhuma
das traduções nem no texto original
do N.T. (1) . Jesus é o Salvador,
Jesus, Ieoshua, em hebraico significa Salvador,
um nome próprio.
Domingo é o dia consagrado ao Senhor
– outra mentira. É o sábado
o dia consagrado. O Santo Sábado tem início
ao entardecer da sexta-feira, quando aparece a
primeira estrela no céu e termina ao pôr
do sol de sábado. Para confirmar, é
só ler os dez mandamentos. Vale para qualquer
tradução da Bíblia.
Reis Magos
- não há menção em
nenhum texto bíblico a “reis magos”,
que seriam em número de três e nem
dos nomes. As escrituras falam de “uns magos”
não mencionando número; os presentes
sim, teriam sido três, segundo o N.T., ouro
incenso e mirra, todavia por propósitos
diferentes dos divulgados. Como a data do nascimento
de Jesus é falsa, o pseudo dia de reis
decorrente também.
A cerimônia
de iniciação é apenas uma,
ocorre após ampla e longa investigação
sobre a vida e o currículo do candidato
desde o nascimento.
O candidato
precisa, obrigatoriamente, ser apresentado por
um maçom. Há ainda outros
procedimentos, exames médicos e outros
exames rigorosos. Jamais um corpo inteiramente
tatuado, maquiado ou não, passaria por
esses exames. Castrados não são
recebidos, já que a Ordem entende que o
corpo físico é o duplo do espiritual
e se o corpo físico não é
perfeito, o espírito também não
o é (uma das leis de Hermes).
Doações
de grandes somas não são a forma
de ingressar no grau 33 como narra o
autor; outra falácia.
A Maçonaria estimula a filantropia, e mantém
várias obras beneficentes ao redor do mundo,
incluindo colégios, orfanatos e hospitais,
todavia abomina o suborno e a corrupção
ativa ou passiva.
O sistema de graus
maçônicos é uma forma de transferir
conhecimento passo a passo, uma prática
pedagógica tão nova quanto antiga.
Ao chegar ao Grau 33, o maçom alcança
um conhecimento acumulado equivalente a um “Doutor
em Filosofia”.
Durante
as Cruzadas, a “Santa Inquisição”
e épocas de perseguição e
conflito, livros e pessoas inocentes foram queimadas
vivas. Nessa época todos os cargos da Igreja
Católica eram vendidos a peso de ouro,
inclusive o de cardeal, condição
para aspirar ao Papado.
Ordens esotéricas
têm sido guardiãs da Sabedoria: quadros,
livros científicos e documentos também
protegeram pessoas, iniciados ou não, da
fúria dos que matavam em nome do Criador.
Grande parte desses documentos, obras raras, estão
ainda hoje custodiados, guardados em condições
ambientais controladas para preservação,
mas podem ser vistos em cópias autênticas
e em microfilmes e por pesquisadores em seus originais.
Nunca
houve uma “Conspiração Maçônica”
ou Judaica para dominar o mundo.
A pirâmide é um símbolo das
virtudes e da sabedoria construídas pedra
sobre pedra. O Topo da pirâmide incompleta
mostra que a obra não está completa.
O topo ou cume da pirâmide, como do obelisco,
representam a Divina Sabedoria que segundo os
ensinamentos da Cabala está na região
da Kheter em Aziluth, de onde o Grande Arquiteto
do Universo contempla a sua obra.
Grandes
sábios e Notáveis da humanidade
são Maçons e ou Rosacruzes ou pertencem
a outras ordens esotéricas coirmãs
com elevados propósitos semelhantes.
Isso é uma verdade até hoje, seus
nomes serão revelados no futuro, e só
então serão conhecidos os grandes
de hoje para que sejam mantidos e protegidos,
hoje, do ódio das forças do mal
travestidas de religiões.
Embora
o texto de “O Símbolo Perdido”
seja loquaz, inteligente, laborioso e prenda o
leitor, a leitura evidencia Dan Brown como mais
um apedeuta, desde a primeira página, que
escreve sobre maçonaria.
(o leitor esquece que se trata de uma ficção
pela técnica que mistura fatos e ficção).
De fato, como escreveu o autor Dan Brown, as pessoa
acreditam no que querem.
“A aceitação de uma idéia
não é prova de sua validade ou verdade”D.
B..
Prof.
Flavio Pinto Ramos, 66 maçom escritor e
jornalista.
flaviopramos@uol.com.br
N.R
N.T. (1)-
Novo Testamento.
Para maiores informações os sites
da Maçonaria e da Amorc têm link
de acesso direto a partir do portal www.mensageiro.com.br
|
Saramago
Desde muito cedo contraí
a doença da leitura, da qual nunca me curei.
Peregrinei por várias literaturas: inglesa,
francesa, americana, portuguesa, brasileira, etc.
Até aos 20 anos lia tudo o que me passava
por perto sem nenhum critério de escolha.
Depois o gosto foi-se lapidando e hoje o escritor
ou poeta para me convencer a lê-lo tem que
ter elegância, arte, forma e, sobretudo,
conhecimento profundo do idioma em que escreve.
Não consegui ler mais que l00 páginas
dum livro do Sr. Saramago, apesar do Seu prêmio
Nobel. Então Portugal, que teve escritores
e poetas do mais alto firmamento literário,
tem agora de prestar vassalagem a um Saramago
desses sob a ameaça da desistência
da nacionalidade portuguesa! O prêmio Nobel
de literatura está muito vulgarizado, e
o Sr. Saramago só o ganhou por ser esquerdista
dos mais retrógrados. Agora deu para vociferar
contra Deus, insultar religiões etc.
Tenho medo de chegar à
idade dele assim, sem senso do ridículo.
Taveiros
|
Prostitutas
de luxo
Taveiros
Diferentes das prostitutas de
rua que destroem a sua vida e o seu corpo em função
de algum dinheiro para se sustentarem, que são
exploradas por redes de tráfico humano,
que se entregam ao mundo das drogas entregando
o corpo em troca de uma dose.
A precariedade e a vulnerabilidade
da mulher que faz sexo em motéis ou num
banco traseiro do carro do cliente e a mulher
que tudo arrisca, até ser vítima
de violência, dão lugar a um mundo
onde o “sexo fraco” se pode dar ao
luxo de escolher quem atende.
Estas “acompanhantes de
luxo” primam pelo gosto em vestir bem. Mulheres
bonitas, de silhuetas esculturais e que se movem
no mundo da alta sociedade com um à vontade
característico.
De fato, não é
o dinheiro pela sobrevivência que as move,
mas sim o destino que lhe podem dar. Uma vida
de glamour e de luxo, de viagens a lugares exóticos,
tratamentos de beleza, carros top.
Para além destes bens
materiais, estas mulheres sentem prazer com esta
atividade, uma vez que “erotizam a própria
prática da prostituição”.
Usam o seu poder de sedução em função
das suas fantasias e sentem-se confortáveis
nesse papel.
Uma vida dupla porque se reveste
de anonimato na medida em que nem as pessoas e
familiares mais próximos conhecem a sua
“profissão”.
Um certo sociólogo investigador,
reconhece que esta é uma prostituição
“ultra secreta” uma vez que a “rede
é completamente fechada, ninguém
sabe que esta ou aquela mulher é uma prostituta
nem quem são os homens que recorrem aos
seus serviços”. Defende que só
os homens com algum poder econômico e com
estatuto social conseguem ter a companhia destas
prostitutas acompanhantes.
O investigador explica que este
é um “mundo social restrito”
onde circulam discretamente mulheres entre os
18 e os 35 anos.
Lembro-me que quando frequentava
o ensino superior, corria o rumor das estudantes
acompanhantes de luxo. Frequentavam uma universidade
pública, com o esforço dos pais
de classe média baixa, mas deslocavam-se
em carros de luxo. Falava-se delas, mas de fato
ninguém as identificava com a convicção
da certeza.
Os homens escolhem-nas para terem
relações sexuais descomprometidas,
para romper com relações rotineiras
e poder simular a conquista sexual, mas muitos
ficam dependentes delas. Chegam a pagar-lhes o
aluguel da casa ou a fazer avultadas transferências
bancárias. Temem descobrir que afinal aquela
mulher não é uma conquista, que
a afirmação que procuravam conduz
sim a uma desvalorização da sua
masculinidade.
Muitos se lembrarão da
bonita Julia Roberts, que representava o papel
de uma jovem prostituta nas ruas de Los Angeles.
“Salva” pelo não menos charmoso
Richard Gere, que a transformou numa discreta
e sofisticada “acompanhante de luxo”,
que apaixonou os telespectadores pelo mundo inteiro.
Ainda que inconscientemente,
gostamos de imaginar esta realidade revestindo-a
sempre da magia do conto de fadas onde os protagonistas
se apaixonam no final e vivem felizes para sempre.
Bem mais fácil manipular
a realidade do jeito que nos faça sentir
mais confortáveis.
|
POBRES ALUNOS, BRANCOS E
POBRES...
*Sandra Cavalcanti
Entre as lembranças
de minha vida, destaco a alegria de lecionar Português
e Literatura no Instituto de Educação,
no Rio.
Começávamos
nossa lida, pontualmente, às 7h15. Sala
cheia, as alunas de blusa branca engomada, saia
azul, cabelos arrumados.
Eram jovens de todas as camadas. Filhas de profissionais
liberais, de militares, de professores, de empresários,
de modestíssimos comerciários e
bancários.
Elas compunham um quadro muito equilibrado.
Negras, mulatas, bem escuras ou claras, judias,
filhas de libaneses e turcos, algumas com ascendência
japonesa e várias nortistas com a inconfundível
mistura de sangue indígena.
As brancas também eram diferentes.
Umas tinham ares lusos, outras pareciam italianas.
Enfim, um pequeno Brasil em cada sala.Todas estavam
ali por mérito!O concurso para entrar no
Instituto de Educação era famoso
pelo rigor e pelo alto nível de exigências.
Na verdade, era um concurso para a carreira de
magistério do primeiro grau, com nomeação
garantida ao fim dos sete anos.
Nunca, jamais, em qualquer tempo, alguma delas
teve esse direito, conseguido por mérito,
contestado por conta da cor de sua pele!
Essa estapafúrdia discriminação
nunca passou pela cabeça de nenhum político,
nem mesmo quando o País viveu os difíceis
tempos do governo autoritário.
Estes dias compareci aos festejos de uma de minhas
turmas, numa linda missa na antiga Sé,
já completamente restaurada e deslumbrante.
Eram os 50 anos da formatura delas!
Lá estavam as minhas normalistas, agora
alegres senhoras, muitas vovós, algumas
aposentadas, outras ainda não.
Lá estavam elas, muito felizes. Lindas
mulatas de olhos verdes.
Brancas de cabelos pintados de louro. Negras elegantérrimas,
esguias e belas. Judias com aquele ruivo típico.
E as nortistas, com seu jeito de índias.
Na minha opinião, as mais bem conservadas.
Lá pelas tantas, a conversa recaiu sobre
essa escandalosa mania de cotas raciais. Todas
contra!
Como experimentadas professoras, fizeram a análise
certa. Estabelecer igualdade com base na cor da
pele? A raiz do problema é bem outra. Onde
é que já se viu isso?
Se melhorassem de fato as condições
de trabalho do ensino de primeiro e segundo graus
na rede pública, ninguém estaria
pleiteando esse absurdo. Uma das minhas alunas
hoje é titular na UERJ.
Outra é desembargadora. Várias são
ainda diretoras de escola. Duas promotoras.
As cores, muitas. As brancas não parecem
arianas. Nem se pode dizer que todas as mulatas
são negras.
Afinal, o Brasil é assim. A nossa mestiçagem
aconteceu. O País não tem dialetos,
falamos todos a mesma língua. Não
há repressão religiosa.
A Constituição determina que todos
são iguais perante a lei, sem distinção
de nenhuma natureza!
Portanto, é inconstitucional querer separar
brasileiros pela cor da pele. Isso é racismo!
E racismo é crime inafiançável
e imprescritível. Perguntei: qual é
o problema, então? É simples, mas
é difícil. A população
pobre do País não está tendo
governos capazes de diminuir a distância
econômica entre ela e os mais ricos. Com
isso se instala a desigualdade na hora da largada.
Os mais ricos estudam em colégios particulares
caros.
Fazem cursinhos caros.
Passam nos vestibulares para as universidades
públicas e estudam de graça, isto
é, à custa dos impostos pagos pelos
brasileiros, ricos e pobres.
Os mais pobres estudam em escolas públicas,
sempre tratadas como investimentos secundários,
mal instaladas, mal equipadas, malcuidadas, com
magistério mal pago e sem estímulos.
Quem viveu no governo Carlos Lacerda se lembra
ainda de como o magistério público
do ensino básico era bem considerado, respeitado
e remunerado.
Hoje, com a cidade do Rio de Janeiro devastada
após a administração de Leonel
Brizola, com suas favelas e seus moradores entregues
ao tráfico e à corrupção,
e com a visão equivocada de que um sistema
de ensino depende de prédios e de arquitetos,
nunca a educação dos mais pobres
caiu a um nível tão baixo.
Achar que os únicos prejudicados por esta
visão populista do processo educativo são
os negros é uma farsa.
Não é verdade. Todos os pobres são
prejudicados: os brancos pobres, os negros pobres,
os mulatos pobres, os judeus pobres, os índios
pobres!Quem quiser sanar esta injustiça
deve pensar na população pobre do
País, não na cor da pele dos alunos.
Tratem de investir de verdade no ensino público
básico. Melhorar o nível do magistério.
Retornar aos cursos normais.
Acabar com essa história de exigir diploma
de curso de Pedagogia para ensinar no primeiro
grau.
Pagar de forma justa aos professores, de acordo
com o grau de dificuldades reais que eles têm
de enfrentar para dar as suas aulas.
Nada pode ser sovieticamente uniformizado. Não
dá. Para aflição nossa, o
projeto que o Senado vai discutir é um
barbaridade do ponto de vista constitucional,
além de errar o alvo.
Se desejam que os alunos pobres, de todos os matizes,
disputem em condições de igualdade
com os ricos, melhorem a qualidade do ensino público.
Economizem os gastos em propaganda.
Cortem as mordomias federais, as estaduais e as
municipais. Impeçam a corrupção.
Invistam nos professores e nas escolas públicas
de ensino básico. O exemplo do esporte
está aí: já viram algum jovem
atleta, corredor, negro ou não, bem alimentado,
bem treinado e bem qualificado, precisar que lhe
dêem distâncias menores e coloquem
a fita de chegada mais perto?É claro que
não. É na largada que se consagra
a igualdade. Os pobres precisam de igualdade de
condições na largada.
Foi isso o que as minhas normalistas me disseram
na festa dos seus 50 anos de magistério!
Com elas, foi assim.
*Sandra Cavalcanti, professora,
jornalista, foi deputada federal constituinte,
secretária de Serviços Sociais no
governo Carlos Lacerda, fundou e presidiu o BNH
no governo Castello Branco.
|
Reaprendendo a viver
Taveiros
Há vários
momentos na vida que nos conduzem a reaprendizagens.
São vários ciclos que se fecham
e outros que se iniciam. O sair de casa dos pais
e moldar um percurso de autonomia, o primeiro
emprego, o casamento ou a decisão de partilharmos
a vida com outro alguém, o nascimento do
primeiro filho. O reaprender a viver novamente
a dois quando os filhos saem de casa, o momento
da aposentadoria, a velhice.
Vivemos em constante
reaprendizagem no compasso natural que a vida
nos impõe.
Há depois
outros momentos que quebram este ciclo natural
das coisas e que nos obrigam a testar a capacidade
de adaptação, que caracteriza o
ser humano.
O Rui tinha 34
anos quando sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral).
As sequelas manifestaram-se ao nível da
mobilidade, impedindo-o de usar os padrões
normais de postura e de movimento, essenciais
para a realização de atividades
funcionais tais como o sentar, o manter a posição
de pé, o andar e a realização
de atividades da vida diária. A perda de
autonomia foi o obstáculo mais rigoroso
que teve que enfrentar e não o conseguiria
sem a ajuda da família.
O Rui era casado
e tinha um filho de cinco anos de idade. Não
foi apenas o Rui que foi obrigado a reaprender
a viver, mas também os que dele eram próximos.
As primeiras semanas
foram pautadas pela revolta que sentia e que refletia
na mulher e no filho como se de escudos protetores
se tratassem. E assim o revelaram ser de fato.
Foram vários os momentos de inconformismo
amenizadas por um gesto de carinho da mulher e
por um sorriso do pequeno filho. Surgiram depois
os momentos em que a revolta deu lugar a uma força
e capacidade de luta extraordinárias.
O Rui era acompanhado
por um fisioterapeuta, que foi também ensinando
à sua mulher alguns exercícios que
ajudaram à recuperação das
funções motoras necessárias
à marcha, como o equilíbrio e coordenação,
com o objetivo de voltar a ensiná-lo.
Atividades motoras
simples como andar, sentar, estar de pé,
deitar. Um recomeço! O filho repetia cada
movimento investindo toda a sua dedicação
neste processo de ensino e reaprendizagem. Cada
pequeno sucesso não era apenas do Rui,
mas de toda a família.
Passaram a reconhecer
em cada dia novas realidades, novos ritmos a que
se vão adaptando numa sincronia única
e que os faz sentir especiais.
Aceitar o que
nos acontece de negativo não é refúgio,
não é conformismo, é saber
viver, quando daí se aprende a construir
algo.
Se o caminho se
afigura ainda longo e pleno de obstáculos,
saibamos que ao juntar cada pedra de obstáculo
que vai surgindo, se vislumbra a possibilidade
de vir a construir um castelo.
|
==========================================
Essência Consciencial
Materializada
Amigos, já é hora de acordar!
Taveiros
O nosso corpo físico corresponde,
perfeita e tacitamente, ao estado em que a nossa
consciência ou o nosso consciente se encontra.
É mais do que um espelho, é a própria
essência consciencial materializada. O espelho
secreto(1) de cada um de
nós.
Um bom observador poderá vê-lo como
um mapa preciso, onde o externo, o exterior mostra
mundos internos e espirituais profundos, ou seja,
mostra afinal o nosso verdadeiro interior.(2)
As nossas histórias de vida, em nossos
corpos, a evidência dessas histórias.
Alquimicamente, membrana após membrana,
célula após célula, alteram-nos
numa atitude seqüencial, contínua
e visível. Altera-se, portanto, o nosso
todo, promovendo mudanças conscienciais
e paradigmáticas, que criam as novas realidades
(3) pelas quais passamos
a transitar e a transmitir enquanto circulamos
socialmente no nosso universo diário.
Do corpo à consciência, da consciência
ao corpo.
Em várias ações e realizações
promovemos mudanças nos nossos aspectos
físicos, psíquicos e parapsíquicos,
palpáveis.
Somos imensa e profundamente sensíveis
a qualquer processo que estejamos vivendo, sendo
que o nosso corpo físico responde na mesma
intensidade como um plasma, com novas nuances,
refletindo sempre o nosso estado multiexistencial
e, este moldado, ininterruptamente, à nossa
realidade.
Temos em nossos rostos e corpos toda a nossa passagem
e toda a nossa existência profundamente
marcadas. Basta mergulharmos nesta visão
e permitirmos acesso ao que está aí
para todos vermos bem o que realmente somos. Podemos
fazer esta experiência olhando atentamente
em frente a um espelho(4). A partir deste modo
de conhecimento, pode-se transformar e recriar
o que antes parecia ser inalterável. Um
plasma ou uma grande visão de nós
mesmos, e se, tivermos um pouco que seja, de consciência
e lucidez sobre estes processos, poderemos efetivamente
ser os governadores ou governantes da nossa existência.
Difícil... talvez!
Transitar dentro destas possibilidades coloca-nos
em contacto com profundas realidades não
usuais. Coloca-nos na posição de
potenciais criadores... Difícil... Termos
como objetivo remodelarmos a nossa imagem e sermos
expectadores ativos da nossa experiência
existencial. Aí está uma oportunidade
de começarmos a criar realidades efetivas
e aventureiras nesta proposta de expansão,
extensão e evolução humana.
Está na hora de ampliarmos a nossa verdadeira
consciência. Está na hora de acordarmos.
É mais que hora de recebermos o conteúdo
das nossas informações interiores
e multiexistenciais através de um movimento
direto e altamente sério focado em uma
percepção ampliada, captando inclusive
o local ou a onda onde pode estar sendo emitido.
Evitemos armar defesas lineares tão comuns
neste ciclo planetário, defesas essas que
dificultam o livre acesso ao conhecimento imediato
da verdadeira realidade, ou seja, daquilo que
verdadeiramente somos.
O verbo, tanto escrito como falado, é a
organização dada pelo aparelho intelectual,
para propiciar a sua exteriorização.
Portanto, caros amigos, façamos uso deste
aparato, com inteligência e como uma ferramenta
de trabalho, nunca como uma arma contra o acesso
a nós mesmos.
N.R.
(1) Princípio de Hermes: o que está
em cima é igual ao que está em baixo;
o macrocosmo é igual ao microcosmo. O espírito
precede a matéria.
(2)-Mostra o ID igual ao EGO, o ser verdadeiro
sincero em palavras (verbo) atitudes e propósitos.
(3)-Dinâmica da evolução,
do amadurecimento e da multiplicação
e disseminação do conhecimento no
meio social.
(4)-Um processo de imersão no eu interior
(usado por iniciados).
|
A
JOÃO DE ARAÚJO CORREIA
Taveiros
Num regionalismo de excelente expressão,
Tiveste pari passu dois grandes prazeres:
O lavor literário com os afazeres
Clínicos, sempre com a mesma paixão.
Preferiste os temas da tua região,
Os tropos e concisão - mas ao elegeres
A pureza do conto - sem o pretenderes,
Foste um exemplo de grande retidão.
Os teus contos têm todas
as condições,
Para resistirem à ação corrosiva
Do tempo, nas mais seguras tradições.
Soubeste traduzir na mais expressiva
Paisagem humana, as suas condições,
Com estilo próprio, e uma alma viva.
João
Araújo Correia –
Cento e dez anos de um
grande escritor ainda esquecido
Nascido em Canelas do Douro, Régua, em
1 de janeiro de 1899, João de Araújo
Correia foi desde os Contos Bárbaros
(1939), reconhecido pela crítica como um
dos maiores contistas portugueses, na esteira
de uma declarada herança camiliana,
mas ainda hoje, apesar da vastidão da sua
obra literária, sobretudo no domínio
do conto, o autor de Montes Pintados
talvez continue a merecer uma injustificada indiferença
dos leitores. E, mesmo no ano em que passa os
cento e dez anos do seu nascimento, tal efeméride,
que deveria ser pretexto para avivar a memória
e a importância da obra de João de
Araújo Correia, não teve o reconhecimento
público que se impunha.
No entanto, justifica-se sempre reabilitar perante
o público leitor, que se mostra alheado
de uma verdadeira perspectiva crítica que
o faça entender e ler com outros olhos
certos autores que pelos anos fora, sem se saber
as razões disso, continuam a ser mal-quistos
ou esquecidos, enquanto outros autores, tantas
vezes sem a grandeza literária de João
de Araújo Correia, recebem os louros e
prebendas nem sempre de todo justificadas. E,
tendo sido tão vasta a obra literária
do autor de Contos Durienses como longa e vivida
foi a sua própria vida em mais de oitenta
anos bem contados como escritor e médico
(e, de passagem, assinale-se que foi sepultado
em Canelas do Douro em 1 de Janeiro de 1986, quando
completava nesse dia 87 anos de idade), nem por
isso a sua criação literária,
repartida pela crônica, novela, conto, temas
linguísticos, notas camilianas e colaboração
regular em jornais e revistas, tem sido alvo de
atenção e de estudo, com as exceções
que ainda hoje constituem alguns ensaios mais
profundos ou biográficos de Amorim de Carvalho,
Cruz Malpique, Guedes de Amorim, João Pedro
de Andrade.
Enfileirando, pois, nessa galeria de "escritores
do silêncio", o autor de Folhas de
Xisto foi desde sempre considerado como um dos
escritores mais puros e classicistas na arte de
escrever e de contar. Narrador de excepcional
virtuosismo literário, João de Araújo
Correia modela em pequenos pedaços de prosa
as pessoas, os lugares e as coisas à sua
imagem e semelhança. Homem que sempre se
manteve ligado ao seu povo duriense, existem na
sua obra páginas e páginas de excelente
prosa, barroca por vezes, mas por onde perpassa
de modo fulgurante laivos de profundo humanismo,
porque as suas histórias, folhas caídas
de uma árvore que não envelhecera,
mantêm essa inconfundível característica
de vida vivida em todos os planos: de ambiência
pequeno-burguesa, retratando as gentes de uma
região que conheceu palmo a palmo nos alargados
anos da sua experiência, dela soube desvendar
as raízes mais fundas e os seus contos
e crônicas falam irremediavelmente do que
se passa nos meios de província, mas sem
evidenciar em tudo o que narra uma visão
provinciana. Na verdade, poucos escritores existem
na nossa atual literatura que, com tão
largo fôlego estilístico e excepcional
poder de criação, tenham construído
com uma fidelidade quase obsessiva a obra que
João de Araújo Correia nos deixou
em mais de trinta títulos de bibliografia
ativa.
Longe das especulações sem sentido
de que certos autores apenas exploram esse mundo
rural e de província numa perspectiva etnográfica
ou regionalista, a sua obra fala e impõe-se
por si mesma na dimensão e força
de ser um "bloco" literário há
muito reconhecido, para lá de se querer
rotulá-la como neo-realista, regionalista
ou documentalista. Mas qualquer título
serve para definir a obra de João de Araújo
Correia e deve ter-se em conta a importância
de livros como Contos Durienses ou Folhas
de Xisto, sobretudo este último em
que, sem dúvida, se demonstra a capacidade
de narrar de um escritor que sabe chegar à
cidade sem abandonar a terra de origem. E assim
a Régua, como toda a região duriense,
lhe ficou devendo ter sabido, com engenho e arte
à boa maneira classicizante portuguesa,
glorificar numa prosa forte e exemplar toda a
vida pacata e monótona de uma região
fustigada pelas próprias condições
naturais, num retrato que nos deu há mais
de quarenta anos e por isso poder dizer: «Parece-me
que foi sobre folhas de xisto, lâminas de
alvenaria da minha região, que escrevi
estes contos».
Por isso, ler os livros de João de Araújo
Correia é, na verdade, sentir a pulsação
vibrátil de um povo que faz do seu dia
a dia, dos instantes mais desocupados ou preocupados,
a "canção da terra" que
a terra ensinou a cantar. Médico de província,
homem culto e muito ligado às suas gentes,
o autor de Contos Bárbaros soube,
como poucos escritores, erguer, em forma de homenagem,
o que a própria vida lhe consentiu pudesse
realizar. Prosador exemplar e grande contista,
no ano em que passa cento e dez anos do seu nascimento
e praticamente quase não comemorado, João
de Araújo Correia bem merece que se evoque
a sua memória e se enalteça a grandeza
de escritor, e assim dar razão a estas
palavras que Aquilino Ribeiro pôde pronunciar
em 1960, numa homenagem nacional, então
prestada ao hoje tão esquecido autor de
Terra Ingrata. Mas é sempre tempo de se
elogiar e reconhecer os nossos grandes escritores,
de ontem e de hoje, e por isso repetimos que esta
efeméride dos 110 anos de nascimento de
João de Araújo Correia (1899-1999)
poderá ser de fato um bom pretexto para
enaltecer junto do público leitor o valor
e a importância da sua admirável
obra literária realizada em cinquenta anos
de ofício e vocação de escritor
e quase toda ela reeditada nas suas "Obras
Completas" pela Editorial Estampa.
|
Um
mundo de vícios
“Análise
histórica dos aspectos éticos,
legais e religiosos do comportamento dos drogados,
na sociedade atual”. FPR
*Taveiros
Vício, dicotomia entre
prazer e dependência. Esta palavra está
intimamente relacionada com a individualidade,
a ética e a moral e tem vindo a ser interpretada
ao longo da história, com nuances próprias
das sociedades que vamos construindo. Uma vez
relacionada com interpretações
religiosas, assume o seu teor negativo, reprimível
e proibido.
Tal como tudo o que é proibido, ganha
uma dimensão protecionista de comportamentos
repetitivos, desafiadores da moral e da ordem.
A construção histórica
deste conceito orienta-nos para a idéia
indissociável da degradação
do ser humano, morte, destruição.
Enumeramos facilmente os vícios rotulados,
como o vício do jogo, do álcool,
do cigarro, das demais drogas, do sexo, da internet,
das compras, do trabalho.
Pecados mortais, portanto.
Algumas teorias sugerem o sentimento do vazio,
como motivo para procurar no vício a
compensação de algo.
Conheci uma jovem de 20 anos de idade. Muito
bonita, educada, socialmente aceita, por pertencer
a um estrato social privilegiado da sociedade.
Estava noiva de alguém que, certamente,
lhe iria proporcionar uma vida muito boa. Invejada
pelas amigas que dariam tudo para estarem no
“seu lugar”.
Dizia que se sentia pressionada e começou
a procurar no mundo das drogas o seu lugar.
Encontrou momentos de prazer, porque de escape
e acreditou que, talvez, anestesiada poderia
continuar a viver. Esse prazer momentâneo
deu lugar à dor. Dor física, porque
dependia das doses diárias de droga para
se sentir bem. Dor psicológica quando
acordava para a realidade. Perdeu a única
coisa que poderia tê-la salvo: o respeito
por si própria. Roubou, fugiu, agrediu
de todas as formas quem mais amava.
Quando faleceu, devido a uma overdose, os familiares
perguntavam-se: por quê?
Por que é que uma bela jovem, com um
futuro tão promissor, tão admirada
por quem com ela privava, poderia ter escolhido
um caminho tão doloroso, de autodestruição?
Ouvimos diariamente histórias de vidas
perdidas, outras de sucesso, de quem conseguiu
vencer o vício.
O momento de “anestesia” tal como
descrevia, acontece com muitos de nós.
Vivemos num mundo quase “autista”,
pela indiferença com que olhamos uns
para os outros. É este um vício
difícil de ser assumido e aceite.
Quando falamos de “viciados” em
recuperação, enumeramos uma série
de passos até à reabilitação,
sendo que o primeiro é o assumir que
se é viciado.
Tentamos agir de acordo com todas as regras
e ética que nos é imposta pela
sociedade. Aceitamos o que nos é apresentado,
numa atitude conformista e aparentemente cômoda.
Perdemos o nosso senso crítico, a coragem
para contrariar o que reconhecemos como errado,
perdemos a nossa individualidade quando nos
deixamos arrastar pelo senso comum. O vício
de não saber viver. Vício de viver
em solidão no meio da multidão.
*Advogado, empresário,
escritor, poeta, artista plástico.
|
FARC.
40 ANOS
Ernesto Caruso,
27/02/2009
Acorrentando,
explodindo, fuzilando.
Desafeto não tá no programa marxista,
Pensamento diferente, libertário, independente
Tem que morrer, sofrer ou se valer,
Trocar por gente da guerrilha ou grana.
FARC. 40
ANOS
Exemplo
de lição mal feita
Pelos governos colombianos.
Che não
é ternura;
Não é exemplo, não tem nada
de bom,
Ele e Fidel mataram a democracia no paredon.
Fuzilaram muita gente,
Oponente, descontente.
Cuba não tem oposição.
Jornal deles é o Granma,
Oficial, ditador.
Fugitivo
de balsa, bóia, pugilista.
Heroi das
FARC. É Fidel
Aqui é
homenagem do Lula, Dilma.
Acredita quem crê em papai Noel.
Fazem festa, imagem, plástica e a TV filma.
Fiéis a terrorista, Battisti, Batista.
Nas nações vizinhas das FARC,
Tentaram, não fizeram nada.
Também mataram,
Roubaram, explodiram e se ferraram.
Na luta, frouxos, se entregaram.
Dedo duro
houve; se borraram.
Fugiram da mata, da serra, se venderam.
Dinheiro no bolso e vinho na mesa.
Gravata, paletó, cobram sem dó.
Ideologia do sifrão, dão uma de
bão.
Lá,
sim, a luta continua,
Errada, carnificina,
Aliada da pregação bolivariana.
Aqui vasilina,
camaleão e propina.
Mensalão, cuecão, gavetão
Cuidado brasileiro, gente do povo,
2010 não quer Lula de novo,
Nem PT e Dilma.
Ernesto Caruso
egcaruso@gmail.com
|
Miguel
Torga, Deus e o Natal
Taveiros
Miguel Torga teve uma formação
religiosa desde a infância e dela temos
conhecimento através da leitura da sua
obra.
No Diário XVI, escreve em 1 de
setembro de 1992:
“Criei-me a pedir a Deus no seio da família
que nos livrasse dos maus vizinhos à
porta, e nunca deixei de acudir aos que fui
tendo pela vida fora quando os vi necessitados
dos meus préstimos.”
Numa outra citação do
mesmo volume do Diário, revela hábitos
da sua infância e refere uma peça
preciosa que herdou da Mãe, “um
livro” (a Bíblia) que era lido
ao serão:
Coimbra, 14 de Setembro de 1992 – Saudosos
tempos em que minha Mãe acendia uma vela
ao Santíssimo pelo êxito dos meus
exames e eu, sem de todo acreditar na intercessão
divina, sentia, mesmo assim, supersticiosamente,
as costas quentes diante dos mestres. (…)
«Nos já longínquos tempos
da meninice, (…) à noite, (…)
minha Mãe, à luz da candeia, lia
incansavelmente um livro que depois herdei,
e foi a maior fortuna que me podia legar. Nesse
surrado voluminho, que comecei a soletrar também
e acabei por devorar, havia histórias
estranhas. (…)
Num desses relatos espantosos, um general mandava
parar o sol para que os seus soldados pudessem
ganhar uma guerra. O homem chamava-se Josué,
e o seu nome passou a fazer parte da lista dos
meus heróis.”
Como vimos, sua formação religiosa
começou na infância, no seio da
família, mas também se processou
na Igreja e no Seminário de Lamego, para
onde foi já com o quarto ano primário
feito.
Sem vocação, desistiu e embarcou
para o Brasil aos 13 anos, carregando muitos
sacos de café nas costas em fazenda de
Minas Gerais, regressando cinco anos depois.
Acabou por se formar em Medicina na Universidade
de Coimbra.
Pelos textos anteriores, poderíamos ser
levados a pensar que a relação
poética de Torga com Deus é pacífica
e de bom entendimento, contudo não é
assim. Em diversos poemas manifesta a sua rebeldia,
irreverência, a sua descrença,
mas noutros também reconhece a existência
de Deus, ainda que prefira seguir o seu percurso
isolado, como aliás fez na atividade
de escritor, preferindo cantar as virtudes dos
homens.
O poema “Cântico de Humanidade”
da obra Nihil Sibi, cuja 1ª edição
é de 1948, revela-nos a preocupação
torguiana de engrandecer o Homem em relação
à divindade.
“Hinos aos deuses, não.
Os homens é que merecem
Que se lhes cante a virtude. (...)
Apenas se os deuses querem
Ser homens, nós os cantemos. (…)
Nós também lhes demonstremos
Que são mortais e de barro.”
A propósito da valorização
dos homens, recordemos uma anotação
do Diário, em que Torga fala de uma noite
de Consoada e alude a duas passagens dos Evangelhos
que sempre o perturbaram:
“S. Martinho de Anta, 24 de Dezembro de
1968 — As rabanadas comidas, a família
recolhida, a árvore de Natal apagada,
e eu aqui à lareira, debruçado
sobre as brasas da murra sacramental, a passar
mais uma vez as velhas contas do meu rosário
de perplexidades. Como é que o Pai mandou
o Filho tão tarde salvar o mundo? Quando
já tantos milhões de homens se
tinham perdido e a estratificação
de alguns pecados mortais era irremediável?
Mistérios divinos (…)? Há
duas passagens nos Evangelhos que sempre me
perturbaram. Numa, Jesus ensina:
«Sede perfeitos como também vosso
Pai celeste é perfeito». Na outra,
mais preciso ainda, alude ao Salmo que diz:
«Sois deuses».”
No poema “Aviso” do Diário
VI, datado de 5 de Dezembro de 1952, o sujeito
poético previne o próprio Deus
da sua atitude de rebeldia, se não for
satisfeita a sua condição:
“Um Deus que me queira, um dia,
Depois desta penitência
De viver,
Se me não der a inocência
Que perdi,
Terá o desgosto de ver
Que de novo lhe fugi.”
Em seguida, vamos ver um poema publicado na
obra Câmara Ardente (1962), que é
dos mais emblemáticos da sua relação
de conflito com Deus. Neste texto, intitulado
“Desfecho”, ainda que sempre tenha
negado a Sua existência, acaba por reconhecer
a “divina presença” a seu
lado:
“Não tenho mais palavras.
Gastei-as a negar-te…
(Só a negar-te eu pude combater
O terror de te ver
Em toda a parte).
Fosse qual fosse o chão da caminhada,
Era certa a meu lado
A divina presença impertinente
Do teu vulto calado
E paciente…”
E, em seguida,
exprime a luta contra quem perturba a sua solidão
e acaba por concluir de forma sugestiva, mostrando
que afinal Deus existe e é tão obstinado
quanto o próprio sujeito poético,
pois caminham ambos a
Par na teimosia:
“E lutei,
como luta um solitário
Quando alguém lhe perturba a solidão
Fechado num ouriço de recusas,
Soltei a voz, arma que tu não usas,
Sempre silencioso na agressão.
Mas o tempo moeu na sua mó
O joio amargo do que te dizia…
Agora somos dois obstinados,
Mudos e malogrados,
Que apenas vão a par na teimosia.”
Em 1963, numa página do Diário X,
revela uma atitude semelhante a esta, de tréguas
com Deus, em que cada um existe sem interferir
com o outro. Em apenas duas linhas revela claramente
a sua dúvida:
“ Tréguas com Deus. Mas ainda não
consegui saber se fui eu que deixei de lutar com
ele, se foi ele que deixou
de lutar comigo.”
Em 1984, aos 77 anos, faz um registro no Diário
XIV, também de duas linhas, no qual patenteia
bem a sua relação com Deus, evidenciando
a obsessão de negar a sua existência
e, simultaneamente, a impossibilidade de
o esquecer:
“Coimbra, 25 de Dezembro de 1984 –
Deus. O pesadelo dos meus dias. Tive sempre a
coragem de o negar, mas nunca a força de
o esquecer.”
Foi essa “força” de querer
esquecer Deus, de o afastar da sua vida que levou
a que não tivesse um funeral religioso.
A sua descrença já tinha sido expressa,
uma vez mais, em 1979, a propósito da Páscoa:
“S. Martinho de Anta, 15 de Abril de 1979
– Ser incréu custa muito! É
dia de Páscoa. O gosto que eu teria de
beijar também o Senhor, se acreditasse!
Assim, olho a fé dos outros em aleluia,
e fico nesta tristeza agnóstica que faz
da vida uma agônica aventura sem esperança
de ressurreição.”
E se em relação
à Páscoa sucede o que vimos, em
relação ao Natal a situação
não é muito diferente.Em 1953 Torga
considera que o Natal, a natividade, se dá
quotidianamente na Natureza, mas os homens não
reparam e preferem festejar o que chama “absurdos
lógicos, construídos nas Judeias
da imaginação”.
E, em 25 de Dezembro
de 1983, no poema “Natal” insiste
na questão da crença:
“Ninguém o viu nascer.
Mas todos acreditam
Que nasceu.
É um menino e é Deus. (...)
Agora, nos cueiros da imaginação,
Sorri apenas
A quem vem,
Enquanto a Mãe,
Também
Imaginada,
Com ele ao colo,
Se enternece
E enternece
Os corações,
Cúmplice do milagre, que acontece
Todos os anos e em todas as nações.”
Contudo, se em
Deus não acredita, relativamente ao Menino
Deus já não sucede o mesmo e vejamos
porquê:
“S. Martinho de Anta, 24 de Dezembro de
1966.
NATAL
Leio o teu nome
Na página da noite:
Menino Deus...
E fico a meditar
No milagre dobrado
De ser Deus e menino.
Em Deus não acredito.
Mas de ti como posso duvidar?
Todos os dias nascem
Meninos pobres em currais de gado.
Crianças
que são ânsias alargadas
De horizontes pequenos.
Humanas alvoradas...
A divindade é o menos.”
E, estabelecendo o contraste entre o Menino e
a sua pessoa, escreve em 24 de Dezembro de 1988,
no Diário XV:
“Coimbra, 24 de Dezembro de 1988.
NATAL
Menino Jesus feliz
Que não cresceste
Nestes oitenta anos!
Que não
tiveste
Os desenganos
Que eu tive
De ser homem,
E continuas criança
Nos meus versos
De saudade
Do presépio
Em que também nasci,
E onde me vejo sempre igual a ti.”
E sobre a Virgem
Maria, escreve no poema “Natal”, em
24 de Dezembro de 1973:
“E a lamentar que a mãe, Virgem Maria,
Humana criatura,
Continue a ter filhos no futuro
Condenados à mesma desventura.”
Em 24 de Dezembro de 1990, escreve o poema “Ultimo
Natal”, que oferece ao Menino Jesus:
“Menino Jesus, que nasces
Quando eu morro,
E trazes a paz
Que não levo,
O poema que te devo
Desde que te aninhei
No entendimento,
E nunca te paguei
A contento
Da devoção,
Mal entoado,
Aqui te fica mais uma vez
Aos pés,
Como um tição
Apagado,
Sem calor que os aqueça.
Com ele me desobrigo e desengano:
És divino,
e eu sou humano,
Não há poesia em mim que te mereça.”
Torga passou muitas vicissitudes para seguir os
seus ideais, ele que foi um defensor do Homem
e dos direitos humanos, um escritor comprometido
com a defesa de valores humanistas, de solidariedade
entre os homens, de preservação
da liberdade, da identidade, da autenticidade,
de fidelidade às origens.
E, 9 de Dezembro de 1993, em balanço final
de uma vida, no penúltimo registro do Diário
XVI, sintetiza os valores pelos quais lutou:
“De alguma coisa me hão-de valer
as cicatrizes de defensor incansável do
amor, da verdade e da liberdade, a tríade
bendita que justifica a passagem de qualquer homem
por este mundo.”
São valores como estes que todo o homem
deve defender porque, quando há amor, há
solidariedade, altruísmo, verdade, liberdade,
respeito pelo outro, entreajuda, enfim, todo um
conjunto de valores que qualquer homem deve almejar
atingir, seja ou não católico e
estejamos ou não na altura do Natal.
Biografia de Miguel
Torga
nascido Adolfo Correia Rocha
Filho de Francisco Correia Rocha e Maria da Conceição
Barros, gente humilde do campo do Concelho de
Sabrosa (Alto Douro). Em 1917, aos dez anos, vai
para uma casa apalaçada do Porto, habitada
por parentes da família. Fardado de branco
servia de porteiro, moço de recados, regava
o jardim, limpava o pó e polia os metais
da escadaria nobre, atendia campainhas. Foi despedido
um ano depois, devido à constante insubmissão.
Em 1918 vai para o Seminário de Lamego,
onde viveu um dos anos cruciais da sua vida, tendo
melhorado os conhecimentos de português,
da geografia, da história, aprendido o
latim e ganhado familiaridade com os textos sagrados.
No fim das férias comunicou ao pai que
não seria padre.
Emigrou para o Brasil em 1919, com doze anos,
para trabalhar na fazenda do tio, na cultura do
café. O tio apercebe-se da sua inteligência
e patrocina-lhe os estudos liceais, em Leopoldina.
Distingue-se como um aluno dotado. Em 1925, na
convicção de que ele havia de vir
a ser doutor em Coimbra, o tio propôs-se
pagar-lhe os estudos como recompensa dos cinco
anos de serviço o que levou ao seu regresso
a Portugal.
Em 1928 entra para a Faculdade de Medicina da
Universidade de Coimbra e publica o seu primeiro
livro, "Ansiedade", de poesia. Em 1929,
com 22 anos, deu início à colaboração
na revista Presença, folha de arte e crítica,
com o poema “Altitudes”. A revista,
fundada em 1927 pelo grupo literário avançado
de José Régio, Gaspar Simões
e Branquinho da Fonseca, era bandeira literária
do grupo modernista e era também, bandeira
libertária da Revolução Modernista.
Em 1930 rompe definitivamente com a revista Presença,
por "razões de discordância
estética e razões de liberdade humana".
É bastante crítico da praxe e tradições
acadêmicas, e chama depreciativamente "farda"
à capa e batina, mas ama a cidade de Coimbra,
onde viria também a exercer a sua profissão
de médico a partir de 1939 e onde escreve
a maioria dos seus livros. Em 1933 concluiu a
formatura em Medicina, com apoio financeiro do
tio do Brasil. Exerceu no início nas agrestes
terras transmontanas, de onde era originário
e que são pano de fundo da maior parte
da sua obra.
Casa com Andrée Crabbé em 1940,
estudante de nacionalidade belga aluna de Estudos
Portugueses, ministrados por Vitorino Nemésio
em Bruxelas que viera a Portugal para frequentar
um curso de férias na Universidade de Coimbra.
A sua filha, Clara Rocha, nasce a 3 de Outubro
de 1955.
A origem do pseudonimo
Em 1934, aos 27 anos, Adolfo Correia Rocha autodefine-se
pelo pseudónimo que criou, "Miguel"
e "Torga". Miguel, em homenagem a dois
grandes vultos da cultura ibérica: Miguel
de Cervantes e Miguel de Unamuno. Já Torga
é uma planta brava da montanha, que deita
raízes fortes sob a aridez da rocha, de
flor branca, arroxeada ou cor de vinho, com um
caule incrivelmente rectilíneo. A sua campa
rasa em São Martinho de Anta tem uma torga
plantada a seu lado, em honra ao poeta.
A obra de Torga
A obra de Torga tem um carácter humanista:
criado nas serras trasmontanas, entre os trabalhadores
rurais, assistindo aos ciclos de perpetuação
da Natureza, Torga aprendeu o valor de cada homem,
como criador e propagador da vida e da Natureza:
sem o homem, não haveria searas, não
haveria vinhas, não haveria toda a paisagem
duriense, feita de socalcos nas rochas, obra magnífica
de muitas gerações de trabalho humano.
Ora, estes homens e as suas obras levam Torga
a revoltar-se contra a Divindade Transcendente
a favor da imanência: para ele, só
a humanidade seria digna de louvores, de cânticos,
de admiração: (hinos aos deuses,
não/os homens é que merecem/que
se lhes cante a virtude/bichos que cavam no chão/actuam
como parecem/sem um disfarce que os mude).
Para Miguel Torga, nenhum deus é digno
de louvor: na sua condição omnisciente
é-lhe muito fácil ser virtuoso,
e enquanto ser sobrenatural não se lhe
opõe qualquer dificuldade para fazer a
Natureza - mas o homem, limitado, finito, condicionado,
exposto à doença, à miséria,
à desgraça e à morte é
também capaz de criar, e é sobretudo
capaz de se impor à Natureza, como os trabalhadores
rurais trasmontanos impuseram a sua vontade de
semear a terra aos penedos bravios das serras.
E é essa capacidade de moldar o meio, de
verdadeiramente fazer a Natureza mau grado todas
as limitações de bicho, de ser humano
mortal que, ao ver de Torga fazem do homem único
ser digno de adoração.
Considerado por muitos como um avarento de trato
difícil e carácter duro, foge dos
meios das elites pedantes, mas dá consultas
médicas gratuitas a gente pobre e é
referido pelo povo como um homem de bom coração
e de boa conversa.
|
Dois sonetos -
duas jóias - da literatura brasileira do
final do século XIX,
quando se conhecia e se amava a nossa língua!
De “O Brasil que os poetas cantam”
Taveiros.
G U A N A B A R A
Osvaldo Orico
Depois de olhar
os mundos que criara,
Trepidantes de força e de esplendor,
Deus, naquela manhã pródiga e
rara,
Deixando de ser Deus, Fez-se pintor.
Quis dar à
Natureza outro primor
E, com o mesmo pincel que o Éden pintara,
Gravou no mapa-mundi o traço e a cor
Dos montes e dos céus da Guanabara.
É por
isso, ó viajante deslumbrado,
Que vês de longe, sobre o Corcovado,
Unido o Criador à obra tamanha;
E olhas, resplandecente
de beleza,
Cristo desabrochar da Natureza
Como um lírio de luz sobre a montanha!...
A B Í B L I A VE R D E
Álvaro Bomilcar
Vive feliz e
morre como um santo.
O campônio, o caipira, o sertanejo,
Que, à distância de um pobre lugarejo,
Habita, em paz, bucólico recanto.
Pois quando
a noite estende o negro manto,
Dorme sem ambição e sem desejo...
E quando o sol envia louro beijo,
De manhã, se levanta sem quebranto.
Feliz porque
nasceu de pais obscuros,
E morrerá na rústica pureza,
Na boa fé dos sentimentos puros!
Sem ciência,
nem livros em que estude,
Só saber ler, conforme a Natureza,
A Bíblia Verde da existência rude!
“De O
Brasil que os poetas cantam”
|
|
Enviado por *Milton Larentis
1. O professor
não abusará da inexperiência,
da falta de conhecimento ou da imaturidade dos
alunos, com o objetivo de cooptá-los para
esta ou aquela corrente político-ideológica,
nem adotará livros didáticos que
tenham esse objetivo.
2. O professor
não favorecerá nem prejudicará
os alunos em razão de suas convicções
políticas, ideológicas, religiosas,
ou da falta delas.
3. O professor não fará
propaganda político-partidária em
sala de aula nem incitará seus
alunos a participar de manifestações,
atos públicos e passeatas.
4. Ao tratar de questões políticas,
sócio-culturais e econômicas, o professor
apresentará aos alunos, de forma
justa isto é, com a mesma profundidade
e seriedade, as principais versões, teorias,
opiniões e perspectivas concorrentes a
respeito.
5. O professor não criará
em sala de aula uma atmosfera de intimidação,
ostensiva ou sutil, capaz de desencorajar a manifestação
de pontos de vista discordantes dos seus, nem
permitirá que tal atmosfera seja criada
pela ação de alunos sectários
ou de outros professores.
*Filosofo e professor do terceiro grau
|
| |
A
conspiração
Taveiros
Apesar de tantas e atuais opções
de diversão e lazer, televisão
a cabo, Internet, etc., a leitura ainda é
uma boa opção! Ler faz bem à
alma, dá asas à imaginação,
e quando nos mostra o outro lado de instituições
e acontecimentos reais, a obra suga-nos e arrasta-nos
através de um mundo enigmático.
Acontece assim com os livros de Dan Brown.
Dan Brown é um escritor norte–americano.
Nasceu no dia 22 de junho de 1964, em Exeter,
uma cidade do Estado de New Hampshire. Após
a sua graduação na Phillips Academy,
no ano de 1982, Dan Brown entrou para o Amherst
College e no seu primeiro ano teve que estudar
História da Arte na Europa na Universidade
de Sevilha onde se debruçou nos trabalhos
de Leonardo Da Vinci, que mais tarde teriam
um papel importante numa das suas obras. Dan
Brown é filho de um eminente matemático,
Richard G. Brown e tinha como hobby a música
sacra, e de Constance, também formada
em música.
Dan Brown cresceu literalmente na escola rodeado
de livros de filosofia, história e religião,
o que contribuiu significativamente para elaboração
das suas obras. Foi professor de Inglês
durante alguns anos até conseguir realizar
o seu sonho: ser escritor. As suas obras são:
O Código da Vinci, Anjos e Demônios,
A Conspiração e Fortaleza Digital.
Atualmente é um dos escritores mais famosos
e conceituados do mundo, tendo os seus livros
na lista dos mais vendidos do New York Times.
Tal como o escritor brasileiro Paulo Coelho,
também Don Brown se inspira no escritor
Jean Pierre Santiago, considerado um alquimista
moderno, pois a sua visão de transformação
vai além das raízes da alquimia
primitiva.
Em pleno gelo do Ártico, a NASA descobre
um estranho objeto enterrado nas profundezas
da Plataforma de Milne. Uma descoberta arrebatadora
quer para a agência espacial quer para
a futura eleição presidencial,
uma vez que o Senador Sexton acreditava afincadamente
que a NASA era uma fonte de despesas inútil,
o que decorria dos seus fracassos recentes.
Para constatar a veracidade da descoberta são
chamados civis, entre eles a filha do Senador,
Rachel Sexton, e um erudito e carismático
oceanógrafo, Michael Toland. Todos assistem
entusiasmados à extração
do meteorito, que continha fósseis, contudo,
o poço de extração apresenta
alguns mistérios: organismos bioflorescentes,
indicando um embuste científico. A bomba
rebenta e a autenticidade da descoberta é
posta em dúvida.
Então, eis que acontece o imprevisível:
a equipe de civis cai numa emboscada operada
por uma equipe de assassinos.
A luta pela sobrevivência passa a ser
o ponto fulcral naquela paisagem inóspita
e letal. São vítimas de uma perseguição
sem tréguas ao longo do Ártico,
resguardando-se num submarino nuclear e indo
parar num barco na costa de New Jersey, tudo
porque são detentores da verdade mais
surpreendente já alguma vez vista. Naquele
dia, as pessoas em quem mais confiavam encontravam-se,
só e simplesmente, do lado oposto, querendo
arrastar o mundo para a mentira. Ninguém,
em lugar nenhum, se encontra em segurança.
A ambição pelo poder faz com que
se esqueça tudo e todos, não olhando
a meios para se atingir os fins.
Contudo, a verdade surge e descobre-se que se
trata da mais espantosa e audaz conspiração
alguma vez vista, levando o mundo para um turbilhão
de controvérsia.
Um livro verdadeiramente magnífico. Prende
o leitor do início ao fim, não
se conseguindo parar de ler. Ao virar de cada
página espera-nos uma fabulosa surpresa,
recheada de mistério e de magia. Uma
obra que apresenta uma escrita de fácil
compreensão e acessibilidade; uma história
onde existe um turbilhão de emoções,
medo, pânico total, surpresa, entusiasmo,
amor... mas também muita imaginação
envolvendo organizações e tecnologias
reais. Uma história comovente e enigmática,
uma vez que a súbita mudança de
acontecimentos evidencia a mão implacável
do destino e a luta incansável pela sobrevivência
quando se vê a morte no passo seguinte.
Como afirma o autor, “A vida está
cheia de decisões difíceis (...)
e os vencedores são aqueles que as tomam”,
e ainda: “Tentam o impossível,
aceitam o fracasso, enquanto nós criticamos
e recuamos...” – lições
de vida que evidenciam que, quando se encontra
um obstáculo, deve-se sempre tentar ultrapassá-lo
de cabeça erguida. Lendo o livro tem-se
a capacidade de imaginar o cenário e
sentir as emoções que percorrem
e invadem as personagens. Uma incrível
capacidade de suspense que suga o leitor para
a história e onde todas as peças
do puzzle se encaixam na perfeição.
Quando cheguei à última página,
a minha vontade era ir, novamente para a primeira...
|
O
importante papel do tempo
Taveiros
Ao tempo
da morte de Luciano Pavarotti eu quis escrever
um texto sobre o histórico tenor,
mas a verdade é que me vi
limitado pela pressão que surgiu no ambiente
operístico e cultural, no sentido de que
se estava perante o maior tenor de sempre.
Apesar de gostar
muito da sua voz, não era essa a minha
opinião, desde que há perto de três
décadas me comecei a interessar pelo mundo
da ópera.
Assim, deixei
fluir o tempo, de modo a que se conseguisse a
distância essencial a uma apreciação
desapaixonada do problema. Até que há
umas semanas me foi dado saber que uma sondagem
realizada pela BBC Music Magazine, junto de gente
internacionalmente conhecedora do mundo da ópera,
elegeu Plácido Domingo como o melhor tenor
de todos os tempos.
Naturalmente que
uma tal decisão não é absoluta,
mas tem valia própria de dois fatores,
que são a série dos vinte melhores
tenores de sempre, na opinião dos sondados,
e o fato de se tratar de um conjunto de eleitores
especializados no domínio da ópera.
Mas foi com espanto
que tomei conhecimento de que José Carreras
não veio a figurar naquela lista dos vinte
melhores tenores de sempre. Todavia, na opinião
do leque vasto de especialistas sondados, está
bem claro. Em contrapartida, surgiu em décimo
terceiro lugar, Juan Diego Flores, hoje com trinta
e cinco anos de idade, e por muitos apontado como
o sucessor de Plácido Domingo.
Ora, como se pode
estabelecer um critério aceitável
para se proceder a uma classificação
deste tipo? Bem, não há, está
claro, um critério único, mas há
os que são mais lógicos que outros.
E três fatores essenciais a ter em conta
são a extensão do repertório
cantado, a do editado e a globalidade do papel
desempenhado no domínio em apreço.
Quando se lança
mão deste lógico e natural critério,
a resposta expectável é a que surgiu
agora pela voz da BBC Music Magazine:
Plácido
Domingo foi, até hoje, o maior tenor de
sempre. No fundo, o critério que justifica
que José Carreras não tenha surgido
naquela série dos vinte melhores tenores
de todos os tempos.
Nas intervenções
de Luciano Pavarotti, o grande agrado que o público
sempre encontrou foi o derivado do timbre da sua
voz. Uma voz napolitana, que se encontra por igual,
em Máro Del Mônaco. Gravações
existem, como se dá, por exemplo, com Mefistófeles,
de Arrigo Boito, onde se torna difícil
encontrar diferenças fortes entre os dois
napolitanos, mas, enfim, o tempo permitiu algum
esclarecimento, ao menos à luz do meu pensamento
sobre o tema.
|
Numa
simples tela
Taveiros
Era uma
tela em branco até hoje, quando a decidi
pintar. Queria pintar um mundo colorido, repleto
de mil e uma cores, com pessoas felizes, uma Natureza
edílica e acolhedora, um sol resplandecente
salientando a beleza natural de um mundo perfeito.
Água jorrando, límpida e abundante
pelas encostas verdejantes de uma montanha. Contudo,
as minhas mãos teimavam em pintar um mundo
a preto e branco. Um mundo escuro, sem cor, sem
vida... triste. Nada do que tinha planejado estava
pintado, tudo tinha saído exatamente o
contrário. Senti-me triste, desiludido
comigo próprio...
Fiquei triste e já me considerava derrotado,
mas, passada uma hora de reflexão em que
todas as memórias passam alternadamente
como um filme pela cabeça, ganhei forças
e retomei o pincel. Em todas as minhas recordações
encontrei algo de comum que me ajudou a superar
os momentos mais dramáticos. Não
sabendo como representar esse sentimento, optei
por escrever o seu nome.
Comecei a delineá-lo em preto. Mas a palavra
parecia ter vontade própria, pois à
medida que a ia pintando ela aparecia representada
em mil cores. Cores que transmitiam união,
alegria, companheirismo, cumplicidade, força...
A palavra “Amizade” vincada naquela
tela deixava transparecer tudo o que esse sentimento
significa. Se para uns bastam palavras, para outros
as palavras são pouco.
Pequenos gestos..., simples músicas...,banais
palavras..., escassos segundos... podem marcar
para sempre. Marcar uma pessoa para o resto da
vida, provocando lágrimas e choros intensos.
Como afirmou Vinícius de Moraes: “Eu
poderia suportar, embora não sem dor, que
tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria
se morressem todos os meus amigos! A alguns deles
não procuro, basta saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a
seguir em frente pela vida... mas é delicioso
que eles saibam e sintam que eu os adoro, embora
não o declare e os procure sempre...”.
Sei que os verdadeiros amigos não são
aqueles que estão sempre conosco, mas sim
aqueles que vêm quando o resto do mundo
se foi embora, aqueles que não só
partilham alegrias, mas também as tristezas,
os momentos bons e maus...
Como é difícil definir a amizade!
Talvez porque não tem definição,
é apenas sentida. As ações
e as palavras existentes em todo o mundo resumem-se
a pó quando a amizade é intensa
e vivida em toda a sua plenitude e pureza.
Agora sinto-me feliz. Na tela deixei transparecer
o sentimento mais lindo, sem sombras de hipocrisia.
Ele só e o seu significado. A palavra fala
por si.
A tela está simples. Nada como a simplicidade
para realçar as coisas escondidas da pureza.
Só a palavra marca uma forte presença.
As idéias estão lá patentes,
fica ao critério de cada um, dependendo
da amizade que o rodeia, tirar o seu significado.
Quando terminei, uma lágrima rolou por
minha face, não pela tristeza que sentia,
mas sim pela força da AMIZADE...
|
Curiosidades da língua
portuguesa, como é
rica!
Enviado por Roberto Carrazedo
Este
texto é todo ele sem a letra A
É
possível sim.
Sem nenhum tropeço posso escrever o que
quiser sem ele, pois rico é o português
e fértil em recursos diversos, tudo isso
permitindo mesmo o que de início, e somente
de início, se pode ter como impossível.
Pode-se dizer tudo, com sentido completo, mesmo
sendo como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr inibido
pode muito bem o leitor empreender este belo
exercício, dentro do nosso fecundo e
peregrino dizer português, puríssimo
instrumento dos nossos melhores escritores e
mestres do verso, instrumento que nos legou
monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.
Trechos difíceis se resolvem com sinônimos.
Observe-se bem: é certo que, em se querendo
esgrime-se sem limites com este divertimento
instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. É
um belíssimo esporte do intelecto, pois
escrevemos o que quisermos sem o 'E' ou sem
o 'I' ou sem o 'O' e, conforme meu exclusivo
desejo, escolherei outro, discorrendo livremente,
por exemplo sem o 'P', 'R' ou 'F', o que quiser
escolher, podemos, em corrente estilo, repetir
um som sempre ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode
ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um
conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor
melhor preferir. Porém mesmo sem o uso
pernóstico dos termos difíceis,
muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo
sobre o objeto escolhido, sem impedimentos.
Deploro sempre ver moços deste século
inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso
português, hoje culto e belo, querendo
substituí-lo pelo inglês. Por quê?
Cultivemos nosso polifônico e fecundo
verbo, doce e melodioso, porém incisivo
e forte, messe de luminosos estilos, voz de
muitos povos, escrínio de belos versos
e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços
estudiosos, escritores e professores. Honremos
o digníssimo modo de dizer que nos legou
um povo humilde, porém viril e cheio
de sentimentos estéticos, pugilo de heróis
e de nobres descobridores de mundos novos.
Autor: Desconhecido.
|
| |
Machado
de Assis
Taveiros
No dia 21 de Junho de 1839, nascia numa casa humilde
no morro do Livramento (atrás da Central
do Brasil) nesta cidade do Rio de Janeiro, Joaquim
Maria Machado de Assis, aquele que viria a ser
um dos maiores poetas e escritores da nossa língua.
Estilista primoroso, psicólogo delicado,
observador dotado de uma ironia indulgente e graciosa,
é uma glória da literatura brasileira.
Sua mãe, Leopoldina Machado, jovem portuguesa
da ilha de S. Miguel, trabalhava duramente como
lavadeira sempre com seu filhinho ao lado e cantando
dolente: “Dorme meu filhinho/, mamãzinha
logo vem/, Foi lavar sua roupinha/ na fontinha
de Belém...” O pai, Francisco José
de Assis, era filho de pardos, que tinham tido
a sorte de serem livres. Era pintor de paredes,
mas ganhava o suficiente para uma vida modesta.
Sua mãe costumava levá-lo a visitar
seus padrinhos que moravam num belo palacete,
na quinta do Livramento no mesmo bairro, e que
sempre insistiam em ver o afilhado, e creio que
foi daí, na casa dos padrinhos, que o futuro
escritor observou os hábitos da boa sociedade
fluminense, que mais tarde descreveria com inimitável
perfeição. Aos domingos, após
o almoço, passeava com o pai pela Praia
Formosa, que se localizava nas imediações
da hoje Rodoviária Novo Rio.
Bem cedo perdeu a mãe e a irmãzinha,
e o pai logo se casou de novo com Maria Inês,
mulata como ele e de ótimo coração;
foram morar em S. Cristóvão. Foi
ela quem ensinou as primeiras letras ao menino
e admirava-se de como ele aprendia tão
rápido. Em seguida morreria o pai, e a
madrasta, sem nenhuns recursos, empregou-se num
colégio, cujas donas incumbiram o pequeno
Joaquim a vender-lhes as quitandas, balas e cocadas
pelas ruas do bairro.
Nas horas das aulas o menino esgueirava-se pelos
corredores, e conseguia ouvir alguma coisa das
explicações da mestra, e os livros
que conseguia emprestados supriam-lhe as deficiências
das explicações. Freqüentava
muito uma padaria da Rua S. Luiz Gonzaga cuja
dona era francesa e que lhe dava aulas de francês.
O forneiro, também francês, dava-lhe
lições suplementares.
Maria Inês era muito piedosa, e levou o
enteado à Igreja da Lampadosa para que
ele ficasse lá como coroinha. Vinha de
barco do Campo de S. Cristóvão ao
centro da Cidade, e enquanto os outros passageiros
se divertiam, ele se agarrava ao livro de latim.
Após as missas, depois de receber a magra
espórtula, que era o seu sustento, o rapazinho
corria ao Gabinete Português de Leitura,
ali ao lado, onde encontrava farta Biblioteca
à sua disposição.“
Vou continuar hoje a leitura dos Lusíadas!”
dizia.
Foi auxiliar de tipografia e começou a
escrever artigos como crítico de teatro
em jornais e revistas.
Amigo do português Faustino Xavier Novais,
conheceu sua irmã Carolina Augusta Xavier
Novais, de quem se apaixonou e com quem casou.
Viveram felizes durante muitos anos. Não
tiveram filhos, e depois de prolongada doença,
Carolina faleceu, e então ele escreve um
dos mais belos e sentidos sonetos da nossa língua.
“Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas desta longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.
Pulsa-me aquele
afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida.
Fez nossa existência apetecida
E num recanto pôs o mundo inteiro.
Trago-te flores
– rostos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa separados.
Que eu, se tenho
nos olhos mal feridos
Pensamentos de vida formulados ,
São pensamentos idos e vividos.”
Há uma
velha discussão e comparação
entre os admiradores destes dois expoentes da
nossa língua. Eça de Queiroz e Machado
de Assis. Vivemos numa cultura realmente que compara,
que censura, que avalia, que conclui, sem nos
darmos ao cuidado de ver. Ver sem idéias
preconcebidas, sem condicionamentos. O fato é
que os dois são grandes, e seriam grandes
em qualquer literatura. Eu gosto dos dois, e já
li toda a obra de ambos; Cada um tem o seu estilo,
Eça é mais contundente, Machado
mais soft, comparando-se por exemplo a Capitu
do D. Casmurro, à Luisa do primo Basílio,
mas ambos geniais.
A critica que Machado de Assis fez sobre o “Primo
Basílio” foi uma das melhores páginas
da crítica brasileira já publicadas.
O próprio Eça de Queiroz respondeu-lhe
de Newcastle, na Inglaterra onde era Cônsul,
e mais tarde fê-lo representante no Brasil
para defesa de direitos autorais.
Eça teve uma formação acadêmica
muito sólida, o liceu na cidade do Porto,
e a Universidade em Coimbra, além de ter
vivido quase toda a vida em Inglaterra e em Paris
e de ser considerado o andador de Continentes.
Esteve nos Estados Unidos, Canadá, Oriente
Médio etc., numa época em que para
atravessar o Atlântico de navio demorava
meses.
Machado de Assis, mestiço, de origem humilde,
pobre e desvalido, é um exemplo do que
pode conseguir a força da vontade, e é
como autodidata que alcança o mais alto
firmamento das nossas letras e chega à
presidência da Academia Brasileira de Letras,
e seu fundador.
|
Falando
de Balzac
Taveiros
Confesso francamente
que desejaria poder dispor agora de mais algum
tempo, para “conversar” aqui demoradamente
acerca da Vida e da Obra de Balzac.
É que o grande escritor francês foi
e é, na verdade, um dos maiores romancistas
do mundo (quando não mesmo “o maior”,
como o considerou André Wurmser), e a sua
vida – a mundana, a íntima e, sobretudo
a amorosa – constitui, afinal, o mais extraordinário
e o mais empolgante de todos os seus romances.
Parece mesmo ser sina de certos grandes escritores
desempenharem na vida real, como homens, um papel
bem mais romanesco e dramático do que aquele
que fazem viver às personagens de ficção
com que constroem e povoam as suas criações
literárias.
Para compreender a obra de Balzac é necessário
conhecer a sua vida.
Nascido na cidade francesa de Tours, a 20 de maio
de 1779, e depois de uma infância profundamente
infeliz, sem o amor da mãe (que praticamente
o abandonou) e sem o calor e o aconchego de um
lar (e, como interno num colégio de Oratorianos
cuja disciplina espartana tanto se opunha à
sua natureza sensível e fogosa), o jovem
Honoré de Balzac, aos 18 anos de idade,
instala-se sozinho num quarto de uma velha casa
de Paris, na Rua Lesdiguières, perto da
Praça da Bastilha, levando aí a
vida triste, solitária e difícil,
com fome e com frio, que veio depois a descrever
no seu romance La Peau de Cagrin.
Entretanto, estuda Direito e, para “conciliar
a teoria com a prática” vai estagiando
no escritório de um advogado (que ele retratará
e imortalizará mais tarde, sob o nome de
Derville, em La Comédie Humaine).
Todavia, porque a mensalidade que recebe do pai
é muito modesta, mal lhe permitindo sobreviver
com ela, Balzac pensa em escrever qualquer coisa
para publicar e conseguir obter, assim, mais algum
dinheiro com que possa custear os seus gastos
pessoais. E é isso, afinal, que o vai lançar
no caminho da glória literária.
Os seus primeiros escritos são, porém,
medíocres. Mas numa ânsia determinada
de aprender e de se cultivar, Balzac estuda e
lê ininterruptamente, de dia e de noite,
continuando sempre, porém, a congeminar
e a escrever os seus romances, as suas novelas,
os seus ensaios. Tem agora 20 e poucos anos de
idade e, com a “aventura” literária,
irmanando-se e entrelaçando-se com ela
até ao fim, vai começar também
a “aventura” galante e amorosa.
Depois de conhecer na intimidade Zulma Carraud,
conhece Laura de Berny, vinte e dois anos mais
velha do que ele, e que, pela sua abnegada dedicação
ao jovem e fogoso escritor, vai ser, como já
alguém escreveu, “sua amante, sua
amiga e sua mãe”. E mantém
ainda, por essa altura, ligações
íntimas com a Duquesa de Abrantes, viúva
do General Junot.
Entretanto, ao fazer 30 anos de idade, dá-se
em Balzac, até então um escritor
medíocre e quase desconhecido, uma autêntica
e súbita explosão de gênio:
publica nesse ano, assinadas já com o seu
verdadeiro nome, duas obras notáveis –
Les Chouans e Physiologie du Mariage – que
vão conhecer um rápido e imenso
sucesso, e que marcarão, de fato, o início
duma fulgurante ascensão literária.
Com efeito, é a partir daqui que, durante
apenas vinte anos (até à sua morte
em 18 de Agosto de 1850), Balzac, numa atividade
intelectual e social verdadeiramente incrível,
vai escrever cerca de 85 romances, além
de inúmeros contos e novelas, de milhares
de cartas e de vários ensaios filosóficos
e políticos, ao mesmo tempo que colabora
assiduamente em diversos jornais e revistas, e
se dispersa por uma intensa vida mundana, viajando
e freqüentando os salões da ”alta
roda” parisiense, como o da Princesa de
Bragation e o da célebre Madame Récamier.
Como um rio caudaloso, a vida de Balzac está
subjacente a toda a sua obra – a que ele
chamou La Comédie Humaine - marcando-a,
impregnando-a, fecundando-a com a experiência
excepcional de alguém que, de certo modo
como nenhum outro escritor, pagou ao mundo e à
vida, aos instintos, aos sonhos e ao gênio
o tributo mais pesado e mais dramático
que se pode conceber e pagar. Mas foi isso mesmo,
afinal, que lhe permitiu pôr de pé
e legar à humanidade um dos mais gigantescos,
geniais e fascinantes monumentos literários
de todos os tempos!
|
|
Caro
Professor Flávio Ramos:
Oportuna, a homenagem que faz ao dia do poeta.
Penso, sinceramente, que dificilmente haverá
em outras línguas, tantos e de tamanha
envergadura como na nossa! O Brasil então
é celeiro abundante de grandes e maravilhosos
poetas.
Começando pelo nosso Imperador Pedro II,
relembre esta jóia de soneto escrito no
exílio com profunda melancolia, sem, todavia,
perder a sua grandeza de caráter e sem
uma palavra de queixume:
TERRAS DO BRASIL
Espavorida agita-se a criança
De noturnos fantasmas com receio,
Mas, se abrigo lhe dá materno seio,
Fecha os doridos olhos e descansa.
Perdida é para mim toda a esperança
De volver ao Brasil; de lá me veio
Um pugilo de terra; e nesta, creio,
Brando será meu sono, e sem tardança.
Qual o infante a dormir em peito amigo,
Tristes sombras varrendo da memória,
Ó doce pátria, sonharei contigo!
E entre visões de Paz, de Luz, de Glória,
Sereno, aguardarei no meu jazigo,
A justiça de Deus na voz da história.
|
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O MUNDO
ATUAL
Enviado por Taveiros
Se pudéssemos sintetizar
a população do mundo num pequeno
vilarejo de 100 habitantes com as características
do mundo atual, como seria? Seria assim:
Haveria 57 asiáticos; 21 europeus; 14 americanos
(norte, sul e centro) e 8 africanos.
52 seriam mulheres e 48 homens; seriam 30 brancos
e 70 não brancos; Trinta seriam cristãos
e 70 não cristãos. Seriam 89 heterossexuais
e 11 homossexuais. Seis pessoas possuiriam 59%
das riquezas da vila, e todas elas seriam norte
americanas. Oitenta viveriam em casas sem condições
de higiene. Setenta seriam analfabetos. Cinqüenta
seriam mal alimentados. Um estaria quase a morrer
e outro quase a nascer. Um possuiria um computador.
Um teria título ou curso superior (sim,
somente um).
Considerando-se o mundo nesta perspectiva, está
clara a necessidade de aceitarmos a todos de forma
humana, educada e respeitosa.
Consideremos também isto: Se acordamos
hoje cheios de saúde, temos mais sorte
que milhões de pessoas que não a
têm.
Se nunca passamos pelas amarguras da vida; pela
solidão, pela agonia da tortura, pelo desespero
da fome; pelo enfado de viver, somos mais felizes
que 500 milhões de habitantes deste mundo.
Se podemos freqüentar quaisquer espetáculos,
sem ser ameaçados, presos, torturados ou
mortos, temos mais sorte que 3 bilhões
de pessoas do mundo. Se temos alimentação
em casa, roupas, um teto e um lugar para dormir,
somos mais ricos que 75% dos habitantes deste
planeta; Se temos algum dinheiro no banco, na
carteira, e uns trocados no bolso, estamos no
meio dos 8% das pessoas mais bem aquinhoadas do
mundo; Se temos os nossos pais ainda casados e
vivos, somos pessoas raras.
Se podemos ler esta mensagem, não nos encontramos
entre os 2 bilhões de pessoas que não
aprenderam a ler.
Alguém já disse:
Trabalhe como quem não precisa
de dinheiro.
Ame como ninguém o tivesse feito sofrer.
Dance como se ninguém o estivesse olhando.
Cante como se ninguém o estivesse ouvindo.
Viva como se o paraíso fosse aqui na Terra.
Faça com que o dia de hoje
seja um dia maravilhoso!
|
H
O M E N A G E M
Taveiros
Costumo ouvir e ler no aniversário dos
grandes artistas um pouco de suas obras: é
a minha homenagem. Assim, ouvi a suíte
número um em Sol Maior para violoncelo
sem acompanhamento de Bach. E nas obras completas
de Gonçalves Crespo, (Ed. Afrânio
Peixoto), encontro esta jóia de Canção.
Antonio Cândido Gonçalves
Crespo nasceu no Rio de Janeiro no dia
11 de Março de 1846, tendo vivido a maior
parte da sua existência em Portugal, onde
casou, quando ainda cursava o segundo ano de Direito
com a escritora portuguesa Maria Amália
Vaz de Carvalho. Diplomou-se. Foi Deputado em
Goa - Índia. Jornalista e membro de várias
Instituições de cultura, entre as
quais a Real Academia das Ciências de Lisboa.
Faleceu de tuberculose, aos 11 de Junho de 1883.
C
A N Ç Ã O
I
Mostraram-me um dia na roça dançando
Mestiça formosa de olhar azougado,
Co’um lenço de cores nos seios cruzado,
Nos lobos da orelha pingentes de prata.
Que viva mulata!
Por ela o feitor
Diziam que andava perdido de amor.
II
De entorno dez léguas da vasta fazenda
A vê-la corriam gentis amadores,
E aos ditos galantes de finos amores.
Abrindo seus lábios de viva escarlata,
Sorria a mulata,
Por quem o feitor
Nutria quimeras e sonhos de amor.
III
Um pobre mascate, que em noites de lua
Cantava modinhas, lunduns magoados,
Amando a faceira dos olhos rasgados,
Ousou confessar-lho com voz timorata...
Amaste-o, mulata!
E o triste feitor
Chorava na sombra perdido de amor.
IV
Um dia encontraram na fria senzala
O catre da bela mucamba vazio:
Embalde a procuram nas sombras da mata.
Fugira a mulata,
Por quem o feitor
Se foi definhando, perdido de amor.
|
Guloso de humor me confesso...
Taveiros
Poetas, prosadores e artistas das
mais variadas expressões têm tentado
definir o humor. Dirão muitas pessoas que
humor é o que faz rir ou sorrir. Não
é suficiente. Um político desses
falando de ética ou honestidade, fará
rir muita gente. Ou se um desses apresentadores
de televisão contar uma piada da mais rasteira
pornografia também fará rir. E,
no entanto, nem uma coisa nem outra passam perto
do humor.
O humor é uma espécie de reverberação
do espírito vinda das profundidades do
pensamento. Sou, desde jovem, um guloso pelo humor.
Gosto que ele me percorra o corpo como uma espécie
de linfa e se espraie no espírito em ondas
infindáveis. Muito cedo peguei a doença
da leitura, da qual, nunca me curei. Até
aos vinte anos, lia tudo o que me passava por
perto, sem qualquer critério de escolha.
Da Bíblia até Eça de Queirós
e Machado de Assis, para citar apenas uma disparidade
literária.
Depois dos vinte, o gosto foi-se lapidando e disciplinando.
E logo os humoristas começaram a constituir
uma simpática falange contra o meu tédio.
Recordo como se fosse hoje o longo sorriso que
foi a leitura de Três homens num
bote...e O cão de Jerome K. Jerome,
esse grande clássico do humor inglês.
Foram muitos os humoristas que me fizeram companhia,
mas é a Bernard Shaw e Júlio Camba
que devo os mais salutares risos e sorrisos. O
genial irlandês, Prêmio Nobel da Literatura
em 1925, veio a morrer com mais de noventa anos,
conservado, com certeza, em sarcasmo, ironia e
humor.
Grande provocador da sociedade do seu tempo, deixou
muitos romances, ensaios e peças de teatro.
Poucos desconhecem o espírito de Bernard
Shaw, pois todo o mundo viu “My fair Lady”,
a belíssima fita que andou muito tempo
nos cinemas, inspirada na peça Pigmalião,
do genial dramaturgo.
Mas Bernard Shaw não foi só irônico
e sarcástico nas suas peças e seus
romances. Foi-o também nas suas relações
pessoais.
Um desconhecido escritor inglês, querendo
vender o seu livro, pediu a Shaw um prefácio
que o ajudasse a lançar o livro.
O sarcástico dramaturgo respondeu com esta
pergunta cruel: o senhor já viu um burro
e um cavalo puxarem a mesma carroça?
O troco veio dias depois numa humilde carta que
terminava assim: “esperava tudo do senhor
menos que me chamasse de cavalo”...
Era o próprio Bernard Shaw que contava
as suas derrotas. Humorista até nisso.
Júlio Camba nasceu em Villanueva de Arosa,
Espanha, em l884 e faleceu em l962, depois de
ter feito rir o mundo inteiro.
O humorismo de Júlio Camba nunca é
superficial como o dos escritores ditos engraçados.
Profundo conhecedor dos povos que largamente percorreu,
e das pessoas com quem longamente conviveu, Camba
não nos dá a ler simplesmente o
que escreve. Leva-nos consigo em agradáveis
passeios e cativantes relações humanas.
Acabo de reler Aventuras de uma peseta,
que adquiri em Salamanca, em 1975.
Neste livro, dei com a Peseta
de Júlio Camba, um longo e minucioso passeio
pela Alemanha, Inglaterra, Itália e Portugal.
Muito aprendi e muito me diverti, de terra em
terra, de encontro em encontro, de reflexão
em reflexão.
É particularmente interessante a observação
que faz de Nápoles e da sua gente. Homens,
mulheres e crianças de vida simples, mas
de uma vivacidade repassada de simpatia e sentimentalismo.
Vejam como ele descreve os napolitanos: almoçam
uma laranja e vestem-se como um raio de sol.
Bonito!...
|
| |
|
Rendilhada de luar, para a glória
da vida,
Num fausto sem igual, abrindo o seio em flor,
De tesouros pejada, ante o descobridor
Uma ignota região jazia adormecida...
E o estrangeiro indagava, em sua
alma atrevida,
Que força arrancaria a riqueza e o esplendor
Dessa presa opulenta ao ínclito valor
De sua raça, em mil conquistas aguerrida...
Mas dos mastros heris a rijeza
se erguia
Para o espaço, onde, em lácteas
luzes de alabastros,
A pompa milenar das estrelas fulgia.
E o olhar do herói seguira
a indicação dos mastros:
- Pátria, no alto, abençoando esta
terra bravia,
Deus velava, na cruz de Cristo aberta em astros!...
(sic) Rosalina Coelho Lisboa (D’
O Brasil que os poetas cantam)
|
Tragédia
nacional
DANUZA LEÃO
A
escola não existe só para ensinar
a ler e a escrever mas também para formar
cidadãos. Dá vergonha
NINGUÉM VAI me dizer que as crianças
brasileiras só são mais inteligentes
do que as de um país que se chama Quirguistão,
do Qatar e da Tunísia. Por que, então,
elas não conseguem aprender a ler? Porque
quem ensina não sabe ensinar, claro.
Quando houve a tragédia da jovem presa
na mesma cela com 20 homens, no Pará, logo
veio a notícia de uma verba de R$ 89 milhões
para melhorar as prisões do Estado, como
se essa fosse a solução do problema.
Quando foram divulgados os resultados do Programa
Internacional de Avaliação de Alunos,
o ministro da Educação apareceu
na televisão dizendo que seu ministério
precisava de mais verba para que o ensino melhorasse.
Mas o problema não é só de
verba, em nenhum dos dois casos; é preciso
saber como usar a verba, e até agora não
ouvi uma só palavra sobre um projeto para
formar novos professores.
Renovar as salas de aula, dar mesas e cadeiras
para que os estudantes estudem é necessário,
claro; mas sem bons professores, professores que
saibam ensinar, nada vai mudar.
Leva tempo, eu sei, mas é preciso começar
a investir direito para um dia colher os frutos,
mesmo em um próximo governo que não
seja do PT. O sistema de educação
da França, um dos melhores do mundo, foi
implantado por Napoleão Bonaparte ainda
no século 19, e é tão bom
que continua o mesmo até hoje. O Brasil
não precisa criar; basta ir lá,
ver e copiar.
Uma criança que passa apenas quatro horas
do dia na escola dificilmente vai chegar em casa,
pegar o caderno e, por vontade própria,
fazer o dever de casa e estudar a lição.
E sem essa de dizer que os pais, que antes colaboravam,
hoje em dia não colaboram. Nos tempos atuais,
na maioria das famílias, pais e mães
não têm tempo de estudar com seus
filhos porque trabalham, razão a mais para
o garoto chegar da escola, ligar a televisão
e ficar vendo um filme. O estudo e os deveres
têm que ser feitos ainda no colégio,
sob a supervisão dos professores, quem
não sabe?
Crianças de 15 anos que não sabem
ler corretamente, e quando conseguem, não
entendem o que leram, é uma lástima.
A escola não existe só para ensinar
a ler e a escrever mas também para formar
cidadãos. Dá vergonha e dá
pena; o que será do futuro dessas crianças?
O que será do futuro do Brasil? Não
seria mais útil ter empregado o dinheiro
da mais do que inútil TV Brasil em educação?
E o R$ 1 bilhão do BNDES para ajudar na
comercialização dos conversores
da TV digital? Não seria melhor ser usado
na educação?
Outra coisa que me chamou a atenção
nessa semana foi a invenção, do
ministro da Defesa, de multar as companhias de
aviação que atrasarem os vôos.
Muito bem, ótimo, quem não quer
ter os aviões no horário? Mas até
provar a razão do atraso -por necessidade
de uma manutenção mais demorada,
porém necessária, por exemplo-,
vai ser um problema. As companhias não
vão querer pagar por isso, e talvez prefiram
"economizar" nesse pequeno detalhe,
o que em aviação pode significar
tragédia. Eu, por mim, prefiro que meu
avião atrase a que caia. Será que
estou errada?
Não é por nada não, mas este
país está um caos, c-a-o-s. O Senado
livrou a cara de Renan Calheiros, e eu gostaria
de saber de alguma coisa, qualquer uma, da responsabilidade
do governo, que funcione bem. Só uma, e
eu já fico feliz (a estabilidade monetária
não vale, esta Lula já encontrou
prontinha). Quem souber que me mande um e-mail.
danuza.leao@uol.com.br
|
| |
|
Despertei
esta manhã com devota ação
de graças por todos os meus amigos. Não
deverei então chamar Belo ao nosso Deus
que diariamente se me revela em todos os Seus
dons?
Meus amigos vieram a mim sem que eu os procurasse.
O grande Deus mos deu. Pelo mais antigo dos direitos,
pela divina afinidade da virtude consigo própria,
eu os encontro, ou melhor, eu não, mas
o Deus que existe em mim e neles, que ridiculariza
e suprime os espessos muros de caráter
individual, relação, idade, sexo
e circunstância, com os quais é usualmente
conveniente, fazendo de muitos um só. Profunda
gratidão vos devo, queridos amigos, que
para mim conduzis o mundo a novas e nobres profundezas
e ampliais o significado de todos os meus pensamentos.
A sístole e a diástole do coração
têm certa analogia com o fluxo e refluxo
do amor. A amizade contém a beleza da alma.
As leis da amizade são grandes, austeras
e eternas. Pertencem à trama das leis da
Natureza e da moral. Um amigo é alguém
com quem posso ser sincero. Diante dele, posso
pensar em voz alta.
Há dois elementos que entram na composição
da amizade, cada um deles tão soberano
que não percebo superioridade em nenhum,
nem razão para nomear primeiramente este
ou aquele. Um é a Verdade. Cheguei, por
fim, à presença de uma pessoa tão
real e equânime, que me é possível
despir o traje da dissimulação,
cortesia e segunda intenção, que
os homens nunca despem, e tratá-la com
a simplicidade e inteireza com que um átomo
encontra outro. Outro elemento da amizade é
a Ternura. Estamos unidos a toda a humanidade
por toda a sorte de vínculos: por sangue,
orgulho, medo, esperança, lucro, cobiça,
ódio, admiração, por toda
a classe de circunstâncias, insígnias
e ninharia.
Detesto que o nome da amizade seja prostituído
para significar alianças mundanas de ocasião.
Prefiro a companhia das pessoas simples à
sedosa e perfumada amizade que celebra seus encontros
com frívola ostentação, e
jantares nos melhores restaurantes.
A condição que a profunda amizade
exige é a capacidade de passar sem ela.
Para desempenhar esse alto oficio são necessárias
grandes e sublimes qualidades. Os amigos têm
de ser verdadeiramente dois, antes de poderem
ser verdadeiramente um. Que haja uma aliança
de duas naturezas grandes, formidáveis,
que se contemplem mutuamente, que mutuamente divirjam,
antes mesmo de reconhecer a profunda identidade
que, sob tais disparidades, as une.
|
Lançamento
do livro
“UM COMANDO DE POLÍCIA
MILITAR”,
Liderando o grupo Guararapes, que reúne
militares da Reserva e intelectuais civis,
o general Francisco Batista Torres de Melo conta
em seu livro
“Um Comando de Polícia Militar”
“a saga grandiosa de homens que defendem
com amor a sociedade paulista.” Uma honra
para o Brasil.
O general Torres de Melo foi o comandante da
PM paulista por três anos e meio.
O livro deve ser lido por militares e civis,
interessados em como atua uma polícia
altamente treinada, e também o lado humano
do cidadão fardado, pai de família
que cumpre um dever com risco de vida.
Dia
30 de novembro de 2007 (Fortaleza)
Hora: 10.00 horas
Local: Associação dos Oficiais
Militares da Reserva e Reformados do Estado
do Ceará: AORECE
Endereço: Rua J.da Penha, 650
Dia 7 de dezembro De 2007 (São
Paulo SP)
Hora: 21.00 horas
Local: Associação dos Oficiais
da Polícia Militar (Salão Social
do Barro Branco.)
Endereço: Rua Tenente Júlio Prado
Neves. Bairro Tremenbé.
Dia 12 de Dezembro
de 2007 (São Paulo SP)
Hora:11.00 horas
Local: Associação dos Sub-Tenentes
E Sargentos da PMSP
Endereço: Avenida Cruzeiro do Sul, 248.
Bairro Pari São Paulo - SP
N.R.
Recomendamos este livro a sociólogos,
jornalistas, psicólogos e inelectuais
estudantes do comportamento humano, sob pressão.
A importância do
comando firme e capaz e do relacionamento familiar
estável como suporte emocional do policial
militar.
|
DO BEBÊ
DE PROVETA À CLONAGEM
Com grande barulho na comunicação
Social e com popular agitação,
A ciência médica anuncia a fecundação
In vitro isto é, o encontro festejado
Do espermatozoide com o óvulo assustado
Longe do útero. Por este arrojado
Processo, o encontro dá-se numa caixa
Em laboratório a temperatura baixa
Especialmente feita para o efeito.
O óvulo assim fecundado desse jeito,
É posto no útero da mulher que deseja
Ser mãe e que alguma anomalia a deixa
Impedida de não ser pelo insucesso
Do modo natural. Assim, este processo
De fecundação in vitro só
não é sucesso
Completo porque a técnica é delicada
Falível e dispendiosa. Consultada
Por nós a estatística, nela consta
apenas
Alguns poucos êxitos sempre a duras penas.
Os bebês conseguidos pela fecundação
In vitro ficaram, não sei por que razão,
Conhecidos por bebês de proveta.
O barulho com esses bebês foi o bastante
Para chegar enfim ao mais distante
Interior de Minas que com perdão dos padres
Se deu este diálogo entre duas comadres:
Ô comade Geraldina tem óvido falá
No tal de bebê proveta que agora tá
Na moda? Olha se nê tenho Catarina,
Eu nê sei pra que tanto barulho minina;
Eu que sou pra aqui dez reis de mulhé
Já tive um bebê proveta. Foi o mê
Zé
Que Deus tem.. Nê pode sê comade,
né?
Pois só agora é que os doutô
descobriram
Essa engenhoca. Só agora? Eu te conto
Comade: estava eu namorando o tonto
Do mê Zé sentados numa caixa de madeira
E papai e mamãe foram fechar a porteira
Do gado, iê disse pó mê Zé:
- proveta agora!
Foi ali mesmo na caixa de madeira
Que comecei a engenhar.
Fecundação in vitro tenham paciência,
É uma espécie de Idade Média
da ciência
Com o aparecimento aí da clonagem.
Mas que vem a ser a tal de clonagem?
Todos se recordam - a TV mostrara
Uma ovelha “vedete” a qual se chamara
Dolly. Apresentaram-na com a particularidade
De ser igual à mãe. A ovelha na
verdade
Saíu da fecundação do óvulo
de uma
Ovelha por uma célula mamária duma
Outra. O óvulo fecundado foi introduzido
No útero de uma terceira e se seguiu
Uma gravidez normal.
A ovelhinha veio a parecer-se com a mãe.
Na totalidade do corpo como ninguém
Nunca viu. Até porque só teve mãe
Nenhum carneiro ali meteu o bedelho
Ou fosse o que fosse.
Se a clonagem pega e se começa a alargar
Ao homem, o mundo acaba por se transformar
Num asilo de órfãos de pai que não
tiveram.
O progresso acaba de por na mão do homem
Uma arma que me parece ter tanto de
Admirável como de temível!
|
| |
O
Real Gabinete e Artur Faria
A
vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa.
“João de Deus - Campo de flores”
Se eu quisesse, poderia
escrever 20 ou 30 páginas sobre o Real
Gabinete Português de Leitura, mas, com
certeza, não diria nada espontâneo,
não diria sequer uma palavra nova.
Tudo já foi dito acerca do Gabinete. É
um Laboratório; é um Templo de cultura;
é uma Catedral do saber, etc;
enfim, está esgotado todo o vocabulário
a respeito do Gabinete.
Contudo não posso furtar-me a dizer que,
tenho pelo Real Gabinete Português de Leitura
uma quase veneração. Já algumas
vezes, ao transpor aqueles pórticos, senti
um telurismo patriótico, destes que transcendem
qualquer concepção mental.
Os portugueses construíram e fizeram muito
por este Brasil, particularmente no Rio de Janeiro:
clubes de futebol, clubes recreativos, beneficências,
enfim, tudo que faz bem ao corpo. Mas o Real Gabinete
é diferente: O Real Gabinete faz bem à
mente, o Real Gabinete faz bem à alma.
Entrei pela primeira vez no Gabinete nos anos
60, uns anos depois de ter chegado ao Brasil,
quando andava preocupado com o vestibular. Era
a época dos excedentes. E era ali, no silêncio
daquela biblioteca, que eu tentava resolver as
minhas equações de matemática
e de física. Nessa altura, o Real Gabinete
tinha como chefe da Biblioteca um cidadão
chamado Artur Fortes de Faria de Almeida.
Foi esse cidadão que me ensinou a gostar
do Gabinete. Era um diplomata, um cortesão,
um palaciano e patriota da melhor estirpe. Elegante,
culto, lia Horácio e Virgílio no
original, e comentava Victor Hugo e Lamartine
em sua própria língua; um português
que honrava a sua raça, um homem fora do
contexto e, duma riqueza interior verdadeiramente
notável.
Um dia, um amigo comum disse-me: “valeu
a pena vir ao Brasil só para conhecer o
Artur Faria!” e eu concordo. Devo-lhe muito,
especialmente este meu quase desapego pelas coisas
materiais das quais temos apenas a posse transitória.
Com a saída dele, o Gabinete nunca mais
foi o mesmo, e, atrevo-me a dizer que jamais o
será, apesar do dinamismo do atual presidente.
Fizemos uma amizade que felizmente durou até
ao dia 22 de setembro de l995 quando faleceu.
Uma vez por semana vinha ao meu encontro; ultimamente,
com dificuldade de andar, buscava-o em casa e
levava-o à noite.
Foi este homem que a colônia portuguesa
perdeu há exatamente 12 anos e que tão
poucos se lembram! Eu fui o primeiro a vê-lo
naquela madrugada de sua morte, chamado que fui
pela sua esposa e não podia, neste dia,
deixar de mais uma vez, prestar a minha homenagem
a quem tantas recordações e laços
de saudade me prendem.
Taveiros
|
O
comando de nós mesmos
Taveiros
Fomos educados a medir a inteligência,
Pela capacidade e pela competência
De resolver problemas complexos,
Desempenho ao ler e bons reflexos.
Esta noção de grande inteligência,
Faz a instrução e a referência
Cultural de auto-realização.
Achamos que, quem tem maior coleção
De títulos acadêmicos, é inteligente.
As casas de saúde, não obstante,
Estão abarrotadas de doentes mentais,
Com todos esses, e outros credenciais.
O grande barômetro da inteligência,
É vida produtiva e boa vivência
A cada momento presente de cada dia.
Se vivemos o momento pelo seu valor,
Então somos pessoas impermeáveis
à dor.
Se apesar da nossa incapacidade,
Ainda é possível escolher a felicidade,
Ou, pelo menos recusar a infelicidade,
Então somos pessoas assaz inteligentes.
Aprender a assumir os nossos pensamentos,
Envolverá processo de, em todos os momentos,
Pensar de maneira nova, que poderá
Apresentar dificuldades, por que há,
Forças que se opõem em nossa sociedade,
E que conspiram contra a nossa vontade.
Mas se não assumirmos, quem assumirá?
O nosso cônjuge, a nossa mãe, quem
será?
Sejamos francos: pois nós todos sabemos
E mais ninguém que, todos nós podemos,
Assumir o mecanismo do nosso pensar.
Nossos pensamentos são nossos, apesar
De pensarmos que não. Temos capacidade
De guardá-los, modificá-los, e a
sagacidade
De observá-los.
Fomos levados a acreditar que,
as pessoas,
Os lugares, as nações, ou as coisas
"não boas",
É que nos infelicitam. Mas não é
verdade.
Somos infelizes por própria vontade,
E pelos pensamentos que temos a respeito
Das pessoas ou coisas, que com efeito
Fazem parte da nossa vida.
Para sermos livres e saudáveis temos
Obrigatoriamente desaprender o que sabemos.
Quando conseguirmos novos pensamentos,
Experimentaremos novos sentimentos,
Daremos o primeiro passo no sentido
Da liberdade individual e permitido
Adquirir novos hábitos. É preciso
atenção
E vigilância, para desaprender com precisão
O que aprendemos. Ser feliz é fácil,
Mas, não ser infeliz poderá ser
difícil.
A felicidade constitui uma condição
Natural do homem. A observação
Duma criança dá-nos a prova evidente.
Novo modo de pensar requer realmente
Que tenhamos consciência das antigas formas
De pensar. Acostumamo-nos com normas
Que situam fora de nós todo o motivo
Do nosso bem ou mal estar. Já é
cansativo...
Assumir o comando de nós mesmos requer,
Determinação e coragem. Não
é qualquer
Um. Aprendemos os hábitos que temos
Hoje, e reforçamo-los pela vida como vemos.
Ficamos nervosos, irritados e magoados,
Aprendemos a ficar, assim todos frustrados,
Por que aprendemos a pensar dessa maneira
Há muito tempo. Aceitamos esta cegueira
E jamais ousamos desafiá-la. Mas é
possível
Aprender a não sermos nervosos, e risível
Ficarmos irritados. Tal como aprendemos
A ter todos esses sentimentos que temos
Auto-destrutivos.
A questão que discutimos
é a nossa capacidade
De preferir a felicidade, à infelicidade,
Em qualquer momento, e em toda a nossa vida.
Se somos livres para escolher coisa preferida,
Também o somos para o comportamento
Auto-gratificante, ao auto-destrutivo.
Quem dirige carro numa grande cidade
Nos dias de hoje, não é novidade
Que se veja preso em engarrafamentos.
Ficamos furiosos, em todos os momentos,
Xingando os outros, as obras da Prefeitura
Descarregamos raiva nesta vida dura,
E sobre tudo e todos ao nosso redor.
Atribuindo ao trânsito o nosso mau humor,
E que simplesmente nos descontrolamos
Nos engarrafamentos. Isto que falamos
Só acontece, por que fomos condicionados
A nos comportar no trânsito, dessa forma.
Mas se preferirmos pensar e, ter por norma
Uma maneira nova, de nos auto - estimular?
Poderemos, com nós mesmos, conversar,
Assobiar, cantarolar, ligar o gravador
Conversar com nós mesmos, esquecer o calor,
Até mesmo, por cinco minutos, adiar
A nossa raiva. Não aprenderíamos
a gostar
Do trânsito, mas sim, de início muito
lento,
A escolher agora novo comportamento.
Poderemos também decidir eliminar
Sofrimentos físicos que nos dão
que pensar,
E que não têm raízes, em nenhuma
disfunção
Orgânica conhecida, certa perturbação
Física comum, muitas vezes sem origem
Em nenhum distúrbio biológico mas
afligem,
Como dores nas costas e hipertensões
Úlceras, dores de cabeça e erupções
Da pele, cãibras, dores passageiras etc.
Não nos apressemos a tachar esta conversa
De papo furado ou coisa controversa.
Boa parte dos médicos, já tiveram
pacientes
Que sofrem de mal físico sem estarem doentes.
A melhor forma de novo comportamento,
É aprendermos a viver o presente momento.
Viver o momento, entrar em sintonia
Com o nosso agora, não é utopia,
Mas o ponto principal do viver pleno.
Quando penso nisso, vejo quão pequeno
Realmente sou. O agora é tudo no entanto,
E o futuro, não passa de outro momento
Presente, a ser vivido quando, e se chegar.
Vivemos numa cultura que não pensa no agora,
"Pense no amanhã, poupe para o futuro",
"Olhe as conseqüências, não
queira ficar duro".
Evitar o presente é quase uma doença
Em nossa cultura, e quase uma sentença.
Tiradas as conclusões lógicas, esta
atitude
Representa não somente evitar desfrutar
O agora, mas para sempre sacrificar,
A felicidade. Quando o futuro vier,
Torna-se presente e, se não se viver,
A felicidade será sempre uma ilusão.
O momento presente, temo-lo à mão,
E deve ser vivido maravilhosamente,
Devemos absorver o momento presente,
Desligarmo-nos do passado que já acabou
E do futuro que chega, mas que não chegou.
Agarremo-nos ao momento e pensemos
Conscientes de que é tudo que temos
Para terminar, atentemos para a linha
Mestra desta conversa:
Uma nova maneira de pensar, ou sentir,
Ou viver, é possível, mas temos
que admitir
Que não é fácil.Todavia como
dizia Marden:
Os caminhos fáceis, são todos de
descida.
|
INCRÍVEL ATUALIDADE DE EÇA DE
QUEIRÓS
Taveiros
Muitos foram
os escritores que representaram a consciência
moral de seu tempo, dentre os quais destaco
dois. Henry Louis Mencken e Eça de Queirós.
Ambos foram escritores e jornalistas que tiveram
em comum o fato de viverem num mundo obscurecido
pela mediocridade, hipocrisia, superstições
e crise de valores, idéias e costumes,
usando, principalmente, a ironia como refutação
dos ridículos e das verdades estabelecidas
de sua época. Em sentido amplo, cada
um, com seu estilo pessoal, combateu o que o
jornalista americano Carl Bernstein chamou de
“triunfo da cultura idiota”.
Henry Louis Mencken, americano de Baltimore
(1880-1958), polemista e agnóstico, teve
como principal arma o humor cáustico
e se gabava de nunca ter elogiado um presidente
americano. Irreverente, iconoclasta e, às
vezes, idiossincrático, ridicularizou
a estupidez do homem comum, as idéias
feitas, os clérigos e juízes,
satirizando a burrice dos governantes, políticos
e burocratas, a exploração da
fé pelos religiosos, os moralistas, corruptos,
idealistas, românticos, filósofos,
psicólogos, jornalistas e donos de jornais.
Atacou também seitas evangélicas,
racistas, imigrantes alemães a quem classificava
no “nível cultural de verdureiros”.
Criticou corretores da Bolsa, socialistas, os
jardins zoológicos e os pretensos donos
da verdade: “o homem que se gaba de só
dizer a verdade é simplesmente um homem
sem nenhum respeito por ela”.
A isso tudo acresce, ainda, os ataques ao homem
médio dos Estados Unidos, “cinqüenta
por cento dos adultos americanos nunca ultrapassam
o desenvolvimento mental de uma criança
de 12 anos”.
Finalmente, considerava que “todo o homem
decente deve se envergonhar do governo sob o
qual vive e a democracia é a arte e a
ciência de administrar o circo a partir
da jaula dos macacos”.
Em outra época e sociedade, Eça
de Queirós (1845-1900) foi o maior crítico
de seu país. Com a sua inteligência
versátil, ironizou instituições,
comportamentos, personagens, os valores falsificados
do mundo oficial, as mentiras, mistificações
e hipocrisias da religião, do ensino,
e da vida política de Portugal.
No centro de sua personalidade e de sua expressão
estavam o sarcasmo, que ele conceituava como
“a ironia acompanhada do riso insultante”,
e o riso “a mais antiga e ainda mais temível
forma de crítica”.
Com esses instrumentos, não perdoou as
mediocridades festejadas, as comédias
de erros das diversas classes sociais, as tolices
pomposas e as banalidades convencionais das
mentes conservadoras que continuavam a usar
ceroulas mentais.
Com ironia nunca amarga, criticava os fundamentos
da vida social portuguesa, principalmente os
comportamentos e a maciça obtusidade
dos tipos e fatos da vida lisboeta e provinciana.
Vivendo numa sociedade que era a negação
de tudo o que ele representava, pensava ou desejava,
foi um crítico impenitente, embora no
fundo pressentisse que suas críticas
teriam alcance reduzido: “Não há
nada a fazer”, dizia Fradique Mendes,
seu alter-ego a respeito de Portugal. Sabia
que era difícil mudar uma sociedade mental
e espiritualmente atrasada, velha, patriarcal,
burocrática, clerical e estamental.
No seu anti-clericalismo, coloca na boca do
Dr. Gouveia, no “Padre Amaro”, o
seu ideal de um cristianismo sem clero: “Eu
não preciso dos padres no mundo, porque
não preciso de Deus no céu. Isto
quer dizer, meu rapaz que tenho meu Deus dentro
em mim; é o princípio que dirige
as minhas ações e os meu juízos,
vulgo consciência”.
Considerou sempre a política como uma
atividade marcada pelas baixezas, oportunismos
e empáfias. Exemplo disso são
os políticos sempre duramente criticados
como presunçosos, incapazes, corruptos,
falsos, ambiciosos, egomaníacos, repulsivos
e, é óbvio, desprovidos de qualquer
sentimento patriótico.
Foram várias as figuras paradigmáticas,
todas ainda de flagrante atualidade. Entre eles
o Conde de Abranhos. Sobre este o mínimo
que se pode dizer é que foi um corsário
político e, embora vivendo um século
antes de Nelson Rodrigues, representava o que
este chamava de “ascensão fulminante
do idiota”.
Sua carreira política começa pelo
casamento com a filha do desembargador Amado..
Eleito deputado, faz discursos bestialógicos
sobre a reforma da instrução,
a política colonial e as estradas de
ferro. E tal como se vê hoje, trai seu
partido ao passar convenientemente para a oposição,
sendo nomeado Ministro da Marinha, apesar do
seu horror aos navios e ao mar e da absoluta
ignorância em geografia. Estimulado pelas
circunstâncias, tem ainda a brilhante
idéia de preconizar uma expedição
ao pólo.
Era também voltado para a questão
social. É dele a célebre afirmação
na Câmara dos Deputados: “não
podemos dar ao operário o pão
da terra, mas, obrigando-o a cultivar a fé,
preparamos-lhe banquetes no céu de luz
e bem-aventurança”.
A RELIGIÃO,
OS PADRES E O BEATISM0
É difícil
conter o espanto diante da coragem de Eça
ao criticar o cinismo e a obtusidade de uma
religião fortemente estabelecida em Portugal
e apoiada por um Deus justiceiro, criador de
anjos e demônios, do céu e do inferno
e onde quem estivesse fora dela não teria
salvação. Sua crítica centrou-se
principalmente no catolicismo tradicional, que
considerava beato, clerical, impregnado de charlatanice
e de desejo de dominação. Criticou
a Igreja alvejando com suas invectivas o “padre
funcionário público.”
O exemplo mais interessante é o do Padre
Salgueiro, para quem “o sacerdócio
não constitui de modo algum uma função
espiritual – mas unicamente e terminantemente
uma função civil”. “As
suas relações, portanto, não
são, nunca foram com o céu (do
céu só lhe importa saber se está
chuvoso ou claro”), mas com a Secretaria
da Justiça e dos Negócios Eclesiásticos.
Ignorante do evangelho, só sabe que ele
é muito bonito. Critica também
o “padre-sensual”, cujo exemplo
mais elaborado é o Padre Amaro.
Não menos notável é a sua
galeria de beatas, com destaque para a Sra.
Patrocínio das Neves – a Titi do
Raposão e de D. Laura Amato, sogra de
Abranhos.
O mínimo que se pode dizer da Titi é
que ela é o produto de uma implacável
religião alimentada pelos padres e a
antípoda da verdadeira espiritualidade
e dos imperativos de caridade. Titi vivia cercada
de cruzes, imagens, opas, tochas, bentinhos,
andores, sempre vestida de preto e invariavelmente
cercada por dois padres: o Padre Pinheiro e
o Padre Casimiro. Odiava o sexo (que considerava
“relaxações”) e tudo
o mais que insinuasse qualquer contato ou relação
entre homens e mulheres...
CONSELHEIRO ACÁCIO
É uma das criações imortais
de Eça. Especula-se que tenha sido inspirado
no Deputado Assunção Contemporâneo
de Eça. Só pronunciava banalidades
com ênfase, dava eloqüência
às frases-feitas dedicava-se à
estatística, ambicionava honras oficiais,
era dado a gestos medidos, hieráticos,
e nunca usava palavras triviais. Escreveu o
irrelevantíssimo “elementos genésicos
da ciência da riqueza e sua distribuição
segundo os melhores autores”.
Mas Acácio não é só
português. Ele é universal, e seus
descendentes espirituais e discípulos
proliferam abundantemente e tão tristemente
aqui no Brasil.
Com todas as suas qualidades e defeitos, a obra
de Eça não é só
feita de pitorescos, caricaturas e expressões
satíricas. Existem muitos momentos de
beleza, perfeição estilística
e de largos recursos narrativos da maior elevação
e profundidade, além de preocupações
profundamente humanas.
Como homem e escritor possuía uma sensibilidade
requintada, apreciador da boa convivência
e do código social civilizado, das corretas
maneiras, além de um intelectualismo
sofisticado. Eça foi também um
escritor raro pelo temperamento sensual, sensorial
e gustativo: em quase todos os seus livros descreve
almoços, jantares e bebidas que servem
para compor uma atmosfera e ajudam a retratar
uma época, o caráter dos vários
ambientes romanescos e a rotina dos seus personagens.
Eça não foi apenas uma glória
literária entre os escritores da nossa
língua. Foi um escritor universal que
concebeu uma obra de beleza plástica
e expressão estética superior,
principalmente de grande consciência crítica.
Nesta perspectiva, seus romances, contos, novelas,
ensaios e trabalhos jornalísticos podem
ser considerados como superiores realizações
literárias do século XIX, mas
perenizando-se, pelo estilo e outras marcas
próprias, como uma grande arte de todos
os tempos.
|
C
A B E L O B R A N C O
Taveiros
Acabo de receber, da minha filha,
um e-mail melancólico em que me dá
notícia do aparecimento do seu primeiro
cabelo branco.
Esta querida filha, que consegue reunir, a um
espírito brilhante, uma grande e profunda
cultura, não pode ao escrever-me, disfarçar
o seu grande drama.
A razão do pânico justifica-se. É
que a mulher, mesmo culta, mesmo inteligente,
mesmo superior, entende, justamente porque não
se esquece de que é mulher, que a beleza
só é possível no apogeu da
vida.
Ora, isto é um engano. Há claridades
outonais muito mais belas do que certas alvoradas
primaveris. O sol, na sua trajetória para
o poente, tem mais ouro do que o sol da manhã.
Uma mulher não deve sentir-se irremediavelmente
infeliz, diante do seu primeiro cabelo branco!
É um acidente que não indica o começo
da derrocada, mas o princípio da maturação
deliciosa. Ao esplendor que nos fere os olhos,
sucede, sempre, a luz indecisa, mas tão
doce, do entardecer.
A vida seria uma coisa terrível, se nos
mantivesse eternamente no auge da força!
E quem suportaria o dia sem a idéia da
noite? A lei dos contrastes é o segredo
da felicidade humana! Lembram-se daquele conto
encantador do nosso Eça de Queirós,
“A perfeição,” em que
Ulisses, prisioneiro do Calipso, se sente dentro
da Ilha Ideal de Ogigia, o mais infeliz dos homens?
E o gemido que solta, como um grito-- Ó
Deusa Imortal, eu morro com saudades da morte!
- não é, como à primeira
vista parece, uma figura de retórica. É
a saturação atingida por aqueles
que, só pelos contrastes, podem diferenciar
o bem do mal, reconhecendo que nenhum valor teria
um céu azul, se o mesmo céu, antes
ou depois, não se apresentasse chuvoso,
feio, e agreste.
Não, minha querida filha, não deve
olhar com tristeza, o seu primeiro cabelo branco.
Ele ficará, simplesmente, como um fio de
prata, entre os seus cabelos pretos.
Deixe falar as suas amigas mais novas que, por
certo, a aconselharão a pintar o intruso.
Não as atenda. Não lhes dê
ouvidos. Encare a vida com grandeza, e prepare-se
para transpor o limiar da nova estação.
Se a primavera é linda pela sua sinfonia
floral, o outono não o é menos,
pelo perfume intenso dos seus frutos.
E não pense que o amor foge com a mocidade!
Não foge de modo nenhum. O amor não
vive de aparências. Vive do fogo interior
e do sincronismo de duas almas. O resto não
é amor. É fogo de palha, jogo de
buraco, ou competição esportiva.
Se posso dar-lhe um conselho, querida filha: aceite,
com ternura, o seu primeiro cabelo branco!
|
E N C O N T R O
Taveiros
Um homem sincero e buscador da verdade,
Viu-se repelido pelo mundo vulgar
Suas injustiças e sua maldade,
Que decidiu retirar-se pra outro lugar.
Voltou pra natureza, fugiu das pessoas,
Esperava encontrar Deus que tinha procurado
Por tanto tempo. Encontrar coisas boas.
Desapareceu do mundo, muito amargurado.
Depois de oito meses, um guarda florestal
Encontrou por acaso, o seu acampamento.
O homem estava enfermo, e de modo tal
Que parecia próximo o seu falecimento.
Nesse estado o guarda pediu assistência,
O doente foi levado para o hospital,
Durante muitos dias sua sobrevivência
Esteve ameaçada por seu grande mal.
Começou a melhorar e finalmente abriu
Os olhos. Nesse momento o médico estava
Inclinado sobre ele observando-o. Sentiu
Na garganta o grito de alegria que buscava.
Sentou-se na cama e estendeu a mão.
O médico tomou-a; o paciente chorou
Sorrindo de alegria e de gratidão
Ao mesmo tempo, quando pode contou:
“Estive na floresta durante oito meses,
Durante esse tempo não ouvi voz humana,
Nem olhei em olhos, só achei revezes,
Que poderia achar com esta mente insana.
Procurava Deus nas árvores e correnteza,
Nos pássaros, animais, e em toda a paisagem.
Esforçava-me muito sem nenhuma certeza
Do meu objetivo. Era tudo miragem.
Então adoeci e perdi os sentidos,
Acordei no hospital e logo achei
O que tinha procurado nos meses vividos
Na floresta, e que nunca encontrei.
Olhei os olhos do médico e lá estava
Deus.
Não consigo dizer como O reconheci,
Sei que me senti um dos filhos Seus,
Uma sensação de afeto que jamais
vivi.
Estendi a mão e alguém a segurou,
Agora vejo Deus em todas as pessoas
Agora vejo Deus em mim mesmo, estou
Feliz. Estivera isolado das coisas boas".
Foi pra esse homem grande revelação,
Ele estivera tão isolado do amor
Que ficara cego de olhos e coração,
Em estado de fraqueza e de grande dor.
Na necessidade encontrou ajuda
Ele amou. E, no amor, encontrou Deus,
A Natureza Infinita que nunca muda
E está dentro de todos, mesmo dos ateus!...
|
| |
Enviado por H.Belem
Dica
de leitura : "Código da Vida"
Por Saulo Ramos,
Editora Planeta
Generais
quase saem aos tapas no Palácio do Planalto
Saulo Ramos no seu livro "Código da
Vida" revela um fato até agora desconhecido
da história do país. Nos últimos
dias de José Sarney na Presidência
da República, pouco antes da posse de Fernando
Collor, o ministro da Fazenda Maílson da
Nóbrega e o do Planejamento João
Batista Abreu, sugeriram que, diante da inflação
descontrolada, estava a 84% ao mês, e do
caos na economia, o presidente deveria renunciar
para encurtar a transição.
Maílson fez sua surpreendente proposta
em reunião no Palácio do Planalto,
o gabinete presidencial, com a presença
dos ministros João Batista, Saulo Ramos,
da Justiça, Leônidas Pires Gonçalves,
do Exército, Bayma Denis, do Gabinete Militar,
e Ivan Mendes, do SNI.
Trecho mais revelador do episódio contado
em quatro páginas do livro: Mailson faz
um relato sobre suas preocupações
com a economia diante do fracasso do seu último
plano econômico, "Plano Verão",
e argumenta: "O presidente-eleito, Fernando
Collor, e sua já escolhida Ministra da
Fazenda, Zélia Cardoso Alves, estão
dando entrevistas incendiárias e insinuando
medidas drásticas que vão tomar.
O empresariado e as fontes de produção
vão disparar, numa corrida de aumento de
preços insuportável. Não
sabemos a proporção da crise nos
últimos meses do governo, mas será
catasstrófica. Se o Presidente renunciar
agora, ou antecipar a posse do eleito, as expectativas
serão revertidas e , em caso de renúncia,
assumirá o Governo o Dr. Ulysses Guimarães."
O presidente Sarney ouviu calado. Coube a Saulo
Ramos replicar, primeiro com justificativas de
ordem legal, depois discorrendo sobre as graves
conseqüências políticas que
a renuncia desencadearia, e concluiu:
"Tanto brasileiros como os países
do resto do mundo não entenderão
um gesto tão imprudente, senão doidivanas
como esse. Seremos vistos como irresponsáveis.
Considero a proposta uma traição
não somente ao Presidente da República,
mas ao Brasil."
"Traição! Não aceito
essa palavra. É muito forte, retrucou Maílson."
"Vai aceitar, sim senhor, disse o General
Leônidas, dando um tapa na mesa."
A discussão segue quente, Sarney, conciliador,
tenta acalmar os ânimos, mas quando o general
Ivan Mendes concorda com a proposta de Maílson,
o general Leônidas reagiu em voz alta:
"Fica quieto, Ivan.! Se você insistir
nesse assunto, nós discutimos lá
fora, só eu e você".
A proposta de Maílson não foi aprovada.
Sarney não renunciou e o país chegou
às portas da hiperinflação.
Sarney passou a faixa para Fernando Collor, que,
no mesmo dia, anunciou o congelamento dos depósitos
bancários.
Livro
de Saulo Ramos revela fatos inéditos da
história
Foi
lançado nesta semana, "Código
da Vida"(Editora Planeta, R$44,90) revelador
livro do jurista, jornalista e poeta Saulo Ramos,
que, certamente, vai gerar polêmica pelas
suas revelações dos bastidores do
governo do presidente José Sarney, no qual
exerceu o cargo de procurador geral e ministro
da Justiça.
Saulo Ramos conta em detalhes de uma até
hoje não revelada reunião no Palácio
do Planato onde o ministro Maílson da Nóbrega,
diante do descontrole da inflação,
pediu ao presidente José Sarney que renunciasse
às vésperas de passar o cargo ao
presidente eleito, Fernando Collor, para apressar
a transição.
A discussão em torno da surpreendente proposta
de Mailson quase gera troca de tapas entre dois
generais do gabinete de Sarney: ministro do Exército
Leônidas Pires Gonçalves e do SNI,
Ivan Mendes.
A surpresa começa pela capa, reveladora
e instigante, principalmente em se tratando de
um livro de memórias de um dos mais destacados
juristas de nosso tempo: "Código da
Vida". Fantástico litígio judicial
de uma família: drama, suspense, surpresas
e mistério".
Saulo Ramos é magnífico contador
de casos. O livro tem como fio condutor um causa
do seu escritório de advocacia para desenvolver
enredo cheio de suspense, em torno do qual revela
bastidores do governo Sarney e aproveita para
manifestar sua opinião sobre temas da atualidade
? Bush, sem terras, críticas ao PT, aos
tucanos, aos políticos, economistas, etc.
É o tipo do livro que o leitor
não desgruda até a última
das suas 467 páginas.
|
|
| |
O
N O R D E S T E
Taveiros
O Nordeste todo é
de grande beleza,
Praias paradisíacas, onde a Natureza
É preservada de maneira cuidadosa,
Com a sua gente bastante orgulhosa
Dos seus valores, das suas raízes,
Têm dificuldades, mas sentem-se
felizes,
Apesar do desprezo dos seus governantes,
Que nunca cumprem o que prometem antes,
E só aparecem em época de
eleições,
A mesma lengalenga, os mesmos intrujões,
Isto desde o tempo do segundo Império,
Quando ainda havia no país alguém
sério.
Que
corja de políticos! Que tipo de gente!
Enganam gente simples, ou quase inocente,
É bater em morto - é grande
covardia,
Alardeiam bondade, mas têm a alma
vazia,
Esta é terra mãe de políticos
safados,
E madrasta de homens sérios e honrados.
A indústria da seca é da que
mais gostam,
E no orçamento é onde eles
apostam,
Não há interesse em indústria
doutro tipo,
Essa no Nordeste, não deixa ninguém
rico,
Preferem o status quo, quanto pior melhor,
Para esses políticos, o melhor é
o pior,
Há no subsolo água com fartura,
Era só furar e, acabava a vida dura,
Haveria o regresso daqueles que estão
fora,
De São Paulo e Rio, viriam embora,
Não conheço gente mais apaixonada,
A terra em que nasceram é a mais
amada,
É de sol e água, que a planta
gosta,
No Nordeste há sol e, com água
posta
A brotar do solo, seria um celeiro,
Vi lavoura lá, que não vi
no mundo inteiro,
Junto ao São Francisco vi melões
e uvas
Onde antigamente, só havia saúvas.
Mas vi no Nordeste algo de estarrecer,
Meninas na estrada a se oferecer,
Mães cheias de filhos, querendo-os
doar,
Sem meios nenhuns para os educar,
Senti-me culpado, - nós somos culpados,
Termos irmãos nossos assim esfomeados,
É crime terrível de lesa-
humanidade,
Que deveria ser punido com severidade,
Para onde vai o imposto arrecadado?
Não há nenhum país
assaz civilizado,
Que cobre tantas taxas e, tantos tributos,
Também não há no mundo
uma plêiade de corruptos
Como aqui - toda a arrecadação
É para o pagamento de tanto ladrão.
O
governo é um fim em si mesmo,
Tudo que arrecada, gasta-o a esmo,
Não sobra nada, para investimento,
Nem para amenizar tanto sofrimento
De irmãos nossos que, sem culpa nenhuma,
Nunca receberam educação
alguma,
São párias da nação
e desses canalhas,
Que quando muito lhes mandam migalhas,
A solução é fácil,
mas precisa haver vontade,
Uma coisa que falta à nossa sociedade;
O nordestino é dócil, é
trabalhador,
Trabalhar na roça com aquele calor,
Deveria ser eleito herói nacional!
Com muito mais mérito que qualquer
boçal
Político. Têm
amor à terra e, se lhe derem
Condições para tanto, se o
atenderem
No mínimo necessário, não
emigrarão mais,
Ficarão na terra, o Sudeste jamais.
|
|
| |
O
BRASIL
Taveiros
Após um tempo
nublado em Portugal, Encontrei um céu
de luminoso anil;
Um povo alegre, prazenteiro e gentil,
Como no mundo não há outro
igual!
Numa
lua de mel duradoura e jovial,
Almoço e janto e, durmo com o Brasil,
No paladar e no tato encontrei o perfil,
Duma terra adorável, digestiva e
sensual!
E
se é certo que não tenho sangue
brasileiro,
Não o é menos que o Brasil
tem sangue meu;
Daí a afinidade – afeto verdadeiro!
Aqui
‘ stá a filial da língua
que nos deu
Os grandes poetas do nosso cancioneiro,
E que, unindo a pátria, aqui permaneceu!...
|
|
|
| |
|
Enviado por Roberto Carrazedo
Alfabeto
passa a ter 26 letras
Está
para entrar em vigor a unificação
da Língua Portuguesa
que prevê, entre outras coisas, um alfabeto
de 26 letras.
"A
frequência com que eles leem no voo é
heroica!".
Ao
que tudo indica, a frase inicial desse texto possui
pelo menos quatro erros de ortografia. Mas até
o final do ano, quando deve entrar em vigor o
"Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa", ela estará corretíssima.
Os países-irmãos
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau,
Moçambique, Portugal, São Tomé
e Príncipe e Timor-Leste, terão,
enfim, uma única forma de escrever.
As mudanças só vão acontecer
porque três dos oito membros da Comunidade
de Países de Língua Portuguesa (CPLP),
ratificaram as regras gramaticais do documento
proposto em 1990. Brasil e Cabo Verde já
haviam assinado o acordo e esperavam a terceira
adesão, que veio no final do ano passado,
em novembro, por São Tomé e Príncipe.
Tão logo as regras sejam incorporadas
ao idioma, inicia-se o período de transição,
no qual ministérios da educação,
associações e academias de letras,
editores e rodutores de materiais didáticos
recebam as novas regras ortográficas e
possam, gradativamente, reimprimir livros, dicionários,
etc.
O
português é a terceira língua
ocidental mais falada, após o inglês
e o espanhol.
A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha
a divulgação do idioma e a sua prática
em eventos internacionais.
Sua unificação, no entanto, facilitará
a definição de critérios
para exames e certificados para estrangeiros.
Com
as modificações propostas no acordo,
calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal
seja modificado.
No Brasil, a mudança será bem menor:
0,45% das palavras terão a escrita alterada.
Mas apesar das mudanças ortográficas,
serão conservadas as pronúncias
típicas de cada país.
O que
muda:
***
As novas normas ortográficas farão
com que os portugueses, por exemplo, deixem de
escrever "húmido" para escrever
"úmido".
*** Também desaparecem da língua
escrita, em Portugal, o "c" e o "p"
nas palavras onde ele não é pronunciado,
como por exemplo, nas palavras "acção",
"acto", "adopção",
"baptismo", "óptimo"
e "Egipto".
Mas também os brasileiros terão
que se acostumar com algumas mudanças que,
a priori, parecem estranhas.
*** As paroxítonas terminadas em
"o" duplo, por exemplo, não terão
mais acento circunflexo.
Ao invés de "abençôo",
"enjôo" ou "vôo",
os brasileiros terão que escrever "abençoo",
"enjoo" e "voo".
***
Também não se usará mais
o acento circunflexo nas terceiras pessoas do
plural do presente do indicativo ou do subjuntivo
dos verbos:
"crer", "dar", "ler",
"ver" e seus decorrentes, ficando correta
a grafia:
"creem", "deem", "leem"
e "veem".
*** O trema desaparece completamente.
Estará correto escrever "linguiça",
sequência", "frequência"
e "quinquênio" ao invés
de:
lingüiça, seqüência, freqüência
e qüinqüênio.
*** O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter
26, com a incorporação do "k",
do "w" e do "y".
*** O acento deixará de ser usado para
diferenciar "pára" (verbo) de
"para" (preposição).
Outras duas mudanças:
*** Criação de alguns casos de dupla
grafia para fazer diferenciação,
como o uso do acento agudo na primeira pessoa
do plural do pretérito perfeito dos verbos
da primeira conjugação, tais como:
"louvámos" em oposição
a "louvamos" e "amámos"
em oposição a "amamos".
*** A eliminação do acento agudo
nos ditongos abertos "ei" e "oi"
de palavras paroxítonas, como:
"assembléia", "idéia",
"heróica" e "jibóia".
Antônio
Houaiss
A
escrita padronizada para todos os usuários
do português foi um estandarte de Antônio
Houaiss, um dos grandes homens de letras do Brasil
contemporâneo, falecido em março
de 1999.
O filólogo considerava importante que todos
os países lusófonos tivessem uma
mesma ortografia.
No seu livro "Sugestões para uma política
da língua", Antônio Houaiss
defendia a essência de embasamentos comuns
na variedade do português falado no Brasil
e em Portugal.
Fontes
para comentar o assunto:
**
William Roberto Cereja - Mestre em Teoria Literária
pela USP, Doutor em Lingüística Aplicada
e Estudos da Linguagem pela Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo
(PUC-SP), Professor graduado em Português
e Lingüística e licenciado em Português
pelo ensino em São Paulo e autor de obras
didáticas.
** Marcia Paganini Cavéquia - Professora
graduada em Português e Literaturas de Língua
Portuguesa; Inglês e Literaturas de Língua
Inglesa pela Universidade Estadual de Londrina
(UEL), Pós-graduada em Metodologia da Ação
Docente pela UEL, Palestrante e consultora de
escolas particulares e secretarias de educação
de diversos municípios e autora de livros
didáticos.
**
Cassia Garcia de Souza - Professora graduada em
Português e Literaturas de Língua
Portuguesa, pela Universidade Estadual de Londrina
(UEL), Pós-graduada em Língua Portuguesa
pela UEL, Palestrante e organizadora de cursos
para professores da rede de ensino, Assessora
pedagógica e autora de livros didáticos.
|
| Enviado
por Roberto Carrazedo
PEDRO
ÁLVARES CABRAL
Por Carlos Pena Filho
O
enorme céu que cobre mar e mágoas
e abriga os astros
sustém meu claro sonho sobre as águas,
velas e mastros
Um
dia hei de encontrar terra ignota
é assim quem sonha
e se nenhuma houver em minha rota,
que Deus a ponha
Em
meio ao longo mar não faço caso
dos dias meus,
pois tenho a guiar-me o vento ou o puro acaso
e o acaso é Deus.
|
Brasil
ANO 22
DO SONHO À REALIDADE
O
autor, Cmg. (RRm) Carlos Eduardo Figueiredo
de Matos tem nível de doutorado,
é escritor e conferencista. Um intelectual
experiente na gestão de recursos humanos
passando por máquinas e equipamentos simples
e sofisticados. Desempenhou funções
de gestor em níveis diversos, o que o credencia
a escrever com clareza e simplicidade para todos
esses níveis.
O livro trata de
como planejar e administrar de forma participativa.
Foi tão empolgante que o li todo no mesmo
dia e deixei para degustá-lo aos poucos
no dia seguinte.
Escrito
em forma de manual passo a passo, mostra de forma
concisa e objetiva o planejamento desde o nível
estratégico até o nível operacional.
Serve
tanto ao executivo como ao estudante estudando-o
será possível levar a índices
muito baixos os conflitos que corroem a administração
e os executivos sem o preparo adequado.
Recomendo
Brasil Ano 22 do Sonho à Realidade como
leitura obrigatória para quem deseja acertar
logo, sem perder tempo precioso com sofismas.
É
do grande professor e estrategista
Ferdinand Foch
(1851-1929)
a frase:
“O que o homem não alterar para melhor,
o tempo alterará para pior.”
Ferdinand Foch, membro da Academia Francesa e
marechal de França.
Flavio P. Ramos, professor do ensino superior,
editor.
Para agendar palestras: carlosmatos22@hotmail.com
|
|
Eagles
and Crows
Taveiros
Once
upon a time a community of eagles lived on a beautiful
mountain range. They were carefree and happy,
finding an abundance of natural foods in surrounding
woods and streams. Their days were spent in lofty
soaring and peaceful pleasure.
But down on the dry prairie there dwelled a band
of clever crows. Merchants by occupation, the
crows had invested their money in growing a low
grade of corn. Looking around for potential customers,
they spotted the high-flying eagles. “Sell
them corn” was the battle cry of the
crows as they plotted their persuasions. “Wrap
the corn in a glittering package,”
suggested one crow. “Get the eagles
dependent upon us,” advised another.
“Most important of all” one
crow with considerable success in selling corn,
“convince the eagles that our corn is
not absolute must merely a need, but an absolute
must. Persuade them that without it they will
be lonely, loveless, lost. A good starting place
is to load them with a false sense of guilt. Just
make them feel guilty over ignoring our corn –
and we’ve got them”!
Now, the eagles were intelligent enough, but somewhat
careless in their thinking. Though they were cautious
at first, the corn looked pretty good. Besides,
it saved the effort of hunting around on their
own.
So the eagles soared less and less and dropped
down to the cornfields more and more. Of course,
the less they flew, the less they felt like flying.
Growing weak in their wings, they had to hop awkwardly
over the ground. This led to frequent collisions
with each other, followed by quarrels.
But there was one eagle whose eyesight also gave
him insight. He sensed something very wrong about
the whole operation. Besides, the corn just didn’t
taste right. When he tried to persuade his friends
to return to the mountains, the crows ridiculed
him as trouble – maker . Believing the crows,
the eagles shunned their former friend.
So the more corn the crows peddled, the more corn
the eagles swallowed. But something had now happened
to the once lofty kings of birds. They complained
a lot. They were nervous and irritable. They felt
lonely, loveless, lost. Every once in awhile they
would remember their mountain home, but couldn’t
remember the way back. And so they sullenly existed,
hoping for something better to turn up, which
never did.
Growing tired of it all, the keen – eyed
eagle studied himself carefully. Discovering his
wings, he tried them out . They worked ! So off
the flew, back to the mountains. Grom dawn to
sunset, he soared over his world, carefree and
happy.
And this is how any man, tired of it all, can
fly up and away to his natural freedom and happiness.
|
O
PENSAR CLARAMENTE
Taveiros
Não há dificuldade que não
tenha solução
Com o pensamento claro. Não precisamos
De mais nada. Isto parecerá de antemão,
Um método simplista, de ocasião,
Por que, todos nós nos habituamos
A soluções eruditas, e teorias
complicadas.
Tudo o que precisamos é limpar a mente
Das ervas daninhas em nós enraizadas,
Tornando possíveis idéias arejadas;
Que um novo pensar purifique a gente!
Achamos que pensamos muito claramente,
Por mais que nos afetem conflitos de toda a ordem,
Não acreditamos em algo errado, simplesmente,
Em nossos processos mentais; e raramente
Nos apercebemos de tão grande desordem.
Confrontados pelo conflito, procuramos
Uma nova doutrina, ou popular divertimento,
Um rosto conhecido, ou alguém que amamos,
Na esperança do alívio que, nunca
achamos,
E que em vez disso, nos traz sofrimento.
A situação lembra um homem na floresta
Cujo medo o leva a perder-se ainda mais,
Se sofremos perdas, solidão, isso atesta
Uma atitude errada, nada mais nos resta
Que pensar claro. Mas, fugir, jamais.
Precisamos entender a incapacidade
Da mente condicionada para resolver
Problemas. Ao contrário, não é
novidade
Que ela é a causa deles. Não tem
capacidade
Pra curar a si mesma, e nada pode fazer.
Pensemos agora num homem traído
Ou ofendido por alguém: o erro principal
Consiste em deixar que o fato seja trazido
À mente, e lhe diga: "devias ter reagido
Com muito mais firmeza de que a habitual".
O fato obriga-o a sentir-se furioso,
Obedece ao comando de pensar erradamente,
Com sentimentos feridos e, nervoso,
Diz o que lhe aconteceu, e de que está
cioso
Da possível vingança que quer realmente.
Se não vê maneira de retribuir a
afronta,
Passa vários filmes mentais de vingança;
Que coisa horrível! que cabeça tonta!
Não ouve ninguém, nada pra ele conta,
O mal pra si próprio, não tem semelhança!...
Tem um prazer nisso muito especial,
Sem saber que é grande o preço cobrado.
Como reagiria a isto um homem normal?
Não admitiria que nada de anormal
Ditasse a natureza do seu presente estado.
E, depois, pra ele, não existe traição,
Somente o eu egoístico se sente traído,
Somente o falso eu tem a percepção
Da injustiça. O eu verdadeiro não
Se faz de vítima: - é descontraído.
Temos que mudar os nossos pensamentos
Sobre nós mesmos. A maioria das pessoas
Não quer entender que, são seus
intentos,
Que o levam a ter bons ou maus momentos,
E é a mente que faz as coisas más,
ou boas.
Tomemos um pequeno aborrecimento,
E tentemos vê-lo de forma diferente,
Façamos um esforço sincero num momento,
Para interpretar esse acontecimento,
A pessoa, ou fato, à luz de nova mente!
Qual a principal causa da infelicidade?
Uns atribuem-na ao insucesso financeiro,
Outros falarão de qualquer dificuldade
E alguém falaria da incapacidade
De arranjar emprego, ou à falta de dinheiro.
Podemos concluir que: a infelicidade
Se deve aos desejos e à frustração.
Assim, a resolução, estaria na realidade
Em desejarmos apenas, sem ansiedade
O realmente necessário. Esta é a
solução.
Mas é neste ponto que devemos meditar,
Precisamos perceber que há duas maneiras
De pensar. Certo ou errado – e estar
Atentos. A vaidade pode transformar
Necessidades falsas em as verdadeiras.
|
|
CONVERSA
DE QUINTAL
Taveiros
No meu quintal
vivem, em franca amizade,
Galinhas, galos, cão e passarinhos;
São todos um exemplo pra humanidade,
De boa harmonia como bons vizinhos.
Comem do mesmo
prato, e da mesma refeição,
Bebem da mesma água no mesmo recipiente,
É sem dúvida uma bonita lição
De comportamento que ensina a gente.
Não há
briga de raça, etnia ou fronteira.
Não pensam em doença, na vida ou
na morte;
Não têm medo, tudo pra eles é
brincadeira,
Sempre satisfeitos com sua própria sorte.
Às vezes
conversam como qualquer amigo,
Sempre nos limites da boa educação,
Numa das conversas, disse pra comigo,
Está aqui um exemplo para reflexão.
Devíamos
meditar no grau de parentesco,
Que há entre nós e em todos os seres
vivos,
E afastar de nós o orgulho grotesco,
De sermos superiores sem termos motivos.
Numa das conversas,
das que eu escutara,
Diz o galo ao cão: "porque ladras
à lua?"
O cão respondeu que nunca ladrara
À lua. Vejo aonde não alcança
a vista tua.
"E tu, porque
cantas de olhos fechados?"
Pergunta o cão ao galo com curiosidade:
Sei a música de cor, e estão
decorados
Todos os compassos, numa mesma clave.
Agora o cão
pergunta à galinha com respeito:
"Quem nasceu primeiro, tu, ou o ovo?"
Pergunta à Natureza, que é com
efeito
Quem desfolha a árvore, e faz nascer de
novo.
Neste momento o
galo vê na bananeira,
Um pássaro comendo banana madura,
E pergunta de baixo: "qual é a maneira
De viveres assim livre de amargura?"
A pergunta do galo
trouxe à minha mente,
"Não semeiam nem colhem, nem guardam
em celeiro,"
Esta frase bíblica é efetivamente,
De muito mais valia que qualquer dinheiro.
E assim terminou
aquela conversa,
À qual gostei muito haver assistido,
Vemos a verdade de forma inversa,
Ou não vemos nada, estou convencido!...
|
| |
Enviada
por Milton Larentis
A Galinha
Vermelha...
Por Acitania Vargas
de Oliveira
Uma galinha vermelha
achou alguns grãos de trigo e disse a seus
vizinhos:
- Se plantarmos este trigo, teremos pão
para comer. Alguém quer me ajudar a plantá-lo?
- Eu não! - Disse a vaca.
- Nem eu! - Emendou o pato.
- Eu também não! - Falou o porco.
- Então eu mesma planto! - Disse a galinha
vermelha.
E assim o fez.
O trigo cresceu alto e amadureceu em grãos
dourados.
- Quem vai me ajudar a colher o trigo? - Quis
saber a galinha.
- Não faz parte de minhas funções!
- Disse o porco.
- Eu não me arriscaria a perder o seguro-desemprego!
- Exclamou o pato.
- Então eu mesma colho! - Falou a galinha.
E colheu o trigo ela mesma.
Finalmente, chegou a hora de preparar o pão.
- Quem vai me ajudar a preparar o pão?
- Indagou a galinha vermelha.
- Só se me pagarem hora extra! - Falou
a vaca.
- Eu não posso por em risco meu auxílio-doença!
- Emendou o pato.
- Eu fugi da escola e nunca aprendi a fazer pão!
- Disse o porco.
Ela então assou cinco pães, e pôs
todos numa cesta.
De repente, todo mundo queria pão, e exigiu
um pedaço. Mas a galinha simplesmente disse:
"Não, eu vou comer os cinco pães,
sozinha”.
- Lucros excessivos! - Gritou a vaca.
- Sanguessuga capitalista! - Exclamou o pato.
- Eu exijo direitos iguais! - Bradou o ganso.
O porco, esse só grunhiu.
Eles pintaram faixas e cartazes dizendo "Injustiça"
e marcharam em protesto contra a galinha, gritando
obscenidades.
Quando um agente do governo chegou, disse à
galinhazinha vermelha:
- Você não pode ser assim egoísta!
- Mas eu ganhei esse pão com meu próprio
suor! - Defendeu-se a galinha. Ninguém
quis me ajudar!
- Exatamente! - Disse o funcionário do
governo. - Essa é a beleza da livre empresa.
Qualquer um aqui na fazenda pode ganhar o quanto
quiser. Mas sob nossas modernas regulamentações
governamentais, os trabalhadores mais produtivos
têm que dividir o produto de seu trabalho
com os que não fazem nada!
E todos viveram felizes para sempre, inclusive
a pequena galinha vermelha, que sorriu e cacarejou:
- Eu estou grata! Eu estou grata!
Mas os vizinhos sempre se perguntavam por que
a galinha nunca mais fez um pão, por que
após um ano todos morreram de fome, e por
que a fazenda faliu.........
“Quando não se valoriza
quem trabalha, corre-se o risco de entrar em falência
moral, intelectual, social, econômica e
cultural!”
|
| |
Leon
TOLSTOI
(Profeta
de um mundo sem ódio)
Taveiros
Desceste ao povo
por tua grande gentileza,
E com a vista mental viste os camponeses,
Viste seus sofrimentos, resignação
e reveses.
Olhaste para, e dentro deles, a sua tristeza.
Criaste obras primas
de realismo e beleza,
Contos infantis, histórias e quantas vezes
Uma torrente saía sem que a percebesses!
Nas tuas obras há uma imensa riqueza!
Salvo pela arte
e pelo amor a Sofia,
Essa criança, com um terço da tua
idade,
Voltaste à igreja: reexaminaste suas práticas,
E entras num período
de plena alegria,
Submeteste-te às cerimônias com vontade,
Foi inútil. As coisas eram mais antipáticas.
N.R. O
poeta Taveiros presta sua homenagem neste poema
a Lev Nikoláievich Tolstói (Leon
Tolstoi – 1828 – 1910). Nasceu na
Rússia, numa família aristocrática.
O pai,um conde e a mãe, uma princesa. Foi
criado numa fazenda. Fez curso superior, mas abandonou
os estudos em 1847, descontente com os métodos
educacionais. Como militar, participou da Guerra
da Criméia.
|
L
U T E R O
O camponês que desafiou o
Papa
Taveiros
O
Papa Júlio II, de ingrata memória,
Para reconstruir a igreja do Vaticano,
Pediu que lhe mandassem dinheiro até profano,
Em troca de indulgência e grande glória.
Cada
indulgência, era uma nota promissória
Sacada contra o céu, - reparava qualquer
dano;
Lutero revoltou-se, como um ser humano,
D’ameaça de pena, principal e acessória.
O
Papa nesse tempo, era o maior pistolão
Aos chefes do céu, mais concretamente,
Se nada se desse, era o inferno por morada,
Transformava
indulgências em um dinheirão,
Se déssemos pouco, tínhamos forçosamente
De no purgatório passar longa temporada!
|
Caro professor
Flávio P. Ramos
“Ao
olhar para as minhas estantes de livros neste
carnaval fui atraído para um: “O
Brasil que os poetas cantam”, uma coletânea
de poesia feita por Edgard Resende e Editora Freitas
Bastos. Deliciei-me de rever poetas e poesia de
tamanha beleza!.
Meu Deus! Como o Brasil foi grande em literatura
no século 19!
Um dia, nos Estados Unidos ouvi de um grande economista
dizer que o Brasil no meio do Século 19
era mais rico que os Estados Unidos! A julgar
pela literatura... Como caiu tanto! Não
resisto a transcrever dois sonetos desse extraordinário
Olavo Bilac.”
Um grande abraço do
Taveiros.
N.R. O curriculum
e a experiência de vida e a cultura universalista
de Taveiros (Dr. Evaristo Dias da Silva) o qualificam
para ver onde os jovens não podem ver,
porque ainda não viveram o suficiente para
tal.
Hoje, a maioria dos jovens mal sabe ler e verbalizar,
pouco conhecem de literatura e poesia e menos
ainda de política. Falta-lhes o conhecimento
da filosofia e professores com total dedicação
e remuneração à altura da
importante tarefa que é “Arte de
ensinar”.
FPR
Veja reportagem com Taveiros no início
desta página.
P
Á T R I A
Olavo Bilac
Pátria, latejo em ti, no teu lenho, por
onde
Circulo! E sou perfume, e sombra, e sol, e orvalho!
E, em seiva, no teu clamor a minha voz responde,
E subo do teu cerne ao céu de galho em
galho!
Dos
teus liquens, dos teus cipós, da tua fronde,
Do ninho que gorjeia em teu doce agasalho,
Do fruto a amadurar que em teu seio se esconde,
De ti, - rebento em luz e em cânticos me
espalho!
Vivo,
choro em teu pranto; e, em teus dias felizes,
No alto, como uma flor, em ti, pompeio e exulto!
E eu, morto, - sendo tu cheia de cicatrizes,
Tu
golpeada e insultada, - eu tremerei sepulto:
E os meus ossos no chão, como as tuas raízes,
Se estorcerão de dor, sofrendo o golpe
e o insulto!
MÚSICA
BRASILEIRA
Olavo Bilac
Tens, às vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadência, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.
Mas,
sobre essa volúpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bárbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa.
És
samba e jongo, chiba e fado, cujos
Acordes são desejos e orfandades
De selvagens, cativos e marujos:
E
em nostalgias e paixões consistes,
Lasciva dor, beijo de três
saudades,
Flor amorosa de três
raças tristes.
|
A
LENDA E A HISTÓRIA
Taveiros
Para
mim, a lenda sobrepõe-se, não raras
vezes, à história, porque aparece
embandeirada com outras cores, riscada em outros
moldes, e caracterizada por uma irresponsabilidade
despretenciosa.
Se não fora a lenda que ainda hoje envolve
e perfuma a memória de Inês de Castro,
por exemplo, como teria Camões escrito
as suas maravilhosas estâncias?
Isto vem a propósito de um desapontamento
que sofri há dias, ao ver destruída,
num instante, uma Lenda estranha, pela realidade
dos fatos.
Vou contar:
No meu quarto ano ginasial, fazia parte do programa
a “História da Roma”. O livro
adotado era, se bem me lembro, de autoria de João
Soares, professor do Colégio Militar.
Logo que o adquiri, comecei a folheá-lo,
vagamente. A certa altura deparou-se-me uma gravura
representando uma Loba, amamentando dois meninos,
o Rômulo e o Remo, filhos de Marte e de
uma Vestal, que tinham sido abandonada junto do
Rio Tibre.
O Rômulo, como sabemos, viria a ser (lendariamente
falando) fundador e primeiro Rei de Roma, aí
por setecentos e poucos a.C., tendo perecido no
meio de uma tempestade, depois de ter assassinado
o próprio irmão.
Tudo isto despertava a minha curiosidade de adolescente.
O Professor argumentava que nada pertencia à
história, mas tudo à lenda. Eu,
porém, admitia os fatos ipsis literis como
firmados por escritura.
E aquela Loba feia, feroz, de tetas agressivas
e volumosas onde o Rômulo e Remo mamavam
à farta, gesticulando, entusiasmava-me.
Pois bem, há dias, consultando uma enciclopédia,
descobri, sem querer, uma terrível verdade
que embaciou o deslumbramento dos meus verdes
anos. A Loba – não era Loba; era
apenas uma mulher com o apelido de Loba.
Chamava-se Aca Larência e era esposa de
Fáutulo. Foi ela que recolheu os dois meninos
e os amamentou como seus.
Tudo caiu por terra... Dizia-me certa vez um amigo
jornalista: Um cão que morde um homem,
não é notícia para jornal;
mas se é o homem que morde o cão,
o caso muda de figura. Posso parafrasear: Uma
mulher amamentando dois meninos, não constitui
notícia; mas uma Loba pôr à
disposição de duas crianças
o se próprio leite – isso já
constitui. Enfim... quero declarar neste meu desapontamento
que não vou ao extremo de ser injusto de
desprezar Aca Larência. Faltou-lhe a pele
negra da Loba? Sem dúvida. Mas não
lhe faltou a fonte da vida onde Rômulo e
Remo se saciaram... como dois Lobinhos.
|
|
Em
Poços de Caldas
Taveiros
As
roseiras ostentavam rosas amarelas
E vermelhas recendentes de perfume!
Abelhas tranqüilas como de costume
Passam todo o tempo volitando nelas!
Poços
de Caldas, cidade das mais belas!
À tua beleza ninguém fica imune!
Tudo é encanto – Nenhum azedume,
E nesta cidade não se vê mazelas!
Tudo
aqui é mais docemente sensitivo,
A Natureza parece ter como objetivo
Proporcionar-nos sensação após
sensação!
E
o sol poente, cheio de luz dourada,
Despede-se desta cidade encantada,
E tão docemente chegada ao coração!
|
|
O
AMOR
Taveiros
O
amor é luz na obscuridade,
É estrela matutina e crepuscular,
Magia e beleza que nos faz sonhar,
É a mãe da arte, do poeta a liberdade.
É
o grande sonho da imortalidade,
Perfume de flores a desabrochar,
Desejo sagrado, de fazer sonhar,
Melodia, música, e felicidade!
É
do amor que a terra toma emprestada
A sua beleza - e os céus a sua glória;
É transfiguração - a criação
manifestada;
Sem
o amor, toda a glória se esvaece,
O nobre é ignóbil, a arte, a música,
morrem,
A virtude esvai-se - e a vida perece.
|
|
|
Quem é o pintor?
Quem é? Quem é o pintor
Que por minhas mãos pinta estas telas?
Seja quem for (que tem) seja quem for!
Vive na luz do sol e no breu das celas
E como pinta? – Como
encontra a cor
Da natureza? - Quentes amarelas...
Cachoeiras? Cachos d’água em flor...
Daqueles jardins? Flores tão belas!...
E as árvores? –
como elas são as mães
Num estado de graça e parabéns
Em longos esplendorosos serões...
São as mães
com o seu fruto nos regaços
E choram – e desfazem-se em abraços
Que a gente sabe dar em corações!
|
“To
be or not to be”
SER OU NÃO SER
Taveiros
Podemos pintar maravilhosamente,
Pensar e escrever poemas de dar gosto ler,
Possuir as técnicas, mas podemos não
ser
Artistas criadores. Sim, certamente.
Mesmo perfeitos. Podemos
realmente
Não ser poetas. Ser poeta implica ter
Sensibilidade para reagir e perceber
O Novo, que conosco sempre está
presente.
Precisamos saber que a
mente abarrotada
De técnicas, de fatos, de conhecimento,
Será incapaz de receber qualquer novidade
Espontânea, ou alguma
coisa inesperada.
Se a nossa mente está baseada no pensamento,
Não haverá espaço para surgir
a Verdade!
|
| |
|
|
|
I M A G I N E
Taveiros
Se há um
limite para a imaginação humana,
Ninguém o viu ainda e, tudo o que emana
De um poder mais alto, pode se alcançar
Se o homem for capaz de nele acreditar.
A imaginação
humana nestes 60 anos
Tem sido muito fértil, salvo desenganos,
Tem atingido resultados notáveis.
O computador, o fax, - são incomparáveis,
A viagem à lua, a telefonia celular,
A engenharia genética é exemplar,
A gravação da voz e da imagem,
E o feito mais recente, - a clonagem.
Assistimos a uma transição espantosa
Do mundo antigo, para uma assombrosa
Época moderna. E de todas as maneiras,
Do mundo de limites, para o sem fronteiras.
Mas no interior, no mundo psicológico,
Que é o que interessa e, o que é
mais lógico,
Continuamos na idade da pedra. Estamos
Voltados para o exterior. Continuamos
Com o mesmo medo, cobiça, intolerância,
Egoísmo, raiva, ódio, arrogância,
Ciúme, impaciência, astúcia,
falsidade,
Injustiça, calúnia, desonestidade,
Vaidade, crueldade, deslealdade, vingança,
Inveja, hipocondria, indecisão, desesperança.
O medo nega-nos a força do pensamento,
A cobiça pelas coisas, tira o sentimento
De irmandade dos homens e, ofende o Criador.
A intolerância impede a entrada dos fatos,
Repele a cooperação e os bons contatos.
O egoísmo que faz com que o homem perca
O respeito pelo próximo. A raiva acerca
De outra pessoa, pode impedir-nos de conhecer
O Segredo Supremo e, assim O perder.
O ciúme, que é uma mistura de ambição
E medo. A impaciência, que faz a causa não
Produzir efeito. A astúcia que engana
O astucioso. A injustiça, e a desonestidade,
A vaidade, calúnia, vingança, deslealdade,
São inimigos que precisam ser vencidos,
Se quisermos um mundo de homens unidos.
Olhemos o mundo
e, veremos motins estudantis,
Preconceitos de classes e, outras coisas imbecis,
Guerras, divisões causadas por nacionalidades,
Religiões, etnias e imoralidades.
Porque aceitamos o ambiente pseudo-moral,
Sabendo que ele é de todo e, em todo imoral?
Porque o nosso sistema educativo
Não produz ente humano criativo
Mas, apenas e só, entidades mecânicas,
Educadas, mas em nada dinâmicas?
A educação, a ciência, e as
religiões
Não resolveram nada do que as gerações
Precisavam. Vendo toda essa confusão,
Porque é que cada um de nós aceita
E se conforma com essa visão estreita
Dentro de nós mesmos? Vendo-se tudo isso,
As guerras absurdas e, para além disso
Nacionalidades, divisões criadas
Pelas religiões por homens inventadas.
Nossa questão é esta: poderemos
mudar
Radicalmente agora e, assim retirar
O lixo acumulado durante séculos pela
Propaganda, pelo medo daquela
Condenação eterna e, outras influências,
Ter paz de espírito, sem temer conseqüências,
Com grande amor e mente revigorada,
Juvenil, inocente, livre e purificada
E, assim, viver em paz? Continuamos
A viver enredados nas palavras que gostamos!
Mas a palavra nunca é a coisa; a descrição,
Nunca é a coisa descrita! mas uma convenção.
Se a rosa se chamasse batata, perderia
A sua beleza, o seu perfume? Ou seria
A mesma coisa? A mesa em que estou escrevendo
Poderia chamar-se cadeira e, esta, tendo
O mesmo formato, chamar-se mesa...
O homem já
tentou tudo. Já se disse
Que em se alterando e, a política se revisse,
Como o fizeram todas as revoluções
Sangrentas da história, com os seus canhões,
O homem, o ser humano, seria feliz e mudaria.
Os comunistas e, outros revolucionários
Têm dito: "Estabeleça-se o poder
dos operários
E haverá ordem." Dizem que a ordem
interior
É sem importância, importante é
a exterior!
A ordem ideológica
é completa fantasia
E, milhões de homens, morreram nessa utopia!
Imaginemos um mundo melhor e, tê-lo-emos,
Pode ser em dez mil anos mas, amemos
Os nossos semelhantes. Estabeleçamos a
paz
Com que John Lennon sonhara e, que me apraz
Sonhá-la também. Juntemo-nos a ele
Neste grito de alerta. Neste "IMAGINE"
dele:
Imagine all the people/ living for today
(Imagine todas as pessoas/ vivendo o hoje, o agora)
Imagine all the people/ living life in peace
(Imagine todas as pessoas/ vivendo a vida em paz)
You may say I'm a dreamer/ but I'm not the
only one
(Você pode dizer que sou um sonhador,/ mas
não estou sozinho)
I hope someday you'll join us/ and the world
will be as one
(Espero que algum dia estaremos juntos/ e o mundo
será uno).
Morreu sem ver
o seu sonho concretizado,
Nós morreremos também e, neste estado
A humanidade continua cega, dormindo,
Sonhando, até quando? Para onde estamos
indo?...
|
| |
|
UM
ARTISTA DESCOBRE O SEU TALENTO
Taveiros
Há
alguns anos, numa grande cidade,
Vivia um homem, cheio de vontade,
Que sacrificara, sua juventude
Em prol da perfeição, dalguma virtude.
Ele amava tanto o mar e a pintura
Que, considerando o tempo e a procura,
Deveria ser um mestre em sua arte, mas não
era.
Tinha muita garra, vontade de fera,
De alguma forma a arte lhe escapava,
As suas pinturas, alguém lhe falava,
Não eram de um amador principiante,
Revelavam a mão de um artista latente,
Mesmo assim pareciam sempre clichês,
Como descrevessem algo, cada vez
Mais parecidos. As pessoas olhavam
Os quadros. E sempre comentavam
Que já os tinham visto. Mas é obvio
que não,
Os quadros se pareciam no mesmo diapasão.
O pintor até que entendia tudo isto,
E o seu trabalho estava por isso
Assim profundamente insatisfatório,
E dizia quando ouvia o falatório,
Que
quando tem idéia para uma nova obra,
Fica feliz, dedica-se e assim recobra
O entusiasmo, mas, à medida que trabalha,
Não é o que sonhou, há alguma
falha,
É algo inexpressivo, é repetição,
Fica deprimido, acha reprodução.
Reconhece dentro dele bastante talento,
Quer trazê-lo à tona falta-lhe o
alento;
Certa vez com raiva queimou todas as telas,
Quase incendiou as portas e janelas,
De
outra feita, teve tanta irritação,
Que dilacerou os dedos na intenção
De decepá-los. Tudo isto é sintoma,
E pode indicar uma grande soma
De uma forte angústia e inquietação.
De um grande desejo ou insatisfação.
Como as lições que, a vida em apreço,
Seu esclarecimento custou alto preço,
Desistiu de ser pintor definitivamente.
Viajou de navio, foi pra Noruega,
Era época de guerra, e naquela refrega,
Foi atingido por submarino alemão,
O navio afundou, ele e seu irmão,
Foram
parar num bote salva-vidas,
Em águas geladas e muito divididas
Pelos alemães e pelos aliados,
Durante vários dias, e mal alimentados,
Ao sabor das ondas, e com um frio intenso
Tentam sobreviver. Seu medo é imenso,
O céu clareou, e vejam que perigo,
Foram alvejados pelo inimigo,
Dez homens morreram, seu irmão e tio,
No dia seguinte, morreram mais de frio,
E, do bote do pintor, só ficaram dois:
Ele e o comissário que, soube depois,
Estar muito ferido, e o que mais sofria,
E que com surpresa ainda vivia.
É inútil - disse o pintor, por fim,
Não temos nenhuma chance e, assim,
Seria
melhor logo mergulhar,
E, de uma vez, com tudo acabar.
Não
vamos decidir, diz-lhe aquele ferido,
Quem então? Perguntou o pintor aturdido.
Decidimos nascer? Perguntou com autoridade
Escolhemos a nossa raça ou nacionalidade?
Alguém, permitiu estarmos aqui a sós.
Acalme-se, e escute, talvez ouça uma voz
Interior; aí, saberá se está
na hora ou não.
O fim parecia próximo. E certamente,
então,
Era inútil lutar mais. Pela primeira vez
O pintor deixou que algo, além talvez
Do seu próprio ego decidisse seu destino.
O frio cortante da noite foi um ensino
E teste de resistência. Antes de anoitecer,
Um hidravião inglês fez-se aparecer
Por entre o nevoeiro com grande ruído,
Localizou-os e recolheu-os, o ferido
E o pintor, os únicos que sobreviveram.
Já dentro da nave, os dois se aqueceram,
Até chegarem a um hospital inglês.
A convalescência durara um mês,
Após a qual tentou pintar novamente,
O que surgiu na tela foi surpreendente,
Foi como se outra mão, guiasse a mão
dele
E escolhesse as cores, pintasse pra ele,
Olhando a pintura, sentiu-se invadido
Por uma onda de alegria, e decidido
A não mais agir por ele. Este era o talento
Que ele procurava, e este o momento
De o ver brotar. Pintou doze telas
Em curto espaço de tempo, e todas elas,
Fizeram sucesso grande e imediato,
Começou
a vender muito, sem vender barato,
Teve uma carreira longa e notável,
Quando lhe perguntaram a forma agradável,
Como amadurou o seu talento assim.
Ele não amadurou, já estava em mim.
Só que não brotava, achei me pertencia,
Logo que pude ver, acabou essa mania,
Algo que não sei, extirpou-me a utopia.
|
| |
O QUIOSQUE DO LARGO DE SÃO FRANCISCO
Taveiros |
|
|
|
| |
Apesar de colegas desde o primeiro
ano do ginásio, no Colégio Sion de Petrópolis,
Vitoresa e Atorisev mal se conheciam. Naquele tempo
as garotas e rapazes dificilmente se misturavam. As
salas eram separadas, (masculino e feminino); depois
das aulas, as garotas tomavam o caminho de casa sem
olharem para os lados. Os raros namoros eram tímidos
e originavam críticas das beatas e das solteironas
inconformadas.
O segundo ano científico
estava chegando ao fim. Sofria-se o nervosismo das provas.
No intervalo das provas as garotas e rapazes quebravam
a distância de todo o ano para saberem uns dos
outros como deveriam ter respondido a esta ou àquela
questão.
- Como foi de prova de matemática? - perguntou
Atorisev.
- Mais ou menos... e você? Respondeu e perguntou
Vitoresa, de olhos nos apontamentos.
- Mal... a matemática não quer nada comi...
Atorisev não terminou o que queria dizer. Vitoresa
tinha levantado os olhos dos apontamentos e fixado pela
primeira vez o seu colega.
Nem um nem outro souberam explicar jamais a si próprios
o que lhes aconteceu em tão poucos segundos.
Deram os olhos como se tivessem dado as mãos
e a alma para toda a vida, sem pronunciarem uma só
palavra. Foi longo e doce o sofrimento que preencheu
a insônia de cada um, naquela primeira noite sem
fim das suas vidas a desabrochar.
Acabadas as provas, começou a dolorosa angústia
das férias, por sentirem que não podiam
encontrar-se. Vitoresa era filha de um modesto dono
de tipografia, em cujo sobrado morava com a mulher e
seis filhos. Cedo as obrigações domésticas
lhe começavam a roubar a juventude. E era nas
férias que mais ajudava a mãe naqueles
serviços que não cabem no dia a dia das
famílias numerosas.
Atorisev Lasiv, carioca, filho de judeus russos refugiados
da revolução russa de 1917, estudava em
Petrópolis onde os pais tinham casa de campo,
e onde achavam melhor o colégio. Durante a semana,
ficava só com uma empregada, e aos fins de semana,
recebia o convívio da família.
O regresso às aulas foi a esperança dos
dois. Cultivaram em solidão o doce sofrimento
do primeiro amor.
Mas para Vitoresa não houve regresso às
aulas, nem ao convívio das suas poucas relações
no colégio.
O pai, bêbedo e fumando sem cessar, botou fogo
à Tipografia uma noite em que teve de trabalhar
até mais tarde para terminar um serviço
urgente. Ele ficou no braseiro até aos trabalhos
de rescaldo. A família dormindo por cima da oficina,
a muito custo se pode salvar, àquela hora da
noite e de maior silêncio na cidade. A mãe
e os dois filhos mais novos vieram a falecer dias depois,
não sobrevivendo às extensas queimaduras.
Vitoresa e os três irmãos, todos rapazes,
embora muito marcados, não tiveram ferimentos
de maior importância. O movimento de solidariedade
que se gerou por toda Petrópolis acolheu os rapazes
à saída do hospital e logo os colocou
no comércio da cidade e a morar com os patrões.
Uma queimadura na face aparentemente sem importância,
foi retendo Vitoresa no hospital. O desgosto da tragédia
ainda não se extinguira nos seus olhos, e parecia
realçar uma estranha e profunda beleza a despontar.
Infeliz, bela e delicada, foi ganhando o carinho dos
médicos, enfermeiros, e dos outros doentes. Os
médicos fizeram o possível e o impossível
para lhe evitar qualquer deformidade. Não obstante,
a queimadura exposta não cedia, obrigando-os
a transferir a sua querida doente para o hospital da
Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro, na
época o melhor da Capital da República.
Os médicos, mais afetiva que profissionalmente
contrariados, juntaram aos papéis de transferência
uma comovida carta de recomendação aos
colegas da Beneficência.
Não seria preciso. Vitoresa logo cativou todas
as pessoas no Hospital com a serena resignação
do seu drama e a estranha beleza dos seus olhos tristes.
Apesar das técnicas mais atualizadas, de todos
os cuidados e carinhos, Vitoresa parecia fugir à
sorte. De enxerto em enxerto, de insucesso em insucesso,
a face esquerda acabou por ficar muito atrofiada, com
um certo repuxamento da pálpebra. Foi ela própria
a pedir aos cirurgiões que a deixassem assim.
Preferiu conformar-se a correr o risco de ficar pior.
Sem casa em Petrópolis, com os irmãos
dispersos e, completamente desconhecida na Capital da
República, receava o dia da alta como um novo
ato do seu drama.
Este receio não escapou a D. Rosevati, uma senhora
italiana cheia de amor ao próximo, visitadora
de Asilos e Hospitais, esposa do português Taveiros
Vilas, o mais conhecido livreiro do centro do Rio.
- Olha, Vitoresa, tenho andado a pensar no teu destino,
quando saíres do Hospital.
- Muito obrigada, senhora...
- Não me agradeças e não me interrompas...
ouve com atenção: meu marido tem uma boa
Livraria na Rua da Quitanda onde moramos, e um Quiosque
no Largo de São Francisco no ponto final do Bonde.
Anda sempre de um lado para o outro por que não
confia no gerente da Livraria, e o homem que toma conta
do Quiosque agora deu para beber e está muito
chato.
- Há dias, falei-lhe em ti, no que te aconteceu
e, sobretudo, no que te pode acontecer...
- Madame...
- Não se devem interromper as pessoas mais velhas,
minha filha... falta pouco para saberes o que te venho
propor.
- Desculpe... deixa lá... encurtando a conversa:
meu marido aceitou em te empregar na Livraria e não
se importa que fiques morando conosco. Satisfeita?
- Mas eu... mas eu o que... não te faltam condições
para seres uma boa funcionária. Tens o segundo
ano científico, és uma moça de
quem todo o mundo gosta, e nós, sem filhos, não
ficaremos tão sós naquela casa imensa.
- Não sei se...
- não sabes o quê?! - perguntou surpreendida
D. Rosevati.
- Se... se com este defeito no rosto posso estar a um
balcão...- respondeu Vitoresa, num fio de voz
e olhos no chão.
D. Rosevati ficou também de olhos no chão
e em silêncio, por uns momentos; depois, reagiu
com mal disfarçada ternura: - Não voltes
a falar no teu defeito a ninguém. Tens beleza
e qualidades que chegam para o fazer esquecer, minha
filha... Tu própria, com o tempo, te esquecerás...
Vitoresa não podia esquecer a deformidade que
lhe apanhava toda a face esquerda, da pálpebra
à linha do queixo. Os freqüentadores da
livraria já tinham achado o jeito de olhar sem
ver a cicatriz, quando falavam com ela e, da mesma forma,
as visitas em casa. D. Rosevati e seu marido, pouco
a pouco a foram tratando como pessoa da família,
sem qualquer inibição de parte a parte.
Mas outros clientes esporádicos, marcavam-na
com os seus comentários, até ao fundo
da alma a cicatriz da face.
- Como foi isso menina? Perguntava um.
- Oh!... que pena...lamentava outro.
Seis anos se passaram. Vitoresa já era o braço
direito de Taveiros Vilas que muito cedo se apercebeu
da sua queda para o negócio. Em casa dos patrões
veio a preencher, com grande satisfação
de ambos, aquele vazio de que só os casais sem
filhos conhecem o desconsolo.
Há tempos que Vitoresa vinha estranhando, dia
para dia, o comportamento do patrão. Voltou a
ficar muitas vezes até ao fechar da Livraria,
fitava-a de maneira estranha quando, a sós no
escritório, encerravam o movimento diário
e tossia como se alguma coisa o incomodasse profundamente..
Um dia, tudo se esclareceu. Como era feriado, D. Rosevati
andaria, por toda a tarde, a visitar Asilos e Hospitais.
Vitoresa, diante de tantas hora livres, aproveitava
para limpar cuidadosamente quadros e cortinas. Taveiros
Vilas, muito rígido e em silêncio lia o
jornal sem mudar de folha há muito tempo...
Vitoresa pressentiu que o patrão se levantara
e caminhava para ela, dissimuladamente, como um gato.
Ao voltar-se, de repente, viu Taveiros Vilas diante
de si, de olhos brilhantes e braços meio erguidos
na sua direção.
- Vitoresa, eu... - balbuciou, já de olhar e
braços caídos.
- Não diga nem mais uma palavra!... Sairei ainda
hoje desta casa! - cortou Vitoresa, de lábios
apertados pelo ódio que lhe incendiava os olhos.
- Desculpa tudo que em mim adivinhaste. Dá-me
uns dias para resolver a tua vida, sem que minha santa
mulher se aperceba de nada. Por amor de Deus! - implorou
Taveiros Vilas, de expressão desfeita.
- Está bem ...condescendeu Vitoresa, segundos
depois de um pesado silêncio.
Um pouco contrariada, a princípio, D. Rosevati
acabou por concordar com o marido. Sim...Vitoresa merecia
conhecer o sabor da independência...ser ela própria
em todas as horas do dia...
Venderiam-lhe, por preço simbólico, o
Quiosque do Largo de S. Francisco e sairia de casa quando
quisesse, tão logo arranjasse um cantinho a seu
gosto.
Cedo, Vitoresa arranjou uma boa casinha na Rua Visconde
do Rio Branco, bem perto do Largo de São Francisco.
Para lá se mudou no mesmo dia em que Taveiros
Vilas fez a escritura e lhe entregou as chaves do Quiosque
na presença de D. Rosevati, comovida até
às lágrimas.
Passaram doze anos de vida pendular. Casa...Quiosque...Casa...Quiosque...
Casa... Vitoresa raramente aceitava os convites de D.
Rosevati para almoçar ou jantar. A boa senhora,
sem nunca desconfiar do ressentimento incurável
da sua protegida, dizia-lhe às vezes: o dinheiro
está te estragando, menina... estás cada
vez mais irreconhecível!
Vitoresa era feliz em sua casinha. Por suas mãos
a foi decorando e mobilando com muito gosto e com muito
gasto. O negócio corria bem e ela tinha uma espécie
de prazer vingativo, ao comprar o melhor sem olhar o
custo. A cozinhar e a ouvir música, ou a ler,
nunca se aborrecia em seu pequeno mundo. Seu e do Evatoris,
um belo gato siamês que comprara por um bom preço
para lhe fazer companhia. Valeu o dinheiro. Evatoris
era um companheiro quase humano. Entendia gestos e palavras,
comportando-se em perfeita harmonia com o estado de
espírito da sua dona.
Vitoresa só não era feliz entre a Rua
Visconde do Rio Branco e o Largo de São Francisco.
No inverno, com a gola da blusa subida, conseguia esconder
dos olhos dos pedestres a horrenda cicatriz da face.
Mas, em pleno verão, o caminho sempre lhe parecia
dolorosamente longo. No Quiosque voltava à felicidade
plena de quem sabe cultivar a solidão.
Do Quiosque, pela abertura estreita debruada a jornais
e revistas, Vitoresa oferecia sempre aos olhos dos seus
clientes o lado perfeito da face. Perfeito e belo. Tão
belo que não era raro algum homem de fora da
cidade, ficar por ali rondando ou de conversa fiada
na compra de cigarros ou jornais. Vitoresa corria-os,
mostrando-lhes, disfarçadamente, a cicatriz repugnante.
E era vê-los paralisados de espanto e, depois,
atravessarem o Largo como cães escorraçados.
Eram já poucas as pessoas que atravessavam o
Largo de São Francisco naquele entardecer de
24 de dezembro. A cidade ia-se aconchegando para a noite
de consoada.
Vitoresa sentia uma satisfação crescente,
ao aproximar-se a hora de ir para casa preparar a comida
e comer sozinha a ceia de Natal. Era o primeiro ano
que não tinha que fazer o sacrifício de
consoar na presença de Taveiros Vilas. O casal
tinha morrido em desastre de ônibus, em peregrinação
à Aparecida do Norte.
Começara já a recolher as revistas e jornais
expostos em redor da abertura do Quiosque, quando reparou
num homem atravessando o Largo com todo o aspecto de
se dirigir para lá. Pela roupa e pela atitude
logo lhe pareceu ser uma pessoa de fora.
Quando o cavalheiro ficou a um metro de distância
e à luz do candeeiro mais próximo, Vitoresa
sentiu o abalo mais profundo de todos os abalos da sua
vida. Reconhecera Atorisev, como se tivesse deixado
de o ver, uns dias antes, no fim do segundo ano do colégio.
Atosisev, com os olhos numa revista, pediu:
- O jornal de Notícias, por favor...
Como não ouvisse o mínimo ruído
de resposta, levantou os olhos intrigado. Vitoresa fitava-o
imóvel como uma estátua viva. Logo a reconheceu,
e perguntou, quando pôde falar:
- N... não é a Vitoresa?...
- Foram jantar no restaurante da Confeitaria Colombo
na Rua Gonçalves Dias que lhes pareceu mais recolhido.
- Um restaurante de luxo quase vazio naquela noite familiar.
Comeram mecanicamente o que mecanicamente haviam escolhido.
Só tinham olhos um para o outro. Olhos e palavras.
No fim do jantar tinham contado as suas vidas com o
detalhe e o deleite de uma posse mútua.
Atorisev, filho único, perdera os pais em menos
de um ano, logo após terminar o curso de medicina
na Universidade Federal da Praia Vermelha, e como nada
mais o prendesse ao Rio de Janeiro, fora para os Estados
Unidos onde era cirurgião no Beth Israel Hospital,
da escola de Medicina da Harvard University, em Boston-Massachusetts,
um dos trinta cirurgiões mais famosos da América,
e autor de vários livros da especialidade. Viera
de férias matar saudades do país e da
sua cidade.
Já na rua, Vitoresa manifestou vontade de lhe
mostrar a sua casa e dar comida ao Evatoris que já
deveria andar pelos cantos da casa a miar a sua estranheza.
- Boa idéia!... e vamos voltar e comprar um bolo
e uma garrafa de champanhe. Natal é
Natal! - exclamou Atorisev, apertando o braço
de Vitoresa, cheio de entusiasmo.
Apesar de acostumado ao conforto da América,
o bom gosto e o aconchego daquela casa logo o cativaram.
E não pode mesmo evitar uma certa emoção,
quando o Adágio de Albinoni o envolveu como um
perfume raro que lhe trouxesse os mais delicados sentimentos
perdidos. E, antes que a comoção o atraiçoasse,
propôs a Vitoresa, que andava a tratar da comida
do Evatoris:
- E se provássemos o bolo e bebêssemos
uma taça de champanhe?
- Já vou, Atorisev, já vou... deixe-me
só tratar deste chato que está meio zangado
comigo por ter chegado tarde!
As mãos de Atorisev e Vitoresa encontraram-se
ao tentarem ambos desfazer o embrulho do bolo. Detiveram-se
por instantes. Depois subiram até aos ombros,
com os corpos já percorridos por um frêmito
de desejo.
Acordaram tarde com o Evatoris a miar junto ao prato
vazio que Vitoresa enchia todas as manhãs.
|
|
| |
|
|
| |
O
A D V O G A D O
Taveiros
Aquele de quem se pudesse dizer:
é o estudioso do direito de todos, e o defensor
do direito de cada um.
Segundo esse paradigma não há
nenhum.
Os advogados, são apenas, os defensores
dos seus clientes,
e como advogados
a mais não se sentem obrigados.
Tenham os seus clientes
razão
ou não,
eles os servem sempre. É que, se os não
servissem, caiam-lhe os dentes.
E a juntar às suas contas, ainda
teriam as do dentista.
Faz-se um curso de Direito,
não para,
como jurista,
endireitar o mundo (utopia)
mas para endireitar a sua economia.
E, então, se for preciso, o próprio
advogado não será escrupuloso
e defenderá um criminoso.
Não terá, então, relutância
em usar
de sofismas.
Ver o direito por vários prismas,
mas sempre com primazia
daquilo que lhe meta dinheiro no bolso
e o mais é utopia!
No ganhar
ou não ganhar,
está a sua filosofia,
a sua ideologia.
Um famoso jurisconsulto, de grande
sabedoria e cultura,
dizia, dando o seu recado,
ao advogado:
“Não faça da banca balcão,
ou da ciência
mercadoria”
Perdeu o seu tempo e o seu latim:
a coisa continua assim:
banca =balcão
direito
como der mais jeito.
Para prêmio de consolação há
quem
se atreva a dizer:
“é preciso ter coragem de perder”.
Os advogados, porém, não nasceram
com vocação para santos,
pelo que tudo continua como dantes,
no quartel general de Abrantes!
|
|
| |
|
|
| |
|
|
| |
|
|
| |
|
|
| |
|
|
| |
OLAVO BILAC
Taveiros
De nada
valeram os meus argumentos e a minha alegada falta de
tempo; uma amiga muito querida, Ermelinda Adamo Affonso,
escritora e jornalista, entra-me pela casa dentro a
exigir-me que eu revisasse um seu livro recém
escrito denominado “A vida e obra de Olavo Bilac”.
O livro tinha o prefácio do notável presidente
da ABI, Austregésilo de Ataíde, e fora
escrito com grande verve, excelente pesquisa histórica
e agudo senso de humor. Foi pena que não tivesse
sido publicado; a autora falecera quando estava tudo
pronto para a impressão, e a família não
se interessou em fazê-lo.
Mas, aquilo que à primeira vista me pareceu uma
tarefa difícil e trabalhosa, constituiu-se num
grande prazer e deleite. Permitiu-me conhecer a sua
infância e adolescência, por exemplo: o
nome dele que hoje conhecemos, Olavo Braz Martins dos
Guimarães Bilac e que forma um alexandrino perfeito,
no nome dele de batismo não há o Bilac.
O Bilac foi acrescentado em homenagem ao padrinho, um
comerciante português de secos e molhados da Rua
da Vala, hoje Uruguaiana, que quando o pequeno Olavo,
seu afilhado, aparecia lá pelo estabelecimento,
enchia-lhe os bolsos de guloseimas, e chamava-o de brincadeira
de “bilhaco, bilhaco” (Velhaco) e foi assim
que nasceu esta corruptela, Bilac. A sua infância
fora difícil com o pai combatendo na guerra do
Paraguai. Quis estudar Medicina, desistiu para estudar
Direito em São Paulo. Foi grande namorador, mas
nada a sério. O que gostava mesmo era a conversa
com os amigos da Rua do Ouvidor. Namorou a irmã
do também parnasiano Alberto de Oliveira, Amélia
de Oliveira, esta também grande poeta, e vejam
que soneto intitulado “Prece” que ela lhe
escreve:
Não te peço
a ventura desejada,
Nem os sonhos que outrora tu me deste;
Nem a santa alegria que puseste,
Nesta doce esperança já passada.
O futuro de amor que
prometeste
Não te peço! Minh´alma angustiada
Já te não pede, do impossível,
nada,
Já não te lembras aquilo que esqueceste...
Nesta mágoa sorvida
ocultamente,
Nesta saudade atroz que me deixaste,
Neste pranto que choro inda por ti.
Nada te peço,
Nada. Tão somente
Peço-te agora, a paz que me roubaste,
Peço-te agora, a vida que perdi.
Olavo
Bilac publicou o seu primeiro livro, Poesias, em São
Paulo quando estudava Direito, em l888, reunindo os
poemas escritos entre 1884 e 1887. O livro se compunha
de 3 partes cada qual trazendo uma característica
própria, na harmonia do verso escorreito e trabalhado:
Panóplias, Via Láctea e Sarças
de Fogo.
Os trinta e cinco sonetos da Via Láctea estão
entre os mais belos da língua portuguesa. Tomando
o amor como inspiração essencial de seu
verso, Bilac renova o tema com um tom pessoal e inconfundível,
e é preciso retroceder ao lirismo camoniano para
situar-lhe as raízes evidentes. Até mesmo
o desdém do poeta aos que possam zombar do tom
profundamente lírico do seu verso, no último
soneto da coletânea, tem a força das obras
definitivas:
Pouco me importa que
mofeis sorrindo
Destes versos puríssimos e santos;
Porque, nisto de amor e íntimos prantos,
Dos louvores do público prescindo.
Sonetista exímio,
dos maiores da nossa língua e mesmo da latinidade,
tão grande como Petrarca e Bocage, a quem se
refere em lapidar soneto:
“Mestre querido!
viverás, enquanto
Houver quem pulse o mágico instrumento,
E preze a língua que prezavas tanto:
Enquanto houver num canto
do universo
Quem ame e sofra, e amor e sofrimento
Saiba, chorando, traduzir no verso.”
A sua
poesia, toda cheia de amor e exaltação
ao Brasil era grandemente admirada em Portugal. Guerra
Junqueiro, na homenagem prestada a Bilac quando da sua
visita a Portugal, disse arrebatado: “Exaltamos
em coro imenso a Pátria-Irmã, aclamando
Bilac o seu grande poeta. Eu, beijando-lhe a fronte,
beijo o Brasil no coração”.
Eu que já era um admirador do homem e de sua
obra, fiquei agora fanático de que não
me quero curar, só um homem que atingiu a onipotência
da forma é capaz de escrever este soneto:
O Brasil
Pára!
Uma terra nova ao teu olhar fulgura!
Detém-te! Aqui, de encontro a verdejantes plagas,
Em carícia se muda a inclemência das vagas...
Este é o reino da Luz, do Amor e da Fartura!
Treme-te
a voz afeita às blasfêmias e às
pragas,
Ó nauta! Olha-a, de pé, virgem morena
e pura,
Que aos teus beijos entrega em plena formosura,
Os dous seios que, ardendo em desejos, afagas...
Beija-a! O sol tropical
deu-lhe à pele doirada
O barulho do ninho, o perfume da rosa,
A frescura do rio, o esplendor da alvorada...
Beija-a! é a mais
bela flor da Natureza inteira!
E farta-te de amor nessa carne cheirosa,
Ó desvirginador da Terra Brasileira!
|
|
| |
|
|
| |
Bocage
Taveiros
A
televisão portuguesa, (RTP Internacional) está
transmitindo uma mini-série sobre Bocage. Curioso
é que o ator que o interpreta é a cara
dele. Manoel Maria Barbosa du Bocage nasceu em Setúbal,
cidade a uns 70 km ao Sul de Lisboa, a 15 de setembro
de 1765. Seu pai, José Luís Soares de
Barbosa era bacharel em Cânones e trabalhava como
advogado naquela cidade. Sua mãe, D. Mariana
Joaquina Xavier Lestof du Bocage, era filha de francês,
o vice-almirante da armada portuguesa Gil Lê Doux
du Bocage. O casal teve 6 filhos e o nosso poeta foi
o quarto a nascer.
Dizer que Bocage é um dos maiores poetas da língua
portuguesa é um mero pleonasmo. Mas apenas para
pessoas que conviveram ou convivem com a sua obra. Para
o povão em geral, a imagem que aparece é
a do homem devasso, autor de várias piadas obscenas
e de anedotas pornográficas.
Para também o imensamente grande Olavo Bilac,
Bocage foi o maior metrificador da língua portuguesa.
Era um lírico com total domínio das técnicas
de versificação: mestre do decassílabo,
com um perfeito estilo de ritmo e cadência, vocabulário
rico, excelente musicalidade, poderosa imaginação.
Bilac defende-o sempre contra as acusações
ímpias dos que desconheciam a obra do Elmano
(Pseudônimo poético de Bocage), e justificou
seus desvios de conduta (afinal, vivia-se do reinado
de D Maria I) e, finalmente, pelo trecho que agora transcrevo,
poder-se-á verificar a que ponto chegava o respeito
do grande poeta brasileiro para o colega português.
“Em Portugal a arte de fazer
versos chegou ao apogeu com Bocage e depois dele decaiu.
Da sua geração e das que a precederam,
foi ele o máximo cinzelador da métrica.
A plástica da língua e do metro; a perícia
do ensamblar das orações e no escandir
dos versos; a riqueza e graça do vocabulário;
o jogo sábio e às vezes inesperado das
vogais e das consoantes dentro da harmonia da frase;
a variação maravilhosa da cadência;
a sobriedade das figuras; a precisão e o colorido
dos epítetos; todos esses difíceis e complicados
segredos da arte poética, cuja beleza e raridade
às vezes escapam até aos mais cultos amadores
da poesia e aos mais argutos críticos literários,
e que somente os iniciados podem ver, compreender e
avaliar; esta consciência, este gosto, esta medida,
este dom de adivinhação e de tato, de
que os artistas natos têm o privilégio
– tudo isso coube a Elmano, tudo isso se entreteceu
no seu talento” “Depois dele, Portugal teve
talvez poetas mais fortes, de surto mais alto, de mais
fecunda imaginação. Mas nenhum o igualou,
o excedeu, no brilho da expressão.”
Vejam o esplendor do soneto que Bilac dedica a Bocage:
“Tu, que no pego impuro das
orgias
Mergulhavas ansioso e descontente,
E, quando à tona vinhas de repente,
Cheias as mãos de pérolas trazias;
Tu, que do amor e pelo amor vivias,
E que, como de límpida nascente,
Dos lábios e dos olhos a torrente
Dos versos e das lágrimas vertias;
Mestre querido! Viverás, enquanto
Houver quem pulse o mágico instrumento,
E preze a língua que prezavas tanto:
E enquanto houver num canto do universo
Quem ame e sofra, e amor e sofrimento
Saiba, chorando, traduzir no verso.
Foi uma pena
que Bocage, um poeta que atingiu realmente o sublime,
arruinasse a sua vida nos desvarios de uma vida desregrada,
e não conseguisse manter-se nas elevadas regiões
da arte, e acabasse tão tristemente numa luta
angustiada e dolorosa com a doença e falta de
meios.
|
|
| |
|
|
| |
Os jornalistas e articulistas de há 50/40, Pio
Corrêa, Otávio Tirso de Andrade, Fernando
Pedreira, Augusto Frederico Schmitt, Eugênio Gudin,
Roberto Campos, Josué Montelo, e tantos outros;
“and last but not the least” Paulo Francis,
fizeram o deleite da minha juventude. A maioria ainda
lia Virgílio no original, e comentava Victor
Hugo (o divino Hugo) em sua própria língua.
Os jornalistas de hoje, salvo honrosas exceções
fazem um jornalismo de encher papel, sem compromisso
com o fato, a verdade, a elegância e a beleza
da nossa língua. Algumas manchetes me desgostam
tanto que me tiram a vontade de ler o texto.
Francis
usava o veneno da ironia e a arma do sarcasmo para colocar
na defensiva os cultores da mitologia nacionalista que
reduziu nosso potencial de crescimento e nos condenou
à pobreza. Seu passado marxista tornara-o conhecedor
das técnicas de lavagem cerebral. A trajetória
intelectual de Paulo Francis foi uma gradual contaminação
pela verdade e uma contínua erosão de
preconceitos. De radical de esquerda, nos anos 50 e
60, e vocalizador do protesto político nos anos
70, passou a “radical liberal” a partir
dos anos 80. Qual o primum movens da conversão?
Um dos fatores foi, certamente, sua desilusão
com o “socialismo real”. Em sua rota revisionista,
Francis deve ter sido abalado pelas revelações
de Kruschev sobre os crimes de Stalin. Em segundo lugar,
e talvez mais fundamental, foi o seu auto-exílio
nos Estados Unidos em 1970, depois de ter sido preso
quatro vezes como subversivo pelos militares.
Com
sua enorme capacidade de metabolismo intelectual, Paulo
Francis logo se impregnou pelos valores do capitalismo
democrático. Para Francis, um elitista intelectual,
não foi difícil assumir a visão
realista de que, tendo os homens nascidos desiguais
por desígnio Divino, a tentativa igualitária
é uma farsa e uma hipocrisia, não nos
restando mais que uma administração humana
das desigualdades.
Tendo
sofrido na fase autoritária brasileira por seu
fanatismo pelas liberdades políticas, passou
nos Estados Unidos a ser também um fanático
pela liberdade econômica. Para trás ficaram
as ingenuidades de um Estado benfeitor, das estatais
estratégicas, do controle social de preços
e de mercado. Eram, segundo dizia, caipiragens retrógradas.
Paulo Francis sofreu uma inversão de patrulhamento;
na juventude fora patrulhado pela direita; na maturidade
pelas esquerdas, que nunca compreenderam, como e por
que se livrara da sedução marxista.
Era
um homem de interesses culturais lato sensu. Abrangiam
o teatro (começara sua carreira como crítico
e ator teatral), o cinema (em que se tornou um erudito),
a literatura nacional e mundial (que lia com ecumênica
voracidade), o balé e a música onde esbanjava
erudição.
A crônicas que publicou ao longo dos anos, sob
a rubrica “Diário da Corte” eram
um misto de crítica literária e artística,
análise política, “palpitologia”
econômica e saborosa psicanálise de amigos
e inimigos. Seu estilo era inconfundível e inimitável.
Deixou um vácuo em nosso panorama literário.
Foi uma pena...
|
|
| |
|
|
| |
Passárgada
Taveiros
Eu
era ainda menino, mas, recordo-me ter lido num livro
que fora trazido pelo meu avô, (um imigrante português),
mais ou menos o seguinte: “A nossa capital
(Lisboa) é cheia de preciosidades artísticas
e monumentais e, vista do Tejo, (Rio Tejo), faltam-lhe
apenas os frondosos morros para ser tão elegante
como o Rio de Janeiro.” Lembra-me que eu,
como brasileiro e carioca que sou, fiquei todo orgulhoso
da nossa cidade. É claro que o referido livro
fora escrito antes da terrível ocupação
dos morros, a que o Estado assistiu de braços
cruzados. Faço idéia a beleza desta cidade
há duzentos anos! Com essas montanhas de luxuriante
vegetação! E ainda com os morros intactos,
como o do Castelo, do Senado, de Sto. Antônio!
Com a Baía da Guanabara no original! O panorama
devia ser deslumbrante, uma paisagem de sonho!
A ocupação dos morros cariocas, além
de crime de natureza ambiental, é crime contra
a própria comunidade moradora, pois sempre que
há uma chuva mais intensa e contínua,
como acontece a toda a hora, alguns barracos deslizam
e não raro causam vítimas. O Estado assistiu
e a sociedade achava graça. Fizeram-se até
músicas bonitas, enaltecendo a favela, como “Favela”,
“Chão de Estrelas”, etc.
É claro que ninguém mora na favela por
que quer, sendo a pobreza a principal razão,
e o Estado o principal culpado, pois os impostos que
ele cobra, teriam que reverter em benefícios
para os cidadãos especialmente para os de baixa
renda; como casa, escola para os filhos, saúde,
segurança e justiça ágil. Uma justiça
morosa não é justiça, mas uma tremenda
injustiça.
Mas o assunto é sobre o ordenamento jurídico
da favela, é disso que quero falar: Creio, como
afirma Boaventura Santos, que haja um pluralismo jurídico,
ou mais de uma ordem jurídica na favela. E que
existe um espaço territorial ocupado ilegalmente,
ao qual o Estado faz vista grossa, e há um direito
interno e informal, gerido normalmente pela associação
de moradores e aplicável à prevenção
e resolução de conflitos no seio da comunidade,
decorrentes da luta pela habitação.
A convicção e aceitação
da norma jurídica em Passárgada desde
a sua formação tiveram como princípio
aquele axioma de Direito, segundo o qual: “o direito
de cada um vai até onde não fira o direito
de outrem”. Com base neste princípio, a
comunidade de Passárgada vive em harmonia nesse
aspecto. Qualquer pessoa que viole esse princípio
será chamada à Associação
de moradores e arcará com as conseqüências.
A fixação de moradores em Passárgada,
ao contrário do que diz o autor, teve início
muito antes de 1930. O grande escritor brasileiro, e
o que eu mais admiro, Machado de Assis, nasceu no morro
do Livramento, atrás da Central do Brasil, no
dia 21 de Junho de 1839, e passou lá grande parte
da sua infância. Quando começaram a surgir
um ou outro barraco nos morros, o Rio de Janeiro tinha
pouco mais de 300 mil habitantes, não havia disputa
de espaço nem de nada, Havia terra para todos.
Hoje há disputas no morro por espaço físico
por que há muita demanda. Isto acontece também
nos centros urbanos. Quanto maior for o aglomerado urbano,
mais e maiores conflitos existem.
Mas Passárgada até meados de século
XX era, como ainda é hoje constituída
por maioria de pessoas simples, mas pessoas de bem e
trabalhadoras. A partir da metade do século XX,
começou a servir de refúgio para traficantes
e viciados que se valem do difícil acesso e difícil
trânsito por aqueles becos, para se refugiarem
dos agentes da lei. Com isso os seus moradores, ficam
entre a cruz e o calvário. Mas essa é
uma outra história.
Se fizermos uma avaliação do Direito de
Passárgada com o Direito oficial dos Estados
modernos e, sobretudo, dos Estados capitalistas - à
luz do Direito brasileiro que, para esse efeito, deve
ser considerado representativo, facilmente se concluirá
que o aspecto retórico do Direito de Passárgada
é muito mais amplo do que o Direito estatal,
pois quaisquer que sejam os indicadores utilizados para
determinar a avaliação deste mesmo espaço,
a verificação é sempre favorável
ao Direito de Passárgada.
|
|
| |
|
|
| |
|
|
| |
Uma
vírgula pode mudar uma história
“O
padre Antonio Vieira nasceu em Lisboa e viera para o
Brasil com os pais com apenas 8 anos de idade. Aqui
estudou, formou-se, e atingiu o mais alto firmamento
da nossa literatura. Esteve preso nos cárceres
do Sto. Ofício recuperou a liberdade e partiu
para Roma. Já Septuagenário regressou
ao Brasil. Sofreu ainda grandes dissabores antes de
falecer com quase 90 anos! Nos seus 2 | | |