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  Bem Vindo ao Portal da Sabedoria.
 
       
   
 
 
 

Sargentão Dunga

*Ernesto Caruso, 05/07/2010
.

Uma outra visão.

Aumentativo com a intenção de denegrir; injusta e ofensiva a um segmento da sociedade que muito trabalha, servindo à Pátria nos quartéis, navios e bases aéreas, contribuindo na preparação dos soldados. Uma vida difícil, dedicada, laboriosa, por vezes, isolado em uma fronteira, longe da família e sem as oportunidades que as cidades oferecem de lazer e bem estar.

Não se imagina que um sargento ao entrar de serviço em um domingo qualquer, como os outros militares, cumpre 24 horas nessa atividade; no dia seguinte, não vai para casa, permanece no exercício das suas funções na burocracia ou na instrução; mais 8 horas de trabalho. Na terça-feira, às 7 horas lá está ele, pronto para mais uma jornada. Ficara um domingo e uma segunda-feira, mais de 32 horas, trabalhando. Ora, 24 horas significam 3 jornadas de 8 horas. Em qualquer outra atividade, teria uma folga de 48 ou 72 horas.

Pois é. O jeito do Dunga, nas entrevistas, não muito à vontade, por sua personalidade, bastante fustigado, porque não convocou certos jogadores, lhe deu o epíteto de sargentão, como mandão, ranzinza, irritado. Obviamente, porque a seleção foi eliminada nas quartas de finais, sem considerar a classificação entre as oito melhores equipes do campeonato.

A imagem que passava nas entrevistas não era a mesma no convívio com os jogadores, sem chegar a pieguice e exageros do Maradona. A seleção brasileira transmitia um bom relacionamento entre o técnico e os jogadores. Também não parecia ser um mandão, pois as decisões vinham de estudos compartilhados com seu auxiliar direto, demonstrado pela televisão.

Ansiava preservar os jogadores, na sua concepção de gestão e os defendia.

O relacionamento com a imprensa não foi dos melhores, diferente do jeito de ser de um Zagalo. Quem sabe, portador de uma timidez interiorana que o inibe em público.


Demonstrava imparcialidade na concessão de entrevistas, atendo-se a um tratamento equânime, sem essa de “exclusiva”. Não é um bajulador, nem apegado a cargo por subserviência.

A imprensa (ou parte) não lhe poupou, diferente do tratamento dado a Zagalo em 1998. Esse não sofreu uma crítica sequer por ter escalado um Ronaldo, “tonto” dentro do campo, como se viu. Ao chegar (Quem não se lembra?) perguntou de forma a justificar a sua decisão: “Quem teria peito de não escalar o Ronaldinho?” Mais ou menos assim.

Desta feita, o clima gerado fez com que a CBF anunciasse no domingo, sem o mínimo de consideração, dois dias após a derrota para a Holanda, que o técnico Dunga e a comissão técnica foram destituídos do cargo. Uma agressão muito pior do que o “pisão” condenável, mas no clamor do jogo do Felipe Melo.

O programa Fantástico da Globo exibiu uma reunião de técnicos do “cérebro” e da mente. Um deles disse que o tapa do Dunga no alambrado, apresentado e visto por todos, tinha o mesmo significado do “pisão” do Felipe Melo, acrescentando que a agressividade era reflexo do comportamento do Dunga.

Quem não esbravejou, deu soco no sofá, bateu o pé no chão, reação de cada um, mais ou menos intensas. Há gente que enfarta, não?

Viu-se no repórter que deu a notícia da demissão do técnico a satisfação estampada no rosto.

Na chegada no aeroporto, a narrativa sobre o Felipe Melo é deprimente, como um jogador acuado, tentando escapar daquele cenário reprovador. Esqueceram dos nossos atletas postos para fora das lides, como Elano no jogo contra a Costa do Marfim, ferido pelo “pisão” de Tiote e Felipe Melo por Pepe no jogo com Portugal.

Concentração passou a ser chamada de “reclusão da era Dunga”.

Gostar ou não de um técnico, de um jogador, lamentar a derrota, é direito do torcedor, mas agredir os membros da seleção é o mesmo que depredar estádios devido ao desempenho do clube, como já ocorreu.

Lula disse na véspera que não se podia responsabilizar jogadores e o Dunga, que teve um desempenho aprovado até aquele momento adverso.

No dia seguinte a demissão de toda a comissão; degola corretiva. Não tiveram a mínima consideração de recebê-los.

Se a seleção fosse vitoriosa, aí, sim, seria homenageada com pompa no Palácio, por Lula. Não se pode entender que mesmo, com essa viagem à África, obviamente planejada, com presença no jogo final da Copa, não dava para aguardar o momento da demissão, apaziguar os ânimos e prestigiar a seleção no retorno à Brasília. Ou que fosse feito pelo presidente no continente africano.

Os mesmos que censuram o modo Dunga, nada de mau viram no gesto coercitivo da sua demissão. Devem ter gostado. Se fosse uma decisão de militar, seria chamado de sargentão ou general arrogante.

De parabéns os argentinos, que não sofreram a campanha de descrédito da imprensa e prestigiados na chegada a Buenos Aires, com batedores e alegria.

Minha continência ao Sargentão Dunga, que foi grande Capitão nos campos das vitórias, e à Seleção brasileira.

N.R. * Ernesto Caruso- Coronel reformado do EB. É escritor poeta compositor e assíduo colaborador deste Portal.

Demitido pela Internet pelos “cartolas” sem ética da C.B.F. Dunga ainda acreditava no reconhecimento pela campanha de vitórias da seleção.

Está mais do que na hora de “rejuvenescer” a C.B.F. com pessoas preparadas para enfrentar crises e planejar estratégias.

O Saldanha tinha Razão. “quem escala a seleção sou eu”.

Todos os treinadores antes dele foram perseguidos por essa imprensa marrom vingativa e manipuladora, que quer escalar os jogadores e não cumprir o papel de informar. Essa mesma gente vendida que aplaude Lula o pior dos presidentes que o mundo já conheceu.

 

 

 
Respeito à hierarquia e aos mais idosos.
Sabedoria do samurai

O que acontece quando a sociedade esquece?
O autor, de 64 anos, é professor do ensino superior e conta uma de suas experiência pessoais, vivida com o mestre dos mestres, Massami Ogino.

Fui convidado por meu professor de judô, Massami Ogino para uma recepção, onde estariam presentes autoridades e empresários japoneses.

Não entendi bem o propósito de nossa presença, mas conhecendo a maneira de ser do Mestre Ogino, sabia que alguma coisa muito importante iria acontecer.

Chegamos cedo para ver a chegada das autoridades. Logo, na hora marcada, formou-se uma grande aglomeração de pessoas, entre as quais as autoridades e empresários.
Perguntei ao Mestre quais os mais importantes. Ele disse: espere.

Com a chegada do elevador, observei que, entre mesuras, uns convidavam outros a passar na frente e ninguém entrava no elevador. Depois de um tempo, formou-se uma fila e, uma por uma, as autoridades entraram rapidamente.

Ogino virou-se e, com sua fleuma emblemática, disse: o que você viu? Diante da minha resposta concluiu sabiamente: O mais importante sempre é o que entra primeiro, e assim por diante, até que o último entra. Perguntei então o porquê dos cumprimentos e convites para passar primeiro.

O mestre deu um sorriso e disse: é por educação, os mais importantes sempre cedem a vez, mas os que estão abaixo nunca aceitam. É uma questão de educação, mas também de respeito à hierarquia e à idade.

No Japão, primeiro vem o País e as autoridades, pela ordem de importância, depois a família, os avós, depois os pais, depois o filho mais velho e depois os mais novos pela idade.

Isso é o respeito à hierarquia e à ordem. Saber obedecer sem, questionar, respeitar a hierarquia são a sabedoria dos homens honrados e a essência do Samurai.

Agora, se quiser, podemos ficar ou, ir embora e ler nos jornais o que aconteceu.


Fiquei.

Essa foi uma das muitas lições, entre as jóias da sabedoria, de Massami Ogino, que apreendi, e aprendi também que devemos ensinar o que aprendemos, para fazer circular a energia do bem.

Por isso, Ogino era um Mestre dos Mestres uma pessoa única. Ogino soube investir na formação moral de todos que o cercavam e o fazia pelo seu exemplo mesmo, quando estava calado e às vezes por “osmose mental”.

Os jovens de hoje têm vergonha de levantar quando entra no recinto um professor ou, acham moderno e correto chamar um oficial de você. Isso é o início da falta de respeito, que merecem os que conquistaram seus títulos, atributos do conhecimento e da experiência de vida, com embasamento cultural, o que só a vivência traz. Chamo meus colegas pelos títulos, mesmo em particular, por que posso ser traído pelo habito e fazê-lo em público, o que é imperdoável. Por isso, adotei como norma.

Hoje, o Brasil é um país mais sábio e honrado. O legado de Massami está na nova família brasileira, a família Ogino, portadora de sua luz e o clã dos que por ele foram educados, o clã Ogino.

Massami Ogino se importava com todos os detalhes. Era como a águia, um observador arguto. Via do alto e só interferia quando era extremamente necessário.

Muitas outras lições apreendi… e ainda estou aprendendo ainda porque creio há vida além da vida!
Flavio Pinto Ramos


O maior investimento japonês no Brasil

O Brasil acaba de eleger a Miss Centenário Brasil-Japão e princesas de olhos amendoados, os mais lindos olhos de jovens deslumbrantes, entre as belíssimas que representaram cada estado.

Neste ano de 2008, comemoramos o centenário da imigração japonesa para o Brasil. É um momento de reflexão, de pensar o que foi a adaptação desse povo trabalhador e guerreiro aos novos costumes deste país imenso, que hoje é deles e de seus descendentes brasileiros. É o momento de refletir sobre a tristeza que é ver nossa gente indo trabalhar no Japão de seus pais e avós, porque as condições de vida estão difíceis no Brasil, por culpa nossa. Essa volta representa uma ingratidão e uma derrota de nosso governo incompetente.

As humilhações que são infringidas aos brasileiros que procuram trabalho ou que vão a passeio no exterior são culpa nossa.

Penso o que é o sonho e a esperança serem frustrados pela nossa incompetência como cidadãos, elegendo os corruptos e os que não sabem administrar a política deste país. É fruto da política do nivelamento por baixo è a falsa premissa de que somos todos iguais. Como indivíduos sim, como pessoas não.

O Brasil, que tem matérias-primas, biodiversidade exuberante, água e terras cultiváveis em abundância, enfim, tudo para ser economicamente independente e desenvolvido para ser a maior nação do mundo, agora, e não no futuro, frase que escuto desde a minha infância.

Falta de tecnologia é que não é.
Voltando no tempo: o “presidente espúrio” José Sarney, que não poderia ser presidente porque o eleito havia falecido antes de ser empossado. A Constituição prevê novas eleições para este caso. Esse péssimo administrador da “coisa pública”, com uma penada tacanha acabou com o programa nuclear brasileiro e colocou na rua, sem emprego, doutores e mestres e outros técnicos altamente treinados, que foram para o exterior contra a vontade. Não havia mais trabalho no Brasil numa área especializada como essa. Mas que importa? O maior demagogo e grileiro do Maranhão ainda foi premiado e é membro da Academia Brasileira de Letras e ainda continua sugando as tetas públicas, como Senador.

Falta de “recursos”? Também não.
Entrevistando “políticos” e “executivos” ouço deles sempre a mesma história, mostra flagrante da incompetência que retarda o crescimento do Brasil e tira o chão dos jovens e que tentam ingressar no mercado de trabalho.

O problema, segundo essas pessoas, é a “FALTA DE “RECURSOS”. Sempre avalio o grau de conhecimento deles em planejamento, e pergunto: “O que o senhor quer dizer com recursos?” Rindo, como se o ignorante fosse eu, respondem: “Dinheiro, verbas, é claro. Não lhe parece?”

Sem querer ser professoral, respondo: “O senhor sabia que são quatro os recursos?” Como se eu estivesse dizendo uma asneira perguntam: “Como assim?”

Aí, fica demais para minha paciência. São quatro: capital (principal em inglês), conhecimento (know-how em inglês), pessoal (força de trabalho) e máquinas e equipamentos.

Tudo deixa de acontecer se não houver técnicos qualificados para desenvolver o planejamento e operacionalizar a execução. E tudo depende de pessoas, se faz com pessoas e para pessoas.

Discursos de políticos mostram claro despreparo e incompetência.

Quando alguns políticos brasileiros se metem a fazer discursos de improviso, os tradutores simultâneos ficam loucos, já que as palavras técnicas têm um só significado no mundo inteiro. Já viram o Lula falando de recursos? De planejamento? Dá náuseas. Enquanto a arrecadação de impostos bate recordes, ele fala sobre a volta da CPMF, com essa ou com outra sigla. È a goela grande, é a fome de dinheiro, para comprar mais consciências e manter o PT no poder. É o binômio mentir (Lula mente com a maior naturalidade) e comprar apoios.

Raríssimos são os políticos que têm noção do que são planos, programas e projetos, e que esses nomes não são sinônimos.

E é por isso que o Brasil é um país de “projetos”. É preciso um “projeto de Brasil” e não um plano diretor para Brasil.

É a visão míope do curto prazo. É a arrogância somada à ignorância, ao amadorismo à fanfarronice do “presidente retirante”, que está no poder, levado por seus idênticos os “cumpanheros de estrebaria”. Um presidente da república precisa ter no mínimo postura de presidente.

Faltam recursos morais, faltam políticos honrados e probos para tocar o Brasil.
O esquema de votos de cabresto impede que os mais cultos e preparados sejam eleitos pela grande maioria, de ignorante e com iguais direitos de voto.

Os sociólogos questionam: porque essa epidemia de corrupção em todos os níveis, pirataria contrabando sonegação e desonestidade generalizada? Porque o povo quer tudo no curto prazo? Arrisco um palpite: falta de esperança, confiança e de respeito nas instituições públicas e pelos gestores da coisa pública.

É a visão da impunidade dos desonestos e ladrões cada vez mais ricos, livres e soltos.

O investidor e o investimento
Conheci um japonês que sabia qual é a maior riqueza do mundo. O nome dele é Massami Ogino. Esse Shiham foi meu professor de judô e fez o maior investimento pessoal a longo prazo de um japonês no Brasil.

Massami Ogino optou por investir no ser humano, na pessoa (que não é sinônimo de indivíduo). Investiu na formação atlética de mais de seis mil judocas e o mais importante, na formação do caráter de cada um de seus alunos. Sabia o nome de todos, e como bom brasileiro, colocou apelidos também - o meu era UDON (um tipo de macarrão).

Visão Macro e visão micro.
Lembro-me que um holandês foi campeão mundial de judô, comia vários frangos por dia, treinou no Japão. Lembro também do comentário do professor Ogino. Com sua fleuma, disse em tom profético: “Em futuro bem próximo, o campeão mundial sairá do Brasil! Aconteceu!

Certa vez, havia recebido uma mesada gorda e pedi a Ogino que me ministrasse aulas particulares. Afoito, dei-lhe o dinheiro sem falar em valores por aula. Ogino também não estabeleceu preço. O que eu queria era saber mais e mais depressa. Passei a chegar duas horas mais cedo.

Passamos a treinar e logo na aula seguinte, dias depois, Ogino apareceu com dois judoguis novinhos iguais aos dele, comprados em São Paulo. Foi a forma de devolver o dinheiro que aceitou para não me ofender e devolveu como um presente para que não o ofendesse recusando.

Antes que pudesse falar, fui convocado para outros Dojos onde Ogino ensinava. Iria sem pagar nada, como convidado do professor.

Massami Ogino investiu nos seus alunos e esse foi o maior investimento pessoal de um japonês no Brasil.

Um século de História.
Neste ano de 2008, comemorativo do centenário da imigração japonesa, Deus mostra que o ser humano é a obra-prima de Sua criação e tudo mais que existe é para conforto e sobrevivência da raça humana, que deve viver em perfeita harmonia com a natureza à sua volta. Era parte do plano de Deus essa vinda, essa bem vinda imigração que só trouxe vantagens para o desenvolvimento do Brasil e que em alguns momentos, por preconceito e xenofobia, esse povo amigo e altivo não recebeu o tratamento justo e merecido.

Ogino, uma unanimidade.
Todos que tiveram o privilégio de conhecer o Mestre Completo, Filósofo, profeta e pai amigo sabem: Massami Ogino é assim, e é imortal, porque os samurais são imortais. Massami Ogino vive em cada ser que ajudou a formar em caráter, força e cidadania, pelo exemplo de sua própria vida honrada sabia ensinar com a simples presença.

À memória imortal deste brasileiro por opção e de coração, mais de seis mil vozes interiores dizem obrigado por existir, “Mestre dos Mestres”, Massami Ogino.

Lembrem e reverenciem esse nome: OGINO é o nome de uma respeitável e honrada família brasileira que é guardiã desse investimento único, que é uma forma única do patriotismo o que parece não existir mais nesse mundo egoísta onde o Ser é desprezado pelo Ter.

O corpo do sábio Massami Ogino semeou a terra deste Brasil, que provou amar, impregnando a mãe terra com sua energia positiva de esperança e fé.

Seu corpo glorioso de luz ilumina os que seguem pela “senda do bem”. Massami Ogino sabe se impor pela ausência física também.

Flavio Pinto Ramos (Udon)




Massami Ogino

Na linhagem de meus ancestrais, o nome de Massami Ogino está ao lado do de meu pai.

Acredito que há uma genética biológica e uma genética espiritual.

A ciência de hoje evoluiu a ponto de a física newtoniana dar lugar à física quântica. Na biotecnologia, florestas inteiras podem ser clonadas a partir de uma célula de uma árvore doadora perfeita.

Também uma consciência pode ser projetada influenciando várias consciências delas fazendo parte. É o que em sânscrito é chamado de egrégora.

Os materialistas acreditam que tudo é produto da inteligência do homem.

Olhando a natureza e o firmamento, acredito firmemente em um Poder criador maior, sem o qual nada existiria. Acredito que há um planejamento estratégico determinando passo a passo a evolução do universo.

Cada minúsculo grão de areia, cada célula, é cuidadosamente planejada e no momento certo, acontece a eclosão de uma nova vida ou uma de a descoberta. Na verdade tudo já ideado pelo Criador e parte de um mesmo plano. O grandioso Plano de Deus, qualquer que seja Seu nome.

Massami Ogino era introspectivo e econômico com as palavras. Os que aprenderam as artes da observação e da reflexão seriam capazes de extrair dele a Sabedoria Infinita que sua luz interior irradia.

Massami Ogino é um mestre capaz de ensinar até mesmo no silêncio, a cada palavra e atitude seu comportamento espelha a grandiosidade do sábio e a altivez do Samurai.

Por traz de sua face sempre tranqüila um turbilhão efervescente de idéias.

A visita ao dojo do subúrbio, uma história real.
Estávamos em um clube do subúrbio e haveria um torneio amistoso de Judô. Ogino havia convidado alguns de seus alunos para o evento, e nós estávamos no grupo.

Já no ônibus, Ogino havia contado uma de suas histórias significativas sobre o exibicionismo e a derrota do orgulho. Ao término da preleção, lembrou, sublinhando pausadamente as palavras, SOMOS CONVIDADOS, E O TORNEIO É AMISTOSO.

No almoço, entre os Mestres presentes, Ogino era o mais graduado. Foi o primeiro a ser servido do almoço, uma macarronada, depois dos mestres os demais presentes se serviram da macarronada, estávamos famintos, eu próprio havia feito um prato de estivador.

Mal Ogino provou a primeira porção elogiou o tempero e agradeceu a refeição farta e saborosa.

Todos se olharam, o macarrão estava passado, era um grude horroroso. Ogino olhou sua equipe e falou “gostoso, né?”

O reverso da moeda.
Vendo as notícias de drogas violência e crimes praticados por atletas das artes marciais, vejo claramente e lamento. Não conheceram o Mestre dos Mestres, Massami Ogino, um foco de luz que o Criador plantou nessa terra de promissão onde o “Mestre de Dois Mundos” criou uma família de mais de seis mil. Não conheço nenhum caso de violência praticado por alunos dele.

Há um tempo para tudo há o momento de plantar e há o momento de colher, como há uma genética biológica e uma genética espiritual.

Espero, um dia, conhecer o ramo da família Ogino que vive no Japão e se perguntarem meu nome direi: Flavio da família OGINO, meu Mestre e meu Pai é Massami Ogino, uma luz que o Criador deu ao Brasil como um precioso presente para sempre. Um filósofo do silêncio, um samurai de dois mundos.

Neste ano de 2008, de festas em que o Brasil comemora cem anos da vinda dos colonos japoneses, nossa respeitosa homenagem a Massami Ogino e sua família de brasileiros, que fazem do nome Ogino um nome de brasileiros de origem nobre, portadores da luz e da genética de Massami Ogino. Escrevi esse nome ao lado do nome de meu pai eu também tenho orgulho dele.

Prof. Flavio Pinto Ramos



O Ninja das Américas
Em vinda recente ao Rio de Janeiro, após um acampamento de instrução em Itatiaia, região serrana do estado do Rio de Janeiro, o mestre argentino Daniel Hernandez concedeu esta entrevista ao colunista Drustan, o Scaldi, que também é praticante da arte ninja.

Shihan Daniel foi o primeiro latino-americano a receber os títulos de Shidoshi e de Shihan, em nosso continente. Esse é apenas um dos muitos motivos que o tornam um Ninjutsuka tão incensado no mundo todo.

Fiquem com um pouco da filosofia e das histórias
 
que foram transmitidas pelo mestre, que é Shihan de Ninjutso e é o praticante mais graduado dessa arte marcial na América Latina.


MENSAGEIRO - O senhor, antes de chegar ao Ninjutso, estudou outras artes marciais, chegou a ser inclusive campeão de um estilo de Karate-Do. Como foi seu primeiro contato com esse mundo?

SHIHAN: Fui componente da seleção argentina de Karate, o que me fortaleceu física e mentalmente.
Acho que de todas as artes que pratiquei, o Karate foi a que me preparou para receber o conhecimento da Bujinkan (escola de Ninjutso, que unifica todos os estilos). Foram 17 anos no estilo Uechi Ryu, onde combatia por faixa e peso; eu pesava apenas 65 kg. Tinha de combater contra oponentes de outros pesos e faixas (internamente). Era o treinamento de Okinawa, extremamente duro.
Fiz também Ken-Do e Iai-Do (modalidades japonesas de esgrima); sou instrutor de Kobu-Do (uso de armas). Tudo isso preparou meu corpo e espírito. Mas o que eu encontrei foi muito diferente.

MENSAGEIRO - Como soube da existência do Ninjutso e chegou até ele?


SHIHAN: Sempre fui atraído pelas histórias dos Ninjas, não acreditava no que se dizia sobre eles. Fui pesquisar e vi o anúncio de um acampamento Ninja a 600 km de Buenos Aires. O evento duraria 15 dias e seria conduzido por um mestre da Espanha. Fui junto com um aluno meu. No quinto dia, o Mestre espanhol foi à minha barraca me perguntar se eu queria ingressar na arte, definitivamente.
Ele ficou morando três meses em minha casa, treinávamos de sete a oito horas por dia. Mas, em um dado momento, ele sumiu. Fui para a Espanha tencionando ficar quinze dias; fiquei um ano. Logo na chegada perdi minha bagagem! [risos] Mas acabei me encontrando com a mestra do espanhol e estudei com ela. Ao fim de um período, eu já era segundo Dan, fiz parte da Bujinkan espanhola, logo comecei a dar aulas e excursionar, como hoje em dia.

MENSAGEIRO
- Geralmente, graças aos filmes norte-americanos, os Ninjas são vistos como assassinos e até demônios. Como é verdadeiramente a mentalidade do Ninja?

SHIHAN: Os enlatados mostram-no como um palhaço, matador e até terrorista. Se falta um assassino, logo põem um capuz em alguém, e pronto. Nada há de mais falso, o Ninja é um defensor de seu ambiente e da vida.

Todos falam do Bushido (código de ética samuraico); o primeiro item do Bushido lhe faz jurar-se de morte, sua vida não lhe pertence. No código Ninja, o primeiro item lhe jura a família, ao país e ao seu povo.

Quando os Samurais defrontavam os Ninjas, era formidável, pois, apesar de toda a sua valentia, o Samurai não enxergava o Ninja que atacava de todos os lados. O Samurai não tinha um alvo, daí provém a lenda da invisibilidade ninja; fama essa que cresceu a ponto de a guarda imperial esquecer os Samurais para substituí-los todos por Ninjas. É disso que provém o asco do Servidor (tradução da palavra Samurai) pelo Ninja.
Hoje em dia não há um Samurai-Jutso (arte samuraica), mas há o Ninjutso (arte ninja); pode não parecer, mas foi o Ninja quem sobreviveu.

MENSAGEIRO - Como o Ninjutso, que é uma arte extremamente oriental e antiga, chegou aos nossos dias e ao Ocidente?

SHIHAN: Foi mais ou menos no ano de setenta e dois com Soke Takamatsu (Soke é o guardador maior da arte). Ele adotou marinheiros holandeses como alunos, mas sem dizer o que era e ainda se treinava de branco, isso foi um teste para ver como os ocidentais se ambientariam.

Quando Soke Hatsumi assumiu (o atual Soke), ele abriu as fronteiras para auxiliar o karma do mundo, para que as boas pessoas tivessem uma ferramenta de aprimoramento; para nós é uma arte marcial de vida, e não de morte. Muitos de nós viemos de artes marciais distintas, mas nos vemos como cavaleiros andantes, que portam uma mensagem. Eu me sinto responsável por essa mensagem que me foi dada por um mestre, e caminho pelo mundo para disseminá-la.

MENSAGEIRO - O senhor viaja muito pelo mundo a serviço do Ninjutso. Como vai o cenário mundial?

SHIHAN: Convulsionado. A Bujinkan é parte da sociedade e do mundo, naturalmente isso nos afeta. Mas, no momento, o mundo está sendo observado, já está se decidindo quem serão os herdeiros da arte. Mas a Bujinkan mostra um caminho diferente de viver, sem medo, com dignidade e verdade, portanto também mostra uma boa forma de se morrer dignamente, exatamente por entender plenamente a vida. Quem busca isso é Ninja. Em todo o mundo hoje se pode compartilhar o caminho.

MENSAGEIRO - Quando vai ao Japão, o senhor sempre se encontra com Soke Masaaki Hatsumi. Fale um pouco sobre como é conviver com uma lenda viva, o único Ninja ativo hoje existente.

SHIHAN: É a oportunidade de falar com a vida. Quando olho para ele eu vejo um pai e um demônio. Ele tem setenta e oito anos e lida com todo o tipo de gente. Perto dele nos sentimos bufões por assumirmos nossa inferioridade frente tanta superioridade. Tem gente que estuda música de ouvido, ele nos ensina a escutar o coração.

MENSAGEIRO - Ao contrário do resto do mundo, a América Latina sofre com vários tipos de problemas. Em que essa instabilidade afeta o ninjutso no nosso continente?

SHIHAN: Sensei fala que só serão salvos e sobreviverão aqueles que compreenderem a realidade, na vida é sem faixa e sem Dan (grau). Qualquer um pode ceifar vidas, mas a grande mensagem da vida é aprender á morrer por algo bom, pela verdade. “Melhor morrer de pé que viver de joelhos”. (frase de J.C. Perón, falecido presidente argentino).

MENSAGEIRO - Há planos específicos para o desenvolvimento da arte no continente?

SHIHAN:
Não. Há intenção, sentimento, garra e o nosso sangue latino. Não é bom planejar, pois o inimigo é quem planeja. Nós vivemos para espalhar a palavra do Soke, sem planos. Mas o objetivo é que a América Latina seja grande na arte como toda a Bujinkan.

MENSAGEIRO - Nos últimos anos, os artistas marciais brasileiros têm evoluído a olhos vistos, é assim também com os Ninjutsukas tupiniquins?

SHIHAN: O brasileiro é muito festivo e tem muita fé, mas deve aprender a observar a realidade, aí então serão grandes e poderosos.

MENSAGEIRO - Que mensagem o senhor gostaria de deixar para os alunos e os não praticantes do Brasil?


SHIHAN: Deixo uma história de Sensei Hatsumi.
Ele costuma dizer sempre: - “Meu treinamento se transforma em suor, meu suor se evapora e vira incenso, incenso que carrega minhas preces até meu Sensei que está no céu”.


Quando começou seu treinamento, Sensei Hatsumi tinha que viajar por sete horas até chegar ao local de treinamento, ali ele era posto sentado em um canto do Dojo somente observando. Ao fim do horário, ele voltava para casa enfrentando mais sete horas de viagem. Com o tempo Sensei Hatsumi reparou que toda a vez que ele indagava:


- “Soke, o que o senhor vai me ensinar hoje? Será uma nova arma? Uma nova técnica? O que será hoje?”

Soke Takamatsu simplesmente o punha a observar o treinamento de outros alunos. Um dia, Sensei Hatsumi perguntou ao Soke Takamatsu:

 

- “Soke, em que o senhor vai me transformar?”

Lógico que a resposta esperada era algo como: Vou transformá-lo em um grande guerreiro, mas o que veio foi:

- “Eu vou transformá-lo em um homem melhor.”

Sensei Hatsumi se decepcionou, na época.

Também, na época, após o treinamento, os alunos de Soke Takamatsu se reuniam com o mestre para beberem um gole de sake e até mesmo fumar um cachimbo ou um cigarro. Mas Sensei Hatsumi jamais tomava lugar no círculo por temer desrespeitar o mestre, bebendo e fumando em sua frente.

Hoje, que Mestre Takamatsu se foi, Soke Hatsumi se lamenta por na época não ter podido enxergar o que havia por trás daquelas horas de observação. Hoje que Mestre Takamatsu se foi, Soke Hatsumi se lamenta por não ter podido compartilhar momentos de alegria com seu Sensei. Por isso ele sempre diz que:

- “Meu treinamento se transforma em suor, meu suor se evapora e vira incenso, incenso que carrega minhas preces até meu Sensei que está no céu”.

Exatamente após cinco dias da entrevista concedida, eu estava em casa de meu Shidoshi, Greg Martinez. Tomávamos um café após revisarmos o texto anterior; então ele completou a hitória que Shihan Daniel contara sobre Soke Hatsumi e Soke Takamatsu:

- “Soke Hatsumi só bebeu sake com seu Sensei no dia do enterro deste, já que há um brinde cerimonial no enterro japonês. Foi a única vez que aluno e professor beberam juntos”.

Ninja. Se com essa revelação você está chorando, faça-o com liberdade, pois apenas os fortes choram.

Ninja. Se com essa revelação você está chorando, sinta-se acompanhado, pois eu estou chorando até agora.

N.R. As palavras em japonês foram aportuguesadas pelo entrevistador.



 

O portal www.mensageiro.com.br conseguiu contato com a família Ogino e estará em breve contando para os leitores do “Portal da Sabedoria” uma história que é parte da História do Brasil, pelos depoimentos dos que o conheceram e viveram a experiência prática de filosofia e conhecimento deste mestre que deixou o corpo material para a glória da eternidade e que faz parte das famílias espirituais dos que com ele conviveram.

Como os grande exemplos do mundo, viveu modestamente mas deixou um tesouro como legado sua obra e seu honrado nome que, como a semente da romã, se multiplica e cresce em força e sabedoria.

A equipe deste portal agradece às netas Naomi Ogino e a Amy Shinkai por terem atendido ao nosso apelo.

Flavio P. Ramos
Editor

 

Massami Ogino

Mestre em tempo integral.Uma visão econômica e filosófica do futuro.

Ainda sob a angústia profunda da ausência física do mestre e sem ter tido a honra de prestar-lhe minhas últimas homenagens, minha mente vaga pelo passado, no tempo em que convivemos.

Iniciação na gastronomia japonesa

Havia na rua Primeiro de Março um restaurante japonês popular.
Foi lá minha iniciação nessa cozinha saudável e decorativa, que alimenta e harmoniza, enquanto é um banquete também para os olhos.

Naquele tempo havia apenas dois restaurantes especializados em comida japonesa. No posto 6, em Copacabana, o Akasaka, reduto de diplomatas e empresários, executivos das empresas que se instalavam no Brasil e esse popular no centro do Rio de janeiro, próximo à Praça XV.

O Mestre terminava as aulas da manhã na polícia e aguardava as da tarde no Clube Ginástico Português. Com a habitual sutileza de abordagem, perguntou-me se já havia conhecido um autêntico restaurante japonês. Disse que iria no dia seguinte comprar molho de soja e outros ingredientes, que a senhora Ogino havia encomendado, no empório da rua primeiro de março. Era um ponto de encontro da comunidade japonesa do Rio de Janeiro. Um atacado, onde as coisas eram mais baratas, sem o luxo das delicatessen. Havia de tudo: livros, revistas, jornais do Japão e cartazes de filmes japoneses. Lá, compraria também entradas para um filme épico japonês com o ator Toshiro Mifune, um especialista no Kendo (caminho da espada).

No dia seguinte, fomos ao local e, depois das compras, Ogino convidou para conhecer o restaurante, que ficava num sobradão ao lado.

Visitamos a cozinha e fomos para uma das mesas. No restaurante, que ainda estava sem movimento, Ogino disse que os ocidentais têm dificuldade em comer usando os hashi, mas que no Japão as crianças aprendem com facilidade e que a prática é higiênica e fácil de ser assimilada.

De fato, aprendi logo no primeiro dia. Ogino informou-me de que os japoneses sentem-se honrados quando seus convidados aceitam a sua maneira de comer e seus costumes com naturalidade.

O restaurante estava repleto e pude notar que alguns sorriam e curvavam a cabeça em sinal de aprovação.

Após aula de judô, à tarde, fomos ao auditório da Associação Brasileira de Imprensa-ABI para assistir o filme falado em japonês e sem legendas. Com a fleuma habitual, Ogino avisou que deveria prestar muita atenção às cenas de luta e que, se necessário, daria explicações e no final do filme contaria o enredo.

A seqüência mais interessante foi aquela em que o ator que representava o papel principal atacado por dois lutadores ao mesmo tempo, não desembainhou a espada, defendendo-se com a arte do “kendo” e ás vezes usando a bainha da espada como porrete. Na seqüência final, apareceu mais agressor vestido de ninja, que atacou pela retaguarda, o samurai limitou-se a sacar a “katana” e a golpear o adversário de costas com a espada apoiada no ombro, sem voltar-se limpou a lâmina em um lenço e guardou a arma. O atacante estava de pé perplexo ainda com a espada erguida em posição de ataque. Estava morto.

Na saída, Ogino narrou as cenas e mostrou as diferenças na defesa com as mãos, quando de armadura, e as sutilezas da luta com espada. Na cena em que o ator não usou a espada foi enfático: os dois adversários eram fracos demais o samurai não se aproveita do inimigo mais fraco; por isso deu-lhes a vantagem de usar a bainha e deixou que vivessem para aprender com o erro.

Uma lição para o futuro

Acrescentou: “O Brasil está fechando novos negócios com o Japão. Logo você vai precisar aprender a língua, também. Os japoneses normalmente falam Inglês, mas não gostam.

Estava sendo profético! Fui trabalhar em uma empresa onde o meu conhecimento de como comportar-me. Segundo a tradição japonesa, foi fundamental. Mas como meu entendimento da língua era insuficiente, foi contratada uma intérprete, Etsuko Kanashiro, uma simpática e prestativa secretária, mais responsável do que eu pelo sucesso que obtivemos na H. Stern Comércio e Indústria, de onde tenho gratas lembranças.

Evitar situações de risco desnecessárias é prova de sabedoria

Pediu-me também para não mais cruzar o Campo de Santana (parque que fica próximo à estação Central da Rede Ferroviária no Rio) lugar perigoso e povoado de assaltantes.

“Não crie situações de risco sem necessidade. Os criminosos são covardes, agem em dupla e armados, além de contarem com a surpresa.”

O Grande Mestre conhecia seus alunos, qualidades e defeitos, profundamente, e os vigiava sem sufocá-los sem palavras vazias ou censuras. Nunca ouvi de sua boca a palavra Não.

A filosofia desse grande ser, que está no Oriente Eterno, está entranhada em cada um dos mais de 6000 discípulos a quem dedicou-se em tempo integral.

Curvo-me e respeitosamente peço a sua benção, Massami Ogino, Mestre dos Mestres!

Tenho plena certeza que do Oriente Eterno onde está vivo, ainda nos ensina. Seu exemplo é como o ouro incorruptível de suas palavras sempre medidas e ditas no momento certo.

Omissão e indiferença

Tentei de todas as formas reunir dados para melhor escrever essa matéria fui à sede da Federação. Tentei contatar a assessora de imprensa por duas vezes. Nada sabia informar e deu-me o nome de um professor que teria sido sua companhia mais recente. Ninguém deu qualquer informação ou compareceu aos encontros marcados para entrevista ou telefonou desmarcando.

Esse é o retrato do Brasil ingrato e omisso.

Deixo de revelar os nomes das pessoas com quem falei em vão para que não se transformem em notícia.

Quero encontrar os familiares descendentes de Massami Ogino para prestar-lhes meu respeito e ajuda, se for necessário. Desejo retribuir o que o Mestre fez por todos com quem dividiu generosamente seu conhecimento ao longo de sua existência material.

Flavio P. Ramos
Professor do Ensino Superior
Editor

 
 
Massami Ogino, um Samurai!
Por Flavio P. Ramos, editor deste Portal
12 de novembro de 2000, Massami Ogino, Mestre dos Mestres, 9º Dan, deixa o plano material para viver eternamente no plano dos espíritos, o Oriente Eterno.

Há muito vinha procurando localizar meu antigo mestre, Shihan Massami Ogino, para oferecer-lhe a página de Artes Marciais deste Portal, mas estava procurando no lugar errado,
a Internet.

Queria fazer com meu mestre uma reportagem, daquelas que marcam as grandes personalidades, queria contar a vida desse grande incentivador do judô no Brasil, do Mestre à moda antiga, sem apegos materiais e profundamente integrado com sua missão.
 
 
 

foto: Internet

Durante o tempo em que esteve entre nós, no plano material, formou mais de 6.000 judocas e jamais pediu nada para si mesmo. Modesto e sábio, era dedicado e amado por todos que o conheciam.

Por mais que ele tenha ensinado que a morte é uma conseqüência natural da vida, na visão da multidão de discípulos que deixou, o antigo mestre dos mestres, sua ausência material é uma lacuna que jamais será preenchida. Os encargos são substituídos, as pessoas não.

Massami Ogino, o antigo Samurai, um homem ímpar.

Chegou ao Brasil como imigrante, tendo sido enviado ao Norte para ensinar as modernas técnicas japonesas de agronomia e aumentar a produtividade nas plantações de juta. Assim me contou em nossas conversas.

O clima, a alimentação, a língua e os costumes brasileiros foram suas primeiras aflições e sofrimentos longe de casa.

Logo foi sendo adaptado à nova realidade e começou a gostar da terra que seria sua por escolha. Ogino era persistente e perfeccionista em tudo que fazia.

Foi a partir dessa sua obra de amor à nossa terra, que adotou, de coração, o Brasil, que brotou a vontade de ir mais além.

As barreiras do idioma não foram suficientes para afastar de sua missão o nobre samurai, ao contrário, aprendeu a linguagem universal da mímica e com gestos transmitia seu patrimônio de conhecimento em Agronomia ao caboclo teimoso e resistente às mudanças.

A maioria entendia seu objetivo de construção de uma qualidade de vida melhor para o país. Massami Ogino explicava: “No Japão, a terra é escassa e é preciso usar de muita criatividade para produzir alimentos. No Brasil, ao contrário, a terra é farta e generosa, daí os caboclos serem teimosos e apegados às técnicas antigas e de baixa produtividade.”

Encontro com o Mestre

Quando conheci o Mestre eu estava com 14 anos e já havia sido iniciado no “caminho suave” pelo mestre Nagashima, no Dojo da Associação Cristã de Moços. Era, agora, sócio do Clube Ginástico Português, onde Massami Ogino era o mestre.

Ogino contou-me que o judô era tradição de sua família e que seu pai fora professor da polícia no Japão.

Tínhamos hábitos semelhantes. Ambos chegávamos muito cedo e tomávamos um banho bem quente antes de vestir o judogui, branco tradicional sempre lavado, impecável.
Foi assim, antes das aulas, que, aos poucos, Ogino foi contando sua história.

Na sua chegada ao Brasil, fora difícil a adaptação à alimentação e aos hábitos daqui. O “caminho suave” logo levou-o a adaptar-se para sobreviver.

Seu trabalho vinha sendo observado pelas autoridades locais e logo que descobriram sua habilidade com o judô, quase desconhecido no País. Foi convidado a morar no Rio de Janeiro e ensinar a sua Arte. Agora não sei precisar quando isso aconteceu, mas o Rio de Janeiro era ainda a capital da República.

O filósofo Ogino e seu jeito de ser

Não tardei a descobrir que sua sabedoria ia muito além do que esperava, era um profundo conhecedor de anatomia e fisiologia humanas, filósofo e um contador de histórias admirável. Eram histórias, sempre com fundo moral.

Uma ocasião, Ogino foi chamado pelo diretor de esportes do Clube, um capitão da P.M.. Vou omitir o nome para evitar constrangimentos. “Professor - disse ele - tenho um plano para aumentar a freqüência ao judô - vamos fazer um curso intensivo de defesa pessoal completo de 2 meses. Ao final, cada aluno receberá seu diploma em defesa pessoal. O que o senhor acha?” (Seriam 16 horas)

Ogino cravou os olhos no diretor e, para surpresa geral, disse: “Ótimo, quando começamos?”

A turma foi fechada, o diretor fez as apresentações e disse que ao final dos 2 meses receberiam os diplomas do curso. Ogino escutava tudo na posição de descansar, ao lado do diretor de olhos fechados e sério.

Começadas as aulas, os alunos novatos, em “short” de ginástica, Ogino disse que deveriam comprar os Judoguis conforme o regulamento e iniciou uma corrida com os novatos em volta do tatame. Enquanto isso, os demais alunos treinavam regularmente. Em 15 dias, já todos com os judoguis, adicionou rolamentos e quedas intercalados com as corridas, o que durou até os 2 meses do curso. As reclamações já se acumulavam e o diretor, na frente de todos resolveu perguntar o que estava acontecendo. Ogino, sem perder a fleuma, respondeu. “Esses rapazes chegaram gordos e fora de forma, agora são capazes de correr 6 quilômetros e sabem rolar e cair muito bem. Foi o máximo possível para um curso de 2 meses. Aprenderam a correr e a cair, para poder fugir e não apanhar. Para aprender a reagir demora muito mais e vai depender também da dedicação de cada um.”

Quase todos continuaram as aulas, e aprenderam as lições de obediência. Moral da história:

O diretor estabeleceu as regras e mandou cumprir. Em nenhum momento pediu opiniões, e o objetivo proposto, aumentar a freqüência ao judô foi plenamente alcançado. A freqüência ao judô foi significativamente aumentada. Essa era a maneira que Ogino tinha para enfrentar dificuldades.

Conversei com Ogino sobre o ocorrido e também aprendi uma bela lição de estratégia.
Chamou-me pelo apelido que tinha inventado “Udon” (um tipo de macarrão oriental). “Udon, os alunos novatos estavam cheios de entusiasmo em aprender e a turma estava pronta, não enganei ninguém, preparei-os da melhor forma para o prazo de 2 meses, como já haviam gasto o dinheiro no judogui que a “Federação” obriga a usar nas aulas, sabia que não iam querer perdê-lo. Nesses 2 meses eles, perceberam que não era possível um curso completo. Quando foram reclamar, foi porque acreditaram que seria possível , mas sabiam que eu não havia sido consultado nem os havia enganado. Quando estavam descansando olhavam os treinamentos dos Katas e as lutas e iam percebendo os graus de dificuldade para atingir o padrão que desejo para todos.”
Mais uma história verídica:

Ogino levou alguns de seus alunos escolhidos para uma festa em uma academia que ficava em um sobrado, hoje demolido, da rua Uruguaiana. O mestre era um nordestino chamado Milton. A casa estava cheia, inclusive de familiares dos alunos da academia e convidados.

O Professor Milton deu início às demonstrações quebrou tijolos e telhas com as mãos. Terminou por perfurar uma melancia com os dedos em um só golpe.

Ogino assistia com o seu olhar fleumático, quase de olhos fechados. Perguntei como é possível isso? Ele respondeu simplesmente - “melancia não sabe judô, não conhece Karate, não pode se defender. Para quebrar telha e tijolo, melhor usar martelo.”

Desapego material e preocupação com o aprendizado diferenciado

O Clube Ginástico não competia com outros clubes. Ogino escolhia alguns alunos e perguntava se desejavam competir com academias e clubes de fora, como avulsos. Era o jeito dele de maximizar o aprendizado dos escolhidos. Fui um desses.

O jeito Ogino de ensinar, sua marca registrada.

Antes, muito antes de começar suas aulas regulares, Ogino lia manuais japoneses de treinamento avançado com figuras e descrições, passo-a-passo e me honrava treinando comigo os novos golpes.

Foi quando aprendi que para cada biotipo há golpes que são melhor aproveitados e que lutadores canhotos podem levar vantagem se souberem usar essa diferença. Por isso, deveria praticar golpes pela esquerda também. Era nessas horas que se percebia claramente a forma que fez de Ogino um grande mestre. A observação a cada movimento e a imediata correção dos erros, depois, praticar até a exaustão. Tomar um banho, vestir judogui novo e começar outra vez, sentir a arte e técnica do judô entrando pela pele até a perfeição.

Termino este artigo, sentindo a presença dele. Fecho os olhos e vejo sua imagem jovem e vigorosa, aos 44 anos. Está vivo e pronto para tudo, o ensino ou o combate. Ogino é um Samurai, um guerreiro de dois mundos. Os Samurais são imortais!


 
   
     
     
 

 

O tênis e os Jogos Pan-Americanos,
em 2007, no Rio de Janeiro

As raquetes, que têm grande influência nas características do tênis na atualidade, sequer eram usadas no jogo que originou o esporte como é hoje. Registros esparsos de esportes semelhantes foram encontrados na Antiguidade, porém o mais antigo parente reconhecido na árvore genealógica do tênis é o jeu de paume (“jogo de palma”, em francês). Surgiu nos Jogos Pan-Americanos em 1951.

Era disputado na França do século XI em quadras fechadas, usando as paredes como parte do jogo e a palma da mão para rebater a bola. Três séculos depois, os primeiros esboços dae raquete começaram a aparecer e a divisão da quadra por uma corda.

No século XIX, o tênis tomou sua forma básica atual. Um ou dois competidores ficam de cada lado de cada uma quadra aberta ou coberta, usando raquetes para jogar uma pequena bola para o outro lado da rede. Cada um tem o direito a deixá-la quicar no solo uma vez, tentando evitar que o oponente consiga rebatê-la. O sistema de contagem em melhor de três ou cinco sets (vencendo um set aquele que ganhar seis games primeiro) e os diferentes tipos de piso (grama, saibro,m cimento, sintético, carpete) foram evoluções que aconteceram com o passar dos anos. No Pan de 2007 será disputado no Marapendi Country Club.

Fonte: A Prefeitura do Rio Ano 3 – número 30-2005

 
     
 


O Basquete e os Jogos Pan-Americanos,
em 2007, no Rio de Janeiro

O basquete foi inventado em dezembro de 1891 pelo professor canadense Janes W. Naismith e pode ser considerado um esporte coletivo de precisão, já que o objetivo do jogo é acertar um alvo pequeno, uma cesta colocada a 3,05m de altura nas duas extremidades da quadra. Surgiu nos Jogos Olímpicos em 1951.

Os jogos são disputados por duas equipes de cinco jogadores cada e vence o time que marcar o maior número de pontos. Há três formas de pontuar: nos tiros livres (arremessos consignados em lances de falta, que valem um ponto), nos arremessos de longa distância, de trás de uma linha arqueada a 6,25m da cesta (que valem três pontos).

Cada partida tem duração de 40 minutos de bola em jogo, divididos em quatro quartos de 10 minutos. Nos jogos Pan-Americanos de 2007, que serão realizados na Cidade do Rio de Janeiro, esta modalidade será disputada na Arena Olímpica do Rio, Autódromo Nelson Piquet, em Jacarepaguá.


Fonte:A Prefeitura do Rio Ano 3, nº 29-2005

 

 

 

 

 

 
     
     
     
 
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