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Bem Vindo ao Portal da
Sabedoria. |
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Respeito
à hierarquia e aos mais idosos.
Sabedoria do samurai
O
que acontece quando a sociedade esquece?
O autor, de 64 anos, é professor
do ensino superior e conta uma de suas experiência
pessoais, vivida com o mestre dos mestres,
Massami Ogino.
Fui convidado por meu professor
de judô, Massami Ogino para uma recepção,
onde estariam presentes autoridades e empresários
japoneses.
Não entendi bem o propósito
de nossa presença, mas conhecendo
a maneira de ser do Mestre Ogino, sabia
que alguma coisa muito importante iria acontecer.
Chegamos cedo para ver
a chegada das autoridades. Logo, na hora
marcada, formou-se uma grande aglomeração
de pessoas, entre as quais as autoridades
e empresários.
Perguntei ao Mestre quais os mais importantes.
Ele disse: espere.
Com a chegada do elevador, observei que,
entre mesuras, uns convidavam outros a passar
na frente e ninguém entrava no elevador.
Depois de um tempo, formou-se uma fila e,
uma por uma, as autoridades entraram rapidamente.
Ogino virou-se e, com sua fleuma
emblemática, disse: o
que você viu? Diante
da minha resposta concluiu sabiamente:
O mais importante sempre é o que
entra primeiro, e assim por diante, até
que o último entra.
Perguntei então o porquê dos
cumprimentos e convites para passar primeiro.
O mestre deu um sorriso e disse:
é por educação, os
mais importantes sempre cedem a vez, mas
os que estão abaixo nunca aceitam.
É uma questão de educação,
mas também de respeito à hierarquia
e à idade.
No Japão, primeiro vem
o País e as autoridades, pela ordem
de importância, depois a família,
os avós, depois os pais, depois o
filho mais velho e depois os mais novos
pela idade.
Isso é o respeito à hierarquia
e à ordem. Saber obedecer sem, questionar,
respeitar a hierarquia são a sabedoria
dos homens honrados e a essência do
Samurai.
Agora, se quiser, podemos ficar ou, ir embora
e ler nos jornais o que aconteceu.
Fiquei.
Essa foi uma das muitas lições,
entre as jóias da sabedoria, de Massami
Ogino, que apreendi, e aprendi também
que devemos ensinar o que aprendemos, para
fazer circular a energia do bem.
Por isso, Ogino era um Mestre dos
Mestres uma pessoa única. Ogino soube
investir na formação moral
de todos que o cercavam e o fazia pelo seu
exemplo mesmo, quando estava calado e às
vezes por “osmose mental”.
Os jovens de hoje têm vergonha de
levantar quando entra no recinto um professor
ou, acham moderno e correto chamar um oficial
de você. Isso é o início
da falta de respeito, que merecem os que
conquistaram seus títulos, atributos
do conhecimento e da experiência de
vida, com embasamento cultural, o que só
a vivência traz. Chamo meus colegas
pelos títulos, mesmo em particular,
por que posso ser traído pelo habito
e fazê-lo em público, o que
é imperdoável. Por isso, adotei
como norma.
Hoje, o Brasil é um país
mais sábio e honrado. O legado de
Massami está na nova família
brasileira, a família Ogino, portadora
de sua luz e o clã dos que por ele
foram educados, o clã Ogino.
Massami Ogino se importava com todos os
detalhes. Era como a águia, um observador
arguto. Via do alto e só interferia
quando era extremamente necessário.
Muitas outras lições
apreendi… e ainda estou aprendendo
ainda porque creio há vida além
da vida!
Flavio Pinto Ramos
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O
maior investimento japonês no Brasil
O
Brasil acaba de eleger a Miss Centenário
Brasil-Japão e princesas de olhos
amendoados, os mais lindos olhos de jovens
deslumbrantes, entre as belíssimas
que representaram cada estado.
Neste
ano de 2008, comemoramos o centenário
da imigração japonesa para
o Brasil. É um momento de reflexão,
de pensar o que foi a adaptação
desse povo trabalhador e guerreiro aos novos
costumes deste país imenso, que hoje
é deles e de seus descendentes brasileiros.
É o momento de refletir sobre a tristeza
que é ver nossa gente indo trabalhar
no Japão de seus pais e avós,
porque as condições de vida
estão difíceis no Brasil,
por culpa nossa. Essa volta representa
uma ingratidão e uma derrota de nosso
governo incompetente.
As humilhações que
são infringidas aos brasileiros que
procuram trabalho ou que vão a passeio
no exterior são culpa nossa.
Penso o que
é o sonho e a esperança serem
frustrados pela nossa incompetência
como cidadãos, elegendo os corruptos
e os que não sabem administrar a
política deste país. É
fruto da política do nivelamento
por baixo è a falsa premissa de que
somos todos iguais. Como indivíduos
sim, como pessoas não.
O Brasil, que tem matérias-primas,
biodiversidade exuberante, água e
terras cultiváveis em abundância,
enfim, tudo para ser economicamente independente
e desenvolvido para ser a maior nação
do mundo, agora, e não no futuro,
frase que escuto desde a minha infância.
Falta
de tecnologia é que não é.
Voltando no tempo: o “presidente
espúrio” José Sarney,
que não poderia ser presidente porque
o eleito havia falecido antes de ser empossado.
A Constituição prevê
novas eleições para este caso.
Esse péssimo administrador da “coisa
pública”, com uma penada tacanha
acabou com o programa nuclear brasileiro
e colocou na rua, sem emprego, doutores
e mestres e outros técnicos altamente
treinados, que foram para o exterior contra
a vontade. Não havia mais trabalho
no Brasil numa área especializada
como essa. Mas que importa? O maior demagogo
e grileiro do Maranhão ainda foi
premiado e é membro da Academia Brasileira
de Letras e ainda continua sugando as tetas
públicas, como Senador.
Falta
de “recursos”? Também
não.
Entrevistando “políticos”
e “executivos” ouço deles
sempre a mesma história, mostra flagrante
da incompetência que retarda o crescimento
do Brasil e tira o chão dos jovens
e que tentam ingressar no mercado de trabalho.
O problema,
segundo essas pessoas, é a “FALTA
DE “RECURSOS”. Sempre avalio
o grau de conhecimento deles em planejamento,
e pergunto: “O que o senhor quer dizer
com recursos?” Rindo, como se o ignorante
fosse eu, respondem: “Dinheiro, verbas,
é claro. Não lhe parece?”
Sem querer
ser professoral, respondo: “O senhor
sabia que são quatro os recursos?”
Como se eu estivesse dizendo uma asneira
perguntam: “Como assim?”
Aí,
fica demais para minha paciência.
São quatro: capital (principal
em inglês), conhecimento (know-how
em inglês), pessoal (força
de trabalho) e máquinas e equipamentos.
Tudo deixa
de acontecer se não houver técnicos
qualificados para desenvolver o planejamento
e operacionalizar a execução.
E tudo depende de pessoas, se faz
com pessoas e para pessoas.
Discursos
de políticos mostram claro despreparo
e incompetência.
Quando alguns políticos brasileiros
se metem a fazer discursos de improviso,
os tradutores simultâneos ficam loucos,
já que as palavras técnicas
têm um só significado no mundo
inteiro. Já viram o Lula falando
de recursos? De planejamento? Dá
náuseas. Enquanto a arrecadação
de impostos bate recordes, ele fala sobre
a volta da CPMF, com essa ou com outra sigla.
È a goela grande, é a fome
de dinheiro, para comprar mais consciências
e manter o PT no poder. É o binômio
mentir (Lula mente com a maior naturalidade)
e comprar apoios.
Raríssimos são os políticos
que têm noção do que
são planos, programas e projetos,
e que esses nomes não são
sinônimos.
E é por isso que o Brasil é
um país de “projetos”.
É preciso um “projeto de Brasil”
e não um plano diretor para Brasil.
É a visão míope do
curto prazo. É a arrogância
somada à ignorância, ao amadorismo
à fanfarronice do “presidente
retirante”, que está no poder,
levado por seus idênticos os “cumpanheros
de estrebaria”. Um presidente da república
precisa ter no mínimo postura de
presidente.
Faltam
recursos morais, faltam políticos
honrados e probos para tocar o Brasil.
O esquema de votos de cabresto impede que
os mais cultos e preparados sejam eleitos
pela grande maioria, de ignorante e com
iguais direitos de voto.
Os
sociólogos questionam: porque essa
epidemia de corrupção em todos
os níveis, pirataria contrabando
sonegação e desonestidade
generalizada? Porque o povo quer tudo no
curto prazo? Arrisco um palpite: falta de
esperança, confiança e de
respeito nas instituições
públicas e pelos gestores da coisa
pública.
É a visão da impunidade dos
desonestos e ladrões cada vez mais
ricos, livres e soltos.
O
investidor e o investimento
Conheci um japonês que sabia
qual é a maior riqueza do mundo.
O nome dele é Massami Ogino. Esse
Shiham foi meu professor de judô e
fez o maior investimento pessoal a longo
prazo de um japonês no Brasil.
Massami Ogino optou por investir
no ser humano, na pessoa (que não
é sinônimo de indivíduo).
Investiu na formação atlética
de mais de seis mil judocas e o mais importante,
na formação do caráter
de cada um de seus alunos. Sabia o nome
de todos, e como bom brasileiro, colocou
apelidos também - o meu era UDON
(um tipo de macarrão).
Visão
Macro e visão micro.
Lembro-me que um holandês
foi campeão mundial de judô,
comia vários frangos por dia, treinou
no Japão. Lembro também do
comentário do professor Ogino. Com
sua fleuma, disse em tom profético:
“Em futuro bem próximo, o campeão
mundial sairá do Brasil! Aconteceu!
Certa vez, havia recebido uma mesada gorda
e pedi a Ogino que me ministrasse aulas
particulares. Afoito, dei-lhe o dinheiro
sem falar em valores por aula. Ogino também
não estabeleceu preço. O que
eu queria era saber mais e mais depressa.
Passei a chegar duas horas mais cedo.
Passamos
a treinar e logo na aula seguinte, dias
depois, Ogino apareceu com dois judoguis
novinhos iguais aos dele, comprados em São
Paulo. Foi a forma de devolver o dinheiro
que aceitou para não me ofender e
devolveu como um presente para que não
o ofendesse recusando.
Antes que pudesse falar, fui convocado para
outros Dojos onde Ogino ensinava. Iria sem
pagar nada, como convidado do professor.
Massami
Ogino investiu nos seus alunos e esse foi
o maior investimento pessoal de um japonês
no Brasil.
Um
século de História.
Neste ano de 2008, comemorativo do centenário
da imigração japonesa, Deus
mostra que o ser humano é a obra-prima
de Sua criação e tudo mais
que existe é para conforto e sobrevivência
da raça humana, que deve viver em
perfeita harmonia com a natureza à
sua volta. Era parte do plano de Deus essa
vinda, essa bem vinda imigração
que só trouxe vantagens para o desenvolvimento
do Brasil e que em alguns momentos, por
preconceito e xenofobia, esse povo amigo
e altivo não recebeu o tratamento
justo e merecido.
Ogino,
uma unanimidade.
Todos que tiveram o privilégio de
conhecer o Mestre Completo, Filósofo,
profeta e pai amigo sabem: Massami Ogino
é assim, e é imortal, porque
os samurais são imortais. Massami
Ogino vive em cada ser que ajudou a formar
em caráter, força e cidadania,
pelo exemplo de sua própria vida
honrada sabia ensinar com a simples presença.
À
memória imortal deste brasileiro
por opção e de coração,
mais de seis mil vozes interiores dizem
obrigado por existir, “Mestre dos
Mestres”, Massami Ogino.
Lembrem
e reverenciem esse nome: OGINO é
o nome de uma respeitável e honrada
família brasileira que é guardiã
desse investimento único,
que é uma forma única do patriotismo
o que parece não existir mais nesse
mundo egoísta onde o Ser é
desprezado pelo Ter.
O
corpo do sábio Massami Ogino semeou
a terra deste Brasil, que provou amar, impregnando
a mãe terra com sua energia positiva
de esperança e fé.
Seu corpo glorioso de luz ilumina
os que seguem pela “senda do bem”.
Massami Ogino sabe se impor pela ausência
física também.
Flavio Pinto
Ramos (Udon)
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Massami Ogino
Na linhagem de meus
ancestrais, o nome de Massami Ogino está
ao lado do de meu pai.
Acredito que há uma genética
biológica e uma genética espiritual.
A ciência
de hoje evoluiu a ponto de a física
newtoniana dar lugar à física
quântica. Na biotecnologia, florestas
inteiras podem ser clonadas a partir de
uma célula de uma árvore doadora
perfeita.
Também uma
consciência pode ser projetada influenciando
várias consciências delas fazendo
parte. É o que em sânscrito
é chamado de egrégora.
Os materialistas acreditam que
tudo é produto da inteligência
do homem.
Olhando a natureza e o
firmamento, acredito firmemente em um Poder
criador maior, sem o qual nada existiria.
Acredito que há um planejamento estratégico
determinando passo a passo a evolução
do universo.
Cada minúsculo grão
de areia, cada célula, é cuidadosamente
planejada e no momento certo, acontece a
eclosão de uma nova vida ou uma de
a descoberta. Na verdade tudo já
ideado pelo Criador e parte de um mesmo
plano. O grandioso Plano de Deus, qualquer
que seja Seu nome.
Massami Ogino era introspectivo
e econômico com as palavras. Os que
aprenderam as artes da observação
e da reflexão seriam capazes de extrair
dele a Sabedoria Infinita que sua luz interior
irradia.
Massami Ogino é
um mestre capaz de ensinar até mesmo
no silêncio, a cada palavra e atitude
seu comportamento espelha a grandiosidade
do sábio e a altivez do Samurai.
Por traz de sua face sempre
tranqüila um turbilhão efervescente
de idéias.
A
visita ao dojo do subúrbio, uma história
real.
Estávamos em um clube do subúrbio
e haveria um torneio amistoso de Judô.
Ogino havia convidado alguns de seus alunos
para o evento, e nós estávamos
no grupo.
Já no ônibus,
Ogino havia contado uma de suas histórias
significativas sobre o exibicionismo e a
derrota do orgulho. Ao término da
preleção, lembrou, sublinhando
pausadamente as palavras, SOMOS
CONVIDADOS, E O TORNEIO É AMISTOSO.
No almoço, entre os Mestres presentes,
Ogino era o mais graduado. Foi o primeiro
a ser servido do almoço, uma macarronada,
depois dos mestres os demais presentes se
serviram da macarronada, estávamos
famintos, eu próprio havia feito
um prato de estivador.
Mal Ogino provou a primeira porção
elogiou o tempero e agradeceu a refeição
farta e saborosa.
Todos se olharam, o macarrão estava
passado, era um grude horroroso. Ogino olhou
sua equipe e falou “gostoso, né?”
O
reverso da moeda.
Vendo as notícias de drogas violência
e crimes praticados por atletas das artes
marciais, vejo claramente e lamento. Não
conheceram o Mestre dos Mestres, Massami
Ogino, um foco de luz que o Criador plantou
nessa terra de promissão onde o “Mestre
de Dois Mundos” criou uma família
de mais de seis mil. Não conheço
nenhum caso de violência praticado
por alunos dele.
Há um tempo para
tudo há o momento de plantar e há
o momento de colher, como há uma
genética biológica e uma genética
espiritual.
Espero, um dia, conhecer
o ramo da família Ogino que vive
no Japão e se perguntarem meu nome
direi: Flavio da família OGINO, meu
Mestre e meu Pai é Massami Ogino,
uma luz que o Criador deu ao Brasil como
um precioso presente para sempre. Um filósofo
do silêncio, um samurai de dois mundos.
Neste ano de 2008,
de festas em que o Brasil comemora cem anos
da vinda dos colonos japoneses, nossa respeitosa
homenagem a Massami Ogino e sua família
de brasileiros, que fazem do nome Ogino
um nome de brasileiros de origem nobre,
portadores da luz e da genética de
Massami Ogino. Escrevi esse nome ao lado
do nome de meu pai eu também tenho
orgulho dele.
Prof. Flavio Pinto Ramos
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Em
vinda recente ao Rio de Janeiro, após
um acampamento de instrução
em Itatiaia, região serrana
do estado do Rio de Janeiro, o mestre
argentino Daniel Hernandez concedeu
esta entrevista ao colunista Drustan,
o Scaldi, que também é
praticante da arte ninja.
Shihan Daniel foi o primeiro latino-americano
a receber os títulos de Shidoshi
e de Shihan, em nosso continente.
Esse é apenas um dos muitos
motivos que o tornam um Ninjutsuka
tão incensado no mundo todo.
Fiquem com um pouco da filosofia e
das histórias |
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que
foram transmitidas pelo mestre, que é
Shihan de Ninjutso e é o praticante
mais graduado dessa arte marcial na América
Latina.
MENSAGEIRO
- O senhor, antes de chegar ao Ninjutso,
estudou outras artes marciais, chegou a
ser inclusive campeão de um estilo
de Karate-Do. Como foi seu primeiro
contato com esse mundo?
SHIHAN: Fui componente
da seleção argentina de Karate,
o que me fortaleceu física e mentalmente.
Acho que de todas as artes que pratiquei,
o Karate foi a que me preparou para receber
o conhecimento da Bujinkan
(escola de Ninjutso, que unifica todos os
estilos). Foram 17 anos no estilo Uechi
Ryu, onde combatia por faixa
e peso; eu pesava apenas 65 kg. Tinha de
combater contra oponentes de outros pesos
e faixas (internamente). Era o treinamento
de Okinawa, extremamente duro.
Fiz também Ken-Do
e Iai-Do (modalidades
japonesas de esgrima); sou instrutor de
Kobu-Do (uso de armas). Tudo isso preparou
meu corpo e espírito. Mas o que eu
encontrei foi muito diferente.
MENSAGEIRO - Como soube da existência
do Ninjutso e chegou até ele?
SHIHAN: Sempre fui atraído
pelas histórias dos Ninjas, não
acreditava no que se dizia sobre eles. Fui
pesquisar e vi o anúncio de um acampamento
Ninja a 600 km de Buenos Aires. O evento
duraria 15 dias e seria conduzido por um
mestre da Espanha. Fui junto com um aluno
meu. No quinto dia, o Mestre espanhol foi
à minha barraca me perguntar se eu
queria ingressar na arte, definitivamente.
Ele ficou morando três meses em minha
casa, treinávamos de sete a oito
horas por dia. Mas, em um dado momento,
ele sumiu. Fui para a Espanha tencionando
ficar quinze dias; fiquei um ano. Logo na
chegada perdi minha bagagem! [risos] Mas
acabei me encontrando com a mestra do espanhol
e estudei com ela. Ao fim de um período,
eu já era segundo Dan, fiz parte
da Bujinkan espanhola, logo comecei a dar
aulas e excursionar, como hoje em dia.
MENSAGEIRO
- Geralmente, graças aos filmes norte-americanos,
os Ninjas são vistos como assassinos
e até demônios. Como é
verdadeiramente a mentalidade do Ninja?
SHIHAN: Os enlatados mostram-no
como um palhaço, matador e até
terrorista. Se falta um assassino, logo
põem um capuz em alguém, e
pronto. Nada há de mais falso, o
Ninja é um defensor de seu ambiente
e da vida.
Todos falam do Bushido (código de
ética samuraico); o primeiro item
do Bushido lhe faz jurar-se de morte, sua
vida não lhe pertence. No código
Ninja, o primeiro item lhe jura a família,
ao país e ao seu povo.
Quando os Samurais defrontavam os Ninjas,
era formidável, pois, apesar de toda
a sua valentia, o Samurai não enxergava
o Ninja que atacava de todos os lados. O
Samurai não tinha um alvo, daí
provém a lenda da invisibilidade
ninja; fama essa que cresceu a ponto de
a guarda imperial esquecer os Samurais para
substituí-los todos por Ninjas. É
disso que provém o asco do Servidor
(tradução da palavra Samurai)
pelo Ninja.
Hoje em dia não há um Samurai-Jutso
(arte samuraica), mas há o Ninjutso
(arte ninja); pode não parecer, mas
foi o Ninja quem sobreviveu.
MENSAGEIRO - Como o Ninjutso,
que é uma arte extremamente oriental
e antiga, chegou aos nossos dias e ao Ocidente?
SHIHAN: Foi mais ou menos
no ano de setenta e dois com Soke Takamatsu
(Soke é o guardador maior da arte).
Ele adotou marinheiros holandeses como alunos,
mas sem dizer o que era e ainda se treinava
de branco, isso foi um teste para ver como
os ocidentais se ambientariam.
Quando Soke Hatsumi assumiu (o atual Soke),
ele abriu as fronteiras para auxiliar o
karma do mundo, para que as boas pessoas
tivessem uma ferramenta de aprimoramento;
para nós é uma arte marcial
de vida, e não de morte. Muitos de
nós viemos de artes marciais distintas,
mas nos vemos como cavaleiros andantes,
que portam uma mensagem. Eu me sinto responsável
por essa mensagem que me foi dada por um
mestre, e caminho pelo mundo para disseminá-la.
MENSAGEIRO - O senhor viaja
muito pelo mundo a serviço do Ninjutso.
Como vai o cenário mundial?
SHIHAN: Convulsionado.
A Bujinkan é parte da sociedade e
do mundo, naturalmente isso nos afeta. Mas,
no momento, o mundo está sendo observado,
já está se decidindo quem
serão os herdeiros da arte. Mas a
Bujinkan mostra um caminho diferente de
viver, sem medo, com dignidade e verdade,
portanto também mostra uma boa forma
de se morrer dignamente, exatamente por
entender plenamente a vida. Quem busca isso
é Ninja. Em todo o mundo hoje se
pode compartilhar o caminho.
MENSAGEIRO - Quando vai
ao Japão, o senhor sempre se encontra
com Soke Masaaki Hatsumi. Fale um pouco
sobre como é conviver com uma lenda
viva, o único Ninja ativo hoje existente.
SHIHAN: É a oportunidade
de falar com a vida. Quando olho para ele
eu vejo um pai e um demônio. Ele tem
setenta e oito anos e lida com todo o tipo
de gente. Perto dele nos sentimos bufões
por assumirmos nossa inferioridade frente
tanta superioridade. Tem gente que estuda
música de ouvido, ele nos ensina
a escutar o coração.
MENSAGEIRO - Ao contrário
do resto do mundo, a América Latina
sofre com vários tipos de problemas.
Em que essa instabilidade afeta o ninjutso
no nosso continente?
SHIHAN: Sensei fala que
só serão salvos e sobreviverão
aqueles que compreenderem a realidade, na
vida é sem faixa e sem Dan (grau).
Qualquer um pode ceifar vidas, mas a grande
mensagem da vida é aprender á
morrer por algo bom, pela verdade. “Melhor
morrer de pé que viver de joelhos”.
(frase de J.C. Perón, falecido presidente
argentino).
MENSAGEIRO - Há
planos específicos para o desenvolvimento
da arte no continente?
SHIHAN: Não. Há intenção,
sentimento, garra e o nosso sangue latino.
Não é bom planejar, pois o
inimigo é quem planeja. Nós
vivemos para espalhar a palavra do Soke,
sem planos. Mas o objetivo é que
a América Latina seja grande na arte
como toda a Bujinkan.
MENSAGEIRO - Nos últimos
anos, os artistas marciais brasileiros têm
evoluído a olhos vistos, é
assim também com os Ninjutsukas tupiniquins?
SHIHAN: O brasileiro é
muito festivo e tem muita fé, mas
deve aprender a observar a realidade, aí
então serão grandes e poderosos.
MENSAGEIRO - Que mensagem
o senhor gostaria de deixar para os alunos
e os não praticantes do Brasil?
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SHIHAN:
Deixo uma história de Sensei
Hatsumi.
Ele costuma dizer sempre: - “Meu
treinamento se transforma em suor,
meu suor se evapora e vira incenso,
incenso que carrega minhas preces
até meu Sensei que está
no céu”.
Quando começou seu treinamento,
Sensei Hatsumi tinha que viajar por
sete horas até chegar ao local
de treinamento, ali ele era posto
sentado em um canto do Dojo somente
observando. Ao fim do horário,
ele voltava para casa enfrentando
mais sete horas de viagem. Com o tempo
Sensei Hatsumi reparou que toda a
vez que ele indagava:
- “Soke, o que o senhor vai
me ensinar hoje? Será uma nova
arma? Uma nova técnica? O que
será hoje?”
Soke Takamatsu simplesmente o punha
a observar o treinamento de outros
alunos. Um dia, Sensei Hatsumi perguntou
ao Soke Takamatsu:
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- “Soke, em que
o senhor vai me transformar?”
Lógico que a resposta esperada era
algo como: Vou transformá-lo em um
grande guerreiro, mas o que veio foi:
- “Eu vou transformá-lo em um
homem melhor.”
Sensei Hatsumi se decepcionou, na época.
Também, na época, após
o treinamento, os alunos de Soke Takamatsu
se reuniam com o mestre para beberem um gole
de sake e até mesmo fumar um cachimbo
ou um cigarro. Mas Sensei Hatsumi jamais tomava
lugar no círculo por temer desrespeitar
o mestre, bebendo e fumando em sua frente.
Hoje, que Mestre Takamatsu se foi, Soke Hatsumi
se lamenta por na época não
ter podido enxergar o que havia por trás
daquelas horas de observação.
Hoje que Mestre Takamatsu se foi, Soke Hatsumi
se lamenta por não ter podido compartilhar
momentos de alegria com seu Sensei. Por isso
ele sempre diz que:
- “Meu treinamento se transforma em
suor, meu suor se evapora e vira incenso,
incenso que carrega minhas preces até
meu Sensei que está no céu”.
Exatamente após cinco dias da entrevista
concedida, eu estava em casa de meu Shidoshi,
Greg Martinez. Tomávamos um café
após revisarmos o texto anterior; então
ele completou a hitória que Shihan
Daniel contara sobre Soke Hatsumi e Soke Takamatsu:
- “Soke Hatsumi só bebeu sake
com seu Sensei no dia do enterro deste, já
que há um brinde cerimonial no enterro
japonês. Foi a única vez que
aluno e professor beberam juntos”.
Ninja. Se com essa revelação
você está chorando, faça-o
com liberdade, pois apenas os fortes choram.
Ninja. Se com essa revelação
você está chorando, sinta-se
acompanhado, pois eu estou chorando até
agora.
N.R. As palavras em japonês
foram aportuguesadas pelo entrevistador.
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O
portal www.mensageiro.com.br
conseguiu contato com a família Ogino e
estará em breve contando para os leitores
do “Portal da Sabedoria” uma história
que é parte da História do Brasil,
pelos depoimentos dos que o conheceram e viveram
a experiência prática de filosofia
e conhecimento deste mestre que deixou o corpo
material para a glória da eternidade e
que faz parte das famílias espirituais
dos que com ele conviveram.
Como
os grande exemplos do mundo, viveu modestamente
mas deixou um tesouro como legado sua obra e seu
honrado nome que, como a semente da romã,
se multiplica e cresce em força e sabedoria.
A
equipe deste portal agradece às netas Naomi
Ogino e a Amy Shinkai por terem atendido ao nosso
apelo.
Flavio
P. Ramos
Editor
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Massami
Ogino
Mestre
em tempo integral.Uma visão econômica
e filosófica do futuro.
Ainda
sob a angústia profunda da ausência
física do mestre e sem ter tido a honra
de prestar-lhe minhas últimas homenagens,
minha mente vaga pelo passado, no tempo em que
convivemos.
Iniciação na gastronomia
japonesa
Havia na rua Primeiro de Março um restaurante
japonês popular.
Foi lá minha iniciação
nessa cozinha saudável e decorativa,
que alimenta e harmoniza, enquanto é
um banquete também para os olhos.
Naquele tempo havia apenas dois restaurantes
especializados em comida japonesa. No posto
6, em Copacabana, o Akasaka, reduto de diplomatas
e empresários, executivos das empresas
que se instalavam no Brasil e esse popular no
centro do Rio de janeiro, próximo à
Praça XV.
O Mestre terminava as aulas da manhã
na polícia e aguardava as da tarde no
Clube Ginástico Português. Com
a habitual sutileza de abordagem, perguntou-me
se já havia conhecido um autêntico
restaurante japonês. Disse que iria no
dia seguinte comprar molho de soja e outros
ingredientes, que a senhora Ogino havia encomendado,
no empório da rua primeiro de março.
Era um ponto de encontro da comunidade japonesa
do Rio de Janeiro. Um atacado, onde as coisas
eram mais baratas, sem o luxo das delicatessen.
Havia de tudo: livros, revistas, jornais do
Japão e cartazes de filmes japoneses.
Lá, compraria também entradas
para um filme épico japonês com
o ator Toshiro Mifune, um especialista no Kendo
(caminho da espada).
No dia seguinte, fomos ao local e, depois das
compras, Ogino convidou para conhecer o restaurante,
que ficava num sobradão ao lado.
Visitamos a cozinha e fomos para uma das mesas.
No restaurante, que ainda estava sem movimento,
Ogino disse que os ocidentais têm dificuldade
em comer usando os hashi, mas que no Japão
as crianças aprendem com facilidade e
que a prática é higiênica
e fácil de ser assimilada.
De fato, aprendi logo no primeiro dia. Ogino
informou-me de que os japoneses sentem-se honrados
quando seus convidados aceitam a sua maneira
de comer e seus costumes com naturalidade.
O restaurante estava repleto e pude notar que
alguns sorriam e curvavam a cabeça em
sinal de aprovação.
Após aula de judô, à tarde,
fomos ao auditório da Associação
Brasileira de Imprensa-ABI para assistir o filme
falado em japonês e sem legendas. Com
a fleuma habitual, Ogino avisou que deveria
prestar muita atenção às
cenas de luta e que, se necessário, daria
explicações e no final do filme
contaria o enredo.
A seqüência mais interessante foi
aquela em que o ator que representava o papel
principal atacado por dois lutadores ao mesmo
tempo, não desembainhou a espada, defendendo-se
com a arte do “kendo” e ás
vezes usando a bainha da espada como porrete.
Na seqüência final, apareceu mais
agressor vestido de ninja, que atacou pela retaguarda,
o samurai limitou-se a sacar a “katana”
e a golpear o adversário de costas com
a espada apoiada no ombro, sem voltar-se limpou
a lâmina em um lenço e guardou
a arma. O atacante estava de pé perplexo
ainda com a espada erguida em posição
de ataque. Estava morto.
Na saída, Ogino narrou as cenas e mostrou
as diferenças na defesa com as mãos,
quando de armadura, e as sutilezas da luta com
espada. Na cena em que o ator não usou
a espada foi enfático: os dois adversários
eram fracos demais o samurai não se aproveita
do inimigo mais fraco; por isso deu-lhes a vantagem
de usar a bainha e deixou que vivessem para
aprender com o erro.
Uma lição para
o futuro
Acrescentou: “O Brasil está fechando
novos negócios com o Japão. Logo
você vai precisar aprender a língua,
também. Os japoneses normalmente falam
Inglês, mas não gostam.
Estava sendo profético! Fui trabalhar
em uma empresa onde o meu conhecimento de como
comportar-me. Segundo a tradição
japonesa, foi fundamental. Mas como meu entendimento
da língua era insuficiente, foi contratada
uma intérprete, Etsuko Kanashiro, uma
simpática e prestativa secretária,
mais responsável do que eu pelo sucesso
que obtivemos na H. Stern Comércio e
Indústria, de onde tenho gratas lembranças.
Evitar situações
de risco desnecessárias é prova
de sabedoria
Pediu-me também para não mais
cruzar o Campo de Santana (parque que fica próximo
à estação Central da Rede
Ferroviária no Rio) lugar perigoso e
povoado de assaltantes.
“Não crie situações
de risco sem necessidade. Os criminosos são
covardes, agem em dupla e armados, além
de contarem com a surpresa.”
O Grande Mestre conhecia seus alunos, qualidades
e defeitos, profundamente, e os vigiava sem
sufocá-los sem palavras vazias ou censuras.
Nunca ouvi de sua boca a palavra Não.
A filosofia desse grande ser, que está
no Oriente Eterno, está entranhada em
cada um dos mais de 6000 discípulos a
quem dedicou-se em tempo integral.
Curvo-me e respeitosamente peço a sua
benção, Massami Ogino, Mestre
dos Mestres!
Tenho plena certeza que do Oriente Eterno onde
está vivo, ainda nos ensina. Seu exemplo
é como o ouro incorruptível de
suas palavras sempre medidas e ditas no momento
certo.
Omissão e indiferença
Tentei de todas as formas reunir dados para
melhor escrever essa matéria fui à
sede da Federação. Tentei contatar
a assessora de imprensa por duas vezes. Nada
sabia informar e deu-me o nome de um professor
que teria sido sua companhia mais recente. Ninguém
deu qualquer informação ou compareceu
aos encontros marcados para entrevista ou telefonou
desmarcando.
Esse é o retrato do Brasil
ingrato e omisso.
Deixo de revelar os nomes das pessoas com quem
falei em vão para que não se transformem
em notícia.
Quero encontrar os familiares descendentes de
Massami Ogino para prestar-lhes meu respeito
e ajuda, se for necessário. Desejo retribuir
o que o Mestre fez por todos com quem dividiu
generosamente seu conhecimento ao longo de sua
existência material.
Flavio
P. Ramos
Professor do Ensino Superior
Editor
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Massami
Ogino, um Samurai!
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Por
Flavio P. Ramos, editor deste Portal |
12 de novembro de 2000, Massami
Ogino, Mestre dos Mestres, 9º Dan, deixa o
plano material para viver eternamente no plano dos
espíritos, o Oriente Eterno.
Há muito vinha procurando
localizar meu antigo mestre, Shihan Massami Ogino,
para oferecer-lhe a página de Artes Marciais
deste Portal, mas estava procurando no lugar errado,
a Internet.
Queria fazer com meu mestre
uma reportagem, daquelas que marcam as grandes personalidades,
queria contar a vida desse grande incentivador do
judô no Brasil, do Mestre à moda antiga,
sem apegos materiais e profundamente integrado com
sua missão. |
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foto:
Internet
Durante
o tempo em que esteve entre nós, no plano material,
formou mais de 6.000 judocas e jamais pediu nada para
si mesmo. Modesto e sábio, era dedicado e amado
por todos que o conheciam.
Por mais que ele tenha ensinado que a
morte é uma conseqüência natural da
vida, na visão da multidão de discípulos
que deixou, o antigo mestre dos mestres, sua ausência
material é uma lacuna que jamais será
preenchida. Os encargos são substituídos,
as pessoas não.
Massami Ogino, o antigo Samurai, um homem
ímpar.
Chegou ao Brasil como imigrante, tendo sido enviado
ao Norte para ensinar as modernas técnicas japonesas
de agronomia e aumentar a produtividade nas plantações
de juta. Assim me contou em nossas conversas.
O clima, a alimentação, a língua
e os costumes brasileiros foram suas primeiras aflições
e sofrimentos longe de casa.
Logo foi sendo adaptado à nova realidade e começou
a gostar da terra que seria sua por escolha. Ogino era
persistente e perfeccionista em tudo que fazia.
Foi a partir dessa sua obra de amor à nossa terra,
que adotou, de coração, o Brasil, que
brotou a vontade de ir mais além.
As barreiras do idioma não foram suficientes
para afastar de sua missão o nobre samurai, ao
contrário, aprendeu a linguagem universal da
mímica e com gestos transmitia seu patrimônio
de conhecimento em Agronomia ao caboclo teimoso e resistente
às mudanças.
A maioria entendia seu objetivo de construção
de uma qualidade de vida melhor para o país.
Massami Ogino explicava: “No Japão,
a terra é escassa e é preciso usar de
muita criatividade para produzir alimentos. No Brasil,
ao contrário, a terra é farta e generosa,
daí os caboclos serem teimosos e apegados às
técnicas antigas e de baixa produtividade.”
Encontro com o Mestre
Quando conheci o Mestre eu estava com 14 anos e já
havia sido iniciado no “caminho suave” pelo
mestre Nagashima, no Dojo da Associação
Cristã de Moços. Era, agora, sócio
do Clube Ginástico Português, onde Massami
Ogino era o mestre.
Ogino contou-me que o judô era tradição
de sua família e que seu pai fora professor da
polícia no Japão.
Tínhamos hábitos semelhantes. Ambos chegávamos
muito cedo e tomávamos um banho bem quente antes
de vestir o judogui, branco tradicional sempre lavado,
impecável.
Foi assim, antes das aulas, que, aos poucos, Ogino foi
contando sua história.
Na sua chegada ao Brasil, fora difícil a adaptação
à alimentação e aos hábitos
daqui. O “caminho suave” logo levou-o a
adaptar-se para sobreviver.
Seu trabalho vinha sendo observado pelas autoridades
locais e logo que descobriram sua habilidade com o judô,
quase desconhecido no País. Foi convidado a morar
no Rio de Janeiro e ensinar a sua Arte. Agora não
sei precisar quando isso aconteceu, mas o Rio de Janeiro
era ainda a capital da República.
O filósofo Ogino e seu jeito de
ser
Não tardei a descobrir que sua sabedoria ia muito
além do que esperava, era um profundo conhecedor
de anatomia e fisiologia humanas, filósofo e
um contador de histórias admirável. Eram
histórias, sempre com fundo moral.
Uma ocasião, Ogino foi chamado pelo diretor de
esportes do Clube, um capitão da P.M.. Vou omitir
o nome para evitar constrangimentos. “Professor
- disse ele - tenho um plano para aumentar a freqüência
ao judô - vamos fazer um curso intensivo de defesa
pessoal completo de 2 meses. Ao final, cada aluno receberá
seu diploma em defesa pessoal. O que o senhor acha?”
(Seriam 16 horas)
Ogino cravou os olhos no diretor e, para surpresa geral,
disse: “Ótimo, quando começamos?”
A turma foi fechada, o diretor fez as apresentações
e disse que ao final dos 2 meses receberiam os diplomas
do curso. Ogino escutava tudo na posição
de descansar, ao lado do diretor de olhos fechados e
sério.
Começadas as aulas, os alunos novatos, em “short”
de ginástica, Ogino disse que deveriam comprar
os Judoguis conforme o regulamento e iniciou uma corrida
com os novatos em volta do tatame. Enquanto isso, os
demais alunos treinavam regularmente. Em 15 dias, já
todos com os judoguis, adicionou rolamentos e quedas
intercalados com as corridas, o que durou até
os 2 meses do curso. As reclamações já
se acumulavam e o diretor, na frente de todos resolveu
perguntar o que estava acontecendo. Ogino, sem perder
a fleuma, respondeu. “Esses rapazes chegaram
gordos e fora de forma, agora são capazes de
correr 6 quilômetros e sabem rolar e cair muito
bem. Foi o máximo possível para um curso
de 2 meses. Aprenderam a correr e a cair, para poder
fugir e não apanhar. Para aprender a reagir demora
muito mais e vai depender também da dedicação
de cada um.”
Quase todos continuaram as aulas, e aprenderam as lições
de obediência. Moral da história:
O diretor estabeleceu as regras e mandou cumprir. Em
nenhum momento pediu opiniões, e o objetivo proposto,
aumentar a freqüência ao judô foi plenamente
alcançado. A freqüência ao judô
foi significativamente aumentada. Essa era a maneira
que Ogino tinha para enfrentar dificuldades.
Conversei com Ogino sobre o ocorrido e também
aprendi uma bela lição de estratégia.
Chamou-me pelo apelido que tinha inventado “Udon”
(um tipo de macarrão oriental). “Udon,
os alunos novatos estavam cheios de entusiasmo em aprender
e a turma estava pronta, não enganei ninguém,
preparei-os da melhor forma para o prazo de 2 meses,
como já haviam gasto o dinheiro no judogui que
a “Federação” obriga a usar
nas aulas, sabia que não iam querer perdê-lo.
Nesses 2 meses eles, perceberam que não era possível
um curso completo. Quando foram reclamar, foi porque
acreditaram que seria possível , mas sabiam que
eu não havia sido consultado nem os havia enganado.
Quando estavam descansando olhavam os treinamentos dos
Katas e as lutas e iam percebendo os graus de dificuldade
para atingir o padrão que desejo para todos.”
Mais uma história verídica:
Ogino levou alguns de seus alunos escolhidos para uma
festa em uma academia que ficava em um sobrado, hoje
demolido, da rua Uruguaiana. O mestre era um nordestino
chamado Milton. A casa estava cheia, inclusive de familiares
dos alunos da academia e convidados.
O Professor Milton deu início às demonstrações
quebrou tijolos e telhas com as mãos. Terminou
por perfurar uma melancia com os dedos em um só
golpe.
Ogino assistia com o seu olhar fleumático, quase
de olhos fechados. Perguntei como é possível
isso? Ele respondeu simplesmente - “melancia não
sabe judô, não conhece Karate, não
pode se defender. Para quebrar telha e tijolo, melhor
usar martelo.”
Desapego material e preocupação
com o aprendizado diferenciado
O Clube Ginástico não competia com outros
clubes. Ogino escolhia alguns alunos e perguntava se
desejavam competir com academias e clubes de fora, como
avulsos. Era o jeito dele de maximizar o aprendizado
dos escolhidos. Fui um desses.
O jeito Ogino de ensinar, sua marca registrada.
Antes, muito antes de começar suas aulas regulares,
Ogino lia manuais japoneses de treinamento avançado
com figuras e descrições, passo-a-passo
e me honrava treinando comigo os novos golpes.
Foi quando aprendi que para cada biotipo há golpes
que são melhor aproveitados e que lutadores canhotos
podem levar vantagem se souberem usar essa diferença.
Por isso, deveria praticar golpes pela esquerda também.
Era nessas horas que se percebia claramente a forma
que fez de Ogino um grande mestre. A observação
a cada movimento e a imediata correção
dos erros, depois, praticar até a exaustão.
Tomar um banho, vestir judogui novo e começar
outra vez, sentir a arte e técnica do judô
entrando pela pele até a perfeição.
Termino este artigo, sentindo a presença
dele. Fecho os olhos e vejo sua imagem jovem e vigorosa,
aos 44 anos. Está vivo e pronto para tudo, o
ensino ou o combate. Ogino é um Samurai, um guerreiro
de dois mundos. Os Samurais são imortais!
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O
tênis e
os Jogos Pan-Americanos,
em 2007, no Rio de Janeiro
As
raquetes, que têm grande influência nas
características do tênis na atualidade,
sequer eram usadas no jogo que originou o esporte como
é hoje. Registros esparsos de esportes semelhantes
foram encontrados na Antiguidade, porém o mais
antigo parente reconhecido na árvore genealógica
do tênis é o jeu de paume (“jogo
de palma”, em francês). Surgiu nos Jogos
Pan-Americanos em 1951.
Era disputado na França do século XI em
quadras fechadas, usando as paredes como parte do jogo
e a palma da mão para rebater a bola. Três
séculos depois, os primeiros esboços dae
raquete começaram a aparecer e a divisão
da quadra por uma corda.
No século XIX, o tênis tomou sua forma
básica atual. Um ou dois competidores ficam de
cada lado de cada uma quadra aberta ou coberta, usando
raquetes para jogar uma pequena bola para o outro lado
da rede. Cada um tem o direito a deixá-la quicar
no solo uma vez, tentando evitar que o oponente consiga
rebatê-la. O sistema de contagem em melhor de
três ou cinco sets (vencendo um set aquele que
ganhar seis games primeiro) e os diferentes tipos de
piso (grama, saibro,m cimento, sintético, carpete)
foram evoluções que aconteceram com o
passar dos anos. No Pan de 2007 será disputado
no Marapendi Country Club.
Fonte: A Prefeitura
do Rio Ano 3 – número 30-2005
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O
Basquete e os Jogos Pan-Americanos,
em 2007, no Rio de Janeiro
O
basquete foi inventado em dezembro de 1891 pelo professor
canadense Janes W. Naismith e pode ser considerado um
esporte coletivo de precisão, já que o
objetivo do jogo é acertar um alvo pequeno, uma
cesta colocada a 3,05m de altura nas duas extremidades
da quadra. Surgiu nos Jogos Olímpicos em 1951.
Os jogos são disputados por duas
equipes de cinco jogadores cada e vence o time que marcar
o maior número de pontos. Há três
formas de pontuar: nos tiros livres (arremessos consignados
em lances de falta, que valem um ponto), nos arremessos
de longa distância, de trás de uma linha
arqueada a 6,25m da cesta (que valem três pontos).
Cada partida tem duração de 40 minutos
de bola em jogo, divididos em quatro quartos de 10 minutos.
Nos jogos Pan-Americanos de 2007, que serão realizados
na Cidade do Rio de Janeiro, esta modalidade será
disputada na Arena Olímpica do Rio, Autódromo
Nelson Piquet, em Jacarepaguá.
Fonte:A Prefeitura do Rio Ano 3, nº
29-2005
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